domingo, 23 de julho de 2017

Rio de Janeiro, Brasil
Estamos numa federação, e o país, nesse caso, precisa intervir
Fernando Gabeira - O Globo
Quase todo dia somos obrigados a demonstrar em nossa vida digital que não somos um robô. Michel Temer, ao lado de Rodrigo Maia, anunciou um grande plano de segurança para o Rio. E até o meio da semana não tinha feito nada. Para milhões que não os conhecem pessoalmente agora precisam provar que não são robôs, que não passavam apenas de uma combinação de vozes gravadas e milhares de pixels. A situação tornou-se insustentável.
O próprio Maia, presidente da Câmara, reconheceu que o governo do Rio perdeu o controle. Temer e Maia estavam discutindo no princípio da semana quem ficaria com um grupo de deputados do PSB. Em suma, estavam absortos na luta pelo poder. Os tiroteios são diários, escolas são atacadas, crianças, alvejadas ou atropeladas no ventre da mãe, os policiais morrendo mais do que em qualquer época de nossa história recente.
Há outro problema: o crescimento do roubo de cargas. As estradas estão perigosas para quem chega ao Rio. O perigo assombra os motoristas de caminhão. As consequências já estão anunciadas: seguradoras não aceitam mais cobrir cargas que têm o Rio como destino, e as empresas podem parar de abastecer a cidade. Um colapso no abastecimento nos jogaria na Venezuela e seríamos forçados a emigrar para Roraima em busca de supermercados.
Se Temer não é um robô creio que já se fez uma pergunta elementar: por que um país que teve a capacidade de desmontar um gigantesco esquema de corrupção não consegue desarticular as quadrilhas de assaltantes que operam nas estradas do Rio?
Talvez não tenha percebido, como se percebe daqui, que o governo está no chão. Num spa de Penedo, mas de qualquer forma no chão. O ideal seria resolvermos nossos próprios problemas. Mas estamos numa federação, e o país, nesse caso, precisa intervir. A única saída que me parece trazer alguma possibilidade não só de evitar o pior como de recolocar o Rio nos trilhos é uma intervenção federal.
O universo político imerso na luta pela sobrevivência, diante da Lava Jato, não consegue incluir esse tema na agenda nacional. Pode haver até a necessidade de convencer outros estados da federação. Há custos que, na verdade, podem se transformar em investimentos.
Guardadas as proporções, a inclusão do lado oriental custou muito à Alemanha. Mas o país continua crescendo. Sinal de que os gastos, na verdade, foram investimentos. Acho o exemplo precário. No entanto, o raciocínio, em termos abstratos, é válido. Temer não é Helmut Kohl, as economias tinham dimensões e produtividades diferentes.
Em compensação o Rio daria, proporcionalmente, muito mais do que a Alemanha comunista. Retomar a segurança pública reanimaria sua grande fonte de renda, o turismo. E numa posição estratégica como porta de entrada do turismo internacional.
A produção do conhecimento, apesar dos embates que a crise lhe impôs, como declínio da pesquisa, fuga de cérebros, ainda é um recurso também estratégico para a economia nacional. No momento em que esses temas são secundários no universo político, a esperança é a de que as Forças Armadas também não deem as costas para ele, sob o argumento de que sua tarefa é defender o país de inimigos externos.
Mas o povo do Rio está desamparado. É preciso que os agressores vistam um uniforme estrangeiro para que se saia, provisoriamente, em sua defesa? Não se trata aqui apenas de fazer o papel da polícia, mas sim de evitar que ela seja dizimada. Vivemos uma situação grave a que os próprios estudiosos de guerra deveriam dar alguma atenção. O projeto das UPPs, que reuniu recursos do estado e de empresas, foi uma opção com resultados muito rápidos, portanto muito mais gratificantes de um ponto de vista político e eficazes para garantir Copa e Olimpíada. Ele ignorou as leis da guerra de guerrilha que se aplicam a uma realidade assimétrica independente de ideologias. Seria preciso o Exército chinês, com seus milhões de soldados, para instalar UPPs operantes em cerca de mil comunidades do Rio.
A lei da guerrilha acabou se impondo no comportamento do mundo do crime: quando o inimigo se concentra, você se dispersa; quando o inimigo se dispersa, você se concentra. A dispersão para comunidades sem UPPs, para a Baixada, para cidades médias foi uma realidade. Campos tornou-se a mais violenta do estado.
Agora, com a crise nacional, prisão de políticos do Rio que se mostraram assaltantes em escala monumental, vivemos o que o inesquecível Marinho Celestino chamava de a volta do retorno. Numericamente, nossas perdas se igualam ou superam as provocadas pelo terrorismo. Sem governantes aptos, a própria sociedade terá de demonstrar que não é um robô. Num outro país, os líderes políticos teriam visitado as mães atingidas, prestariam homenagem aos policiais mortos. Existe ainda, ao lado da alienação dos políticos, um caldo de cultura que estigmatiza a polícia e romantiza o crime.
Simpathy for the devil, como no título da canção.
ONU e suas farsas: o Conselho de Direitos Humanos 
 

Seis coisas que você precisa saber a respeito do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU:
1 – O CDH dedicou 56 das suas primeiras 103 resoluções a criticar Israel.
2 – Entre 2006 e 2014, o CDH dedicou 33% de suas sessões extraordinárias a criticar Israel.
3 – Durante o mesmo período de tempo, a ONU nunca dedicou uma sessão sequer à Arábia Saudita (um dos países de mais aberta perseguição anticristã), à China ou à Rússia.
4 – Em 2016, a ONU emitiu mais resoluções contra Israel do que à Coreia do Norte (há muito tempo, o regime que promove a mais brutal perseguição aos cristãos) e à Síria juntas.
5 – A ONU criou comitês dedicados exclusivamente a atacar Israel.
6 – Até mesmo o Secretário Geral, Ban Ki-Moon, admitiu o viés anti-Israel da ONU.


Referência:
James Barrett. “6 Things You Need To Know About The UN’s Israel-Hatred.” The Daily Wire, 22 de dezembro de 2016.

Artigo completo disponível em https://goo.gl/XjRJzC
Vídeo: www.unwatch.org

Tradução: Yuri Mayal
Revisão: Hugo Silver
http://TradutoresdeDireita.org
http://facebook.com/tradutoresdedireita
Quem paga pelo ensino
FSP
Se o colapso das finanças públicas desnudou a urgência de reformar o sistema perdulário de aposentadorias, transformações não menos importantes se impõem na segunda maior despesa finalística do Estado brasileiro –a educação.
O dispêndio previdenciário, equivalente a 12% do Produto Interno Bruto, é descabido para um país de renda média e população ainda relativamente jovem; os 5% do PIB destinados à educação, compatíveis com padrões internacionais, mostram-se entretanto ineficientes e mal distribuídos.
Afora desperdícios associados à gestão falha e ao corporativismo, uma distorção que se observa com clareza é o peso excessivo conferido ao ensino superior, em detrimento do aprendizado básico.
Calcula-se que o gasto por aluno nas universidades públicas em 2014 tenha chegado a R$ 26 mil (valor corrigido), ante R$ 7.000 nas escolas do ensino infantil ao médio.
Embora a educação terciária seja por natureza mais complexa e custosa, a diferença entre uma cifra e outra no Brasil está muito acima das verificadas na OCDE, que reúne os países em estágio de desenvolvimento mais avançado.
Tal discrepância acentua o desequilíbrio de oportunidades entre estudantes de famílias ricas e pobres -os primeiros, como se sabe, têm mais chances de alcançar níveis elevados de escolaridade.
Reconheça-se que houve melhoras nos últimos anos, com maior democratização do acesso às universidades e aumento das verbas direcionadas à educação básica. A nova realidade de severa restrição orçamentária, porém, demanda uma agenda mais corajosa.
O país acumula atraso de décadas na discussão sobre o financiamento do ensino público superior. A mera menção à cobrança de mensalidades ou taxas dos mais abonados, prática comum no restante do mundo, desperta ferozes reações ideológicas e corporativas.
Faltam estudos aprofundados sobre o quanto tal providência poderia arrecadar, o que dependeria do número de alunos a serem cobrados e em que proporção. Note-se que na USP, por exemplo, 63% dos ingressantes deste ano vieram do ensino médio privado -o que indica capacidade de pagamento.
Estimativas preliminares e a experiência internacional sugerem que ao menos 15% dos desembolsos das universidades brasileiras (hoje cerca de R$ 50 bilhões anuais) poderiam ser cobertos assim.
Haverá decerto outras opções a considerar, como a prestação de serviços dos formados, programas de bolsas e financiamentos subsidiados pelo Estado. O fundamental é que o tema deixe de ser tabu, enquanto há tempo de preservar as instituições de ensino superior do depauperamento que ameaça todo o setor público.
O Rio de Janeiro solou
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa - Blog do Noblat
Sabem quando fazemos, com todo carinho, um bolo para as crianças comerem na hora que chegam da escola com muita fome? E, na hora H, ao cortar o bolo, vemos que solou?
Pois é essa a sensação que tenho com o Rio. Está solado, deixou de ser aquele bolo delicioso que tanta alegria nos dava.
O Rio solou porque não respeitamos as regras elementares, sobretudo a que se refere aos ingredientes: não são de boa qualidade, estão com a validade vencida, e ficaram na prateleira do congelador por muito tempo...
A cidade assim solada, triste, assustada, afasta os seus e não apetece aos turistas.
As notícias (recentes) são apavorantes:
na fila do Instituto de Diabetes e Endocrinologia, no centro da cidade, ontem à tarde, os pacientes que aguardavam o acesso em fila, foram assaltados por quatro bandidos que levaram o que puderam;
na Linha Vermelha, no início da noite de ontem, tiroteios e muita confusão, como tem sido hábito.  A via, uma das mais importantes para o acesso à cidade, foi parcialmente interditada para que a Polícia Militar pudesse prender um traficante conhecido como 'Charlinho'. Ele escapou, há boato de que foi baleado, estão fazendo buscas em hospitais para ver se o encontram;
mais cedo, na mesma região, houve intenso tiroteio entre o bando do tal 'Charlinho' e policiais da 59ª delegacia, a ponto da população achar que a delegacia estava sendo atacada, segundo os delegados. Não estava. Tudo não passava de uma das batalhas diárias entre a Polícia e os traficantes; anteontem, o tiroteio na mesma Linha Vermelha obrigou os motoristas a se abrigarem no 22º BPM (Maré). Os que buscaram abrigo estavam muito assustados, ainda mais quando a energia foi cortada e o batalhão ficou às escuras. Dá para sentir o medo das pessoas: idosos, crianças, adultos, no escuro e ouvindo um forte tiroteio;
na noite de anteontem um homem morreu com um tiro no rosto na Avenida das Américas, numa tentativa de assalto;
um serviço essencial para a cidade pode parar a qualquer momento: a empresa terceirizada que opera a central telefônica que atende ao pedido de ambulâncias (SAMU) pode parar por falta de dinheiro. É isso mesmo, a dívida do governo do Estado com eles já está em mais de R$10 milhões. São vencimentos atrasados desde dezembro de 2016!
Tudo isso mexe conosco de modo muito negativo. Estamos sempre com o coração na mão, preocupados com os nossos. No que se refere às crianças, então, a situação é mais grave. A UNICEF, reunida em Genebra, atesta que escolares do Rio estão sob grande risco de não desenvolverem integralmente o seu potencial. De acordo com a UNICEF, “estudos mostram que interrupções repetidas em ambientes de violência afetam negativamente a habilidade das crianças de se concentrarem e aprenderem sem medo. Precisar buscar abrigo e esconderijo e até testemunhar episódios de violência têm um grande impacto psicossocial nas crianças e várias relatam sofrerem de síndromes de estresse, como pesadelos e crises de ansiedade. Crescer em um ambiente com frequentes episódios de violência armada também pode fazer com que as crianças percebam a violência como o procedimento normal na resolução de conflitos”.
Na antessala do horror em que nos transformaram, o bolo definitivamente solou.
Na Linha Vermelha, a rotina do medo (Foto: ID News Oficial )Na Linha Vermelha, a rotina do medo (Foto: ID News Oficial)
Uma questão delicada
Merval Pereira - O Globo
Não é sem propósito que o presidente Michel Temer, sempre que pode, diz que a gravação que Joesley Batista fez da conversa dos dois naquela noite no Palácio Jaburu é ilegal, mesmo sabendo que existe uma jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que considera prova válida a gravação de um dos interlocutores de uma conversa.
Se a Câmara não barrar o processo contra ele, caberá ao STF decidir se aceita a denúncia, e Temer e seus advogados jogam tudo na possibilidade de que a validade da gravação será colocada em debate no plenário.
O ministro Gilmar Mendes, por exemplo, já disse que o Supremo terá que revisitar sua decisão, “discutir isso em outro contexto”, diz o ministro. Ele avalia que inevitavelmente o tema vai ser colocado, pelo menos no próprio processo, ou mesmo antes de o caso eventualmente chegar ao STF, pois casos semelhantes podem ser analisados se forem suscitados.
O ministro levanta uma questão que, institucionalmente, é mais grave na sua avaliação, a de que a gravação foi uma operação controlada combinada com a Procuradoria-Geral da República, sem passar pela autorização judicial. Alegação que o Procurador-Geral Rodrigo Janot já negou com veemência: ele garante que soube da gravação depois de ela ter sido feita. E que sentiu náuseas ao ouvi-la. Com razão.
Gilmar Mendes acha que é preciso pedir uma investigação sobre isso, antes da decisão final sobre se o STF recebe ou não a denúncia que, se aceita pelo Supremo, afasta o presidente Michel Temer por seis meses da presidência da República, colocando interinamente em seu lugar o presidente da Câmara Rodrigo Maia.
Caso o STF, ao final, decida que o presidente é culpado, ele é destituído e será convocada uma eleição indireta para terminar o mandato presidencial. A questão, porém, mesmo tratada como se fosse tecnicamente normal, tem aspectos políticos que não podem ser deixados de lado.
Segundo Gilmar, existe ainda a possibilidade de que um ministro peça vista durante a votação da denúncia, diante das dúvidas que existem, segundo ele.
Com a aprovação da Câmara, um pedido de vista que adiasse por muito tempo ou indefinidamente uma decisão do Supremo seria colocar na mão de um ministro uma decisão que nenhum ministro pode achar normal ter: evitar, pelo tempo que quiser, o afastamento ou não de um presidente, deixando a nação em suspenso.
Tal ministro ficaria exposto à opinião pública e a interpretações de que participa de manobras para salvar um presidente. Com autorização da Câmara, o Supremo tem de decidir o mais rapidamente possível a questão. É isso o que exige a Constituição.
Com relação à validade da gravação como prova, dos 11 ministros que decidiram sobre as gravações telefônicas em 2009, seis permanecem no STF: Gilmar Mendes, Carmem Lucia, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowiski, Celso de Mello e Marco Aurélio Mello. Todos votaram a favor da tese em vigor hoje sobre as gravações, menos Marco Aurélio.
Digamos que Marco Aurélio se mantenha contrário e Gilmar, Toffoli e Lewandowski mudem os votos (apenas por hipótese, já que, nas últimas decisões, têm se mostrado mais ou menos alinhados). Pelo mesmo motivo, digamos que o novo ministro Alexandre de Moraes também vote com eles. São cinco votos. O ministro Luis Edson Fachin votará pela validade da gravação, pois a aceitou na delação premiada de Joesley Os ministros Celso de Mello, Carmem Lucia, Luis Roberto Barroso, Rosa Weber e Luis Fux, também porque vêm se mantendo mais ou menos alinhados, podem manter a maioria pela validade da prova.
 O mais grave politicamente, porém, não é o Supremo mudar a jurisprudência. Repito: se um ministro ligado a Temer, como justa ou injustamente são percebidos pelo menos dois deles, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, pedir vista, o processo contra o presidente ficará suspenso e Temer continuará no cargo, pois só depois que o Supremo decidir em definitivo é que se dá o afastamento ou não.
Se o ministro Alexandre de Moraes, que é o primeiro a votar por ser o mais recente a chegar no STF, pedir logo vista, será acusado de estar protegendo o presidente Temer, que o nomeou e de quem foi ministro no governo em curso. Outra possibilidade é que o ministro Gilmar Mendes peça vista, pois ele considera que o caso tem que ser rediscutido à luz dos fatos atuais.
Nas duas hipóteses, outros ministros, em desacordo com o pedido de vista, podem antecipar os seus votos para deixar estabelecida a maioria pela aceitação da denúncia. Nesse caso, teremos o presidente no cargo, mas com todos os brasileiros sabendo que ele já deveria ter sido afastado e não foi. Por um simples pedido de vista. Ou por uma manobra. Ficará estabelecida uma grave crise institucional.
Aliados de Alckmin veem ofensiva pró-Maia e risco ao tucano em tentativa do DEM de ampliar bancada
Painel - FSP 
Nada é por acaso A ofensiva do DEM para atrair dissidentes de siglas como o PSB acendeu o sinal amarelo entre aliados do governador Geraldo Alckmin. Os partidários do paulista viram na articulação mais do que uma tentativa do Democratas de suplantar o PSDB no Congresso. Acham que, com o movimento, o DEM visa desidratar potenciais aliados de Alckmin para a disputa de 2018 na tentativa de fortalecer eventual candidatura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao Planalto.
Deixa quieto A desconfiança sobre o DEM acabou fortalecendo o discurso de tucanos que pregam a manutenção do apoio a Michel Temer. Eventual queda do presidente, dizem, deixaria Maia com a faca e o queijo na mão para vitaminar seu partido e negociar com outras legendas.
Levantou poeira O alarde do PSDB e do PMDB com a articulação estimulou dirigentes do DEM a minimizarem o potencial da ofensiva sobre outras siglas. A ordem é não chamar mais atenção para o assunto.
Linha mestra Deputados de siglas que prezam o voto de opinião, mas defendem o apoio a Michel Temer, definiram os argumentos que usarão para rejeitar a denúncia de Rodrigo Janot.
Pela pátria? O grupo dirá que age para preservar a estabilidade, que Temer responderá depois que deixar o cargo e que autorizar a abertura de ação penal, nesse caso, implicará em punição antecipada: o afastamento do cargo.

Temerland O cochilo de Henrique Meirelles na Cúpula do Mercosul rendeu na internet e na Esplanada. Com o episódio, um aliado disse que Temer, que escreve poesias, concluiu um conto: Marcela seria a Branca de Neve, o titular da Fazenda, o Soneca, e Moreira Franco, o Zangado.
Apenas pare Evo Morales, presidente da Bolívia, defendeu Nicolás Maduro no encontro dos presidentes do Mercosul e tomou uma invertida de Michelle Bachelet, do Chile, que disse estar “decepcionada” com o venezuelano.
Mão fechada Com dúvidas sobre as chances reais de o governo criar uma contribuição para compensar o fim do imposto sindical, parte das centrais começou a segurar dinheiro em caixa.
Dor no bolso O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que vem passando por dificuldades financeiras há meses, já sente os efeitos desse contingenciamento. Hoje, o repasse dos sindicatos representa 60% do total de sua receita.
Passar o chapéu Em mensagem enviada a sindicalistas esta semana, um dos diretores do Dieese disse que a entidade corre risco de não conseguir pagar o salário de seus funcionários e fez apelo para que as centrais fizessem um aporte.
Todos juntos Em reunião com Michel Temer, na quinta (20), sindicalistas pediram unidade do governo em relação à medida provisória da reforma trabalhista. Disseram que Trabalho e Casa Civil não podem continuar elaborando propostas distintas, como vem acontecendo.
Expectativas Investigadores da Operação Carne Fraca estão ansiosos para conseguir turbinar o caso com a relação de 260 fiscais agropecuários que Wesley Batista, da JBS, prometeu entregar até setembro.
Pode parcelar? Quem acompanha as tratativas em torno do acordo de delação premiada do ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná Daniel Gonçalves Filho diz que as negociações estão emperradas porque ele achou o valor da multa cobrada pelo MPF muito alto: R$ 6 milhões.
Micro e macro Além da viagem que fará ao Nordeste, o ex-presidente Lula estuda incluir um giro por São Paulo em seu roteiro. Aliados querem levá-lo à periferia.
Henrique Meirelles se movimenta de olho no jogo político de 2018
Igor Gielow - FSP
Apesar de abatido pelo que seus conhecidos chamam de "custo JBS", o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se movimenta discretamente na esperança de que uma conjunção de fatores o coloque no jogo sucessório de 2018.
Não será fácil.
Ao assumir o "dream team" que mercado esperava ver na área econômica após a debacle da gestão Dilma Rousseff, Meirelles ganhou em maio de 2016 a aura de presidenciável.
A aprovação de medidas como o teto de gastos e a aceleração das reformas trabalhista previdenciária no Congresso se uniram a uma série de indicadores no início de 2017 apontando para o fim do ciclo de recessão e uma queda brutal na inflação –tarefa combinada de fatores econômicos, ação do BC e também da crise em si.
Como capitão do time, Meirelles ganhou um trunfo. Em abril, a expectativa era de que o país virasse o ano crescendo num ritmo próximo a 3%, e havia esperança de que o desemprego recorde começasse a refluir.
Ex-banqueiro e ex-tucano que virou homem-forte de Luiz Inácio Lula da Silva durante oito anos à frente do Banco Central do petista, agora no PSD, Meirelles tinha o nome citado em qualquer conversa de empresários sobre 2018, apesar de encarnar a imagem de tecnocrata.
Tudo isso desabou em 17 de maio, com a delação na Operação Lava Jato dos irmãos controladores da JBS –a quem o ministro serviu como presidente de conselho por quatro anos.
Até aqui ele passou incólume, mas a retomada econômica foi afetada quando Temer passou a dedicar-se a tentar salvar a pele. O custo JBS se materializou: com sorte a economia rodará a 2,2% na virada do ano.
Queda mais acentuada no desemprego ou retomada de investimentos, contudo, ficaram para trás. Na semana passada, a cereja do aumento de imposto para fechar as contas foi colocada no bolo.
Ainda assim, Meirelles mexeu peças. Aproximou-se da maior denominação evangélica do país, a Assembleia de Deus. Participou de dois encontros grandes com pastores em junho e julho.
Aliados do ministro viram uma busca de apoio político. Outros ponderam o poder de fogo dos evangélicos na Câmara, com quase 100 de 513 deputados, para ajudar a aprovar reformas e medidas como o projeto que reonera vários setores da economia, vital nos planos do governo.
Esse é o espírito de seus encontros recorrentes como Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente da Câmara contrário à reoneração que assumirá o governo se Temer for afastado para ser investigado, algo hoje improvável.
Ao mesmo tempo, Meirelles abriu uma conta no Twitter. De 7 de junho para cá, tuitou 91 vezes. Não é exatamente um sucesso de audiência, mas há ali um substrato do que poderia vir a ser usado numa campanha eleitoral.
"A inflação menor assegura maior poder de compra aos brasileiros", escreveu em 26 de junho. Pouco antes, previu a queda do desemprego a partir de agosto. No auge da crise política, em 30 de junho, disse que "o importante é que o rumo está certo".
O chefe do PSD, ministro Gilberto Kassab (Comunicações), que assim como Meirelles não concedeu entrevista, diz a aliados que se o partido tivesse candidato ao Planalto em 2018, seria o titular da Fazenda.
A sigla descarta que Meirelles tenha feito algum movimento sem a anuência de Temer. Mais: conta com a hipótese de que Meirelles possa migrar para o PMDB do presidente em algum momento, o que seria bom em termos de capilaridade e ruim em imagem, dada a brutal impopularidade de Temer.
Outro fator está na mesa do ministro: a possibilidade de outro ex-chefe seu, Lula, não concorrer no ano caso sua condenação na Lava Jato seja confirmada em segunda instância. Neste caso, a pulverização do quadro de candidaturas permitirá fazer o detentor de índices modestos, como 10% ou 15% de intenção de votos, sonhar com um segundo turno.
Voos fora do plano federal ainda são inauditos. Meirelles já sonhou em ser governador de seu Goiás natal. Agora, está domiciliado em São Paulo, Estado que terá um quadro mais aberto de candidatos em 2018 –a questão é que Kassab, se estiver livre de entraves na Lava Jato e não tiver o tucano João Doria no páreo, gostaria de concorrer.

Lula sem plateia
Lauro Jardim - O Globo
Na quinta-feira passada, oito dias depois da sentença de Sérgio Moro, o bicho-papão Lula voltou às ruas. Num palanque em plena Avenida Paulista, falou para uma das menores plateias de sua vida.
A Fazenda mapeou a ruína do Fies petista 
Elio Gaspari - FSP
Um estudo do Ministério da Fazenda expôs a ruína que o comissariado dos ministros Aloizio Mercadante e Fernando Haddad produziu no programa de financiamento para estudantes de curso superior, o Fies. Fizeram a farra das faculdades privadas expandindo a carteira de empréstimos de 600 mil contratos em 2012 para 1,9 milhão em 2015. No interesse das empresas, davam-se empréstimos a quem tirava zero na prova de redação do Enem e praticamente dispensava-se o fiador. O saldo das operações do Fies cresceu 1.000% em quatro anos e ao final de 2016 chegou a R$ 61,9 bilhões.
Naquele ano o Bolsa Família custou R$ 28,6 bilhões. Eram programas essencialmente diferentes, mas o governo permitiu que o Fies fosse percebido com um programa de bolsas. Estudantes que tinham acesso a outras formas de financiamento migraram para a bolsa da Viúva. A Fazenda calculou que a inadimplência (51,4%) e os subsídios levarão o Fies a gerar um espeto de R$ 11 bilhões em 2024.
A farra inflacionou os preços das mensalidades e engordou grandes empresas do setor. O estudo, assinado por dez técnicos do Ministério da Fazenda, chega ao final com uma questão óbvia: existindo o ProUni, que beneficia o mesmo público, não havia por que expandir o Fies. Não havia nem há, a menos que o nome do jogo continue sendo jogar dinheiro da Viúva nos cofres dos donos de faculdades. O programa do Fies foi remodelado há poucas semanas. Tomara que dê certo.
Serviço: O "Diagnóstico Fies", do Ministério da Fazenda, está na rede.


No Brasil, parlamentarismo já passou por dois plebiscitos e nunca bateu os 25%
Uma boa parte do tucanato voltou a namorar a ideia da instituição de um regime parlamentarista.
Tudo bem. O parlamentarismo já foi levado a dois plebiscitos, em 1993 e em 1963. Em nenhuma das duas ocasiões conseguiu bater a marca dos 25%.
Outra grande peça legislativa, a da abolição da escravatura, foi aprovada pelo Parlamento como simples lei ordinária.
LUTA ARMADA
As estatísticas de Brasília informam que nos últimos anos entraram 11 mil fuzis no Rio de Janeiro.
NERVOSO
O deputado Rodrigo Maia está com os nervos à flor da pele.
TAXA PATO
O novo imposto sobre combustíveis pode ser chamado de Taxa Pato.
O brinquedo amarelo com que a Fiesp saudava os manifestantes que iam para a avenida Paulista pedir a deposição de Dilma Rousseff tinha um leve sorriso no bico.
A VERDADE DE LULA
Lula precisa conter a expansão de sua realidade paralela. Ele contou que combinou uma conversa com Fernando Henrique Cardoso, mas decidiu desmarcá-la porque a história vazou.
Em abril, Lula disse que não pretendia conversar com Michel Temer. Falso. Em fevereiro, foi ele quem propôs a Temer que conversassem.
Uma conversa com FHC jamais ficaria em segredo e vale lembrar que o tucano já disse várias vezes que está pronto para conversar com Nosso Guia, desde que seja um encontro público.
Paes na delação de Eike
Lauro Jardim - O Globo
Um dos anexos da delação de Eike Batista (na foto, à direita), ainda em negociação, fala de caixa dois para a campanha de Eduardo Paes à reeleição, em 2012.
Maia tenta se livrar da pecha de traidor para 'ficar no jogo'
Marina Dias - FSP
Nos últimos dias, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez aquele que pode ter sido o mais importante cálculo político de sua vida pública. Para se manter como opção a Michel Temer, deixou que o pragmatismo prevalecesse sobre a ambição de se tornar o homem mais poderoso do país.
Sucessor imediato ao Palácio do Planalto caso Temer seja afastado do cargo, o deputado viu seu ânimo com a possibilidade de assumir a Presidência da República aumentar no mesmo ritmo em que a pecha de "traidor" era vinculada à sua imagem.
Irritado, admitiu a pessoas próximas ter entendido que, caso passasse a ideia de que traiu e ajudou a derrubar o presidente, seu dia seguinte como inquilino do Planalto seria "um inferno".
Maia decidiu comandar uma sutil mudança de estratégia no seu comportamento e no de seus principais interlocutores: os deputados Heráclito Fortes (PSB-PI), Benito Gama (PTB-BA) e Fernando Monteiro (PP-PE).
Diminuiu os encontros em sua residência oficial para tratar de um eventual cenário pós-Temer, afastou-se de parlamentares da oposição, disse que nunca pediu votos contra o presidente e jantou duas vezes com ele na semana que passou.
Maia tinha se incomodado especialmente com dois episódios nos últimos 15 dias: o assédio de Temer aos dissidentes do PSB, que negociavam migrar para o DEM, partido do presidente da Câmara, e os recados de que, caso assuma o Planalto, a PGR (Procuradoria-Geral da República) poderia centrar nele todo o seu poder de fogo.
E foi o próprio presidente o portador dessa análise. Na manhã de domingo (9), quando recebeu Maia no Palácio do Jaburu num clima de poucos amigos, Temer fez a avaliação de que os procuradores não deixariam o possível sucessor em paz.
O raciocínio, repetido na casa de Maia no dia seguinte pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é de que as investigações querem jogar na vala comum toda a classe política.
O presidente da Câmara é alvo de dois inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) resultantes de colaborações premiadas de ex-executivos da Odebrecht. Segundo delatores, ele recebeu repasses para sua campanha em 2008, para a de seu pai, em 2010, além de R$ 100 mil em 2013 para ajudar na aprovação de uma medida provisória que beneficiaria a empreiteira, o que o deputado nega.
Aliados contam que Maia disse apenas que era necessário cuidar do problema do presidente, que precisa barrar, no plenário da Câmara, a denúncia por corrupção passiva apresentada contra ele pela PGR.
A oposição precisa dos votos de 342 dos 513 deputados para aprovar a denúncia. Se isso acontecer, Temer é afastado por 180 dias, durante seu julgamento pelo STF, e Maia assume interinamente.
Baseado no termômetro dos deputados, o presidente da Câmara colocou seu cálculo em prática e fez com que o clima esfriasse um pouco.
A cautela dos parlamentares, que acreditam que Temer pode se salvar na primeira denúncia, mas que terá mais dificuldade em passar por outras duas que a PGR ainda pode oferecer contra ele, se dá à espera dos efeitos das possíveis delações de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e de seu operador, Lúcio Funaro.
Ambos prometem citar o presidente e o núcleo do governo, exigindo o apoio da base aliada em um ambiente ainda mais desgastado.
Com o cenário incerto e a natural expectativa de poder a seu redor, Maia só não faz questão de esconder a ponte que estabeleceu com o ministro Henrique Meirelles (Fazenda), fiador da política econômica.
Em dez dias os dois se encontraram duas vezes, e o ministro antecipou ao chefe da Câmara o aumento do imposto sobre os combustíveis, anunciado na quinta (20).
Cesar Maia defende o filho e diz que Rodrigo ‘não tem estilo conspirador em nenhuma hipótese’
Painel - FSP
Em nome do filho “Quem tem intimidade com o Rodrigo sabe que ele não tem estilo conspirador em nenhuma hipótese.” A frase é do vereador Cesar Maia, pai e principal fonte de influência sobre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele diz que o filho tem agido como um “estadista” no encaminhamento da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) e garante que, com “a experiência de cinco mandatos”, o deputado “construiu repelentes” para não ser picado pela mosca azul.
Fica a dica Cesar Maia, que tem defendido a manutenção da boa relação do filho com o presidente, ressalta, porém, que “se fosse verdade” o aceno de Temer ao PSB — partido que o DEM assedia na tentativa de filiar dissidentes — o gesto “seria grave”. “Ainda bem que não foi.”
Me deixe fora Questionado sobre as chances de Temer se manter na Presidência até o fim do mandato, o vereador é cauteloso: “Essa primeira denúncia não tem lastro. As demais não conheço”.
Precavidos Os caciques do DEM que conhecem Michel Temer há muito tempo decidiram fazer um lanche antes do jantar que o peemedebista ofereceu para selar a paz com o partido, no Palácio do Jaburu, na quinta-feira (19) . Temer é conhecido por servir comida leve e insossa.
Troco Com o apoio do Conselho Federal de Medicina, médicos farão no dia 3 de agosto uma manifestação pedindo a demissão do ministro da Saúde, Ricardo Barros. A categoria programa atos em Brasília, São Paulo, Rio e Manaus. O da capital federal será em frente ao ministério.
Morreu pela boca O movimento “Fora, Barros” foi organizado depois que o ministro fez nova declaração polêmica, na semana passada. Na ocasião, ele disse que os médicos têm que parar de fingir que trabalham.
Mas já? Newton Ishii, o japonês da Federal, avisou que deve se aposentar este ano. Ele aguarda o desfecho de um processo disciplinar para pendurar as chuteiras.
Errou a mira Ao ler os anúncios da Fiesp contra o aumento de impostos que incidem sobre combustíveis, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, notou que, mais uma vez, a entidade dirigiu ataques diretamente a ele e não a Michel Temer.
Quem manda? O presidente da República é correligionário e amigo pessoal do comandante da federação, Paulo Skaf. Meirelles, que em ofensiva anterior cobrou Skaf pela “fulanização” das críticas, manifestou a aliados profundo incômodo com a nova investida.
E eu pago o pato? Auxiliares de Meirelles rapidamente começaram a enumerar os diversos pleitos da Fiesp no Ministério da Fazenda.
Coisa nossa A futura chefe da Procuradoria-Geral da República, Raquel Dodge, esteve na última semana com o procurador Luciano Mariz Maia, coordenador da câmara do MPF que cuida de causas relacionadas à populações indígenas e comunidades tradicionais.
Fumaça branca Nas redes internas do Ministério Público Federal, Mariz Maia já recebe os parabéns por ter sido escolhido vice-procurador-geral da República. Procurado, ele negou ter recebido qualquer convite da nova chefe da PGR.
Casa nova Após o divórcio litigioso com o escritório Trench, Rossi e Watanabe Advogados, o ex-procurador Marcello Miller iniciou conversas com duas bancas para se realocar no mercado.
Não é para tanto Quem acompanha de perto a elaboração dos anexos da delação dos irmãos Batista, da JBS, recomenda cautela com os números relacionados aos crimes confessados pelos dois empresários. Wesley teria mencionado pagamento de propina a dezenas de fiscais agropecuários, não centenas.
O custo de ser um país fechado ao exterior
Relatório da OMC expõe o fracasso das políticas brasileiras de incentivos que, apesar de seu volume de recursos, não aumenta a competitividade da indústria
O Globo
O Brasil político mantém alvissareira estabilidade institucional, dentro da democracia, desde 1985, com o final da ditadura militar, portanto durante 32 anos consecutivos, recorde na história republicana do país. Já o Brasil econômico oscila entre períodos de maior intervencionismo estatal e, em outros, menor. No primeiro caso, mais extensos que no segundo.
Não é fortuita a enorme dificuldade da sociedade brasileira de elevar a renda, porque também ela, pela voto, tende em muitos momentos para a tutela populista do Estado. É costuma ficar contra, de forma majoritária, a um projeto de país moderno e aberto ao mundo.
A Organização Mundial do Comércio (OMC), dirigida pelo brasileiro Roberto Azevêdo, acaba de divulgar um relatório de avaliação de políticas de estímulos governamentais do país, em que estão apontados efeitos da visão interna, quase sempre majoritária através dos tempos, de que o Brasil precisa se proteger da competição externa, fechar-se em si mesmo, para realizar o sonho do desenvolvimento econômico e social. Trata-se de uma ideologia com adeptos à direita e à esquerda. Às vezes, as duas se unem de fato, como foi no caso do projeto irrealista do computador exclusivamente brasileiro, em torno da estatal Cobra.
Por isso, o grau de abertura da economia brasileira (mensurado pelo comércio externo em proporção do PIB) é baixo, na faixa dos 25%. Um aspecto, registrado no relatório, é que de 2013 a 2017, a renúncia fiscal da União passou de R$ 223 bilhões para R$ 284,8 bilhões. Nem por isso a competitividade externa aumentou, como poderia se esperar, e a indústria ainda aprofundou a dependência aos incentivos.
O tema de uma imprescindível e competente avaliação da miríade de incentivos de toda ordem que o Estado concede a empresas se impõe cada vez mais. O debate sobre a necessidade de redução do subsídio creditício que o Tesouro distribui via BNDES, por meio da troca da taxa TJLP pela TLP, reforça esta imposição. Bilhões do contribuinte são usados, de forma nada clara, sem estarem explícitos no Orçamento, para abater juros cobrados a grandes empresas que podem muito bem se financiar a custo baixo no exterior.
Destaca a análise da OMC que o Brasil se manteve na linha da proteção tarifária das “indústrias nascentes”, para “substituir importações”, conceito cepalino (Cepal, órgão da ONU) elaborado por terceiro-mundistas a partir da década de 1950. Não deu certo na ditadura militar e foi reeditado por Dilma Rousseff. Também não funcionou.
Segundo a OMC, montadoras que aproveitaram os incentivos dados por Dilma não integraram as linhas de montagem às cadeias globais de suprimento e, assim, as fábricas instaladas ou ampliadas no Brasil, no velho conceito de reserva de mercado, têm produtividade mais baixa que as demais, dos mesmo grupos, mundo afora.
Este é um tema que ocupa teóricos do desenvolvimento há décadas. Mas o tempo passa e chega a hora de se definir diante da integração do país ao mundo. Afinal, com a queda da taxa de natalidade e a redução proporcional da população jovem, o Brasil só conseguirá chegar ao estágio de desenvolvimento quase que exclusivamente por meio da elevação de sua baixa produtividade, e isso depende da integração ao mundo. Não há mais tempo para embates ideológicos que vêm pelo menos desde a década de 50 do século passado.

ARCH ENEMY - The World Is Yours


Fulvio De Marinis (1971 - )

 
Rosa
 
Passion 
 
Reflections 
 
Nude
History is a gallery of pictures in which there are few originals and many copies. - Alexis de Tocqueville

VINTERSORG - Jökelväktaren


Fulvio De Marinis (1971 - )

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Nude
 
Fragrance Of Flowers 
 
The Waiting 
 
Nude 
 
Nude
Liberty cannot be established without morality, nor morality without faith. - Alexis de Tocqueville
Resultado de imagem para cafe com pao e manteigaBuongiorno a tuttti voi amici!

sábado, 22 de julho de 2017

Pascal-Adolphe-Jean Dagnan-Bouveret (1852/1929)

Marguerite au sabbat
Marguerite au Sabbat

Friedrich Gulda plays Bach


Grace Mehan De Vito (1965 - )

https://conchigliadivenere.files.wordpress.com/2015/01/repose.jpg 
Repose
Ex-presidente Lula chora em velório e faz homenagem a ex-assessor
Catia Seabra - FSP
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chorou nesta sexta-feira (21) ao participar do velório do ex-assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia, que morreu na quinta-feira (20), vítima de um infarto.
Ao lado do filho de Garcia, Leon, e dos ex-ministros Celso Amorim e Roberto Amaral, Lula tocou o corpo do amigo e, aos prantos, fez uma breve declaração. "A carne se vai, mas as ideias, o humor e a beleza política continuam", afirmou.
O ex-presidente chegou por volta das 13h30 ao velório, realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Cercado por funcionários, posou para fotos. A ex-presidente Dilma Rousseff também atendeu na chegada aos pedidos de fotos, mas se recusou em seguida.
Abordada por um rapaz, disse que aquele era um velório e que não estava com ânimo. "Minha vida fica menor sem ele", disse Dilma.
PSOL
Lula justificou em conversas a crítica que fizera na véspera aos integrantes do PSOL. Em entrevista, Lula afirmou que o PSOL deveria assumir uma prefeitura para deixar de "frescura".
Cercado por aliados, o ex-presidente disse que o tom não foi de ataque. E listou momentos em que o PSOL hostilizou petistas. Como exemplo, citou a recusa em apoiar candidatos no segundo turno das eleições municipais e as vaias ao senador Lindbergh Farias (RJ).
Nós não podemos salvar o sistema público de ensino; só podemos salvar nossas crianças dele 
Matt Walsh, publicado no The Blaze - Blog do Rodrigo Constantino
Recentemente, tenho sido um pouco crítico com o sistema escolar público. E por “recentemente” quero dizer implacavelmente na última década. E, por “um pouco” quero dizer que considero que o sistema escolar público é uma mutação canibalista que faz lavagem cerebral em nossos filhos, devora sua individualidade e criatividade, e aniquila os valores morais que seus pais inculcaram neles (se algum valor foi mesmo inculcado).
Depois da minha última série de críticas severas e merecidas à escola pública, recebi, como sempre acontece, muitas respostas de professores extremamente irritados. Eu pensei em compartilhar uma com vocês:
“Querido Matt, vai se f***, do fundo do meu coração. Você é uma pessoa terrível. Eu trabalho no sistema escolar “malvado” e quase TODOS com quem trabalho são maravilhosos, trabalhadores e amam seus alunos. A maioria dos professores faz um trabalho incrível e são pessoas incríveis. A maneira como você demoniza os professores é desprezível e odiosa. Você deveria ter vergonha de si mesmo. Você é a pior pessoa que eu já encontrei na internet”.
Primeiro, deixe-me dizer que, nesta cultura de cabeça para baixo, nunca me estremeço ao ser chamado de “o pior”. Em segundo lugar, como esclareci muitas vezes, não tenho nada além de respeito e admiração pelos bons professores que optam por entrar na selva e salvar qualquer coisa que possa ser salva. Eu acho que existem bons professores. Eu duvido que a pessoa que enviou este email esteja nessa categoria, visto que ela é incapaz de lidar com críticas ou articular um argumento lógico, mas, com certeza, existem bons professores. Claro que sim.
A maioria é boa? Eu duvido. Eu certamente não acho que a maioria seja “incrível” e “maravilhosa”. Não há muitas profissões em que a maioria dos profissionais seja incrível e maravilhosa, ou mesmo boa. Por que no ensino seria diferente? Seria errado demonizar professores, mas é tão errado quanto canonizá-los. O próprio ato de conseguir um trabalho de ensino não é, por si só, heróico. Alguns professores têm motivações abnegadas na busca de uma carreira na educação, mas alguns são mais motivadas pelo desconto em seus empréstimos universitários, e o número exorbitante de dias de férias, e talvez pelo fato de não poderem pensar em nada mais a fazer. Todo trabalho tem vantagens, e em todos os trabalhos você tem pessoas mais interessadas nas vantagens que no trabalho.
Eu suspeito que existem tantos professores ruins em nossas escolas, em porcentagem, como há pessoas ruins em nossa cultura. O que significa muito. Não posso dizer quantos, exatamente, mas muito. Nossa cultura não está interessada em criar pessoas incríveis e maravilhosas. Sugerir que a maioria das pessoas que se tornem professores é maravilhosa apenas porque são professores é infantil e tenho pouca paciência para isso. Também consegue prejudicar os professores que realmente são maravilhosos, porque a conquista de ser um professor verdadeiramente maravilhoso não significa nada se até meu professor de espanhol da escola secundária que não sabia falar espanhol e passou metade do semestre passando filmes de Jennifer Lopez for maravilhoso.
O problema é que não há nenhum processo de filtro para separar o ruim do maravilhoso. O sistema foi projetado para não remover os elementos tóxicos, mas para evitar sua remoção. O resultado não é apenas um número incrível de predadores sexuais que ensinam nossos filhos, mas, mais comumente, pessoas que não têm uma compreensão firme dos assuntos que estão ensinando.
Eu estudei em uma das melhores escolas de ensino médio do país, mas um número considerável de meus professores “ensinaram” seus assuntos distribuindo cópias. Muitos deles não ofereceram nenhuma instrução real e não pareciam ter nenhuma visão sobre os tópicos que foram pagos para ensinar. Este não é um problema isolado. Em alguns estados, os professores não precisam ter nenhum treinamento formal, seja qual for, para conseguir um trabalho de ensino.
Um dos principais argumentos que ouço contra o homeschool é que os pais não conhecem os assuntos o suficiente para ensiná-los. Bem, não vejo nenhuma evidência de que este seja um problema menor no sistema escolar público. Mas pelo menos um pai que não conhece o assunto só precisa ensiná-lo aos seus próprios filhos. Um professor que não conhece o assunto será encarregado de ensiná-lo a centenas de crianças diferentes. O sistema está bem com isso porque o sistema não está realmente preocupado com a educação.
O Objetivo único do sistema escolar público é criar os tipos de crianças que cooperarão com o sistema escolar público. Não disse que este é o objetivo de cada professor. Eu disse que este é o objetivo do próprio sistema, mesmo que alguns dos professores tenham objetivos mais elevados. Como o professor Anthony Esolen explica em seu brilhante livro, Out of the Ashes, o sistema existe apenas para si, não para qualquer propósito superior. Seu objetivo certamente não é transmitir a verdade, nem preparar os alunos para a vida, nem trazê-los mais perto de Deus ou suas famílias, ou para ajudá-los a entender seu propósito no mundo, ou fazer qualquer coisa que costumava ser definida como “educação”. Na verdade, é necessário fazer o oposto em todos os sentidos, a fim de alcançar plenamente o Objetivo único.
O Objetivo não é atendido ensinando crianças sobre literatura, então eles não ensinam mais literatura. Não é atendido ensinando as crianças a escreverem bem, então não lhes ensinam a escrever bem. Não é atendido pelo ensino de gramática ou geografia, história ou civismo, então eles realmente não ensinam mais nada disso. Você pode esquecer a arte ou a filosofia, é claro. Essas não são “úteis”. 
E assim acabamos, sem surpresa, em um país onde 60 por cento dos adultos americanos não podem nomear as três esferas do governo. 49 por cento não podem apontar para Nova York em um mapa. Um terço dos adultos de 18 a 29 anos não pode dizer com que país lutamos durante a Guerra Revolucionária. Trinta e sete por cento não podem nomear o primeiro livro na Bíblia e 47 por cento não podem dizer se o judaísmo é anterior ao cristianismo. Setenta e três por cento não podem dizer por que nosso país lutou a Guerra Civil.
Não é preciso dizer que a maioria de nós não lê livros para adultos. Isto é esperado, considerando que metade de nós não pode ler acima de um nível de 8ª série. E, consequentemente, a maioria não pode escrever como adultos. A escrita declinou até tal ponto que agora o americano médio se comunica em abreviaturas e imagens. Incapaz de expressar suas emoções através da palavra escrita, ele é reduzido a transmitir sua felicidade com rostos sorrindo, como uma tribo primitiva tentando se comunicar com um explorador do primeiro mundo. Tweets e mensagens de texto parecem hieróglifos ligeiramente avançados. Parece que chegamos ao círculo completo, da parede da caverna ao mural do Facebook.
Então, quando eu vejo todos esses vídeos de garotos da faculdade lutando para nomear o vice-presidente ou decidir se os Estados Unidos declararam sua independência em 1776 ou 1976, não fico chocado. Isto é o que o nosso país é agora, e tem sido por um tempo, e é pura insanidade exonerar o sistema educacional de culpa. É como tentar determinar quem processar por uma cirurgia ruim, mas declarando antecipadamente que não deve ser o cirurgião.
Você não pode me dizer que devo enviar meu filho para a escola pública porque estou mal equipado a ensinar-lhe por conta própria, e então, quando ele emerge no outro lado, um idiota que não pode soletrar a palavra Constituição e muito menos dizer o que ela é, prontamente me informar que ainda é culpa minha.
Sistema escolar: “Você não pode educar seu filho. Entregue-o para nós”
Pais: “OK”.
[13 anos depois]
Pais: “Ei, meu filho ainda é idiota”.
Sistema escolar: “Bem, por que você não o educou?”
Isso parece ser um catch-22 (nota ao público educado: essa é uma referência literária). Então, o fato triste continua, gostemos ou não: as crianças vão à escola, mas não estão aprendendo. Bem, isso não é inteiramente justo. Elas aprendem a se masturbar. E elas aprendem sobre a sodomia. E elas aprendem sobre travestis. E elas aprendem um monte de outras coisas que podem ou não ter sido incluídas em um currículo real. O currículo é, afinal, apenas uma parte do problema. Nem mesmo a maior parte.
O maior problema é a cultura em que o filho está imerso em toda a sua vida jovem. É uma cultura que valoriza a conformidade acima de tudo. É uma cultura de confusão moral. É uma cultura que se opõe viciosamente a todos os valores e prioridades que os bons pais cristãos querem incutir em seus filhos. Mas os pais estão trabalhando numa desvantagem insuperável. Eles podem dizer ao seu filho: “Eu quero que você seja assim e faça isso e acredite nisso”, mas a criança vai passar 7 horas do seu dia, 5 dias por semana, 9 meses por ano, por 12 anos em um ambiente onde quase todos os que ele conhece o incitam a ser e a fazer e a acreditar no contrário. Apenas uma pequena minoria consegue suportar tudo isso e sair como algo parecido com o jovem adulto que seus pais queriam que ele se tornasse.
A prova está no pudim. O jovem adulto típico na sociedade de hoje abandonou o casamento e a religião, não possui habilidades discerníveis, tem sido um ávido usuário de pornografia desde o ensino médio e passa dez horas do seu dia jogando videogames, assistindo Netflix e percorrendo Snapchat e Tinder. Isso não é apenas a culpa da escola pública, mas não é uma coincidência que o sistema escolar público pareça dedicado a produzir exatamente o tipo de pessoa que ele realmente produz. E, de qualquer forma, se estamos tentando descobrir por que os jovens adultos na América são de uma certa maneira, faz sentido olhar atentamente para o sistema pelo qual passaram todo o tempo até esse ponto.
É uma bagunça, em outras palavras.
Mas ele pode ser consertado? O sistema pode ser “salvo”? Bem, não.
A primeira e a mais crucial coisa que impede que ele seja salvo é que moldou uma nação de pessoas que não pensam que ele precisa ser salvo. Salvar o sistema significaria uma reestruturação completa desde o início, e tal esforço exigiria a cooperação de muitas pessoas. Mas apenas um pequeno número de pessoas vê algum problema real com qualquer uma das coisas que descrevi. É difícil enfrentar os erros no sistema que o formou, e a maioria das pessoas não está interessada em tentar.
É por isso que não culpo os professores. Eu também não falo apenas nos currículos. Não consigo apontar o dedo para este fator ou aquele. Todos somos culpados, e nenhum de nós é. A escola pública é apenas uma parte do ensopado tóxico conhecido como cultura moderna. O sistema é um reflexo da cultura, e a cultura um reflexo do sistema. E esse é todo o problema.
Mas como seria um sistema de educação real em uma cultura saudável? Bem, esse tipo de sistema seria aquele em que as crianças recebessem uma profunda apreciação e compreensão da verdade. Um que facilitaria seu crescimento em adultos morais com paixão pela vida e aprendizagem. Um em que jovens criativos se tornassem adultos criativos e competentes. Um em que os alunos desenvolvessem uma compreensão real da história, literatura, arte e ciência. Um onde eles aprendessem a escrever e ler. Um em que suas cabeças não estivessem cheias de superstições de esquerda sobre “transgenderismo” e outras coisas sem sentido. Um em que a religião não fosse deixada à margem, porque você não consegue entender nada sobre arte, história ou humanidade se não estudar religião.
Em outras palavras, um sistema de educação real não se assemelharia ao atual. Nem um pouco. Até que tal sistema esteja no lugar, tudo o que podemos fazer é adotar outros arranjos para nossos filhos. Não podemos salvar o sistema por nós mesmos. Não estou convencido de que o sistema possa ou será salvo. Neste ponto, tudo o que podemos fazer é salvar nossos filhos.
Comentário do blog: Se a situação está assim nos Estados Unidos, imagina no Brasil!