sexta-feira, 26 de maio de 2017

Mais mentiras tolas sobre Trump e sobre o pai das serpentes
Grã-Bretanha não “rompeu” com Estados Unidos e Theresa May não deu “puxão de orelhas” no presidente americano; pai do terrorista é da mesma laia
A tendência da imprensa progressista, americana e inglesa, a ter simpatia por terroristas em geral, desde que sejam da “comunidade”, e antipatia por Donald Trump está produzindo fenômenos que merecem alguma atenção.
Por exemplo, Ramadan Abedi deu várias entrevistas dizendo que seu filho maldito, Salman,  nunca, jamais se explodiria com uma bomba para matar meninas, garotas, garotos, garotos gay,  mães, pais e avós num show em Manchester.
A teoria do luminar do humanismo, que havia sido descrito “nos termos mais elogiosos” por colegas de mesquita quando ainda morava em Manchester, segundo uma precipitada reportagem do jornal digital Independent, é de uma “armação” feita pelos serviços de inteligência.
Só para prejudicar o coitadinho e fazer alguma coisa contra a “comunidade líbia”. Os vizinhos, inclusive, ficaram assustados quando forças policiais deram uma batida na casa do filhinho. Coitados dos vizinhos, imaginem só.
No meio de uma das entrevistas em que desfiava absurdos desse tipo, como se cuspisse na cara das vítimas, o bom senhor foi preso por sabe-se lá quais “forças de segurança” na Líbia, o país de origem ao qual voltou para continuar sua carreira de simpatizante e sabe-se lá mais o que  do fundamentalismo armado.
‘PROBLEMÁTICO’
O pai das serpentes era amigo de postar fotos no Facebook de um mais procurados terroristas da Al Qaeda, Abu Anas. A mulher dele, Samia Tabbal, chegou a dividir um apartamento com a mulher de Anas.
As duas e o terrorista se conheceram quando faziam engenharia nuclear em Trípoli. Anas montou a rede de computadores da Al Qaeda e escreveu um manual sobre bombas.
Outro filho de Ramadan Abedi também foi preso na Líbia.  Sabia dos planos do irmão e estava armando seu próprio atentado. A filha continua na Inglaterra, de onde informou: o irmãozinho querido matou aquela gente toda porque “via crianças muçulmanas morrendo em toda parte e quis se vingar”.
Que membros da família de serpentes, com ramificações terroristas por vários países, digam barbaridades assim, faz parte do show habitual: imaginem um bom rapaz, jamais faria uma coisa dessas, mas se fez teve lá seus motivos etc etc.
O espantoso é que um jornal como o Washington Post tenha dado uma reportagem sobre o maldito dizendo que, há um ano, dava sinais de que era “problemático”. Preocupado, o papaizinho querido o levou para a Líbia, junto com o irmão. É certamente o tipo de lugar onde pais extremosos preferem criar os filhos.
E qual era a preocupação? Os dois filhinhos queridos estavam com muita raiva por causa de outros “jovem” de origem líbia morto a facadas ao entrar em território de gangue inimiga. Achavam que era um caso de “crime de ódio contra a comunidade muçulmana”. Pronto, chegaram onde queriam chegar. A culpa é dos ingleses e, claro, da islamofobia.
FALSO PUXÃO
Outra mentira espalhada por quem deveria saber o que fala e escreve envolve uma decisão da polícia de Manchester de não passar mais informações para os serviços de inteligência dos Estados Unidos.
A “ruptura” aconteceu depois que o New York Times, com suas excelentes fontes nas referidas agências, divulgou detalhes e fotos do atentado. Um dia antes, todos os grandes canais de televisão americanos haviam dado o nome de Salman Abedi. A policia inglesa ainda estava atrás de cúmplices. O amplo acesso pode indicar que as informações chegavam da Inglaterra com baixo nível de sigilo.
A ministra do Interior, Amber Head, reclamou – mas não é doida de “romper” com o país de onde procedem as informações mais vitais para o combate ao terrorismo. Muito menos   Theresa May, perfeitamente no controle das faculdades mentais, daria um “puxão de orelha” no presidente dos Estados Unidos.
Ela estrilou, como estava na obrigação de fazer e “discutiu” a cooperação mútua com Trump no encontro de cúpula da Otan na Bélgica.
May  sabe perfeitamente que as agências de inteligência que passaram informações  sobre o ataque terrorista para diversos órgãos da imprensa americana são as mesmas de onde provem um fluxo constante de vazamentos altamente prejudiciais para Trump.
O presidente prometeu abrir uma investigação. Pura despistagem de seus enroscos com a Rússia, decretaram todos os jornais que, segundos antes, queriam pendurar a culpa da “ruptura”  inexistente na conta de Trump.
INCOMPETÊNCIA
Sob pressão, a polícia de Manchester fez uma bravata. É compreensível. O país inteiro vive momentos de assustadora tensão. São constantes as operações para prender cúmplices do terrorista de Manchester e é possível que exista pelo menos outra bomba similar à que ele explodiu, nas mãos de outro maldito.
O New York Times teve acesso às informações sigilosas sobre o atentado no estádio e decidiu publicá-las. As fotos e os detalhes da bomba colocada por Salman Abedi numa mochila de tecido; a trajetória feita pela parte de cima do corpo dele, separada do resto pela força da explosão; a posição das vítimas, em círculo ao redor do maldito; o impacto de porcas e parafusos que atravessaram paredes e furaram peças de metal; o sangue.
Como é um jornal de excelência, embora manchado pela distorção de reportagens movidas pelo ódio a Trump, não endossou bobagens como “ Reino Unido rompeu com americanos”.
O atentado de Manchester e as operações policiais que não param de descobrir desdobramentos de uma rede terrorista de proporções ainda desconhecidas criaram uma situação de grave crise.
Theresa May chegaria nadando de braçadas na eleição do próximo dia 8. Agora, enfrenta um eleitorado revoltado com a incompetência das autoridades. Salman Abedi era conhecido como potencial terrorista, mas entrava, ficava e saía do país sem o menor problema.
Combateu de armas na mão na Libia, ao lado de companheiros do Estado Islâmico. Foi ferido e levado para tratamento na Turquia. Há informações de que recebeu treinamento na Síria. Quatro dias antes do ataque, fez uma escala em Dusseldorf, vindo da Turquia.
A quantidade de casos similares na região onde ele morava em Manchester é de arrepiar. Adolescentes de famílias muçulmanas passam da pequena criminalidade para a militância no Estado Islâmico com facilidade espantosa.
“BRANCOS POBRES”
Cada nova foto de vítimas do atentado de Manchester , cada novo detalhe, é uma punhalada de dor e raiva. Meninas lindas no frescor da adolescência, boas alunas, alegres. Avós como dois poloneses radicados na Inglaterra, que haviam ido buscar a neta de 14 anos. Foram todos estraçalhados, mas a avó ainda resistia numa UTI.
Também, inconsciente, numa UTI está a mãe da pequena Saffie Rose, morta aos oito anos, a mais jovem das vítimas. A outra filha dela tem mais condições de sobreviver. O pai tem um pequeno comércio de “fish and chips”. Colocou um balão e um ursinho na frente da lanchonete. A calçada ficou coberta de flores.
As roupas, as tatuagens e o modo de falar inglês mostram que a maioria das vítimas e de suas famílias era das classes mais pobres – na Inglaterra, isso é medido criteriosamente. Choram em público, se abraçam, falam em “união” e cantam Don’t Look Back in Anger, de Noel Gallagher.
Um roqueiro de origem muito parecida com a desses “brancos pobres”, como são chamados com desprezo pela elite, Gallagher disse sobre o atentado: “Minha filha poderia estar lá”. E o que ele e todos os outros pais e mães poderiam fazer para proteger suas crianças de uma mochila com explosivos e parafusos? Nada.
E das mochilas que ainda virão?
É este sentimento de impotência que gera indignação, revolta, raiva e uma pergunta: por que tantas pessoas que odeiam visceralmente a Inglaterra foram morar lá , recebidas como refugiados com todos os benefícios, e geraram filhos alimentados no mesmo ódio que agora produz seus frutos malditos?
Loucura atinge ápice: manifestação a favor da Cracolândia
As pragas da insanidade correm soltas pelo país, mas é difícil imaginar algo mais estarrecedor do que “manifestantes”, ONGs e juristas pelo direito ao crack
Quem anda de metrô, tem conta em banco e assina serviços de internet costuma ser chamado de usuário. Sem saber, todas estas pessoas estão na companhia dos infelizes e perigosos viciados em crack que transformaram um pedaço de São Paulo numa sucursal do inferno.
Existem viciados em praticamente todos os lugares do Brasil, mas só em São Paulo existe uma rede de proteção ao vício, ao tráfico e ao crime. Por isso, a Cracolândia se transformou em território livre de viciados, traficantes e criminosos.
Qualquer iniciativa tomada para acabar com este escândalo a céu aberto é imediatamente contestada por especialistas preocupados com tudo, menos com os cidadãos infernizados por esta aberração.
Consideram que os viciados são doentes – como se estivessem indo ao trabalho ou à escola e tivessem sido picados por algum dos pernilongos assassinos que pululam no nosso meio-ambiente. Mas não doentes comuns, daqueles amontoados nos serviços públicos de saúdes.
Segundo estes especialistas, cada um dos viciados, ou “usuários”, teria que ser acompanhado dia e noite por uma equipe multidisciplinar. Psicólogos, psiquiatras, médicos especialistas em todas as inúmeras enfermidades que adquirem através de seu estilo arriscado de vida.
Terapeutas, talvez acupunturistas e massagistas. Também arquitetos que desenhariam as moradias bem planejadas onde ficariam abrigados, com banheiras de hidromassagem para relaxar as tensões.

DROGAS RECREATIVAS

Pelo menos, advogados, juristas e promotores eles já têm. Encostou na Cracolândia e o mundo vem abaixo com um vigor não encontrado em todas as outras inúmeras áreas onde falta praticamente de tudo à população, em especial aos mais pobres.
A última novidade foi uma manifestação a favor da Cracolândia. Repetindo: a favor da Cracolândia. Não era muito grande, mas teve repercussão e cobertura enormes. Só saiu um pouco do noticiário porque um outro pessoal da mesma estirpe estava tocando fogo em ministérios em Brasilia.
Marchas pela legalização da maconha são comuns – e redundantes, consideram-se que na prática seu uso é livre. Em geral, jovens de classe média usam drogas recreativas que só causam impacto forte na saúde mental em quem tem predisposição a determinados distúrbios ou for um idiota total.
Marcha pela Cracolândia é uma aberração tão distorcida que até os jornais estrangeiros loucos por um “progressismo” ficaram um pouco fora dessa. A BBC registrou a intervenção e os “críticos” que dizem que ela “vai meramente empurrar o problema para outras partes da cidade”.

VERTIGEM NACIONAL

O que foi feito na Cracolândia em São Paulo pode ser discutido e contestado até o fim dos tempos. Mas é impossível não ver a motivação política por trás das reações desequilibradas que provocou.
O titular da prefeitura, evidentemente, tem seus interesses e entende muito bem o repúdio universal ao espetáculo grotesco da Cracolândia. No universo das pessoas comuns, evidentemente.
Os que condenam a ação têm pavor da popularidade gerada por iniciativas como a que tomou. Inclusive entre os que são, nominalmente, correligionários. Na vertigem nacional em que o país está mergulhado, qualquer índice de popularidade pode acabar no Planalto.
Análise: Ação de Gilmar atenta contra pilares fundamentais da Lava-Jato
Ministro do STF quer rever prisão em 2ª instância e que delação da JBS seja homologada pelo plenário 
Alan Gripp - O Globo
Pode-se (e deve-se) discutir todas as polêmicas que acompanham as delações premiadas. O número de acordos é exagerado? Alguns são excessivamente benevolentes com os delatores? Acusações infundadas não levaram ao cancelamento de colaborações infrutíferas?
Há problemas no uso do instituto jurídico, mas é inegável que a Lava-Jato não seria o que é hoje sem informações dos delatores. Elas produziram provas contundentes que levaram a prisões incontestáveis, como as de Sérgio Cabral, Eduardo Cunha e José Dirceu, para ser econômico. O saldo é, sem dúvida, vantajoso para a sociedade.
Parte do sucesso das delações se dá em razão de uma mudança significativa na lei. Por determinação do STF, em julgamento recente feito pelo conjunto de seus ministros, réus condenados em segunda instância devem passar a cumprir pena imediatamente, salvo em situações de baixa periculosidade para a segurança de vítimas ou de investigações.
A mudança na lei reduziu a sensação de impunidade e estimulou novas colaborações. Sem ter mais a oportunidade de adiar a pena até que o crime prescrevesse, os delatores se deram conta de que ou colaboravam ou enfrentavam uma perspectiva real de ir para a cadeia. É, portanto, também, fundamental para o sucesso da Lava-Jato.

Em menos de 24 horas, o ministro Gilmar Mendes, do STF, atacou tanto as delações quanto o cumprimento da pena em segunda instância - que, registre-se, ajudou a aprovar.
Mendes quer submeter o acordo de Joesley Batista, da JBS, já homologado por Edson Fachin, ao plenário do Supremo. Se isso ocorrer, criará um ambiente de insegurança e desestímulo para futuras colaborações. Também passou a defender a revisão da regra para o cumprimento de penas, contrariando sua própria posição em duas votações anteriores, em fevereiro e outubro do ano passado. Ou seja, há apenas sete meses. O que mudou de lá para cá?

Ainda que haja argumentos de debate em ambos os casos, é importante pontuar que as iniciativas de Gilmar Mendes atentam contra dois pilares fundamentais da Lava-Jato.
Governichos e badernaços
Percival Puggina - MSM
Qual a diferença entre um governo petista e um badernaço promovido por militantes de esquerda? É só a extensão do estrago. Praticamente uma questão contábil.
No episódio do diálogo informal e reservado entre Michel Temer e Joesley Batista, é impossível não perceber que a repercussão institucional e a reação da mídia, especialmente daqueles veículos que pretenderam andar mais rápido do que os fatos, supera, em muito, a reação social. O motivo é simples: o país, sua imagem e o conceito que nós brasileiros firmamos de nós mesmos foram soterrados por verdadeira maré de lama, inibindo sensibilidades. O famoso encontro é apenas mais um escândalo encenado em nossa Broadway de maus espetáculos políticos. Exagero? Ora, não conseguimos, agora mesmo, realizar a proeza de denunciar um escândalo, mediante acordo de delação cujas condições são, por si mesmas, escandalosas? Não concedeu a justiça brasileira aos Batista brothers, carimbada e selada, a certificação de um crime tão gigantesco quanto perfeito?
Qualquer análise política dos fatos em curso que ignore esses dois vetores – saturação da opinião pública e a intensidade do risco PT – corre o risco de enfrentar problemas de comunicação e compreensão. O prestígio do presidente é tão pouco diferente de zero que pode, para efeitos práticos, ser considerado nulo. Mas a alternativa… Ah! Quem confia nos atores que se alvoroçam para assumir o papel? O simples fato de pretenderem desempenhá-lo já os descredencia porque os mecanismos que os poderiam beneficiar são os mesmos que interromperiam o processo de recuperação econômica e ampliariam o dano aos setores mais carentes do país. Os desempregados, os subempregados, os sem qualquer esperança, não entendem muito de política. São a massa facilmente ludibriável, mas reconhecem as notícias ruins, que vão, logo ali, alcançar seu bolso, sua mesa e suas famílias.
Isso já ficou muito claro para quem, observando as atuais manifestações de rua, nota que elas se restringem aos militantes de sempre, divididos em dois grupos distintos: o grupo daqueles cuja esperança tem preço e o daqueles que preferem receber pouco, mas à vista.
O presidencialismo brasileiro, em situação normal, é um desastre sempre pronto para acontecer. A cada dia que passa, o que está em curso tem o dom de estampar sorrisos em fisionomias que prefiro de cenho ferrado e vociferantes. Não nos surpreendamos, então, se o Fora Temer acabar reconsolidando a base e dando suporte à sua presidência. Afinal, dirão muitos, o mal menor não tem presidido tantas decisões políticas e eleitorais em nosso país? Tal fato será mais uma conseqüência do desastre ético que foram os treze anos do governo PT/PMDB. Terceirizamos a moralidade pública para a Lava Jato e nos tornamos ainda mais escandalosamente tolerantes.
Para ministros do STF, acordo de delação firmado com a JBS vai arranhar imagem da Lava Jato
Painel - FSP
Não só Se cristalizou no STF a percepção de que a profunda crise política não será o único filhote da delação da JBS. Há forte constrangimento na corte pelas polêmicas que vieram à tona após a homologação do acordo. A aposta é que a imagem dos operadores da Lava Jato em Brasília ficará arranhada.
Sem culpa Após a revelação de que o relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, contou com a ajuda de Ricardo Saud, hoje delator da JBS, para falar com alguns senadores que votariam sua indicação, em 2015, ministros do Supremo foram solidários.
Próximos capítulos A notícia, publicada pelo colunista Jorge Bastos Moreno, de “O Globo”, deixou Fachin envergonhado e abriu novo flanco de ataque à atuação do ministro e da PGR.
Solidários Parlamentares que confirmaram a atuação de Saud a favor de Fachin no Senado dizem que, agora, o ministro terá que se valer da mesma explicação usada por políticos pegos de calças curtas: “Eu não sabia”.
Silêncio Procurado para comentar a ligação com Saud, o gabinete de Edson Fachin disse que ele não fala sobre casos que estão sob sua relatoria. Colegas minimizaram o episódio. “Não há culpa pretérita”, resumiu um ministro.
CASEIRO DE SÍTIO EM ATIBAIA MANDAVA E-MAILS SOBRE A PROPRIEDADE PARA O INSTITUTO LULA
Blog do Percival Puggina
Documentos anexados a uma denúncia sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicam que o caseiro Elcio Pereira Vieira, conhecido como Maradona, enviava e-mails a uma conta do Instituto Lula sobre o dia a dia de um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo. Na última segunda-feira (22), a força-tarefa da Lava Jato denunciou Lula à Justiça, alegando que ele ocultava ser o dono da propriedade. O petista nega as acusações (veja nota ao final da reportagem).
Em 21 de abril de 2015, Elcio enviou um e-mail com a mensagem "avião aki na chacara hoje pela manhã". No dia 31 de julho do mesmo ano, o caseiro enviou a mensagem "obras no sítio" com uma lista de materiais. Nessa, colocou a seguinte observação: "Como combinado com Dona Marisa a ver depois os materiais pra fazer acabamento". A mulher de Lula, Marisa Letícia, morreu em 3 de fevereiro deste ano em decorrência de um AVC.
Em outubro de 2014, Elcio disse "boa tarde morreu mais um pintinho essa noite e caiu dois gambá nas armadilhas essa noite". O e-mail estava intitulado "armadilha".
A denúncia contra Lula foi a terceira apresentada à Justiça Federal no Paraná, onde correm muitos dos processos da Lava Jato. Além do petista, outras 12 pessoas são citadas na denúncia. O ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, é um deles. Todos são acusados pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.
Agora, caberá ao juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações penais da Lava Jato, definir se recebe ou não a denúncia do MPF. Se ele aceitar, o ex-presidente passará a ser réu também neste novo processo.
Entenda a denúncia
A acusação trata do pagamento de propina de pelo menos R$ 128 milhões pela Odebrecht e de outros R$ 27 milhões por parte da OAS. Conforme a denúncia, Lula foi beneficiado com parte desse dinheiro, por meio de obras realizadas no sítio Santa Bárbara, em Atibaia, cuja escritura está no nome de Fernando Bittar, mas que o MPF defende que pertence, na verdade, ao ex-presidente.
As obras, conforme a denúncia, serviram para adequar o imóvel às necessidades de Lula. Segundo o MPF, a Odebrecht e a OAS custearam R$ 850 mil em reformas na propriedade.
O MPF diz que Lula ajudou as empreiteiras ao manter nos cargos os ex-executivos da Petrobras Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Jorge Zelada, Nestor Cerveró e Pedro Barusco, que comandaram boa parte dos esquemas fraudulentos entre empreiteiras e a estatal, descobertos pela Lava Jato. Todos já foram condenados em ações penais anteriores.
Conforme a denúncia, as duas empreiteiras foram beneficiadas em pelo menos sete contratos. Também faz parte da denúncia o contrato de aluguel do navio-sonda Vitória 10.000, realizado pela empreiteira Schahin, junto à Petrobras. Nesse contrato, o processo apura um suposto pagamento de R$ 150 mil a Lula, com a ajuda do pecuarista José Carlos Bumlai, que teria intermediado os repasses ao ex-presidente.
Os procuradores defendem que todo o esquema na Petrobras era capitaneado por Lula. "Efetivamente, como apurado, após assumir o cargo de Presidente da República, Lula comandou a formação de um esquema delituoso de desvio de recursos públicos destinados a enriquecer ilicitamente, bem como, visando à perpetuação criminosa no poder, comprar apoio parlamentar e financiar caras campanhas eleitorais", diz trecho da denúncia.
A Odebrecht informou em nota que "está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um Acordo de Leniência com as autoridades do Brasil, Estados Unidos, Suíça e República Dominicana, e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas".
O que diz o Instituto Lula
Em nota divulgada na segunda, o Instituto Lula disse que a denúncia só comprova o que a defesa vem dizendo há 18 meses, que "o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é, e nunca foi, dono de um sítio em Atibaia, ao contrário do que os procuradores, a esposa do juiz Sérgio Moro e boa parte da imprensa sempre alardearam".
Segundo a nota, a força-tarefa da Lava Jato apresentou uma denúncia "leviana, que apenas demonstra sua obsessão de perseguir o ex-presidente". O texto diz ainda que "Lula não cometeu qualquer crime nem antes, nem durante, nem depois de exercer a presidência da República duas vezes, eleito pelo povo brasileiro".
PT pediu ao governo do DF para PM não vistoriar ônibus de baderneiros
Senadores tentaram impedir PM de revistar ônibus de manifestantes
Cláudio Humberto - Diário do Poder 
Senadores pediram a governador do DF que proibisse vistoria da PM em ônibus de manifestantes
Na véspera do protesto que virou badernaço em Brasília, um grupo de senadores do PT foi ao Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, pedir ao governador Rodrigo Rollemberg para que a Polícia Militar não vistoriasse ônibus chegando a Brasília com manifestantes. Rollemberg respondeu aos senadores Paulo Rocha (PA), Lindbergh Farias (PE) e Humberto Costa (PE) que não poderia atender o pedido. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder. Segundo fonte do governo do DF, o senador Lindbergh foi o mais “enfático” no pedido para a PM não revistar ônibus de manifestantes.
Após a destruição em Brasília, a suspeita agora é que a cúpula do PT sabia que haveria o badernaço, marcado para o dia seguinte.
Apesar da decisão do governador de manter a vistoria, porretes, armas brancas, bombas, escudos etc. passaram pela “peneira” da PM.
A assessoria de Lindbergh confirmou a reunião com o governador do DF, e não comentou a acusação de tentar impedir a revista dos ônibus.
Reação avança
Merval Pereira - O Globo
Há uma reação dentro do Congresso aos avanços da Operação Lava-Jato que pode se ampliar no plenário do Supremo. O julgamento sobre o foro privilegiado está parado no Congresso e na pauta do STF o assunto ficou relegado a um plano secundário na próxima semana.
Os áudios das conversas de Joesley Batista com Temer e Aécio revelam que persiste a idéia de aprovar leis que limitem a atuação do Ministério Público e da Polícia Federal, e pode haver recuos importantes como no caso da prisão em segunda instância.
O ministro Gilmar Mendes já anunciou em um de seus votos na 2 Turma que está tendendo a rever sua posição, aderindo à proposta do ministro Dias Toffoli de que a prisão só possa ser feita depois de passar pelo STJ. Essa decisão mudaria a maioria no plenário.
Junto a tudo isso, começa uma campanha contra o relator da Lava-Jato no STF, ministro Luis Edson Fachin. Quando o jurista foi indicado pela presidente Dilma para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria precoce do ministro Joaquim Barbosa, estranhei que ele tenha se anunciado partícipe de um grupo de “juristas que têm lado” na campanha presidencial de 2010, em apoio à eleição de Dilma.
Juristas “que têm lado” não deveriam estar no Supremo, aleguei então, inclusive por que Fachin notabilizou-se por defender politicamente as ações do MST, o que seria, na minha opinião, uma influência negativa nos seus julgamentos no Supremo. Pois devo dizer que meus temores não se justificaram, justamente no momento em que o relator da Lava-Jato no Supremo está sendo acusado de atuar contra o presidente Michel Temer por ser petista, ou comunista como muitos alegam devido à sua proximidade anterior com os movimentos sociais como o MST.
Enquanto o ministro Fachin tratava com rigor os acusados petistas, era visto pelo outro lado como um justo, e como um traidor pela esquerda. Agora que caíram na rede das investigações o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, e o presidente Michel Temer, Fachin é acusado de fazer parte de uma suposta conspiração contra o governo do momento.
Pois Fachin, a quem coube substituir o falecido ministro Teori Zavaschi na relatoria da Lava-Jato através de um sorteio eletrônico, tem se comportado com uma independência elogiável, e mantido o mesmo rigor de Zavascki, de quem era amigo e com quem conversou muito sobre a Lava-Jato.
Embora derrotado nas últimas decisões da 2 Turma, a mais emblemática a soltura de José Dirceu, o relator dos processos, ministro Luiz Edson Fachin demonstra com seus votos que não há nada de descabido na manutenção da prisão preventiva de um condenado como Dirceu, seja pela multiplicidade dos crimes de que é acusado, como ressaltou, seja pela gravidade da atividade criminosa que tomou conta do Estado brasileiro, como afirmou o ministro Celso de Mello, que forma a minoria naquela Turma do STF.
Justamente por isso começam a querer puxar-lhe o tapete. Inventa-se que foi o grupo JBS que financiou a campanha de relações públicas que contratou para ganhar a guerra da imagem pública quando foi nomeado para o Supremo. A atuação do diretor do grupo, Ricardo Saud, na aproximação com os senadores é tida como uma suspeita a respeito da imparcialidade do ministro, mas não há nada que indique uma troca de interesses nesse caso, e nem as benesses do acordo de delação premiada partiram de Fachin.
Ele homolou a delação no aspecto formal, e caberá à 2 Turma no final do processo, acatar ou não as negociações da Procuradoria-Geral da República com os delatores da JBS. Há ainda a intenção do presidente Temer de pedir ao Supremo que seu processo saia da alçada de Fachin para outro ministro, pois seus advogados consideram que ele não tem nada a ver com a Lava-Jato, de cujo processo Fachin é o juiz natural.
A obstrução da Justiça em relação à operação "Lava Jato", com o diálogo sobre o pagamento para que Eduardo Cunha e Lucio Funaro fiquem calados na cadeia, é uma das razões alegadas, embora Temer também seja acusado de corrupção ativa.
A manutenção do juízo natural (prevenção) de Fachin para conduzir o caso tem conexão com quatro casos que já estão sob sua relatoria na Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).
Como procuradores e juízes militantes, os tenentes não gostavam de políticos
Reinaldo Azevedo - FSP
O Brasil se tornou refém do "Tenentismo da Destruição". O país caminha para o abismo político, legal e institucional. Aparecerá alguém com um lume ao menos, a nos dar uma esperança, ainda que bruxuleante? Esse portador de alguma luz contra as trevas, creiam, era Michel Temer. Torço para que chegue ao fim do mandato. Mas não será fácil.
E o futuro? Até agora, o que vejo são pré-candidatos a cronistas das nossas angústias, com suas ligeirezas à direita ou à esquerda. Pergunta rápida, com resposta idem, dois dias depois dos atos terroristas protagonizados pelas esquerdas na Esplanada dos Ministérios: se não se fizer a reforma da Previdência agora, quem terá coragem de levar essa pauta para o palanque?
Salvo engano, foi Luiz Werneck Vianna, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio, o primeiro cientista político a caracterizar essa era de procuradores e juízes militantes como um "novo tenentismo". Em vez do uniforme militar, a toga. O movimento de jovens oficiais de baixa e média patentes, na década de 20, teve importância capital na história do país. Dali saíram tanto o líder comunista Luiz Carlos Prestes como boa parte da elite fardada de 1964. A Revolução de 30 foi o primeiro golpe bem-sucedido da turma.
Também os tenentes, a exemplo dos procuradores e juízes militantes de hoje em dia, não gostavam de políticos, considerando-os meros agentes da corrupção. Também eles queriam refundar a República –tanto é assim que a ascensão de Getúlio Vargas marca o fim da dita "República Velha" e o início da "Nova". Também eles carregavam uma ânsia moralista autoritária. Para registro: três presidentes do ciclo militar tinham sido tenentes "revolucionários": Castello Branco, Emilio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel.
Os tenentes de uniforme, no entanto, observou Werneck Vianna, tinham ao menos um ideário, uma pauta, como o voto secreto, o fim das fraudes nas eleições, reforma da educação pública etc. Havia até os que defendiam a liberdade de imprensa. Os tenentes de toga nada têm além do combate à corrupção. É evidente que é necessário. A questão é saber quantos crimes serão cometidos sob tal pretexto.
A tramoia contra Temer e o esforço para o STF decretar a prisão preventiva do senador Aécio Neves (PSDB-MG) são o epílogo da primeira etapa dessa destruição que consideram saneadora. Na segunda, prometem mais higienismo político. Afinal, como já sugeriu Deltan Dallagnol, a única reforma que realmente interessa é a do... combate à corrupção.
Fui vítima de uma violência, de um crime, que, por enquanto, segue sem criminosos. Conversas minhas, ao telefone, com Andrea Neves foram pinçadas em meio a milhares de gravações. Nada traziam, obviamente, de comprometedor. A PGR diz não ter nada com isso. A PF diz não ter nada com isso. A presidente do STF lembrou a agressão a um direito constitucional: o sigilo da fonte. Também nada com isso!
Então quem tem? Vai ver o culpado sou eu! O ministro Edson Fachin liberou os grampos sem nem saber o que lá iam. Jogou no lixo o Artigo 9º da Lei 9.296, que manda destruir o material que não interessar à investigação. Depois de uma reação de indignação como raramente se viu, pôs de novo parte dos grampos sob sigilo.
Os tenentes de toga acham que as leis brasileiras são garantistas demais e que, como é mesmo?, o "interesse público" deve estar acima de alguns fundamentos do Estado de Direito. Tudo, claro!, para combater a corrupção! É por isso que eles protestam com tanta veemência quando Eike Batista obtém habeas corpus no Supremo.
Afinal, esses paladinos da moral têm como exemplo de rigor um outro Batista, o Joesley!
Os nomes enfraquecidos em uma possível eleição indireta
Falta pulso
Pelo menos dois nomes saíram enfraquecidos ontem em uma possível sucessão de Temer via eleição indireta. Os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, perderam prestígio entre quem os considerava bons nomes para a presidência.
Os plenários do Congresso registraram confusão, de bate-boca a empurrões. A avaliação é de que falta pulso a Maia e Eunício.
Gravar o Temer? Por que não?
Lauro Jardim - O Globo
O iate de R$ 20 milhões de reais que Joesley Batista está ancorando em Miami nos próximos dias foi batizado de Why Not pelo seguinte: sempre que ofereciam negócios para Joesley, mesmo os aparentemente mais complicados, ele respondia com um "por que não?". Talvez até tenha repetido isso quando alguém lhe sugeriu que gravasse o presidente da República e o presidente do PSDB...
Renan diz a interlocutores que já teria demitido Meirelles
Renan interpretou a atitude de Meirelles como uma afronta
Isso porque o ministro da Fazenda, sempre avesso à relação com o legislativo, tem se aproximado do Congresso, sido até simpático, participado da agenda e costurando acordos com os deputados.
Além disso, Meirelles vem dando declarações que podem ser interpretadas como uma tentativa de diminuir a influência do presidente no andamento das reformas. Ele tem defendido que a agenda econômica não pode mudar, mesmo com a saída de Temer.
A caminho do hexa, Lula quer ensinar a combater a corrupção
Em pouco mais de 13 anos de governo, foram 26 ministros envolvidos em escândalos de corrupção
Denunciado pela força-tarefa da Lava Jato pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, desta vez cometidos durante as obras no sítio em Atibaia que lhe pertence, mas não é dele, Lula tem tudo para virar réu pela sexta vez. Consumada a façanha do ainda penta, ele vai alcançar o status de hexa com que a Seleção Brasileira de Futebol continua sonhando. Em homenagem à proeza, a coluna recorda algumas façanhas que enfeitam a trajetória campeã:
Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, compraram quase 2 mil políticos e dezenas de partidos durante os governos do PT ─ graças aos bilhões de reais que ganharam do BNDES por determinação de Lula e Dilma Rousseff.
O Mensalão aconteceu no governo Lula.
O Petrolão aconteceu no governo Dilma.
A corrupção foi institucionalizada durante os governos do PT.
José Dirceu, Antonio Palocci, Guido Mantega, João Santana, Gleisi Hoffmann, Fernando Pimentel e outras celebridades do submundo do crime são coisa do PT.
Michel Temer é coisa do PT.
Em pouco mais de 13 anos no poder, o governo lulopetista teve três ministros da Fazenda. Joaquim Levy caiu fora depois de 11 meses. Antonio Palocci permanece preso em Curitiba. Guido Mantega, graças ao desempenho relatado nos depoimentos colhidos nas delações premiadas da Odebrecht e, agora, nas da JBS, pode em breve fazer companhia ao antecessor. Os sete chefes da Casa Civil estão submersos em bandalheiras. Tudo somado, já são 26 os ex-ministros envolvidos em escândalos de corrupção.
Deve ser por isso que, neste 20 de maio, durante a cerimônia de posse dos novos integrantes do diretório municipal de São Bernardo do Campo, Lula disse que “o PT pode ensinar a combater a corrupção”.  Sem dúvida. Pelo menos de corrupção ele entende como ninguém. Lula poderia começar a aula inaugural dando voz de prisão a ele mesmo.
Temer está disposto a alongar processo no TSE e usará ‘todos os recursos possíveis’, avisam aliados
Painel - FSP
Longo inverno Aliados de Michel Temer enviam um recado claro aos que apostam num desfecho rápido para a ação que pode cassar seu mandato no TSE. Dizem que o presidente está disposto a usar “todos os recursos jurídicos possíveis” para prolongar o julgamento. O governo afirma que não haverá folga no “embate” e calcula: se o caso se arrastar até outubro, Herman Benjamin, relator do processo, terá que deixar a corte. O Planalto aposta que ele vota contra Temer e já tem em sua substituição uma meta.
Quem entra Com a saída de Benjamin, o ministro Napoleão Nunes Filho assumiria a corregedoria da corte e também a relatoria do caso.
Dissidente Presidente da comissão da reforma política da OAB de SP, o jurista Ives Gandra Martins renunciou ao posto depois que o Conselho Federal da Ordem apresentou pedido de impeachment de Temer. Em carta, afirmou que a entidade “demonstra um rumo político de atuação em outra frente”.
Com calma “Tem que se apurar a verdade, mas não se pode precipitar julgamentos, disse Gandra à coluna. “Não foi contra o Marcos, de quem sou amigo. Optei por deixá-lo mais à vontade para escolher alguém mais afinado com essa nova linha.”
Sem açodamento Aos que o visitaram, Aécio Neves (MG) pediu cautela sobre a decisão de desembarcar do governo. “Não é possível dar um passo desse sem saber qual será o day after. A hora é de serenidade.”
Tomar o pulso Temer foi informado por tucanos que a bancada da Câmara se posicionou quase que unanimemente pelo desembarque do governo. Tasso Jereissati (CE) e Cássio Cunha Lima (PB) conseguiram conter os ânimos.
Ponte para o futuro Tido como candidato do PSDB à cadeira de Temer no caso de uma eleição indireta, Tasso foi procurado, nesta quinta-feira (25), pelo ministro Gilberto Kassab (Comunicações), comandante do PSD.
Farpas expostas A ação na cracolândia expôs divergências entre Geraldo Alckmin e João Doria. A prefeitura foi à Justiça por internações compulsórias, mas o governador disse que o instrumento não deve ser banalizado.
Deu ruim O balanço, hoje, é de que a operação foi açodada e mal articulada.
Não só Se cristalizou no STF a percepção de que a profunda crise política não será o único filhote da delação da JBS. Há forte constrangimento na corte pelas polêmicas que vieram à tona após a homologação do acordo. A aposta é que a imagem dos operadores da Lava Jato em Brasília ficará arranhada.
Sem culpa Após a revelação de que o relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, contou com a ajuda de Ricardo Saud, hoje delator da JBS, para falar com alguns senadores que votariam sua indicação, em 2015, ministros do Supremo foram solidários.
Próximos capítulos A notícia, publicada pelo colunista Jorge Bastos Moreno, de “O Globo”, deixou Fachin envergonhado e abriu novo flanco de ataque à atuação do ministro e da PGR.
Solidários Parlamentares que confirmaram a atuação de Saud a favor de Fachin no Senado dizem que, agora, o ministro terá que se valer da mesma explicação usada por políticos pegos de calças curtas: “Eu não sabia”.
Silêncio Procurado para comentar a ligação com Saud, o gabinete de Edson Fachin disse que ele não fala sobre casos que estão sob sua relatoria. Colegas minimizaram o episódio. “Não há culpa pretérita”, resumiu um ministro.
JBS é símbolo do capitalismo de Estado entre amigos
A delação dos irmãos Batista ocupa, com razão, o noticiário sobre corrupção, mas também deve ser lembrada a história da expansão da empresa
O Globo
O grupo JBS se converteu em principal sinônimo de corrupção, desbancando a Odebrecht, com a delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista à Procuradoria-Geral da República —, principalmente com a gravação feita por Joesley de uma conversa comprometedora com o presidente Michel Temer, revelada pelo GLOBO.
Os relatos de Joesley a procuradores, gravados em vídeo, sobre a distribuição farta de dinheiro entre políticos, sem discriminar partidos, são mesmo emblemáticos de tempos de fisiologismo desbragado e descontrole ético refletidos no mensalão e nas investigações da Lava-Jato.
Mas o JBS também tem relação direta com os favores fornecidos a grupos empresariais nos governo Lula e Dilma, dentro da política de criação dos “campeões nacionais”, com base no BNDES.
Na realidade, trata-se da reedição de programa semelhante — e também fracassado como este do lulopetismo —, na ditadura militar, para a produção interna de máquinas, equipamentos e insumos petroquímicos e outros.
Como naquela época, no JBS o contribuinte arcará com bilionário prejuízo. O grupo se tornou o maior processador de proteína animal do planeta sustentado em bilhões de reais subsidiados pelo Tesouro e despejados na empresa. Foi assim que o BNDESpar — braço de participações acionárias do banco — tornou-se sócio do JBS, com 31,3% do capital (a Caixa tem 4,9%).
O mergulho do preço das ações da empresa em Bolsa, no vácuo da crise, já causa uma perda contábil. O banco, assim, terá de congelar suas posições acionárias, porque, se vendê-las, concretizará os prejuízos.
Muito dinheiro circulou nesta operação para transformar o JBS num “campeão nacional” com forte projeção internacional. Sem que haja suspeitas sobre a qualidade do corpo técnico do BNDES, investiga-se como transcorreram operações que, entre 2007 e 2011, injetaram R$ 5 bilhões nos cofres do grupo de frigoríficos. Há pelo menos um caso, relatado na Operação Bullish, em que um grande aporte de recursos ao grupo precisaria ser devolvido ao banco, pela não realização da compra de outra empresa, motivo da operação, mas que foi mantido indevidamente no JBS. Evidenciou-se um favorecimento aos irmãos.
Tudo isso é típico do capitalismo de Estado que, pela via da direita e da esquerda, o Brasil tem praticado há décadas. Um capitalismo para compadres, em que empresários próximos ao poder são premiados, sem maiores preocupações com eficiência e produtividade. Por isso, esses ciclos (com Geisel, Lula e Dilma) resultam em grandes prejuízos para o Erário.
O caso JBS se junta ao da Odebrecht, e de outras empreiteiras da Lava-Jato, e revela de maneira clara a contrapartida desses empresários na forma de financiamentos de campanha — caixa 1, com propina, e 2 —, além da prática ampliada da corrupção. É a outra face deste capitalismo de Estado e de amigos.
Para analistas, reforma fica para 2018 e queda de juros desacelera
Flávia Lima - FSP
A euforia que movia economistas e analistas deu lugar à moderação. Está cada vez mais cristalizada a percepção de que a reforma da Previdência não tem condições de ser tocada com a mesma desenvoltura nem por Michel Temer nem por um possível substituto e deve ficar para 2018.
Com a mudança de expectativa, as novas previsões são que o país vai demorar mais para reduzir o crescimento da dívida pública, o que não permitirá uma queda mais acelerada da taxa de juros. Como resultado, a economia vai crescer menos.
Uma primeira onda de revisões para baixo nas estimativas de PIB foi detonada, embora a maioria dos economistas espere os números do primeiro trimestre —que saem na quinta (1º)— para divulgar as suas novas projeções.
O Fator espera alta de 1% para o PIB em 2017, mas isso deve ser revisado para perto de zero, diz o economista-chefe do banco, José Francisco de Lima Gonçalves.
Para ele, a reforma da Previdência atrasa, mas acaba saindo no começo do ano que vem. O câmbio vai voltar um pouco, mas não para onde estava antes da crise, perto de R$ 3,10.
E, por causa das incertezas, o Banco Central deve desacelerar o ritmo e reduzir o juro em apenas 0,75 ponto percentual na próxima semana.
Para Gonçalves, a melhora dos mercados desde segunda-feira responde a uma percepção de que o desfecho da crise exclui eleições diretas ou impeachment e embute a saída de Michel Temer via Tribunal Superior Eleitoral (TSE) –algo considerado mais conveniente e menos doloroso.
Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra, se adiantou e, na segunda-feira (22), revisou a previsão de alta do PIB em 2017 de 1% para 0,5% (e de 3,5% para 2,5% no próximo ano).
Os fundamentos da economia não mudaram, mas o atraso na reforma Previdência, que só sai no primeiro trimestre de 2018, e a Selic caindo mais lentamente devem fazer com que o juro cobrado do consumidor final também demore mais para ceder.
Mesmo pequeno, o PIB esperado pela Tendências, de 0,3% em 2017, deve passar por algum ajuste, diz o economista Silvio Campos Neto.
O Banco Central deve manter o ritmo de corte da Selic em um ponto, de olho no campo fiscal mais desafiador. Os preços, contudo, seguem mais ou menos controlados. A reforma trabalhista ainda tem viabilidade, mas a da Previdência tem grande chance de ficar só para depois das eleições, diz ele, um tanto mais pessimista.
Já a MCM Consultores está revisando previsões para o PIB. No cenário-base da consultoria, Temer não continua no cargo, mas a manutenção da equipe econômica evitará novo ciclo de deterioração contínua da economia.
Os grandes bancos ainda não se posicionaram. O Santander, porém, dá pistas sobre quais podem ser seus próximos passos, ao admitir que talvez o viés do PIB seja de baixa.
Por enquanto, o banco não mexeu nas previsões para os principais indicadores, e um dos motivos é já estar na ponta mais conservadora das estimativas. O câmbio esperado para 2017, por exemplo, é de R$ 3,50, bem acima do previsto pela mediana do mercado para este ano (R$ 3,23) e para o próximo (R$ 3,36).
Procurados, Bradesco e Itaú não se pronunciaram.
Soma de erros
FSP
Se o objetivo era produzir imagens de um país em convulsão, o protesto liderado por centrais sindicais e entidades de esquerda em Brasília, nesta quarta (24), obteve sucesso, ainda que talvez efêmero.
Correram o Brasil e o mundo, sem dúvida, as cenas de manifestantes ensanguentados, prédios em chamas e congressistas enfurecidos. O quadro caótico completou-se com o renitente despreparo da Polícia Militar, que chegou ao emprego descabido de armas de fogo, e o constrangedor recurso do governo às Forças Armadas.
Impacto visual à parte, convém não comprar pelo valor de face a leitura de que o episódio retrata o isolamento de um presidente, em meio a uma revolta popular –por mais visível que seja a debilidade de Michel Temer (PMDB).
Omissões e imprudências de todas as partes converteram em baderna, e quase em tragédia, o que deveria ser um ato político.
Os organizadores, como infelizmente de hábito, negligenciaram a tarefa de assegurar o caráter pacífico do evento. A ação dos vândalos nada tinha de imprevisível; bandos de arruaceiros sem causa discernível infiltram-se em protestos da esquerda —e a eles dão visibilidade— desde 2013.
Desta vez, os "companheiros mascarados", assim chamados em um tardio apelo por calma feito pela senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), depredaram ou incendiaram nada menos que dez prédios da Esplanada dos Ministérios.
O contingente da PM revelou-se incapaz de conter a turba, e a inépcia por pouco não custou vidas quando alguns de seus homens apelaram a armamento letal.
O Planalto, por fim, atrapalhou-se ao mandar tropas do Exército às ruas para proteger o patrimônio da União. Justificou-se a medida a partir de pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) —que, entretanto, havia solicitado o uso da Força Nacional de Segurança Pública.
Esta teria sido, de fato, a providência correta, dispusesse o governo de efetivo suficiente. Policiar ruas não é a vocação das Forças Armadas, para nem mencionar a simbologia política infeliz de sua presença em ações repressivas.
Temer, é óbvio, não colhe um saldo positivo dos acontecimentos. A esta altura, qualquer instabilidade será associada de forma automática à agonia de seu governo.
Quanto aos manifestantes, é possível que tenham conseguido criar dificuldades adicionais para o avanço das reformas previdenciária e trabalhista, contra as quais se batem os sindicatos.
Em nada ajudaram, porém, a bandeira virtuosa da eleição direta, que por sua própria natureza não avançará à base de truculência.
Advogados de Temer e Aécio homenageiam advogados de Lula
Guilherme Amado - O Globo
Uma homenagem a Cristiano e Valeska Zanin, casal de advogados que defende Lula, reuniu sob a mesma churrascaria, no domingo, em São Paulo, os criminalistas Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado de Michel Temer, e Alberto Toron, que defende Aécio Neves.
A maioria dos presentes era de advogados críticos à delação premiada como mecanismo em prol da defesa do cliente. Estavam lá, entre outros, José Eduardo Cardozo (advogado de Dilma Rousseff), Fernando Fernandes (representante de Anthony Garotinho) e Fábio Tofic (defensor de João Santana e Mônica Moura até a delação).
Esplanada tem prejuízo milionário com depredação e até furto
Prejuízo calculado por ministérios ultrapassa a conta de 2 milhões de reais - e ainda vai subir
Ultrapassa a casa de 2 milhões de reais o prejuízo do governo federal com as depredações causadas por black blocs e até furto de equipamentos na Esplanada dos Ministérios durante uma manifestação contra o presidente Michel Temer, nesta quarta-feira. Em alguns ministérios houve paralisação parcial de trabalhos nesta quinta-feira para perícia e cancelamento de compromissos por causa dos danos.
VEJA enviou a todos os ministérios pedidos de informação sobre casos de depredação e custos de reparo, mas nem todos responderam até a última atualização desta reportagem. A soma parcial é de 2 250 746, 95 reais. Depois de todos os prejuízos serem estimados, a Advocacia-Geral da União vai ajuizar ação de cobrança para ressarcimento aos cofres públicos contra as centrais sindicais que convocaram a manifestação.
Dos prejuízos informados até o momento, o maior foi no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: 1 105 057,90 reais. O motivo foi o incêndio no salão de atos e na portaria privativa do ministro. “Foram perdidos móveis, quadros com fotos de ex-ministros, quebrados vidros do prédio, computadores e queimadas cortinas. O fogo, alimentado pelos tapumes de madeira, foi controlado pela Brigada de Incêndio do ministério, pois os bombeiros foram impedidos de chegar até as chamas. O local está sendo periciado. Hoje estava programada reunião para o auditório do Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA) e foi cancelada”, informou a assessoria de imprensa.
O segundo maior foi no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que divide um prédio com o Ministério da Integração Nacional. São 522.599,04 reais, conforme a assessoria de imprensa do órgão: “A fachada do prédio foi danificada obrigando a substituição e a colocação de 450m² de vidro. Houve um início de incêndio com a queima de diversas mobílias e equipamentos da sala. Dezenas de computadores e equipamentos eletrônicos foram furtados e danificados, bem como documentos. Também houve avaria no posto de posto de atendimento do Banco do Brasil, que funciona no saguão do edifício”.
O Ministério do Planejamento apresentou uma planilha com custos estimados em 330 979,31 reais para recuperar janelas com película, persianas, divisórias, mobiliário, ar-condicionado, computadores, forro, pintura, elevador, espelhos e contêineres. O ministério não considerou nesta conta bens de servidores que estavam nas salas depredadas, tampouco equipamentos eletrônicos com possível dano interno.
No Ministério da Cultura, o prejuízo só será calculado depois de concluída a perícia da Polícia Federal. O Ministério do Meio Ambiente, que divide o mesmo edifício, estimou em cerca de 230 000 os custos de reparo. O prédio foi apedrejado e incendiado, conforme mostram imagens obtidas por VEJA.
O Ministério da Educação vai gastar 43.119,70 reais para recuperar as vidraças e remover pichações.
No Ministério de Minas e Energia, que divide o edifício com o Turismo, o prejuízo foi de 19 000 reais, em vidraças, persianas, computador, condensador de ar e placas de sinalização.
O Ministério do Desenvolvimento e Indústria informou que vidros de uma das portarias foram quebrados, mas não levantou o custo de reposição. O Ministério da Fazenda afirmou que vidros das portarias de dois blocos foram danificados, mas ainda não tinha estimativa do valor de reparo.

Debussy - Arabesque No. 1 (Ciccolini)