Jose Reinoso - El País
Shen Tong tinha 20 anos quando eclodiram os protestos em Tiananmen, há um quarto de século. Aluno do terceiro ano de biologia na Universidade de Pequim (Beida), transformou-se em um dos líderes do movimento estudantil e copresidiu o comitê para o diálogo com o governo.
Shen conseguiu fugir de Pequim em 10 de junho, seis dias após testemunhar a massacre, porque havia obtido o passaporte chinês para ir estudar nos Estados Unidos. Cidadão norte-americano desde 2001, ele vive em Nova York, de onde falou por telefone com "El País".
El País: Por que aderiu ao movimento pró-democrático?
Shen Tong: Já no colégio eu estava envolvido em movimentos estudantis, por isso, em 1989, na universidade, era um dos poucos ativistas veteranos. O pequeno grupo que tínhamos teve dificuldades para conseguir apoios para nossas atividades até a morte de Hu Yaobang [ex-secretário-geral do Partido Comunista Chinês, PCCh]. Não só era visto como provavelmente o líder comunista mais reformista, como os estudantes sentiram especialmente sua morte pelo movimento estudantil nacional de 1986-87, cuja repressão pela força conduziu a sua demissão forçada [em 1987].
El País: Qual é a sua melhor lembrança do movimento?
Shen Tong: Em 26 de abril, quando os protestos tinham oito ou nove dias, o "Diário do Povo" [órgão oficial do PCCh] publicou um editorial que chamou o movimento de "contrarrevolucionário" e controlado por um punhado de "educadores". Os estudantes universitários de Pequim se revoltaram porque se tratava de uma comemoração da morte de Hu Yaobang e um pedido de reformas moderadas. Naquela noite, votamos por nos manifestarmos só no campus, para minimizar a repressão. Mas, no dia seguinte os estudantes decidiram ir à marcha [em Tiananmen].
El País: E qual é a pior?
Shen Tong: Na noite da chacina, em 3 de junho, fui testemunha de várias mortes de manifestantes. Havia um sentimento de que eram invencíveis e de que, raciocinando com as tropas, poderiam deter o avanço dos soldados e talvez as mortes. Era bonito e louco ao mesmo tempo.
El País: Por que o movimento fracassou?
Shen Tong: O movimento se estendeu a muitos níveis da sociedade. Mais de 400 cidades na China e possivelmente de cem a 150 milhões de pessoas participaram de protestos. Esse êxito e a repressão sangrenta final foram devidos, em boa parte, às lutas internas na cúpula do PCCh. Foi um momento realmente importante e simbólico para a história moderna da China e, em muitos aspectos, para o resto do mundo.
El País: Qual é o legado do movimento depois desses 25 anos?
Shen Tong: Há um chamado milagre econômico chinês, apesar do grave retrocesso em política, direitos humanos e liberdades civis, e existe um desenvolvimento muito desequilibrado. Mas, o que fizeram durante o massacre foi utilizar uma força arrasadora para comover todo o país e deixá-lo em uma submissão total. A comoção foi tão completa que as pessoas simplesmente não falam mais disso.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Shen Tong: Já no colégio eu estava envolvido em movimentos estudantis, por isso, em 1989, na universidade, era um dos poucos ativistas veteranos. O pequeno grupo que tínhamos teve dificuldades para conseguir apoios para nossas atividades até a morte de Hu Yaobang [ex-secretário-geral do Partido Comunista Chinês, PCCh]. Não só era visto como provavelmente o líder comunista mais reformista, como os estudantes sentiram especialmente sua morte pelo movimento estudantil nacional de 1986-87, cuja repressão pela força conduziu a sua demissão forçada [em 1987].
El País: Qual é a sua melhor lembrança do movimento?
Shen Tong: Em 26 de abril, quando os protestos tinham oito ou nove dias, o "Diário do Povo" [órgão oficial do PCCh] publicou um editorial que chamou o movimento de "contrarrevolucionário" e controlado por um punhado de "educadores". Os estudantes universitários de Pequim se revoltaram porque se tratava de uma comemoração da morte de Hu Yaobang e um pedido de reformas moderadas. Naquela noite, votamos por nos manifestarmos só no campus, para minimizar a repressão. Mas, no dia seguinte os estudantes decidiram ir à marcha [em Tiananmen].
El País: E qual é a pior?
Shen Tong: Na noite da chacina, em 3 de junho, fui testemunha de várias mortes de manifestantes. Havia um sentimento de que eram invencíveis e de que, raciocinando com as tropas, poderiam deter o avanço dos soldados e talvez as mortes. Era bonito e louco ao mesmo tempo.
El País: Por que o movimento fracassou?
Shen Tong: O movimento se estendeu a muitos níveis da sociedade. Mais de 400 cidades na China e possivelmente de cem a 150 milhões de pessoas participaram de protestos. Esse êxito e a repressão sangrenta final foram devidos, em boa parte, às lutas internas na cúpula do PCCh. Foi um momento realmente importante e simbólico para a história moderna da China e, em muitos aspectos, para o resto do mundo.
El País: Qual é o legado do movimento depois desses 25 anos?
Shen Tong: Há um chamado milagre econômico chinês, apesar do grave retrocesso em política, direitos humanos e liberdades civis, e existe um desenvolvimento muito desequilibrado. Mas, o que fizeram durante o massacre foi utilizar uma força arrasadora para comover todo o país e deixá-lo em uma submissão total. A comoção foi tão completa que as pessoas simplesmente não falam mais disso.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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