segunda-feira, 21 de agosto de 2017


Via chillypepperhothothot
Two Realities by Ozem Ellis on Flickr.
Two Realities by Ozem Ellis on Flickr.
brutals-realm:
“Ode to Klimt by DanielaUhlig
” 
Ode to Klimt by DanielaUhlig

Tristania - My Lost Lenore




Lacey Guitars via psychoactivelectricity

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Via Vylain
Nada do que está hoje acontecendo na Venezuela deveria surpreender. Presenciamos o desenvolvimento lógico-político de instauração do socialismo naquele país, tendo começado com Chávez e encontrado o seu desfecho na abolição da democracia e no assassinato de mais de uma centena de pessoas nas ruas em poucas semanas.
Espanta, contudo, o cinismo de alguns políticos que teimam em dissociar a “democracia” de Chávez da “ditadura” de Maduro, como se fosse possível separar as premissas da conclusão. Neste sentido, o elogio do indefectível Lula a Chávez — quando considerou que aquele país tinha “excesso de democracia” e não falta, acompanhado de apoio financeiro do contribuinte brasileiro através do BNDES — mostrou coerência com sua sustentação do ditador Maduro. O apoio atual do PT a este, com manifestações de sua presidente no Foro de São Paulo, segue uma mesma lógica, cuja única virtude consiste em expor a faceta totalitária do partido.
Qual democracia está em questão: a democracia representativa, com todas suas limitações e contrapesos, ou a democracia totalitária, com sua ilimitação e projeto de destruição do próprio sistema representativo?
A democracia totalitária é um conceito elaborado por um célebre cientista político, J. L. Talmon, em sua obra “Origens da democracia totalitária”. Recorrendo aos filósofos do século XVIII, porém atento ao fenômeno totalitário comunista do século XX, destaca ele o surgimento de uma ideia democrática, fundada na soberania do povo, entendida como guia de uma atividade política que desconhece limites. Em nome da vontade popular, tudo seria possível, inclusive o desrespeito à lei e à Constituição ou, mesmo, a abolição das duas.
Em nosso país, por exemplo, quando políticos de esquerda procuram cancelar os seus crimes, dizendo que as eleições absolvem os que violaram as leis, estão dizendo com isto que processos eleitorais são os únicos capazes de julgar os políticos, por mais criminosos que sejam. Não seriam os tribunais os juízes, mas as eleições, na medida em que seriam expressões da vontade popular. É o mesmo argumento que está sendo utilizando por Lula e os seus apoiadores, forçando de qualquer jeito a sua candidatura, para, uma vez eleito, escapar de qualquer condenação em curso. É a faceta totalitária.
Em sua vertente totalitária, a democracia é reduzida a eleições, como se essas fossem os únicos processos decisórios válidos. Constituição, separação de poderes e respeito às leis são desconsiderados como se não fizessem parte, senão subsidiariamente e aparentemente, do conceito mesmo de democracia. O que fez Chávez?
Conquistou o poder por intermédio de eleições e nele permaneceu através de referendos que o legitimavam. A esquerda latino-americana e a brasileira, em particular, ressaltaram continuamente este aspecto com o intuito de mostrar a reconciliação do socialismo com a democracia. A imagem socialista-totalitária seria coisa do passado.
Uma vez no poder, Chávez começou a enfraquecer, senão a abolir, as instituições representativas. Primeiro, o Judiciário foi manipulado, com a substituição de juízes por ideólogos e militantes que obedeciam às orientações do Líder Máximo. Ministros foram presos por não seguirem a nova linha de conduta. O Supremo, porém, continuou funcionando em sua nova roupagem totalitária, tendo como função referendar as orientações governamentais. A esquerda clamava, então, que as leis estavam sendo respeitadas por decisão da mais Alta Corte do país. A pantomina era total.
Segundo, o Poder Legislativo foi completamente investido pelos “socialistas”, passando a ser um mero referendador das ordens de Chávez. Transferiu a ele, inclusive, o poder de legislar, investindo-o de “leis delegadas”, de tal maneira que, por atos administrativos, poderia editar e promulgar leis.
Assim sendo, concentrou em sua pessoa o poder de julgar, legislar e governar, abolindo, de fato, a separação de poderes. Fingiu respeitar a democracia, pervertendo-a completamente. Na verdade, aproveitou-se de instrumentos democráticos, como eleições, para subverter a democracia. Eis a novidade do “socialismo do século XXI”.
Para bem assegurar o seu poder, tomou conta das Forças Armadas através do seu aparelhamento por oficiais submissos ao novo regime. A ideologia apoderou-se dos militares, obrigados a jurar “socialismo ou morte”. A bem da verdade, o socialismo está levando à morte de jovens nas ruas de Maduro. Não satisfeito, utilizou a expertise totalitária de Fidel Castro e de seu irmão Raúl, importando especialistas cubanos para, com seus serviços de inteligência, fortalecer os laços “socialistas” das Forças Armadas.
Como se não fosse ainda suficiente, pois o controle deveria ser total, lançou mão da criação das milícias bolivarianas, corpo paraestatal, diretamente armado e controlado por ele, tendo como função aterrorizar a população. Seguiu o exemplo das SA de Hitler, disseminando o medo e a violência entre os cidadãos. Ora, são essas mesmas milícias que estão agora, sob a direção de Maduro, assassinando os manifestantes e os opositores venezuelanos.
O que faz Maduro? Segue os ensinamentos de seu mentor. Ele é apenas um novo elo da mesma lógica totalitária. A diferenciação reside em que a violência tornou-se explícita. A farsa de uma Assembleia Constituinte suprime o Poder Legislativo ainda vigente, que tinha se revigorado por eleições ainda permitidas. A população está na miséria, os supermercados estão desabastecidos, o PIB cai vertiginosamente, a inflação está nas alturas, e o novo governante agora o que mais teme é um processo eleitoral, um referendo. Uma vez tendo sido a democracia subvertida, até o véu cai, com eleições não sendo mais necessárias para a conservação do poder.
A democracia representativa está morta. Maduro prestou homenagens a Fidel em sua tumba. Foi coerente com o assassinato que perpetua de manifestantes. Em seus féretros jaz o socialismo.
A esquerda, velha como é, já tem seus clichês comportamentais

Ricardo Cammarota
Ilustração coluna Pondé 21.ago.2017
Ilustração coluna Pondé 21.ago.2017 
Luiz Felipe Pondé - FSP
Há muito me ocupo do que seria uma tipologia da esquerda contemporânea. Calma! Um dia chegarei a tipologia da direita, aguardo apenas um pouco porque essa, pelo menos entre nós brasileiros, apenas começa a se acomodar em clichês suficientes para formar uma tipologia minimamente científica. A esquerda, velha como é, já tem seus clichês comportamentais.
Primeiro, a clássica, que deixaria a esquerda pós-moderninha, criada nos campi das universidades, em pânico. Essa esquerda confessa suas taras: que morram todos os reacionários. Corrupção é uma ferramenta válida, desde que usada para o partido e a revolução. Multiculturalismo, e sua mania de parques temáticos étnicos, é coisa de gente riquinha besta, com medo de sangue. Essa é a esquerda que, de fato, teme dizer seu nome.
Quase extinta porque sonhou em destruir o capitalismo. E ninguém tem nada para botar no lugar do capitalismo sem por em risco seu próprio capital.
Existe também a esquerda sindicalista. Essa, se retirada a metafísica social de redenção do "mundo do trabalho", é quase sempre formada de gente que adora a contribuição sindical obrigatória, nunca "trabalhou de fato", e enche as ruas com infelizes que ganham um lanche para fazer número. É bastante agressiva quando colocam em risco a sua renda paga pelos cofres públicos.
A esquerda dos "sem" e das vítimas está sempre cobrando algo da chamada "sociedade" -esse conceito vago, mas de grande utilidade retórica. Essa esquerda se alimenta do velho ressentimento humano, produzido em larga escala pelo capitalismo e seu método de produção de riqueza pela competição selvagem.
Há também a esquerda descendente dos hippies. Gente que quer mudar o mundo com a horta da varanda de sua casa e ainda acha o uso de drogas algo "questionador do sistema". Tem pouco dinheiro e se dedica a "arte e política".
Claro, a esquerda dos campi universitários é essencial. Composta de gente da classe média ou média alta, professores e alunos (os funcionários são, na sua maioria, ligados à esquerda sindical porque são mais pobres e nunca vão a congressos que discutem a desigualdade social), se constitui naquela que impacta a cultura e a opinião pública.
Gosta de tramar contra a desigualdade social comendo queijo e tomando vinho, quando não organizando festivais literários, de cinema ou teatro. Quando "prega", quase ninguém entende porque mistura jargão psicanalítico com um marxismo banhado numa jacuzzi cheia de óleos naturais para a pele e geleia "sugarless".
Não esqueçamos da esquerda de Hollywood e seus prêmios pautados por "race, class and gender", faturando milhões com super-heróis Marvel. Essa adora chorar em público.
A esquerda "sexual" é obcecada por suas idiossincrasias individuais que tentam transformar em pautas pedagógicas para crianças recém saídas do berço. Ligadas a essa, está toda a gama de pautas de gênero genéricas.
Há a esquerda dos "recursos humanos" e das palestras corporativas sobre capitalismo consciente. A mais aguada de todas, quase um marketing vagabundo. Usa expressões como "gestão do futuro" e "humanismo empresarial". Não gaste dinheiro com ela.
Também existe a esquerda da moçada que mora perto de onde trabalha e, por isso, confunde seu bairro com uma Amsterdã universal. Pode chegar suada no trabalho porque é dona do próprio negócio. São os "hackers urbanos", tem vocação para experimentalismo urbano e sonha com o Haddad como presidente dos EUA.
A multiculturalista só sobrevive quando tem muito investimento para deixar todas as culturas ali expostas num estado que agrade todo mundo que as visita.
Claro que não podemos esquecer da esquerda artística em geral, que delira com o politicamente correto e tem de si uma tal imagem de santidade política que deixaria Jesus envergonhado. Bienais de todos os tipos são seu templo.
E a "esquerda de mercado"? É a que sabe que para se vencer no mercado cultural deve-se gritar "Fora Temer!". E para não dizer que não falei de religião, existe a esquerda católica, essa mesma que domina o mercado da teologia. Amém.
Lula: caso de cadeia
Ipojuca Pontes - MSM
Garantia Sivuca – José Guilherme Godinho, policial membro da Scuderie Detetive Le Cocq, um dos responsáveis pela caçada e morte de Cara de Cavalo, cafetão, traficante, assassino e “caso íntimo” do Hélio Oiticica, o vanguardeiro performático das artes tropicalistas que chegou a homenagear o amor bandido com a ode-legenda “Seja marginal, seja herói” – bem, dizia Sivuca que “bandido bom é bandido morto”, bordão que o fez deputado estadual por duas vezes no ainda tolerável Rio de Janeiro dos anos 1990.
Pessoalmente, não chego a tanto. Mas acredito piamente que “bandido bom é bandido preso”, se possível, em certos casos, perpetuamente, num presídio de segurança máxima.
Este é bem o caso, por exemplo, de Luiz Inácio da Silva, reconhecido nas rodas civilizadas como o “Chacal” da politicagem tupiniquim.
Recentemente, como sabem todos (e a quase generalidade da população aplaudiu), o competente juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente a 9 anos e meio de cadeia, por corrupção e lavagem de dinheiro. É pouco – muito pouco, pouco mesmo. Neste sentido, procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal tomaram a decisão de recorrer da sentença e pedir penas maiores para o dono do PT. Faz sentido. De fato, como já escrevi, onde se abrir o Código Penal, o honorável Lula corre o risco de ser enquadrado: felonia, prevaricação, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, formação de quadrilha, entre outras tantas mazelas, formam o prontuário desta imperdoável figura que levou o País à degradação moral, política, econômica e social de forma nunca trilhada na nossa controversa história republicana.
Com Lula e o entorno comunista do PT, ambos aboletados nas utopias funestas e convenientes a tipos que nem Frei Beto (não dá pra mais de um “t”), FHC, Antonio Candido, Sérgio Buarque de Holanda, Geisel, Golberi et caterva, o Brasil trilhou (e continua a trilhar) os caminhos criminosos do “socialismo tropical” ou, se quiserem, do “estatismo selvagem”. Com a comunalha no poder, ingressamos, sem tirar nem pôr, na atmosfera mórbida do sétimo círculo do inferno traçado por Dante Alighieri nas páginas da Divina Comédia.
Eis o fato: nos 13 anos em que Luiz Inácio corrompeu a nação (sim, o “cara” impôs e sempre esteve por trás das manobras da guerrilheira marionete), atingimos a condição de um dos países mais corruptos e violentos do mundo, ao tempo em que se consolidou entre nós o aparelhamento do “Estado Forte” e se fincou no pedaço, seguindo as resoluções do Foro de São Paulo, uma burocracia insustentável que nos levou à insolvência absoluta.
Os números atuais impressionam: o País da era Lula comporta hoje 151 estatais deficitárias (entre elas, a Petrobras), 30 ministérios falidos, 153 autarquias e fundações federais inviáveis, 100 mil cargos comissionados e funções de confiança e gratificações supimpas, 250 mil funcionários-ativistas terceirizados, sem incluir o rombo previdenciário estimado (só em 2017) em R$ 167 bilhões e a alucinante dívida pública federal avaliada (pelo Tesouro Nacional) em mais de R$ 3 trilhões. Eis o prognóstico tardio: segundo cálculos fundamentados, as contas nacionais, caso as legiões socialistas de Lula fossem expulsas hoje das bocas estatais, só seriam ajustadas a partir de 2089. Ou seja, daqui a 60 anos!
Na sua oligofrenia progressiva, Lula diz que o seu governo livrou da fome 40 milhões de carentes que saíram da linha da pobreza para ingressar numa “nova classe média”. Sem jamais entrar numa fila do INSS, sustenta que transformou a saúde do Brasil em coisa de Primeiro Mundo. Mais: garante que mesmo sendo analfabeto de pai e mãe, abriu as portas das universidades para o povo. E tudo a partir da consolidação, pelo seu “Estado Forte”, de uma política de “conteúdo nacional” (vide a “Nova Matriz Econômica”, de fedor leninesco).
Cinismo assumido, a mentira tem pernas curtas. Dias atrás, amplo relatório divulgado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) deu conta, detalhadamente, da desastrosa política industrial e comercial imposta ao País nos 13 anos dos governos de Lula Rousseff.
Escorado na farra vertiginosa de subsídios fiscais e financeiros, que detonou uma inflação de dois dígitos, foram desperdiçados trilhões de reais com os “campeões nacionais” JBS-Friboi, Odebrecht, empresas do finório Eike Batista, OI, OAS etc., cujo objetivo paralelo gerou propinoduto para abastecer os cofres inabordáveis do PT, dos partidos aliados e demais “companheiros de viagens”.
Pior: no esquema criminoso adotado, foram preteridas as relações comerciais com economias desenvolvidas enquanto eram torrados bilhões de dólares com Cuba, Venezuela, Angola, República Dominicana, Bolívia e afins, países velhacos manobrados por comunistas ávidos de dinheiro fácil em troca da adesão irrestrita ao “socialismo do século XXI”. Coisa de doido!
Por fim, ouriçados com a decisão do Juiz Moro em bloquear 9 milhões de reais do ex-presidente, a tropa de choque petista classificou-a como “mesquinha”. De fato, a decisão do juiz, em se tratando de condenados por corrupção e lavagem de dinheiro, é obrigatória. Assim, o protesto soa como deboche.
Ademais, Lula aufere gordas aposentadorias, tem carro com chofer, apartamento confortável do qual não pode ser despejado, adega de fazer inveja a Brillat-Savarin, além de filhos e sobrinhos ricos. Há quem admita até que o honorável dispõe de boas reservas em Cuba e na Venezuela.
E o PT, ainda hoje uma das siglas partidárias mais ricas do planeta, não vai permitir que o seu “líder carismático” saia da boa vida e fique “asfixiado”.
Lista tríplice para TSE, que Gilmar preside, só contém professores do IDP, que Gilmar é dono
O Supremo Tribunal Federal aprovou os nomes que irão compor a lista tríplice, que será entregue ao presidente Michel Temer, para escolha  de ministro substituto no Tribunal Superior Eleitoral, que o ministro Gilmar Mendes preside.
Os advogados Carlos Bastide Horbach, Marilda de Paula Silveira e Fábio Lima Quintas foram escolhidos e são professores do IDP, que Gilmar Mendes é um dos donos.
Impressionante como o IDP desbancou outras faculdades mais tradicionais do país e com tanta rapidez.
No site do TSE, Gilmar Mendes destaca o fator “geográfico” para a escolha dos ministros.
Na conta do FMI, dívida pública do Brasil já destoa entre emergentes
Dinheiro Público & Cia - FSP
Pelas contas do Fundo Monetário Internacional, a dívida pública brasileira já equivale a mais de 80% da renda nacional, um patamar que destoa entre os principais países emergentes.
O governo adota outro critério de cálculo, pelo qual a dívida ainda está em 73% do PIB, não muito acima dos quase 70% registrados pela Índia, a segunda no ranking.
Na lista das principais economias em desenvolvimento, só o Brasil apresenta uma trajetória explosiva de endividamento do governo, que não será interrompida antes de 2022.

Nesse cenário, as diferenças de metodologia importam pouco: seja nas contas do FMI ou nas do governo, a situação brasileira não tem paralelo no mundo emergente.
O Fundo inclui na dívida títulos do Tesouro Nacional que são negociados pelo Banco Central para regular a quantidade de dinheiro na economia; o governo, não.
Mas o que interessa é a tendência, que é a mesma nos dois cálculos: expansão contínua, motivada pelo buraco nos orçamentos de União, Estados e municípios.
Alguns argumentam que a dívida brasileira não é alta, se comparada às de países ricos como EUA e Japão -a tese era muito repetida no governo Dilma Rousseff.
Tais países têm, isso sim, capacidade de endividamento maior. Com dispõem de boa reputação e moedas aceitas globalmente, conseguem tomar dinheiro emprestado com mais facilidade e a juros mais baixos.
A dívida pública do Japão passa de 200% do PIB, mas o gasto com juros não chega a 1%. A despesa brasileira, hoje, beira os 7% do produto. É mais do que se aplica em educação no país.
Os encargos financeiros do governo estão em queda, graças à queda das taxas do Banco Central. Ainda assim, o governo eles permanecem muito acima dos padrões internacionais.
Para estancar já o escalada da dívida, seria necessário destinar ao pagamento de juros uma parcela expressiva da receita da União.
A arrecadação, porém, é insuficiente até para cobrir gastos cotidianos -como pessoal, custeio administrativo e programas sociais- e as obras públicas. Isso significa que o governo tem deficit primário (sem contar a despesa financeira).
O governo acaba de elevar para R$ 159 bilhões sua projeção para esse deficit neste ano (eram R$ 139 bilhões) e no próximo (antes, previa-se queda para R$ 129 bilhões).
Só haverá superavit quando a receita crescer acima da inflação por anos consecutivos, o que, por sua vez, depende da retomada da economia. Como  estão congelados em termos reais, em algum momento os gastos se tornarão inferiores à arrecadação.
Nas novas contas oficiais, isso só acontecerá no início da próxima década, ou seja, no mandato do presidente a ser eleito no próximo ano.
A queda da dívida pode demorar ainda mais, porque os primeiros saldos positivos do Tesouro tendem a ser modestos.
Os cálculos pressupõem crescimento econômico de 2% no próximo ano, com ligeira melhora, para 2,6%, até 2020. Taxas mais favoráveis encurtariam o ajuste orçamentário; qualquer decepção com o PIB teria o efeito oposto.
Devagar com o andor
A reforma política que se desenha é um deboche. No Brasil, teria um único objetivo: facilitar a reeleição, e a imunidade parlamentar, de gente mais suja do que pau de galinheiro

Mesmo nas sociedades de classes mais injustas, existem mecanismos que legitimam a dominação, que não se dá apenas pela coerção. Esses mecanismos são, ainda, mais necessários em sociedades complexas como a brasileira, com mais de 200 milhões de habitantes. Por isso, aqui, até a ditadura militar se preocupou em manter aparências. Torturou e assassinou opositores, mas na maior parte do tempo manteve o Congresso aberto, ainda que emasculado.
Verdade que, às vezes, os mecanismos de legitimação beiravam o ridículo, como quando o Congresso era reaberto para docilmente coonestar decisão tomada pelas Forças Armadas, “elegendo” o general escolhido por seus pares para o papel de ditador. Mas cumpriam uma função: procuravam descaracterizar a existência de uma ditadura aberta. O regime era apresentado, dentro e fora do país, como um tipo de democracia, digamos, “relativa”, para usar expressão do general Geisel. O mesmo que, certa vez, mostrou indignação ao ver a “democracia” brasileira comparada à de Uganda.
Pois bem, não vou sugerir a leitura de Antonio Gramsci à turminha braba que hoje governa o país. Seria perda de tempo. Mas não custa lembrar algo.
É preciso que a institucionalidade permita válvulas de escape, minimamente que sejam, para os anseios da sociedade. Vejam: eu disse minimamente. Sei das limitações da democracia num país com tamanhas desigualdades sociais. Sei que o exercício da cidadania política é fortemente limitado para aqueles que não têm pão, trabalho, casa, segurança ou outros direitos mínimos.
Mas é bom não abusar.
Não que a falta de legitimidade leve automaticamente a uma revolução que ponha abaixo as estruturas injustas. Se fosse assim, menos mal. Mas pode levar a explosões sociais descontroladas que radicalizem o clima de barbárie e que não interessam a ninguém. Nem mesmo aos de cima.
Como alguma vez afirmou Artigas, herói uruguaio: “O hay pátria para todos, o no hay pátria para nadie”.
É bom que a cleptocracia instalada no poder e mais preocupada em defender os interesses dos já muito ricos — banqueiros, rentistas, agronégócio —, mais voltada para retirar direitos dos trabalhadores e para barrar as investigações sobre a corrupção, pense nisso.
A reforma política que se desenha — com o tal “distritão”, sistema que existe em apenas quatro países no mundo: Ilhas Pitcairn, Vanuatu, Jordânia e Afeganistão, nenhum deles exemplo de democracia — é um deboche. No Brasil, teria um único objetivo: facilitar a reeleição, e a imunidade parlamentar, de gente mais suja do que pau de galinheiro.
Mesmo o parlamentarismo, que em determinados países pode ser aceitável, hoje em nosso país significaria apenas retirar das mãos do povo o direito de escolher seu governante, deixando-o nas mãos de um Congresso desmoralizado.
O Brasil não é uma republiqueta de bananas. É uma sociedade complexa e diversificada. Não aceitará que as instituições políticas se apartem mais e mais do país real.
Os salários maravilhosos no STF
O Brasil tem pela frente uma chance única de revisar todas as suas instituições, seus respectivos papéis e custos. Após descobrirmos que a elite política fez da criminalidade uma prática corriqueira e vermos, diariamente, as relações vergonhosas das cortes supremas com esta mesma classe política (leiam este, este e este post), precisamos pensar tanto na qualidade da composição das estruturas do poder quanto em seus custos.
Começamos a jogar luz a este tema quando fizemos o post “A Justiça Eleitoral vale os R$ 7 bilhões que gastamos com ela?“. Se em números absolutos a coisa toda sempre assuste, mergulhar nas minúcias nos abre a descoberta de um mundo maravilhoso de benefícios e regalias num país de miseráveis. Quando lembramos que essas pessoas legislam indevidamente sobre tudo no país, desde salários deles mesmos até as garantias de impunibilidade para políticos, a revolta aumenta muito mais.
Acreditamos ser de interesse de toda a sociedade conhecer o mundo maravilhoso dos funcionários do STF. Alguns números:
  • Excluindo-se os salários pagos aos ministros na ativa e aposentados, o STF gasta R$ 18 milhões por mês com o pagamento de salário de técnicos, analistas e contratados;
  • O STF gasta R$ 11 milhões por mês com aposentadorias e pensionistas apenas de técnicos e analistas;
  • Mais de 70 aposentados do STF receberam mais de R$ 30 mil de valor bruto no mês de julho;
  • 260 aposentados do STF receberam mais de R$ 20 mil no mesmo mês;
  • 193 técnicos ou analistas custaram mais de R$ 20 mil em julho;
  • O último concurso para Técnico Judiciário no STF foi em 2013 e anunciava um salário de R$ 4.575,16. Há no entanto 515 pessoas com este cargo na estrutura da instituição e o salário médio deles é de R$ 12.471,82;
  • O último concurso para Analista Judiciário do STF foi em 2013 e anunciava um salário de R$ 7.506,55. Há no entanto 572 pessoas com este cargo na estrutura da instituição e o salário médio deles é de R$ 18.772,98
Como é possível tamanha diferença? Através de uma prática muito comum no país, pelo qual as diversas estruturas do poder conseguem criar benefícios que vão sendo incorporados. Num sistema de compensação, as instituições em vez de combaterem essas práticas onerosas, as compartilham entre si. O que uma faz, digamos o Legislativo, a outra repete, até que passe a ser normal e natural. Na estrutura do STF esses penduricalhos têm as siglas FC e FJ, e se referem a cargos em comissão e funções comissionadas. Vejam como exemplo o hollerite abaixo, disponível no site do STF:

STF maravilhoso: comissões, auxílios e abonos para os funcionários
Vejam agora esta sortuda pensionista do STF que recebeu mais de R$ 38 mil no mês de julho:

Faça você mesmo uma consulta aos vencimentos dos mais de 1000 funcionários que servem aos nossos inquestionáveis ministros do Supremo Tribunal Federal:
1- Clique neste link http://stf.jus.br/portal/remuneracao/listarRemuneracao.asp?periodo=062017&ano=2017&mes=07&folha=1, ele o jogará já na página para consulta dos vencimentos de julho/2017;
2- Preencha as informações de mês, ano, tipo de consulta (Normal) e cliquem em “PESQUISAR”. Depois disso, selecionar “Todos” na caixa “Exibir”.

3 – A lista será exibida.
Clicando-se na opção “Suplementar” em vez da “Normal” na caixa ao lado do botão PESQUISAR visualizam-se os complementos de salário feitos por um lançamento adicional no mesmo mês.
Por fim, vejam abaixo, em nossa planilha com os dados do site, os cálculos realizados sobre os totais de analistas e técnicos do STF:

Custos dos técnicos judiciários do STF

Custos dos analistas judiciários do STF
Observar os tucanos atacando Tasso é como assistir de novo ao PT de 2005

Pedro Ladeira/Folhapress
Senadores tucanos Tasso Jereissati (CE), à frente, e Aécio Neves (MG)
Senadores tucanos Tasso Jereissati (CE), à frente, e Aécio Neves (MG)
Celso Rocha de Barros - FSP
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) anda apanhando dentro de seu partido por ter iniciado um tímido processo de autocrítica tucana. A última propaganda do PSDB na TV admitiu que o partido havia cometido erros, fazendo referência aos escândalos de corrupção recentes. Os outros líderes tucanos, em especial os que fecharam com Temer, não gostaram.
Aécio Neves (aquele mesmo) reuniu-se com Temer (esse mesmo) para tentar enfraquecer Tasso. E o chanceler Aloysio Nunes foi ao Twitter declarar que o programa de TV da autocrítica "não me representa". Perguntou "de quem o programa está falando?", e concluiu que "o PT, do Lula ao mais modesto dos seus aderentes, deve estar dando gargalhadas".
Chanceler, saiba que ao menos este modesto aderente está dando gargalhadas é da sua reação. Para quem assistiu ao processo de degeneração da discussão petista, observar os tucanos atacando Tasso é como assistir de novo ao PT de 2005, agora com ternos melhores e sem ninguém que ganhe eleição presidencial.
Naquela época, um quase-xará do senador Jereissati, Tarso Genro, propôs uma "refundação" do Partido dos Trabalhadores. Muita gente dentro do partido apoiou Genro, mas a proposta foi derrotada.
É difícil saber o que teria sido a história dos governos petistas se Tarso tivesse ganho a disputa. Havia um complicador: no grupo do ex-governador havia menos gente acusada de corrupção, mas também havia a esquerda do PT, que nunca aceitou a política econômica moderada de Lula. Talvez tivesse sido pior se essa turma crescesse no partido enquanto o PT ainda era governo.
No momento, Tarso lidera a esquerda do Partido dos Trabalhadores. Seu grupo quase saiu do PT em 2015 e, em muitos aspectos, já atua à revelia da direção nacional: está muito mais próximo do que defendem o PSOL e os movimentos sociais de esquerda do que de qualquer coisa que Gleisi Hoffmann decida.
Poderia ser ótimo, se o discurso atual da esquerda petista não continuasse ruim: ninguém ali leu o Norberto Bobbio que Tarso defendia nos anos noventa. Tarso não conseguiu superar o dilema petista entre malucos e corruptos.
Tasso terá mais sucesso? É difícil saber. Os tucanos que ainda têm pretensões eleitorais, como Doria, fizeram gestos em sua direção. Mas Doria também foi visitar Temer e namora com a possibilidade de se lançar candidato por PMDB ou DEM. Como você deve imaginar, toda a turma que está com Temer prefere não tocar nesses assuntos de corrupção.
Eu perguntaria pessoalmente a Doria o que ele acha disso tudo, mas devo viajar para São Paulo por esses dias, e aí ficará mais difícil encontrá-lo.
De qualquer forma, o cenário para a autocrítica tucana não parece muito melhor do que foi para a autocrítica petista. Se os tucanos que estão com Temer resolverem reclamar de corrupção, vai ser difícil continuar com Temer. E o empresariado parece ter medo de que a saída do PSDB do governo enterre de vez qualquer pretensão reformista do atual governo.
De qualquer forma, mesmo se tudo isso der errado, os quase xarás, cada um do seu lado, cada um ao seu tempo, ao menos enxergaram o que seus partidos, se tivessem mais estadistas em suas fileiras, teriam imediatamente identificado como a tarefa mais urgente: prestar contas ao público por terem roubado do erário.
Para forçar saída de Tasso da presidência do PSDB nesta semana, tucanos ameaçam deixar a sigla
Painel - FSP
Fim da linha A ala do PSDB que defende o apoio ao governo Michel Temer vai partir para o tudo ou nada. Ela quer a saída de Tasso Jereissati (CE) da presidência interina da sigla até o fim desta semana. Diz que, se Aécio Neves (MG) não encontrar um substituto, o PSDB vai perder deputados. Entre os que ameaçam deixar a sigla estão quadros históricos e fundadores da legenda. O mineiro está licenciado da direção do partido desde o estouro do escândalo da JBS — e não quer retomar o posto agora.
Corda estourada O impasse no tucanato parece intransponível. A gota d’água foi a publicação de um cronograma das convenções do partido. Tasso tinha dito que só oficializaria o calendário após discussão com os vices-presidentes, mas fez o anúncio na sexta (18).
Tiro de advertência A ala anti-Tasso fará reunião na noite desta segunda (21), em Brasília, para comunicar Aécio sobre sua posição. Dois governadores foram chamados: Marconi Perillo (GO) e Reinaldo Azambuja (MS). Ao menos dez parlamentares estariam dispostos a sair se o cearense continuar no cargo.
Implodiu Com a sigla dividida, o grupo que apoia Tasso Jereissati também promete reagir a uma eventual deposição. Qualquer desfecho deixará uma fratura exposta.
A postos Tornou-se piada corrente na política paulista a afirmação de que expectativa de poder emagrece. Os alvos são Bruno Covas (PSDB), vice do prefeito João Doria, e Márcio França (PSB), vice de Geraldo Alckmin. Os dois exibem hoje silhuetas bem mais finas do que as habituais.
Treino Dia desses, elogiado pela nova forma, França respondeu que precisava estar “slim para enfrentar a campanha de 2018”.
Espere sentado Aliados do ministro Gilmar Mendes, do STF, apostam que ele não baixará a guarda diante das acusações de suspeição. Dizem que seu histórico sustenta as polêmicas decisões recentes e que ele vê um “caráter civilizatório” no embate com a Lava Jato.
Não serve mais Guilherme Boulos fez seminário sobre “conjuntura política e movimentos sociais” para um grupo de militantes de esquerda e sindicalistas, neste domingo (20), em SP. Falou em uma sala lotada de cartazes. Um deles identificava o ex-presidente Lula como um “velho ator” da política.
Quero passar A peça listava “Novos e velhos atores” nos campos da esquerda e da direita. Além de Lula, o nome de Aécio Neves estava inscrito entre os “velhos”. As novidades progressistas seriam o próprio Boulos e Marcelo Freixo (PSOL-RJ).
Do lado de lá Segundo a mesma lista, os novos representantes da direita seriam João Doria, Jair Bolsonaro, e os expoentes do MBL, Kim Kataguiri e Fernando Holiday.
Vai ter luta Depois de resistir em um dos principais cargos da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), André Luís Pereira Nunes, último remanescente do governo Dilma, caiu para cima.
O infiltrado Indicado inicialmente por Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), ele deixou o comando do Departamento de Destinação Patrimonial e assumiu posto de assessor especial do secretário.
A perder de vista Representantes de sindicatos ligados ao Ministério Público da União foram ao TCU fazer relatos sobre a cessão de policiais militares para órgãos como o MP do DF e a PGR.
A perder de vista 2 Os sindicalistas levaram documento com nomes de 21 PMs que estavam prestando serviços à Promotoria do DF. Eles poderiam continuar fora da corporação de origem, segundo o registro, até 2050.
Acabou-se O TCU determinou semana passada que 730 policiais do DF cedidos a outros órgãos deveriam retornar às funções originais.
Celso de Mello dá entrevista atípica e defende fim de prisão de poderosos após 2a instância
Em sua declaração ao Estadão, Celso de Mello deixou claro que pensam em se aproveitar da substituição de Teori por Alexandre para mudar a decisão anterior da corte:
“Compus a corrente minoritária e penso que agora que vamos julgar o fundo da controvérsia das duas ações, com a presença do ministro Alexandre de Moraes (que assumiu a vaga de Teori Zavascki, morto em acidente aéreo em janeiro deste ano), talvez o debate possa ser reaberto e eventualmente a posição da Corte será mantida ou será alterada”, disse Celso de Mello.
A troca de ministros do STF para reverter decisão anterior é uma tática que foi usada por Dilma e Lula para reverter condenações do Mensalão. Agora, Temer usa o mesmo sistema para praticamente impossibilitar qualquer prisão de políticos pela Lava Jato.
Se você está insatisfeito com esta manobra, os contatos do ministro são públicos:
Telefone:: (61) 3217 – 4075; (61) 3217-4077 E-mail: gabcob@stf.jus.br
Equipe de gabinete:
Áurea Block Piancastelli Moreira Carlos Eduardo Lacerda Baptista Cléber Silva Mota Francisco de Assis Macário de Oliveira Giuliano Koth Ribas Julio Cesar da Motta Silva Luiz Eduardo Seixas Martins Márcio Tagliari Filho
Oficial de Gabinete Karen Pereira Costa Vidal
Para 'ocupar lacuna' do PSDB, DEM quer filiar aliados de Aécio
A iniciativa do Democratas é estratégica e visa preencher o espaço eleitoral dos tucanos, atualmente divididos, entre outras questões, sobre a permanência no governo Temer.
"Estamos tentando ocupar a lacuna deixada pelo PSDB, que está mais preocupado com questões internas", diz o líder da bancada do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB).
Uma dessas lacunas é Minas Gerais, reduto de Aécio. Com a segunda maior população do país, o Estado é considerado por dirigentes do DEM como um dos locais onde o partido estava "morto", devido à forte influência do senador sobre os partidos aliados.
A legenda se move em duas frentes sobre os mineiros. De um lado, a executiva nacional corteja deputados próximos ao senador e críticos ao atual presidente interino do partido, Tasso Jereissati (CE), como Paulo Abi-Ackel e Marcus Pestana.
Ambos são amigos dos dirigentes do DEM e ainda não responderam ao pedido. Pestana diz foi "sondado e convidado" pelo DEM e o que o PSDB "vive o momento mais complicado de seus quase 30 anos", mas se sente apegado aos tucanos porque é um dos fundadores do partido.
A outra frente é liderada pelo senador Ronaldo Caiado (GO), que age de forma mais independente da direção. Ele busca filiar o ex-presidente da Assembleia mineira Dinis Pinheiro (PP), pretenso candidato ao governo estadual que também fazia parte da base de Aécio Neves.
INSATISFEITOS
A linha frontal da expansão do DEM é formada por Rodrigo Maia (RJ), presidente da Câmara, Mendonça Filho, ministro da Educação, ACM Neto, prefeito de Salvador, Rodrigo Garcia, secretário estadual da Habitação de São Paulo.
A ordem de "preencher espaços vazios" foca principalmente nos insatisfeitos do PSB em Estados do Nordeste e Centro-Oeste.
Além disso, o DEM tenta pressionar diretórios a ter o máximo de candidaturas majoritárias em 2018.
Em São Paulo, Garcia tem trabalhado para se viabilizar como possível nome ao governo paulista, mas interlocutores afirmam que ele deve ser lançado ao Senado.
Além de 12 deputados do PSB em guerra com a direção da legenda, devem ser filiados o ministro Fernando Bezerra Filho (Minas e Energia) e seu pai, o senador Fernando Bezerra (PE).
Eles estudam alegar justa causa para sair do partido, devido à falta de compatibilidade programática e às punições que receberam da direção pessebista, como destituição das executivas de diretórios estaduais e aberturas de processo na comissão de ética do partido.
"O ideal seria a criação de um novo partido, mas como isso não vai ficar pronto até 2018, vamos usar o CNPJ do Democratas com um novo programa", diz o deputado Danilo Forte (PSB-CE).
Para crescer em 2018, DEM busca banho de imagem e genérico de Doria 
BRUNO BOGHOSSIAN - FSP
Quando chegou à mesa para negociar as alianças eleitorais de 1994, o antigo PFL era uma das principais forças políticas do país.
Seus mais de 80 deputados –o dobro da bancada do PSDB– o credenciavam a lançar um candidato próprio à Presidência, mas as cédulas daquele ano trouxeram em destaque o tucano Fernando Henrique Cardoso, com o apoio do partido.
Por que a sigla não foi a protagonista? "Simples. Porque não tínhamos um nome melhor", resume o deputado José Carlos Aleluia (BA), do DEM –marca assumida pelo PFL em 2007.
Com a perspectiva de chegar à próxima campanha com uma bancada novamente maior que a do PSDB, os principais dirigentes do DEM começaram a sondar políticos e outras personalidades que poderão ser lançados pela legenda em um projeto presidencial competitivo em 2018.
O modelo de inspiração para essa candidatura é justamente um tucano: o prefeito paulistano João Doria.
"Vamos buscar um perfil que possa expressar esse movimento de renovação na política brasileira", descreve o ministro Mendonça Filho (Educação), sem citar Doria.
Nenhum dirigente aceita falar abertamente em nomes, mas o partido enviou sinais em direção ao apresentador Luciano Huck e ao ex-técnico de vôlei Bernardinho. Empresários alinhados a um ideário de enxugamento do Estado também estão no alvo.
Não à toa, o próprio Doria –empresário, com larga presença na mídia– recebeu o recado de que será bem recebido no DEM caso sua candidatura ao Palácio do Planalto não vingue no PSDB.
Em processo de refundação, mudança de nome, renovação do programa partidário e expansão de sua bancada, o DEM quer ter na manga um nome para enfrentar uma eleição nacional marcada pelo descrédito com a política tradicional.
Nesse contexto, parte dos dirigentes democratas considera certo um desembarque do governo Michel Temer no primeiro semestre de 2018.
Com um potencial candidato e uma bancada projetada em 50 deputados, a sigla quer chegar ao ano que vem com estatura para superar o PSDB como protagonista do campo de centro-direita.
No auge, em 1998, o PFL chegou a ter 105 deputados. Uma desidratação ao longo dos governos petistas quase levou à extinção a sigla, que viu sua bancada na Câmara se reduzir a 22 nomes em 2014. Após o impeachment de Dilma Rousseff, a sigla se reergueu, assumiu um ministério e elegeu o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ).
O prefeito de Salvador, ACM Neto, é um dos principais entusiastas da candidatura própria. "É cedo para fulanizar, mas buscamos o perfil de quem possa vocalizar a nova política e mostrar uma gestão eficiente", afirma.
O presidente da sigla, Agripino Maia (RN), é mais cauteloso. Diz que a atração de candidatos e o lançamento de uma chapa ao Planalto seria a consequência do processo de refundação do DEM.
"Queremos crescer em sintonia com a sociedade, a partir de uma formulação programática moderna. Uma candidatura é algo a se discutir no futuro."
A cúpula do DEM quer definir sua nova marca, acertar a filiação de atuais deputados e fechar um novo manifesto até o dia 10 de setembro.
Em caso de novo batismo, os nomes favoritos são Mude e Frente Democrática.