domingo, 17 de julho de 2016

Dias antes de ataque a Nice, terrorista mandou 84 mil euros à família
Familiares de Mohamed Lahouaiej Bouhlel dizem que ele sofria de problemas psicológicos
O Globo 
PARIS — Dias antes de cometer o atentado terrorista que matou 84 pessoas em Nice, Mohamed Lahouaiej Bouhlel enviou 84 mil euros à sua família na Tunísia, segundo seu irmão, Jaber Bouhlel. O terrorista de 31 anos atropelou com um caminhão uma multidão que festejava o Dia da Bastilha na cidade francesa durante a noite de quinta-feira. Ele morreu ao ser atingido por tiros disparados pela polícia.
— Mohamed nos enviou todas as suas economias na França. Ele havia trabalhado por oito anos e este era o dinheiro que ele tinha guardado — disse o irmão do terrorista ao "MailOnline"
O que sabe do autor do atentado, até agora, vem das informações dadas por vizinhos e familiares, que descrevem um homem angustiado, temperamental, eventualmente violento, deprimido e infeliz desde o divórcio — motivado pela separação, chegou a picotar os ursinhos de pelúcia da filha com uma tesoura e defecou em várias áreas do prédio onde morava. Além disso, ainda sofria de problemas financeiros. Mas nada indicava um interesse especial pelo grupo radical islâmico.
Na Tunísia, o pai de Bouhlel disse que o filho não rezava nem se dedicava ao Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos. Porém, a irmã, Rabeb Bouhlel, lembrou que ele foi acompanhado por psicólogos antes de ir para a França, em 2005.
— Ele tinha problemas psicológicos, e demos documentos para a polícia que mostram que teve esse acompanhamento psicológico durante vários anos.
Dentre os presos em suspeita de conexão ao ataque, está a ex-mulher do terrorista. Uma das operações policiais mobilizou cerca de 40 agentes e aconteceu perto da estação central de Nice.
O especialista em jihadismo do site de notícias France24.com, Wassim Nasr, lembrou que, embora inédito na França, o uso de um veículo para matar um grande número de pessoas é uma estratégia comum entre os jihadistas e já foi usado por eles em países como Israel. Sobre o comunicado do Estado Islâmico, Nasr disse que o grupo escolheu cuidadosamente as palavras ao chamar Bouhlel de “soldado”. E ponderou que isso mostra que havia, sim, uma conexão — mesmo que virtual. Para o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, não há dúvidas:
— Ele sem dúvida é um terrorista ligado ao Islã radical, de uma forma ou de outra.
Bouhlel avançou com um caminhão branco de 19 toneladas sobre uma multidão que estava no Passeio dos Ingleses, uma avenida costeira de Nice, assistindo à queima de fogos de artifício nas comemorações do aniversário da Queda da Bastilha — o dia nacional da França. Ele saiu atropelando pessoas por cerca de dois quilômetros antes de ser morto pela polícia.
O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, ordenou um grande reforço na segurança convocando 12 mil policiais e soldados reservistas. Foi uma resposta às críticas de que as autoridades e as forças de segurança teriam falhado durante o ataque em Nice. Segundo ele, não houve falhas, pois um grande esquema foi implementado — inclusive nas áreas do  Festival de Cinema de Cannes e do carnaval de Nice.
Já o o primeiro-ministro Manuel Valls anunciou que a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos reforçará seus recursos militares contra o grupo Estado Islâmico (EI) na reunião de ministros da Defesa dos países envolvidos, programada para o próximo dia 20 de julho, em Washington.
No Passeio dos Ingleses, a avenida onde ocorreu o ataque, a vida lentamente retorna à normalidade e a via será reaberta amanhã.

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