quinta-feira, 27 de julho de 2017

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Trees of Eternity: Broken Mirror


Emmanuel de Dieudonné (1845 – 1889)


A Beauty At Her Bath

Franz von Defregger (1835 – 1921)

Lying Nude
Lying Nude

Trees of Eternity: Hour of the Nightingale


Costantino Di Renzo (Século XX - )


Minerva Atena (Athena)

Kimberly Dow (1968 - )

 
No Evil
 
Brazen
 
Modest 
 
Jezebel
 
Unrequited 
 
Smokin'
 
Sacrament

A Europa oriental escolhe a Civilização  ocidental  
 
O povo polonês recebeu Donald Trump de forma calorosa. 
Em um discurso histórico diante de uma exultante multidão polonesa, precedendo o início da reunião dos líderes da Cúpula do G20, o presidente dos EUA, Donald Trump descreveu a luta do Ocidente contra o “terrorismo islâmico radical” como forma de proteger “nossa civilização e nosso modo de vida”. Trump perguntou se o Ocidente tinha a determinação de sobreviver:
“Temos a necessária convicção de nossos valores a ponto de defendê-los a qualquer custo? Temos o devido respeito pelos nossos cidadãos a ponto de proteger nossas fronteiras? Temos o desejo e a coragem suficientes de defender a nossa civilização diante dos que querem subvertê-la e destruí-la?”
A pergunta de Trump poderá ressoar na Europa Oriental, lugar escolhido por ele para proferir seu eloquente discurso.
Depois que um homem-bomba assassinou 22 pessoas na saída de um show em Manchester, incluindo dois poloneses, a primeira-ministra da Polônia, Beata Szydło, destacou que a Polônia não seria “chantageada” a aceitar milhares de refugiados segundo as diretrizes do sistema de quotas da União Europeia. Ela urgiu os legisladores poloneses no sentido de protegerem o país e a Europa dos flagelos do terrorismo islâmico e do suicídio cultural:
“Europa, para onde você está indo? Levantem-se dos joelhos e da letargia ou vocês irão chorar todos os dias a morte de seus filhos.
Dias mais tarde, a União Europeia anunciou que começaria os procedimentos com o intuito de punir a Polônia, Hungria e República Checa por se recusarem a aceitar migrantes conforme a determinação de um programa criado pela Comissão Europeia em 2015.
Após o discurso de Szydło, Zoltan Balog, Ministro de Recursos Humanos da Hungria, declarou:
“O Islã é uma cultura e uma religião de grande importância, que devemos respeitar, mas a Europa tem uma identidade diferente e é indubitável que as duas culturas não têm condições de coexistir sem conflitos… A maior diferença é que na Europa, política e religião são separadas uma da outra, mas no caso do Islã é a religião que rege a política”.
É por esta razão que Viktor Orban foi tachado de “inimigo interno da Europa” — porque ele disse com todas as letras, para não deixar dúvidas, o que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, jamais dirá: “devemos manter a Europa cristã“.
Os discursos proferidos pelas autoridades de Visegrad – grupo europeu formado pela República Tcheca, Polônia, Hungria e Eslováquia – são apenas dois exemplos das profundas divisões ideológicas entre os países da Europa Ocidental e os da Europa Central e Oriental.
Há uma acentuada propensão dos líderes de Visegrad em retratar o Islã como uma ameaça civilizacional à Europa cristã. Se de um lado a Europa Ocidental tem se distanciado drasticamente pela opinião pública e severamente restringida pelas leis da UE, na Europa Oriental as mais recentes pesquisas de opinião revelam que o cristianismo continua tão robusto e patriótico como sempre. É por isso que Trump chamou a Polônia de “nação devota“. É por isso que as revistas católicas dos EUA perguntam abertamente se há um “despertar cristão” na Europa Oriental. A Eslováquia aprovou uma lei para evitar que o Islã se torne uma religião estatal oficial.
Para começar, esses países da Europa Central e Europa Oriental estão cônscios que o multiculturalismo da Europa Ocidental tem sido a receita para os ataques terroristas. Conforme observa Ed West do The Spectator:
“Não são todos os países da Europa. A Europa Central, principalmente a Polônia, Hungria e a República Checa, permanecem em grande medida salvos da ameaça terrorista, apesar da Polônia, mais especificamente, ser um ator da OTAN no Oriente Médio. É precisamente pelo fato das razões para isso serem tão óbvias, é que não se pode mencioná-las. A percentagem muçulmana da Polônia representa 0,1% da população, cujo maioria pertence a uma comunidade tártara estabelecida há muito tempo, a da Grã-Bretanha é 5%, da França 9% e de Bruxelas 25%, sendo que essas cifras estão em franco crescimento”.
O que é, supostamente, “óbvio” é que a Polônia e a Hungria não são atingidas por ataques terroristas islâmicos porque estes países têm pouquíssimos muçulmanos, ao passo que na Bélgica e no Reino Unido acontece o inverso. Provavelmente a Europa estaria mais segura se tivesse seguido o exemplo da Europa Oriental.
A Europa Oriental mostra maior entendimento da cultura ocidental do que a própria Europa Ocidental. Esses países do leste também têm sido bem mais generosos à OTAN, baluarte de sua independência e segurança. A cultura e a segurança andam de mãos dadas: se você levar a sério a sua própria cultura e civilização, você estará disposto a defendê-las.
Um breve olhar para os dispêndios militares dos membros da OTAN em relação ao PIB mostra que a Polônia cumpre com sua obrigação de pagar 2% do Produto Interno Bruto, diferentemente de todos os países da Europa Ocidental. Apenas cinco dos 28 membros da OTAN – os EUA, Grécia, Polônia, Estônia e Reino Unido – contribuem com os 2%. E a França? E a Bélgica? E a Alemanha? E a Holanda?
“Ao contrário da maioria de seus pares da OTAN e da Europa”, Agnia Grigas, membro sênior do Atlantic Council, esclareceu: “a Polônia tem ao longo das duas últimas décadas visto a defesa como uma questão prioritária e, como resultado, emerge lenta e de forma contínua como bastião da segurança europeia”. A Polônia – diferentemente da Bélgica, Itália e outros países europeus – não é um “penetra” e sim um parceiro confiável, aliado dos EUA. A Polônia mostrou lealdade aos Estados Unidos, tanto no Afeganistão como no Iraque, onde suas tropas lutaram contra os talibãs, além de ajudarem a derrubar Saddam Hussein.
Não é por acaso que o presidente Trump escolheu a Polônia, um país que lutou contra o nazismo e o comunismo, para conclamar o Ocidente a mostrar um tantinho de disposição em sua luta existencial contra o novo totalitarismo: o Islã radical.
“O Ocidente continuará desfrutando da vantagem militar por um bom tempo ainda, mas possuir armas é uma coisa, estar disposto a usá-las é outra coisa totalmente diferente”, assinalou William Kilpatrick, professor do Boston College. “O Ocidente é forte militarmente, mas fraco ideologicamente. Falta-lhe confiança civilizacional”.
É por esta razão que é crucial que a Europa Oriental continue a ser uma voz forte de dissidência ao projeto da UE. Ela poderia prover a confiança cultural que falta, tão acentuadamente, aos burocratas europeus – falta esta cujo custo é a própria Europa.


Giulio Meotti, editor cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.
Publicado no site do Gatestone Institute – https://pt.gatestoneinstitute.org
Tradução: Joseph Skilnik
Valesca Popozuda diz: “Não quero homem gritando gostosa”. Alguém se lembra dos funks dela?
Valesca Popozuda, autora de grandes canções como "Larguei o Meu Marido (Agora Virei Puta)", defende o feminismo e pede poder e respeito. 
Uma prova aplica em Brasília já definiu Valesca Popozuda como “grande pensadora contemporânea”. A julgar pelo nível das feministas, podemos dizer realmente que Valesca Popozuda é grande. Acima da média. Maior. Bem grande. Aliás, perto das feministas, Valesca Popozuda é uma pensadora enorme. Gigante.
Valesca Popozuda em prova: "grande pensadora contemporânea"A pensadora gigante deu entrevista a Faa Morena, apresentadora do Ritmo Brasil da RedeTV. O tema, obviamente, foi machismo: junte duas pessoas de compleição intelectual bem grande, nível popozudo, e certamente estarão falando de machismo.
Valesca, a Popozuda, disparou:
“[Machismo] é uma coisa que sempre vai existir. A gente luta contra isso, mas é algo que vem de casa. Não quero homem gritando ‘gostosa, maravilhosa’ pra mim, não. Eu quero as mulheres gritando por liberdade e poder. Queremos ser respeitadas.”
Algo que lembra Washington Olivetto, declarando que “empoderamento feminino é um clichê constrangedor”.
É curioso como alguém pode ter o sobrenome artístico “Popozuda” (a. k. a. “bunduda”) e não querer ser chamada de gostosa. Afinal, ideologia, empoderamento, feminismo, blá blá blá. Mas ainda pior é alguém dizer isso e ninguém na grande e velha mídia juntar lé com cré e interromper a dona com um silogístico “Mas, peraí!”
Falando em mulher querer ser respeitada, Valesca Popozuda fez sua carreira no grupo Gaiola das Popozudas. A grande e velha mídia, novamente, parece não querer informar seu público sobre as músicas de Valesca Popozuda na época. Refrescamos a memória do leitor:
Valesca Popozuda lê Madame Bovary1. Aquecimento
2. Agora Virei Puta
3. Comece A Rebolar

4. Gaiola Com Tesão
5. My Pussy é o Poder
6. Fruta Estragada
7. Dedinho
8. A foda Tá Liberada
9. Hoje Eu Vou Beber
10. Traz A Bebida Que Pisca
11. Quero Te Dar
12. Sem Calcinha
13. Late Que Eu Tô Passando
14. Fiel é o Caralho
15. A Guerra Começou
16. Tô com o Cu Pegando Fogo
Faixas bônus
17. Comece a me Chupar
18. Minha Buceta É o Poder
Sua carreira também teve singles como “Larguei o Meu Marido (Agora Virei Puta)”, “Agora Eu Tô Solteira”/ “Agora Eu Sou Piranha”, “Um Otário Pra Bancar”, “Solta Esse Ponto” / “Solta Essa Porra”, “Hoje Eu Não Vou Dar, Eu Vou Distribuir”, “A Soda Tá Liberada / A Foda Tá Liberada” e o petrolifero “Funk do Lula” (será correlato ao sucesso “Dedinho”?).
Gaiola das Popozudas, álbum da funkeira Valesca Popozuda
Além da coragem em dar nomes aos bois, sabe qual a diferença entre Valesca Popozuda, que aparece dando entrevista para toda a grande e velha mídia, e as feministas típicas? Exatamente. O tamanho da pensadora. Que faz diferença entre conseguir e apenas desejar.
O Fim da Europa
A decadência da Europa, continente irreconhecível face a duas décadas atrás, não é apenas política: é sobretudo cultural. 
Europa, levada por Zeus sob a forma de um touro branco
“Tempos bons geram homens fracos, que criam tempos difíceis que, por sua vez,
geram homens fortes, que criam tempos bons.” (Dito popular)
Zeus era apaixonado pela princesa Europa, filha de Agenor, rei de Tiro, antiga cidade fenícia. Sabendo que ela admirava os touros de seu pai, Zeus tomou a forma de um touro branco e, após os touros serem conduzidos por Hermes até a praia, Zeus aproximou-se dela e deitou-se a seus pés. Europa, admirada com aquele belo e manso touro branco, subiu nas suas costas. Aproveitando a oportunidade, Zeus a raptou, levando-a através do mar até a ilha de Creta.
Revelando a sua identidade, Zeus tentou violá-la, mas Europa resistiu, até que Zeus, transformando-se em uma águia, finalmente conseguiu subjugá-la num bosque de salgueiros.
Europa teve três filhos com Zeus: Minos, que se tornou rei de Creta, Radamanto e Sarpedon. Entre os presentes que ofereceu a Europa, Zeus recriou a forma do touro branco nas estrelas que compõem a Constelação de Touro.
Constelação Taurus, em representação de Johannes Hevelius (1611-1687)
Em homenagem à mãe de Minos, os gregos deram o nome de “Europa” para o continente que ficava ao norte da ilha de Creta.
Isso ocorreu cinco gerações antes do nascimento de Hércules, milênios antes do continente europeu se estabelecer como centro da cultura ocidental.
Desde então, dois milênios se passaram, dos primórdios da cultura européia, fundamentada pela moral judaico-cristã, a filosofia grega e o direito romano, chegando ao seu apogeu, até a sua queda, no século XXI.
Hoje a Europa, enfraquecida pelas comodidades materiais proporcionadas pelo capitalismo liberal da segunda metade do século XX e amedrontada perante o discurso ideológico desagregador neomarxista, está novamente deslumbrada com um touro branco e supostamente manso.
Porém, desta vez, quando o touro revelar a sua cruel identidade, a Europa não será estuprada por um deus apaixonado, mas pela horda de bárbaros invasores, pelas políticas abortistas, pelo crescente controle globalista, pela auto-censura politicamente correta, pela ideologia de gênero, pelo consumo de drogas, pelo decréscimo populacional, pelo niilismo, pela desvalorização ou criminalização dos aspectos masculinos da natureza humana e por tudo o mais que vem junto com o pacote do fim de uma civilização.
A Europa não irá ganhar de presente de seu estuprador um Talos, o gigante autômato de bronze, nem um cão treinado pelos deuses, nem um dardo que nunca erra o alvo.
Seu presente será a submissão e a completa aniquilação, ainda neste século. A grande constelação de Taurus, proeminente no céu do Norte no inverno, será transfigurada em lua crescente e estrela.
Uma história que começou com um estupro vai terminar com outro, muito pior. O touro branco de hoje é o discurso politicamente correto, a sedução relativista, a pusilanimidade travestida de pseudo-pacifismo irresponsável e suicida.
Típico europeu moderno: fraco, irresponsável e suicida.
Não há futuro para uma civilização que renegou os próprios fundamentos morais e culturais que propiciaram seu nascimento e hoje segue completamente perdida, como uma tábua no mar, apodrecendo à deriva. A maior tragédia do século foi a Europa ter renegado a tradição cristã, já podemos ver as conseqüências disso.
Talvez o caso mais emblemático seja o martírio do bebê Charlie Gard que, vítima de uma doença rara, foi proibido pelos tribunais europeus de receber tratamento nos EUA.
Processo idêntico vem sofrendo o jovem e irrelevante Brasil, macaqueador de todos os mais sinistros experimentos sociais europeus, do marxismo ao desarmamento, do aborto à ideologia de gênero. Já não temos mais identidade nem personalidade, nossa cultura não floresceu como a européia, nós nos tornamos uma sociedade de bandidos covardes, acomodados e depravados. O Brasil conhecerá seu fim sem mesmo haver alcançado o apogeu.
A diferença é que os danos à Humanidade da derrocada da Europa são muito mais severos do que aqueles causados pelo fim do Brasil. A Europa tem Dante, Michelangelo, Shakespeare, Cervantes, Bach, Mozart, Beethoven etc. Nós temos Padre José Maurício Nunes Garcia, Carlos Gomes, Villa-Lobos etc. (que faziam música européia), Machado de Assis, Manuel Bandeira, Graciliano Ramos etc. (que escreviam em português, uma língua européia). Temos também o samba e o choro, que são fusões entre harmonias, melodias e formas européias e ritmos africanos. Devemos à Europa boa parte de nossa rica e parca cultura.
Tudo isso está prestes a ser aniquilado porque o homem europeu está mais preocupado em fazer sexo, usar drogas, abortar e posar de tolerante, embasbacado pelo touro branco do marxismo cultural.
Resta-nos, como contemporâneos dessa odiosa Nova Babilônia, como meta de vida, lutarmos pela preservação da cultura ocidental. Como numa grande Arca de Noé cultural, guardarmos as obras-primas da Humanidade, todo o conhecimento acumulado em séculos, de modo a dificultar um pouco o processo de dominação, tanto islâmica quanto globalista ou eurasiana.
Os sobreviventes devem estudar latim, filosofia, música, história da arte, literatura etc. a ponto de dominar alguma dessas área e transmitir esse conhecimento para as novas gerações. Não espere nada dos governos; catedrais já estão sendo destruídas, pais já estão perdendo a autoridade sobre os próprios filhos, já vemos perseguições e censura, a morte é a lei.
Podemos ser uma ilha de resistência, assim como a Polônia e Ucrânia, mas, para isso, precisamos de um sopro de coragem e um motivo para lutar. Qual motivo poderia ser maior do que a preservação da cultura ocidental, que proporcionou o maior nível de desenvolvimento e liberdade já alcançado pela Humanidade?
Que o martírio de Charlie Gard seja um símbolo contra a opressão da burocracia governamental sobre os indivíduos; que sua iminente morte nos inspire e nos dê coragem para lutar não só contra o assassinato de crianças, nascidas ou não, mas pela sobrevivência de nossa própria civilização.

Fernando Lopes-Graça: Suite Rústica nº 2, sobre cantos e danças tradiocionais portugueses


Enrique Donoso (1963 - )


Manhattan Memories
God always strives together with those who strive. - Aeschylus
Governo de Portugal é multado por afirmar que mulher não precisa de sexo aos 50 anos
Corte Europeia condenou país por ter usado esse argumento em ação judicial 
O GloboCena do filme 'Alguém tem que ceder', em que Diane Keaton interpreta uma mulher com mais de 50 anos que volta a ter vida sexual ativa - Divulgação 
Quando tinha 50 anos, em 1995, a portuguesa Maria Morais passou uma por uma cirurgia ginecológica simples, mas um erro médico provocou uma lesão no nervo pudendo, deixando- a com incontinência urinária e fecal, e praticamente incapaz de manter relações sexuais. No tribunal, em primeira instância o hospital foi condenado a indenizar a mulher em 172 mil euros, decisão mantida por duas instâncias superiores, informa o jornal português “Público”.
Mas em 2013, o caso chegou ao Supremo Tribunal Administrativo, onde um colegiado de juízes com idades entre 56 e 64 anos, incluindo uma mulher, decidiu reduzir a indenização para 111 mil euros — 61 mil euros a menos que a condenação original. Entre os motivos apresentados pelos magistrados, foi citado que a mulher “já tinha 50 anos e dois filhos”, alcançando, então, uma “idade em que a sexualidade não tem a importância que assume em idades mais jovens”.
Nesta terça-feira, dia 25, a Corte Europeia de Direitos Humanos condenou Portugal por “preconceito”, já que o país reduziu a indenização a ser paga à mulher por considerar que, por causa da idade avançada, o sexo já não seria tão importante. Além da mancha no judiciário do país, o governo terá que pagar multa de 5.710 euros, sendo 3.250 por danos morais.
O acórdão foi duramente criticado por sexólogos e juristas portugueses, o que acabou levando o caso à Corte Europeia de Direitos Humanos. A decisão publicada nesta terça critica a posição da Justiça portuguesa, argumentando que a indenização não poderia ter sido reduzida, sobretudo com tais argumentos.
“A igualdade de gênero ainda é um abjetivo a atingir, e uma das formas de fazê-lo é abordando as causas profundas da desigualdade gerada pelos estereótipos”, escreveram os juízes europeus na sentença, que condenou a Justiça portuguesa por violação a duas normas da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. A primeira proíbe a discriminação em função de gênero, raça, cor, língua, religião e outros aspectos; e a segunda diz que qualquer pessoa tem direito ao respeito pela sua vida privada e familiar.
Vítor Parente Ribeiro, advogado de Maria, hoje septuagenária, celebrou a decisão, dizendo que ela contribui “para a evolução de um sistema judiciário ainda muito retrógrado. Se o estado português não recorrer à corte europeia, Ribeiro pretende usar a decisão para tentar recuperar os 61 mil euros que foram retirados da indenização de sua cliente.
Força declinante
FSP
Países se impõem no cenário internacional por meio do poderio econômico e militar ou, alternativamente, pelo que se convencionou chamar de "soft power" —o condão de aglutinar apoios graças ao prestígio e à credibilidade.
Longe de figurar entre as potências do primeiro tipo, o Brasil amarga também o declínio de sua imagem aos olhos do restante do mundo. Tal noção, quase intuitiva, ganha contornos mais objetivos em ranking recém-publicado por uma consultoria britânica.
No documento, o país ocupa uma modesta 29ª colocação entre os considerados mais aptos a exercer influência global de maneira persuasiva; estávamos em 23º há dois anos, quando o levantamento teve início a partir de indicadores relacionados a instituições, cultura e política externa.
Importa menos a posição na lista —possivelmente apenas uma forma de tornar o estudo mais chamativo— do que a evidência do desencanto com os atrativos brasileiros.
A perda de protagonismo na arena diplomática é visível desde o governo de Dilma Rousseff (PT), que, ao contrário de seus antecessores Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, não mostrava apetite para as relações exteriores.
Mais recentemente, um relatório elaborado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos atacou, sem poupar Lula nem FHC, o que considera deficiências históricas na política externa, que fracassou em objetivos fixados como prioritários, caso da obtenção de um assento no Conselho de Segurança da ONU.
Considere-se, ademais, que o mundo ficou mais hostil nos últimos anos. A eleição de Donald Trump nos EUA e o plebiscito em favor da saída do Reino Unido da União Europeia, nos exemplos mais marcantes, mostraram nações menos propensas à abertura de suas fronteiras e seu comércio.
Cumpre, porém, apontar o óbvio —que nada pode ser mais devastador para o poder de convencimento externo de um país do que fracassos domésticos simultâneos na política e na economia.
Nesta década, o peso do Brasil no PIB global minguou de 3,1% para 2,5%. O atual presidente, alçado ao posto após um processo de impeachment, pode ter o mandato interrompido na próxima semana, acusado de corrupção.
Não é situação que permita ao governo encontrar muito a dizer para além das fronteiras nacionais, ainda que houvesse lá fora alguém interessado em ouvi-lo.
Tempo de decisão
O presidente Temer terá que fazer sua escolha 
Lydia Medeiros - O Globo
A unanimidade política em torno da equipe econômica sofreu abalos com a decisão do governo de aumentar impostos para cobrir o rombo nas contas públicas. E o debate sobre a meta fiscal voltou à pauta.
Ganha força de novo aideia de adotar uma meta mais frouxa, que admita um déficit maior, mas com menor custo político.
A tese foi defendida desde o início do governo por ministros e pelo senador Romero Jucá. Caso vença, será o primeiro sinal de enfraquecimento de Henrique Meirelles.
O presidente Temer terá que fazer sua escolha.
Descolados, Alckmin e Doria buscam alianças próprias

Bruno Santos - 11.jun.2017/Folhapress
Alckmin (à esq.) trabalha para ser candidato a presidente, e Doria deixa pretensões no ar
Alckmin (à esq.) trabalha para ser candidato a presidente, e Doria deixa pretensões no ar
Com interesses bem menos convergentes do que um ano atrás, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito João Doria (PSDB) correm com articulações políticas paralelas naquilo que pode se transformar em uma demonstração de forças para 2018.
Como parte de uma agenda nacional em curso há meses, Alckmin esteve só nos últimos dias com o comando do PPS e do DEM e nesta quarta-feira (26) deverá jantar com a cúpula do PSB.
Fieis ao estilo do tucano, as conversas costumam ser mais genéricas do que pragmáticas, segundo interlocutores.
Doria, por sua vez, além de viagens para cidades como Rio e Brasília –e Campina Grande (PB), que deve visitar em breve–, aproximou-se de prefeitos paulistas, ocupando o lugar de Alckmin no Estado e ampliando sua projeção política para 2018.
Para o entorno tanto do prefeito quanto do governador, está praticamente certo que Doria quer ser candidato e que mira a Presidência.
Mas, se Alckmin superar denúncias na Lava Jato e se viabilizar, o prefeito terá se cacifado para disputar o governo paulista e ser um nome de consenso, capaz de desestimular candidaturas como as de Márcio França (PSB), vice-governador de SP, e Rodrigo Garcia (DEM), secretário estadual da Habitação.
Esse cenário interessa a Alckmin, que teria assim um bom palanque em São Paulo.
No entanto, os sinais de que Doria pensa mais em Brasília melindram aliados do governador, dentro e fora do PSDB, que veem a jogada solo pouco legitimada.
Alguns se alarmam com a hipótese de o prefeito vir a renunciar para disputar o governo estadual, mas acabar passando por cima de Alckmin e tentar a Presidência.
Do ponto de vista de auxiliares de Doria, as iniciativas não são de confrontação, mas dão vida própria ao político em primeiro mandato.
Doria vem expandindo sua atuação para fora da capital paulista. Fez ação conjunta com Orlando Morando (PSDB), prefeito de São Bernardo do Campo, e repetirá a iniciativa com o prefeito de Guarulhos, Guti (PSB).
Entrou para o consórcio do ABC, que reúne prefeitos dos municípios no entorno da capital, e assumiu o conselho da região metropolitana.
Fora a agenda técnica, dedica-se a eventos sociais.
No último mês, esteve com Jonas Donizette (PSB), prefeito de Campinas (SP), e empresários na cidade vizinha à capital, em jantar oferecido por Juan Quirós, presidente da agência municipal SP Negócios. Também dividiu a mesa com executivos em Santo André, no ABC paulista, e foi recebido por Orlando Morando na companhia de outros prefeitos da região.
O PSB, importante partido da base de Alckmin, reflete esse momento de descolamento de interesses.
O vice-governador Márcio França, que deve assumir o mandato tampão se Alckmin renunciar no início de 2018, tem expectativa de disputar a sucessão. Ao mesmo tempo, Donizette quer se viabilizar como vice em eventual chapa de Doria para a disputa do governo de São Paulo.
Mesmo que cumpra a palavra, não enfrente Alckmin na corrida presidencial e resolva disputar o governo paulista, Doria ainda assim enfrentará obstáculos.
Dentro do PSDB, questiona-se sua habilidade de pacificar o partido, já que ele não se furta a propagar conflitos internos. Também pode haver disputa: o senador José Serra e José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela, já demonstraram intenção em concorrer.
Depois, terá o desgaste da renúncia apenas um ano e pouco após a posse.
Assessores seus apostam, contudo, que o "clamor popular" compensaria restrições.
A miséria da esquerda
Sem Lula, os partidos do dito 'campo popular' dificilmente serão capazes de comover os eleitores com seu discurso estatizante
Os intelectuais petistas começam a admitir em voz alta aquilo que seus colegas militantes apenas murmuravam aqui e ali: a esquerda ─ como eles a entendem – é totalmente dependente de Lula da Silva para existir como força eleitoral. Sem o demiurgo petista e suas bravatas demagógicas, reconhecem esses amuados ativistas, os partidos do dito “campo popular” dificilmente serão capazes de comover os eleitores com seu discurso estatizante, baseado na puída tese marxista da luta de classes. Ou alguém acredita que Dilma Rousseff, que se julga herdeira de Leonel Brizola e seu esquerdismo terceiro-mundista, teria sido eleita e reeleita presidente da República não fosse seu padrinho?
“Impedir o PT de ter um candidato competitivo a um ano do pleito equivale a banir a esquerda da vida política”, sentenciou o professor de História da USP e autor do livro História do PT, Lincoln Secco, em recente entrevista ao Estado. Segundo Secco, “a esquerda não tem plano B sem o Lula”. Mais do que isso: o professor petista considera que, “sem apoio do Lula, nenhum candidato da esquerda se viabiliza”.
O professor Secco não está sozinho nessa avaliação. A sentença do juiz federal Sergio Moro que condenou Lula a mais de nove anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro teve o condão de fazer com que outros militantes manifestassem sua preocupação com o futuro eleitoral da esquerda, depois de mais de uma década de bonança petista. Para essa turma, é preciso começar a encarar a vida sem Lula na cédula de votação em 2018.
O mais curioso desse diagnóstico é que Lula da Silva jamais foi de esquerda. Sua carreira como líder sindical e depois como político se notabilizou pelo oportunismo desbragado. “Eu nunca fui um esquerdista”, disse o chefão petista em 2006, quando era presidente, buscava a reeleição e tinha de convencer o mercado de que nada mudaria na condução prudente da política econômica. Já quando precisa insuflar a militância esquerdista, Lula não tem dúvida em bradar, como fez no mais recente congresso do PT, que é necessário fazer “a esquerda voltar a governar o País”. Cabe aos ingênuos escolher em qual Lula se deve acreditar.
Diante da perspectiva muito concreta de passar os próximos anos na cadeia, Lula da Silva parece ter intuído que o melhor a fazer no momento é travestir-se de esquerdista, vociferando palavras de ordem contra o capital, a imprensa e a classe média, de modo a eletrizar os tolos que ainda se dispõem a defendê-lo, a despeito de todas as evidências. Sua intenção é óbvia: transformar seu julgamento em um caso político, como se sua condenação judicial, acompanhada de carradas de provas, fosse uma ação da “direita”, interessada em destruir as chances eleitorais da “esquerda”.
Essa encenação para engambelar esquerdistas bocós conta com a participação ativa da cúpula do PT, ciente, é claro, do risco de ver o partido encolher drasticamente nas próximas eleições caso Lula não possa concorrer. No mais recente encontro do Foro de São Paulo ─ o notório convescote de partidos esquerdistas da América Latina que acabam de se reunir em Manágua ─, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, disse que “a direita reacionária e golpista não descansa” em seu intento de “destruir o PT e impedir que o maior líder popular brasileiro, Lula, seja nosso candidato nas eleições presidenciais de 2018”. Segundo a petista, “mais do que nunca necessitamos de um governo de esquerda de volta ao nosso país”. No mesmo discurso, sem ruborizar, a senadora aproveitou para se solidarizar com as ditaduras da Venezuela, de Cuba e da Nicarágua.
A estratégia petista de vincular o destino de Lula ao da esquerda ─ não só brasileira, mas latino-americana ─ parece estar funcionando bem, a julgar pelo lamento dos esquerdistas que já se consideram órfãos do chefão petista. Isso só comprova a miséria do pensamento dito “progressista” no País. Afinal, se essa esquerda, para existir, depende de um rematado demagogo condenado por corrupção, então é mesmo o caso de considerá-la moralmente extinta.
Responder com tributo à alta de gasto é estratégia destinada ao fracasso
Alexandre Schwartsman - FSP
Incapaz de resolver o problema do gasto público, o governo mais uma vez passou o mico para a sociedade.
Para atender a meta de deficit primário de R$ 139 bilhões, aumentou o tributo sobre combustíveis, medida que, espera-se, irá trazer receitas adicionais da ordem de R$ 10 bilhões ainda em 2017, ao custo de uma elevação ao redor de 0,6 ponto percentual no IPCA deste ano, que, ainda assim, deverá ficar ao redor de 4%.
Não é uma boa solução. Há, é claro, quem defenda uma tributação mais pesada de combustíveis fósseis, já que seus custos para a sociedade não são totalmente capturados pelos preços. Esta, porém, é uma argumentação de eficiência no uso de recursos e, para ser sincero, deveria ser mais bem embasada, o que não parece ter sido o caso. Na verdade, o real motivo, como antecipado, é elevar as receitas do governo.
Temos mais de um problema com essa proposição. Em primeiro lugar, não se trata de uma estratégia nova. Ao contrário, usamos (e abusamos) do aumento de tributos para conter o deficit público: entre 1997 e os 12 meses até maio de 2017, a arrecadação federal saltou de 15,5% para 18,8% do PIB, aumento de 3,3% do PIB.
No entanto, as despesas federais cresceram bem mais no mesmo período: de 14,2% para 19,8% do PIB, ou seja, elevação de 5,6% do PIB.
Em que pese alguma perda de arrecadação por força da recessão de 2014 para cá, deve ficar mais do que claro que responder ao aumento das despesas com maiores impostos é uma estratégia destinada ao fracasso.
Apenas adia (e cada vez menos) o doloroso encontro com a realidade: o setor público no país saiu de qualquer controle e, enquanto não for domado, não haverá estabilidade possível a médio e longo prazo.
Posto de outra forma, a medida pode até ajudar a atingir a meta em 2017, mas não será à custa da elevação persistente de impostos que conseguiremos reverter a trajetória crescente da dívida pública.
Em segundo lugar, a experiência internacional sugere que há assimetrias importantes entre redução de gastos e elevação de tributos.
Em trabalho publicado em maio deste ano, Alberto Alesina e coautores, examinando 17 países da OCDE entre 1978 e 2009, mostram que reduções de gastos (ou transferências) "causam (...) modesto impacto recessivo no primeiro ano, mas esse efeito já começa a desaparecer no ano seguinte", ponto, aliás, nada sutilmente ignorado por Laura Carvalho.
Já aumentos de impostos têm efeitos recessivos maiores do que cortes de gastos e também mais persistentes. Segundo os autores, "quatro anos após a introdução de um ajuste equivalente a 1% do PIB, o produto é mais do que 1% menor do que seria na ausência do programa".
Como notado, o estudo se refere a economias maduras. Contudo, outro trabalho, de Troy Matheson e Joana Pereira, aplicado precisamente ao caso brasileiro, chega a conclusões semelhantes.
Em particular, "espera-se que, na atual conjuntura, estímulos fiscais [gasto e crédito público] sejam ineficazes", enquanto "ajustes baseados em receitas provavelmente devem levar à freada da atividade".
À luz desses resultados, me pergunto como economistas supostamente preocupados com a recuperação da economia, como Nelson Barbosa, ainda batam na tecla de mais impostos como saída para a crise fiscal.
Não há evidência que demova a ideia fixa.