terça-feira, 10 de outubro de 2017

Whiskey Myers - TYA


The Jompson Brothers - On The Run


Che Guevara é venerado porque tem sangue verdadeiro para mostrar

Angelo Abu/Folhapress

Che Guevara morreu há 50 anos e ainda há quem lhe conceda o benefício da dúvida. Na semana passada, recebi um convite para um "debate" sobre Guevara e o seu legado. Pensei que era piada. Ainda perguntei: "Vocês querem saber se ele matou muito ou pouco?".
Ninguém riu. A ideia era mesmo "debater". Eu estaria entre os "críticos" (muito obrigado) e, do outro lado da mesa, estariam os apologistas. Recusei.
Aliás, quando o assunto são psicopatas, eu recuso sempre —uma questão de respeito pela minha própria sanidade. Nunca me passaria pela cabeça debater seriamente o Holocausto com um negacionista. Por que motivo o comunismo seria diferente? Escutar alguém a defender a União Soviética é tão grotesco como estar na presença de um neonazi a defender Hitler e o Terceiro Reich.
De igual forma, também nunca me passaria pela cabeça convencer terceiros sobre a monstruosidade do nazismo —ou a do comunismo. Como se ainda houvesse dúvidas.
Não há -e, no caso de Guevara, o próprio deixou amplos testemunhos a comprovar a sua excelência. O culto do ódio; a excitação do cheiro a sangue; a necessidade de um revolucionário ser uma "máquina de matar" -o Che não enganava.
E os fuzilamentos, que ele executou ou mandou executar, são ostentados pelo nosso Ernesto como se fossem medalhas na farda de um general. A criminalidade de Che Guevara não é questão de opinião. Isso seria um insulto ao próprio.
Mas há um ponto que me interessa sobre o Che: a sua sobrevivência como símbolo. Atenção: não falo de adolescentes retardados que desconhecem o verdadeiro Che e ostentam na camiseta o retrato que Alberto Korda lhe tirou. A adolescência é uma fase inimputável que, nos piores casos, pode durar uma vida inteira.
Não. Falo dos intelectuais que, conhecendo Che Guevara e o seu "curriculum vitae", o canonizam sem hesitar. O que leva pessoas inteligentes a aplaudir um criminoso?
O sociólogo Paul Hollander dá uma ajuda no seu "From Benito Mussolini to Hugo Chávez - Intellectuals and a Century of Political Hero Worship". O título, apesar de longo, é importante.
Em primeiro lugar, porque Hollander não discrimina entre "direita" ou "esquerda". O totalitarismo só tem um sentido —a sepultura.
Em segundo lugar, porque não é a natureza dos regimes que interessa ao sociólogo; é a devoção dos intelectuais pelos "heróis" revolucionários do século.
No caso de Che, existem explicações históricas —e psicológicas.
As históricas lidam com a Revolução Cubana de 1959, ou seja, três anos depois de Nikita Khrushchev ter denunciado os crimes do camarada Stálin.
A desilusão foi profunda —e, para a "nova esquerda", a União Soviética deixava de ser o farol da humanidade. Era apenas mais um estado opressor (como os Estados Unidos, claro) que atraiçoara a beleza do ideal marxista.
A partir da década de 1960, os "peregrinos políticos" (expressão de outro livro famoso de Hollander) passaram a ver o Terceiro Mundo —Cuba, China, Vietnã, Nicarágua— como o paladino virginal da libertação do homem. Fidel Castro e o seu ajudante Che Guevara ocuparam os papéis principais como "bons selvagens".
Mas existe um motivo suplementar para Che palpitar no peito dos intelectuais, escreve Hollander: o fato de ele não ser um intelectual "defeituoso".
Uma história ajuda a compreender o adjetivo: em 1960, Sartre visitou Cuba e comoveu-se com as confissões de Fidel. "Nunca suportei a injustiça", disse o Comandante. Sartre concluiu que Fidel entendeu como ninguém "a inanidade das palavras".
Tradução: não basta falar contra o imperialismo/capitalismo/colonialismo; é preciso agir. Che Guevara, que Sartre batizou como "o mais completo ser humano do nosso tempo", simboliza essa totalidade. Alguém que não se fica pelas palavras —e passa aos atos. Che Guevara é venerado porque tem sangue verdadeiro para mostrar.
É um erro afirmar que os "intelectuais revolucionários" que admiram Che Guevara continuam a prestar-lhe homenagem apesar da violência e do crime. Pelo contrário: a violência e o crime estão no centro dessa homenagem.
Che sobrevive porque foi capaz de ser o "anjo exterminador" que todos eles sonharam e não conseguiram.
Em troca de proteção aos 'dreamers', Trump quer restringir imigração
O presidente americano, que no mês passado jantou com líderes democratas na Casa Branca e deu a eles a esperança de que pudesse recuar de sua decisão de acabar com a salvaguarda, enviou ao Congresso na noite de domingo (8) uma longa lista de condições que inclui medidas migratórias rígidas.
Em troca de não deportar os sonhadores, como são chamados os filhos desses imigrantes sem documentos, o presidente pede a reforma completa do sistema de "green card" (a autorização de residência nos EUA), medidas severas para impedir que menores de idade, em especial da América Central, entrem no país e a construção do muro na fronteira com o México.
Democratas queriam adiar as negociações sobre a barreira e garantir que o programa de proteção aos jovens fosse convertido em lei, mas Trump voltou atrás e parece agora não querer abrir mão da expansão do muro na fronteira.
O retrocesso no debate, que causa atritos mesmo entre os republicanos, despertou ainda a oposição dos protegidos pelo Daca, que não querem se ver beneficiados por um arranjo que prejudicará futuros imigrantes, muitos deles parentes que tentam entrar nos EUA para rever a família.

2017
100.000
Negados
200.000
300.000
400.000
2012
2013
2014
2015
2016
2017
*Exclui requerimentos de renovação. A diferença entre o total de requerimentos e a soma de aprovados e negados corresponde aos requerimentos que ficaram pendentes

Filipinas
689.029
México
33.661
El Salvador
24.247
Guatemala
22.114
Honduras
9.721
Peru
7.813
Coreia do Sul
8.447
Brasil
7.649
Equador
7.217
Colombia
5.055
Filipinas


GARGALO
Trump também cria mais problemas com o México. Seu veto à entrada de menores vindos da Guatemala, de El Salvador e de Honduras faria do país vizinho um gargalo na rota de fuga rumo aos EUA, acirrando os ânimos.
Nos últimos quatro anos, centro-americanos dos países na mira dos pedidos de Trump vêm tentando escapar da violência das gangues, fazendo o número de refugiados no México saltar de 887, em 2013, para 8.051, em 2016.
A explosão reflete a dificuldade de entrar nos EUA, com uma vigilância cada vez mais agressiva na fronteira, o que faz com que muitos permaneçam em terras mexicanas.
Entre as exigências de Trump estão também a contratação de mais 10 mil agentes de imigração, o uso de um sistema que dificulta que ilegais consigam empregos nos EUA e a suspensão de verbas do governo federal para as chamadas cidades-santuário —entre elas Nova York, Los Angeles e Chicago—, que se recusam a seguir a política migratória do presidente.
Em carta a congressistas, Trump disse que suas novas exigências têm como meta rever "brechas perigosas, leis antiquadas e vulnerabilidades facilmente exploradas" na política de imigração e que se trata de "reformas que devem ser incluídas" em qualquer negociação sobre o caso dos "sonhadores".
Nesse sentido, uma solução bipartidária para resolver a crise em torno do Daca (um decreto de seu antecessor, Barack Obama) agora corre o risco de nunca sair do papel.
Em paralelo, Trump vem ampliando seu programa anti-imigração para além das medidas que visa implementar como contrapartida à negociação em torno do Daca.
Nesta semana, seu governo anunciou a suspensão da emissão de vistos para cidadãos turcos, detonando uma crise diplomática.
A relação vinha azedando desde a tentativa fracassada de golpe de Estado na Turquia, em 2016 —os turcos acusam o clérigo Fethullah Güllen, exilado nos EUA, de ter tramado o levante e pedem sem sucesso sua extradição.
A Turquia não é o único país na mira do republicano. No mês passado, ele anunciou nova versão do veto a viajantes de nações de maioria muçulmana, editado em janeiro. Desta vez, foram barrados cidadãos do Chade e de localidades em que a religião islâmica não é majoritária: Venezuela e Coreia do Norte.
Império do sol
FSP
Painéis de energia solar em Taiyangshan, na China. *** This photo taken on September 22, 2011 shows people visiting the Taiyangshan solar panel field in northern China's Ningxia region. In a new show of anger at China's trade practices, a major US maker of solar cells and panels SolarWorld Industries America, a subsidiary of Germany-based SolarWorld AG, announced on October 19, 2011 it was filing a formal complaint targeting Beijing, as US lawmakers who blame China's rise for lost American jobs have stepped up calls for Washington to confront Beijing. AFP PHOTO / LILIAN WUPainéis de energia solar em Taiyangshan, na China - Lilian Wu - 22.set.2011/AFP
A eletricidade produzida a partir da luz do sol, ou energia fotovoltaica, aparece como a grande estrela do relatório "Renováveis 2017 - Análise e Previsões para 2022", da Agência Internacional de Energia. E a maior responsável por isso, mais uma vez, é a China.
A geração solar foi a que mais cresceu entre as energias renováveis, alcançando quase a metade (45%) dos 165 gigawatts de capacidade adicionada em 2016, excluídas fontes de origem fóssil (carvão, petróleo e gás natural) e nuclear.
O Brasil instalou 7,8 GW de renováveis no ano passado —de um total de 9,5 GW no país—, repartidos entre usinas hidrelétricas (5,2 GW) e eólicas (2,6 GW). Mantém uma das matrizes de geração mais limpas, mas contribui com menos de 5% do crescimento verde mundial.
Já a China responde por 40% da capacidade renovável adicionada em 2016, e a maior parte disso provém da energia solar. O governo de Pequim incentiva essa fonte limpa na tentativa de minorar a poluição do ar gerada por termelétricas a carvão, grave problema de saúde pública e inquietação social.
Sob esse estímulo, o país asiático já representa 50% da demanda global por painéis fotovoltaicos e manufatura 60% desses equipamentos. A economia de escala adquirida tem levado a uma queda de preços mais acentuada do que se esperava, o que forçou a AIE a rever suas projeções para 2022.
De acordo com a agência, o custo de usinas solares deverá cair ainda 25% no quinquênio (contra 15% dos geradores eólicos, que seguiram essa trajetória antes).
Com preços mais competitivos, as renováveis deverão passar dos atuais 24% de participação na matriz de geração elétrica mundial para 30% em 2022.
Salta aos olhos a irrelevância do Brasil no que respeita à energia solar fotovoltaica. Algumas grandes centrais começam a ser instaladas, mas o investimento nacional na mais dinâmica fonte alternativa é desprezível, em termos mundiais.
O país só se destaca, no relatório da AIE, na seara das fontes renováveis para o setor de transporte. Embora o noticiário se concentre na voga dos veículos elétricos, o estudo ressalta que os biocombustíveis —como etanol e biodiesel— permanecerão como opções mais viáveis.
Sim, o Brasil conta com a matriz elétrica mais limpa entre nações de grande porte e liderança inconteste em álcool combustível. O futuro, no entanto, é solar.
Um momento oportuno para sanear o esporte
É hora de remontar federações e confederações que têm papel central no desenvolvimento dos atletas, para que esporte brasileiro não frequente as páginas policiais 
O Globo
As prisões de Carlos Arthur Nuzman — presidente afastado do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e ex-presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) — e de seu braço-direito Leonardo Gryner, na última quinta-feira, pela Polícia Federal, sacudiram o mundo do esporte. Eles são acusados de participar de um esquema de compra de votos de membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) para escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. De acordo com as investigações da Operação Unfairplay, o esquema criminoso era comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral, que está preso, e envolvia ainda o empresário Arthur Soares, o “Rei Arthur", o presidente da Federação Internacional de Atletismo, o senegalês Lamine Diack, e seu filho Papa Massata Diack. O Ministério Público Federal investiga se, em troca de propina, Lamine teria conduzido uma votação em bloco para que o Rio sediasse a primeira Olimpíada da América do Sul.
O escândalo olímpico amplia ainda mais a folha corrida do esporte brasileiro. Os antecedentes são numerosos. Ex-presidente da poderosa Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin cumpre prisão domiciliar em seu apartamento na Trump Tower da Quinta Avenida, em Nova York. Ele é acusado de participar de esquema de propina envolvendo direitos de transmissão em competições como Copa do Brasil, Libertadores e Copa América, um dos mais rumorosos casos de corrupção do futebol mundial. O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e o ex-presidente Ricardo Teixeira também são réus no processo.
Já o ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) Coaracy Nunes Filho foi preso em abril deste ano, durante a Operação Águas Claras, do Ministério público de São Paulo, acusado de desviar R$ 40 milhões em recursos públicos repassados à entidade.
Coaracy é um exemplo das distorções que regem o esporte brasileiro. Ele dirigiu a CBDA por 29 anos, tornando-se um dos cartolas mais longevos do país. O próprio Nuzman também se perpetuou no poder. No fim do ano passado, foi reeleito para o cargo no COB pela sexta vez consecutiva. Somado o tempo em que esteve à frente da CBV, são 42 anos como dirigente.
Este momento em que treme o chão das arenas do país pode ser oportuno para sanear o esporte brasileiro. É hora de remontar essas entidades, que têm papel central no desenvolvimento do esporte no Brasil. Reportagem do GLOBO publicada sexta-feira mostrou que a Lei 12.868, de outubro de 2013, que estabelece no máximo dois mandatos de quatro anos para dirigentes de federações e confederações, tem sido jogada para escanteio. Enquanto isso, cartolas se perpetuam no poder em gestões pouco transparentes. Ora, quem não cumpre a lei não pode continuar a receber verba pública, como vem acontecendo. É preciso urgentemente resgatar o esporte nacional das páginas policiais.
Em relatório final, PF incrimina Wesley Batista por lucro indevido da JBS no mercado de câmbio
Painel - FSP 
Sem saída A Polícia Federal apresenta nesta terça-feira (10) o relatório final sobre a suspeita de que Wesley e Joesley Batista cometeram crime de insider trading ao obter lucro no mercado após a divulgação da delação da J&F. A peça tem mais de 100 páginas e reafirma a posição de Wesley como o mandante das negociações de câmbio. A PF diz que Joesley, à época chefe da FB Participações, controladora da JBS, operou em outras frentes. Ele não será incriminado pela compra de dólares.
Na ponta do lápis A PF elaborou um cronograma sobre as ações dos Batistas antes e depois de eles fecharem o acordo com a PGR. O relatório virá um dia depois de a Justiça negar o pedido de liberdade de Joesley e Wesley em troca do depósito de uma caução no valor que teria sido obtido ilegalmente.
O x da questão A corporação refuta a tese da defesa de que não houve crime e de que os Batistas já lucraram valores muito mais altos anteriormente. Dirá que a diferença crucial é que, desta vez, eles tinham informação privilegiada sobre a delação.
Sua vez A CPI da JBS vota nesta terça (10) o requerimento de convocação da advogada Fernanda Tórtima, que negociou a delação da J&F. Parlamentares querem explorar a relação dela com o ex-procurador Marcello Miller.
Um por todos O deputado Wadih Damous (PT-RJ) falará contra a convocação de Tórtima. Assim como ela, ele é do Rio. Ex-presidente da OAB no Estado, tentará sensibilizar os colegas defendendo prerrogativas da classe.
Na raiz Relator da denúncia contra o presidente Michel Temer, o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) tentará destrinçar a acusação de organização de criminosa em seu voto, nesta terça (10). Revisou cada tópico da tipificação do crime. Diz querer saber se há provas ou se a PGR fez “um jogo de palavras”.
Anéis e dedos O cargo de André Roston, chefe da Divisão para Erradicação do Trabalho Escravo, entrou na lista de demandas de parlamentares que negociam votos para barrar a nova denúncia.
Veio a calhar Em recente audiência pública, Roston revelou que a fiscalização contra o trabalho escravo estava parada por falta de recursos. A fala irritou alas do governo federal.
Viva o rei Pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PMDB, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, usou a comemoração dos 45 anos do Sebrae-SP, que também fica sob o comando dele, para promover sua gestão na entidade.
Viva o rei 2 Ao ligarem os computadores, os 1.200 funcionários do Sebrae paulista perceberam que, logo após o login, era exibido um vídeo de Skaf falando sobre o órgão. O acesso só era liberado depois do fim do filme.
Nada consta Procurado, o Sebrae afirmou que “não há promoção” e que o vídeo “faz parte de uma campanha interna”. “Nele, Skaf parabeniza todos os colaboradores pelo apoio aos pequenos negócios paulistas.”
Sem retorno O prefeito João Doria (PSDB-SP) avisou a aliados que vai dobrar a aposta. Sua próxima viagem será para Goiânia, dia 19. Auxiliares dizem que a queda na avaliação da gestão era esperada e que ele ainda tem gordura para queimar.
Multinacionais brasileiras demitem no país e apostam no exterior
Segundo estudo que será publicado nesta terça-feira (10) pela Fundação Dom Cabral, 57,7% das companhias do tipo contrataram no exterior, enquanto 61,5% delas demitiram no Brasil.
Foram entrevistadas 54 empresas brasileiras com atuação internacional.
Dessas, dois terços ampliaram suas operações no exterior no ano passado.
A professora da Fundação Dom Cabral Lívia Barakat diz que as subsidiárias no exterior permitiram a muitas empresas manter resultados sustentáveis, mesmo na crise pela qual o Brasil passa.
"Internacionalizar é uma forma de reduzir riscos. Muitas empresas, se não estavam no exterior, passaram a considerar. E, se já estavam, agora pensam em expandir."
Por outro lado, as brasileiras tiveram uma queda de 35% em suas margens de lucro no exterior em 2016. Elas caíram de 11% para 7,9% em relação a 2015, apesar de um faturamento melhor.
Com isso, seguiram em patamar inferior às registradas no mercado brasileiro, que, no mesmo período, caíram de 16,3% para 14,1%.
Barakat diz ser comum que companhias nacionais tenham margens menores no exterior, especialmente nos primeiros anos de investimento, quando precisam consolidar as operações e as marcas em novos mercados.
Até por causa dessa expectativa mais conservadora, o grupo se mostra mais satisfeito com as operações internacionais do que com seu desempenho no Brasil, diz.
Em relação aos resultados financeiros, por exemplo, a satisfação com as subsidiárias foi 20% maior do que com as operações brasileiras.
Das empresas pesquisadas, 42,3% planejam entrar em novos países nos próximos dois anos. Em relação aos mercados onde já atuam, 69,2% das empresas planejam uma expansão.
O índice de internacionalização das empresas, medido pela proporção de ativos, funcionários e receitas das empresas no exterior em comparação ao que concentram no Brasil, teve leve alta em 2016, de 0,9 ponto percentual, chegando a 27,3%. Dois anos antes, era de 23,2%.
Tempo de vergonha no Supremo
Brada a ignorância que transforma em justiceiros magistrados cujos juízos declaradamente têm a ideia popular (e autoritária) de ética, e não o texto legal, como norte
Carlos Andreazza - O Globo
Direitos políticos são direitos fundamentais. O direito de se candidatar a cargo eletivo é um direito fundamental, relevante parte no conjunto de garantias individuais que a Constituição Federal protege — Constituição que tem, ou tinha, 11 juízes designados a guardá-la. Tem ou tinha? Tinha.
A infame sessão da última quarta no Supremo Tribunal Federal cravou essa resposta ao consagrar a prática — a de corregedor moral da atividade política — apregoada, dias antes, por guerreiros como Luiz Fux, aquele segundo quem, quando a um político investigado falta a grandeza de se afastar do mandato, é dever do STF ter por ele essa honradez. Sim: Fux — aquele, indicado por Dilma, cuja grandeza abarcou, em sua bem-sucedida campanha por uma suprema toga, pedir ajuda a patriotas como João Pedro Stédile, Sérgio Cabral e José Dirceu. Ele chegou lá.
Mas: e a Constituição? Aonde? Aonde esses valentes do direito criativo a levaram? À sessão da última quarta — a da vergonha.
Mesmo neste país histérico, em que a militância assaltou o debate público e em que o ativismo político já tem assentos na mais alta corte, mesmo neste país refém do alarido jacobino das redes, jamais pensei um dia ver o Supremo — em decisão de seu pleno — votar para que uma lei retroagisse de modo a punir o réu. É preciso repetir: o STF, a propósito da Ficha Limpa, firmou a jurisprudência de que um cidadão pode ser punido — com a inelegibilidade, interdição do direito político de disputar eleição — por crime ocorrido antes da existência da lei.
O que dizer quando é o Supremo a instituir a insegurança jurídica? O povo vibra, brada a ignorância que transforma em justiceiros magistrados cujos juízos declaradamente têm a ideia popular (e autoritária) de ética, e não o texto legal, como norte. Eis o bicho: o tão atraente quanto perigoso Direito catado na rua. O povo vibra, parvo, com as condições favoráveis — sinalizadas pelo STF — a que prosperem, cedo ou tarde, barbáries como as tais “dez medidas contra a corrupção”, ali onde, vestido de avanço moralizante da sociedade, propunha-se limitar o direito ao habeas corpus.
É o Brasil linchador e fulanizado o que triunfa — esse em que se aceita como necessário, para que presumido bandido nenhum escape, que leis sejam aplicadas a depender do réu, ao sabor do caso concreto, ajustadas ao prumo da indignação vulgar, negação mesmo do espírito impessoal sob o qual leis são concebidas. E se o réu — que às vezes nem réu ainda é — for um político... O leitor decerto pensou no caso de Aécio Neves. Peço, então, que o esqueça — porque o que lhe serve também cabe a todos os parlamentares eleitos para o Congresso Nacional, inclusive Eduardo Cunha.
Um pedido de prisão contra um senador da República ou um deputado federal — senão por flagrante de crime inafiançável — sequer deveria ser recebido pelo STF. E, no caso, não havia flagrante nem se tratava de crime inafiançável. A demanda de Janot era, como de hábito, inconstitucional. Numa corte superior saudável, deveria ter o lixo como destino. Mas o Supremo aceitou apreciá-lo. E aí entra a lógica. Porque, se o recepcionou para deliberação, resta evidente que qualquer decisão emanada do tribunal a propósito seria uma resposta ao pedido de prisão. A Primeira Turma estabeleceu uma medida cautelar — não foi? Ora, simples: uma alternativa à prisão.
Ocorre que a Constituição é expressa a respeito e — salvo se a Barroso já tiver derrubado esta hierarquia — prevalece sobre qualquer outro código: ainda que um senador fosse preso em flagrante de crime inafiançável, a palavra final, para chancelar ou não a decisão da Justiça, caberia ao Senado. E, se esse pode o mais, claro, pode também o menos.
Por isso não haveria razão para a grita: se o Senado quisesse (e já o deveria ter feito, não estivesse acoelhado) deliberar sobre o afastamento de Aécio, poderia, resguardado pela Constituição, e o STF teria de entubar a vergonha decorrente da militância de seus membros.
Ah, sim. Desprezo este blá-blá-blá de harmonia entre Poderes — da qual, de resto, só se fala para encurralar o Legislativo, não raro invertendo a origem da desarmonia. Ou será harmônico que o Supremo legisle e que ignore a Constituição para tomar uma prerrogativa do Parlamento? Ademais: harmonia entre Poderes — entre esses aí? Quem banca isso como essencialmente bom? Ao que serve? Neste país, tende-se mais à harmonia entre pilantras ou virtuosos?
Melhor, para o equilíbrio da República, que se respeite a Carta Magna. Conseguimos?
Esqueça, leitor, para radicalizar o meu ponto aqui, o pedido de prisão contra um senador e a medida cautelar que o impede de sair de casa à noite — e me diga onde, na Constituição, está escrito que um Poder, senão o Congresso, pode afastar um parlamentar de seu mandato?
Cuidado com os tipos que ascendem ao Supremo para fazer política. Já escrevi, sobre juízes como esses, que, se querem fazer leis, larguem a toga e se candidatem ao Legislativo. O problema — a razão da advertência — é que, sem que percebamos, já não é preciso ser eleito para dirigir o Brasil.
Lula diz que está 'lascado', mas que ainda tem força como cabo eleitoral 
Marina Dias - FSP
Com a possibilidade de uma condenação impedir sua candidatura em 2018, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, nesta segunda (9), um discurso inflamado contra a Lava Jato, no qual disse saber que está "lascado", exigiu um pedido de desculpas do juiz Sergio Moro e afirmou que, mesmo fora da disputa pelo Planalto, será um cabo eleitoral expressivo para a sucessão de Michel Temer.
Segundo o petista, réu em sete ações penais, o objetivo de Moro é impedir sua candidatura no ano que vem, desidratando-o, inclusive, no apoio a um nome alternativo, como o do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), caso ele não possa concorrer à Presidência.
"Eu sei que tô lascado, todo dia tem um processo. Eu não quero nem que Moro me absolva, eu só quero que ele peça desculpas", disse Lula durante um seminário sobre educação em Brasília. "Eles [investigadores] chegam a dizer: 'Ah, se o Lula não for candidato, ele não vai ter força como cabo eleitoral'. Testem", completou o petista.
Para o ex-presidente, Moro usou "mentiras contadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público" para julgá-lo e condená-lo a nove anos e seis meses de prisão pelo caso do tríplex em Guarujá (SP).
O ex-presidente disse ainda não ter "medo" dos investigadores que, de acordo com ele, estão acostumados a "mexer com deputados e senadores" que temem as apurações.
"Eu quero que eles saibam o seguinte: se eles estão acostumados a lidar com deputado que tem medo deles, a mexer com senadores que têm medo deles, quero dizer que tenho respeito profundo por quem me respeita, pelas leis que nós ajudamos a criar, mas não tenho respeito por quem não me respeita e eles não me respeitaram", afirmou o petista.
De acordo com aliados, Lula não gosta de discutir, mesmo que nos bastidores, a chance de não ser candidato ao Planalto e a projeção do nome de Haddad como plano B do PT tem incomodado os mais próximos ao ex-presidente. O ex-prefeito, que estava no evento nesta segunda, fez um discurso rápido, de menos de dez minutos, em que encerrou dizendo esperar que Lula assuma a Presidência em 2019.
"Espero que dia 1º de janeiro de 2019 esse pesadelo chamado Temer acabe e o senhor assuma a Presidência da República", disse Haddad.
'DEMÔNIO DO MERCADO'
Lula voltou a fazer um discurso mais agressivo em relação ao mercado e disse que "não tem cara de demônio", mas quer que o respeitem "como se fosse".
"Não tenho cara de demônio, mas quero que eles me respeitem como se eu fosse, porque eles sabem que a economia não vai ficar subordinada ao elitismo da sociedade brasileira", disse o ex-presidente.
O petista rivalizou ainda com o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), segundo colocado nas últimas pesquisas empatado com Marina Silva, e disse que se ele "agrada ao mercado", o PT tem que "desagradar".
A Folha publicou nesta segunda (9) reportagem em que mostrou que o deputado ensaia movimento ao centro no debate econômico, adotando um discurso simpático aos investidores do mercado financeiro.

Arquitetura da impunidade
Eunício, Aécio, Renan, Jader, Collor e Jucá sonham induzir os juízes do Supremo a um ato público de contrição, amanhã, por terem mandado cumprir a Constituição
José Casado - O Globo
O presidente do Senado, Eunício Oliveira, entrou num labirinto, de mãos dadas com os senadores Aécio Neves, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Fernando Collor e Romero Jucá.
Atravessaram a semana exalando ressentimentos e ameaças de retaliação ao Supremo, num levante promovido por Aécio, com o discreto estímulo do presidente Temer e dos seus ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha. Todos são investigados por corrupção.
“Pode abrir uma crise, uma crise grande”, alardeava Renan. “Não tenho medo, não tenho medo”, bravateava Jucá. Ao lado, Jader jactava-se: “O Supremo é Poder, mas nós somos Poder também!”. Collor apregoava: “Nenhum Poder é mais legítimo do que o Legislativo, que vem sendo achincalhado.”
Eles sonham induzir os juízes do Supremo, na sessão de amanhã, a um ato público de contrição, por terem submetido um dos senadores a inquérito, impondo-lhe afastamento do mandato e ordem para dormir em casa.
Três meses atrás, o STF autorizou que Aécio Neves fosse investigado por suspeita de violação dos princípios constitucionais de “legalidade”, de “impessoalidade” e de “moralidade” no exercício do mandato. A abertura desse inquérito chegou a ser celebrada no Senado.
Aconteceu em julho, na Comissão de Ética, quando líderes do PMDB e do PSDB uniram-se para impedir o nascimento de um processo para cassar o mandato do senador mineiro.
Encontraram na decisão do tribunal um pretexto para arquivar o caso. Argumentaram que somente o Supremo pode processar e julgar integrantes do Congresso em casos de infrações penais comuns. Aécio, claro, comemorou.
O tribunal julgou, dias atrás, um pedido de prisão preventiva do senador mineiro. A procuradoria alinhou motivos em excesso — como corrupção; interferência no processo, com explícita ameaça a testemunha; e descumprimento de ordem judicial enquanto estava afastado do mandato no primeiro semestre.
Os juízes rejeitaram a prisão. Escolheram medidas alternativas, entre elas novo afastamento do mandato e ordem para que Aécio durma em casa. Esses procedimentos são diferentes da prisão preventiva ou domiciliar e estão previstos no Código de Processo Penal que o Senado aprovou há seis anos.
Os senadores, na época, destacaram e separaram em três capítulos específicos do código o significado de “prisão preventiva” (Artigos 311 a 316), de “prisão domiciliar” (Artigos 317 a 318), e de “medidas cautelares diversas da prisão” (Artigos 319 e 320).
No levante promovido por Aécio, agora pretende-se que o Senado confronte o Supremo para garantir imunidade processual absoluta aos parlamentares federais, mesmo quando violem os princípios constitucionais de “legalidade”, de “impessoalidade” e de “moralidade” no exercício do mandato.
Seria a arquitetura de um paraíso da impunidade. A proposta de um embate entre poderes é inócua, até porque faltam ao Senado instrumentos constitucionais para revisar ou anular qualquer decisão do Supremo.
Vai ser difícil ao presidente do Senado, Eunício Oliveira, enrolado na bandeira da retaliação, encontrar a saída do labirinto em que entrou de mãos dadas com Aécio, Renan, Jader, Collor e Jucá.
Socialismo doriano, untando mentes por mais impostos
HELIO BELTRÃO -  FSP
Que vexame! João Doria (PSDB) quer que Netflix, Spotify e outros paguem -além dos impostos federais que já pagam- Imposto Sobre Serviços (ISS) na cidade de São Paulo, começando com uma alíquota de 2,9% sobre o valor do serviço (que pode chegar a 5%). E, pior, a Prefeitura o faz mesmo se tratando de cobrança inconstitucional, como demonstrarei abaixo.
Os argumentos usados por Doria são risíveis, mas revelam parte de sua visão de mundo. Muita atenção, pois ele pode se tornar candidato no ano que vem.
Doria afirmou que "os donos das empresas são bilionários" e que, por isso, "podem pagar mais imposto". Afirmou também que não aceitará repasse do imposto doriano para o consumidor e que as empresas "devem diminuir sua margem".
Faltou conhecimento básico de ciência econômica. A menos que Doria adicionalmente se torne um autoritário tabelador de preços, repasse deve haver (ainda que não se possa dizer a priori que porção será repassada).
Doria também reclama que aqueles que sofrem o ataque tributário da Prefeitura estejam "usando as redes sociais para impor" seus pontos de vista. Ora bolas, Doria é a figura pública que mais usa as redes sociais para defender seus pontos de vista. Mas, quando um terceiro tem opinião contrária à sua, entende como opressão, em típica reação marxista cultural.
Por outro lado, seu discurso ameaçador, invocando o porrete do poder de coerção, me soa como um típico discurso estatista tal qual tivemos nos últimos 20 anos.
É malandro o argumento de Doria de que "não criou imposto algum", de "estar seguindo o que determina a lei" e que, se não cobrar, "pode ser responsabilizado por improbidade administrativa".
Conversa fiada! É certo que a lei federal complementar 157/2016 dispõe, entre outros, sobre a cobrança de serviços de "disponibilização, sem cessão definitiva, de conteúdos de áudio e vídeo". No entanto, Doria enviou o (ainda secreto) projeto de lei 630/2017 para obter respaldo sobre a cobrança na legislação municipal.
Se a preocupação fosse improbidade administrativa e não a ânsia arrecadatória, não teria enviado o projeto e apenas cobraria o que acha que seja devido. Embora não seja advogado tributarista, me parece que a lei federal complementar 157/2016 é inconstitucional.
A Netflix e o Spotify não prestam propriamente um serviço, mas disponibilizam acesso a conteúdo em seu servidor, similarmente a um aluguel de bem móvel, como o que ocorria nas antigas videolocadoras.
É exatamente a isso que o legislador se referiu com a redação da lei 157/2016 (aparentemente copiada no PL doriano) de "disponibilização, sem cessão definitiva". Ocorre que não cabe a incidência de ISS em tal situação. A súmula vinculante 31 do Supremo Tribunal Federal determina que é "inconstitucional a incidência do ISSQN sobre operações de locação de bens móveis".
Ademais, enquanto as partes aguardam pela decisão final do Judiciário sobre esse inevitável conflito, a cobrança está longe de estar garantida, bastando para tal que Netflix e Spotify passem a ter como domicílio outro município.
Segundo a lei 157/2016, "o serviço considera-se prestado, e o imposto, devido, no local do estabelecimento prestador ou, na falta do estabelecimento, no local do domicílio do prestador". E, alternativamente, no caso de serviços prestados a partir do exterior, considera-se "o estabelecimento do tomador ou intermediário do serviço ou, na falta de estabelecimento, onde ele estiver domiciliado".
Netflix e Spotify podem enquadrar-se nos dois casos, dependendo da interpretação. No primeiro caso, pagar-se-ia ISS no município de domicílio, que poderá deixar de ser São Paulo, dada a atitude agressiva da prefeitura. No segundo caso, dependerá do domicílio do intermediário, geralmente a empresa de cabo que dá acesso aos servidores dos serviços de streaming.
O brasileiro não aguenta mais imposto nem pagar mais caro por produtos por conta deles.
Chega de imposto!
Arranjo tortuoso
FSP
O financiamento de campanhas eleitorais é motivo de controvérsia permanente nas democracias, o que se reflete na farta variedade de modelos existentes no mundo —todos fadados à imperfeição.
Não pode restar dúvida de que a interação entre representados e representantes, ou entre votantes e candidatos, depende de expressivo volume de recursos. Sem dinheiro inexistem viagens, divulgação de documentos, programas de TV, contratação de pesquisas e de profissionais especializados.
Entretanto justifica-se a desconfiança de que campanhas opulentas muitas vezes dedicam-se mais a ludibriar do que a esclarecer.
No Brasil, as eleições gerais de 2014 consumiram R$ 4,9 bilhões em valores oficiais (cerca de R$ 6 bilhões hoje), quase o triplo do estimado em 2002; dificilmente seria possível associar tamanho encarecimento à ampliação ou à melhora do debate nacional.
Para decidir quem deve ou pode arcar com tais despesas, há que levar em conta dois objetivos não raro conflitantes: participação abrangente da sociedade no processo democrático e competição justa entre as forças políticas —o que implica inibir de alguma maneira a influência do poder econômico.
Quanto à primeira preocupação, um paradigma são os EUA, onde a Suprema Corte considerou inconstitucionais limites impostos a doações de grandes empresas, por entender que esses atos estariam garantidos pelo princípio da liberdade de expressão.
Mais comuns, porém, são restrições à contribuição de determinadas pessoas jurídicas, tetos para montantes doados ou para gastos de campanha e algum aporte de dinheiro público, em coexistência com o privado —além, nos melhores exemplos, de fiscalização rígida e transparência total.
Sob o baque da Lava Jato, o Brasil optou, de modo atabalhoado, pelo extremo de proibir qualquer dinheiro empresarial nas eleições, como se assim estivesse a combater a corrupção. À decisão de 2015 do Supremo Tribunal Federal sucede, agora, a criação pelo Congresso de um fundo eleitoral de R$ 2 bilhões em recursos do erário.
Adicionalmente, o presidente Michel Temer (PMDB) vetou, a pedido do Senado, uma proposta de teto para aportes que candidatos podem fazer às próprias campanhas. Chegou-se, assim, a um arranjo dos mais tortuosos.
Excluem-se do processo milhões de empresas e seus interesses legítimos —desconsiderando a alternativa mais lógica de fixar limites em valores absolutos para suas contribuições— e se direcionam recursos do Orçamento já depauperado às burocracias partidárias.
Ademais, sem restrição ao autofinanciamento, nem sequer se elimina a vantagem que os muito ricos, de forma aberta ou camuflada, poderão auferir nas disputas.
Democracia e autoritarismo
A desmoralização das instituições chegou ao ponto máximo. Não há paralelo com qualquer momento da nossa história 
Marco Antonio Villa - O Globo 
O Brasil, ao longo da sua história, não teve uma cultura política democrática. Mil oitocentos e oitenta e nove não passou de uma solução de força. Os republicanos — apesar de 19 anos de propaganda, desde o manifesto de 1870 — não passavam de pequenos grupos espalhados em não mais que cinco províncias. Sua presença na cena eleitoral era mínima. Basta recordar o péssimo resultado na última eleição no Império, a 31 de agosto de 1889. Elegeram apenas dois parlamentares; os conservadores, sete; e os liberais, 120. Chegaram ao poder através de um levante militar. Numa situação nacional e internacional distinta, em 1930, os insatisfeitos com a Primeira República identificaram no golpismo o atalho para o poder. As rebeliões de 1922, 1924 e a Coluna Prestes foram demonstrações de que o voto e o convencimento não faziam parte do ideário mudancista, independentemente do sistema eleitoral, marcado pela fraude. Tanto que, no início dos anos 1930, o vocábulo ditadura era utilizado de forma absolutamente positiva pelas principais lideranças políticas. Na conjuntura de 1964, a defesa de uma saída militar para a grave crise política estava presente em todo o espectro político. Raros eram aqueles — como Francisco San Tiago Dantas — que apostavam na resposta democrática. Durante o regime militar, especialmente após o fracasso dos grupos de luta armada, no campo da esquerda, o golpismo perdeu força; e no lado oposto houve a busca de uma transição democrática iniciada — ainda que timidamente — pela distensão. A inflexão, porém, pouco durou.
A construção de um estado democrático de direito se transformou numa panaceia. A Constituição de 1988, por mais paradoxal que pareça, é invocada por aqueles que sistematicamente solapam a democracia. O acusado de corrupção — muitas vezes, em vídeos e áudios, aparece negociando propinas milionárias — desdenha dos fatos. Em um primeiro momento, busca se afastar das luzes, orientado por especialistas que se dedicam a esta atividade. Depois chega o advogado — geralmente de um escritório com excelentes relações com as cortes superiores de Brasília. Ambos sabem que o acusado é corrupto. Aproveitam até para cobrar um “plus,” pois o criminoso está em situação delicada. Não perguntam, em nenhum momento, a origem dos pagamentos pelos seus serviços. E quando conseguem evitar a prisão e a condenação do político, o que geralmente ocorre, ficam ainda melhor posicionados neste mercado antirrepublicano aguardando uma nova denúncia. E isto se repete a cada semana. O cidadão, ao ver que o crime compensa, identifica no regime a raiz dos males. Democracia deixa de ser o império da lei, transformando-se em sinônimo de corrupção.
E o que dizer das acusações que pesam sobre o presidente Michel Temer? A elite política vê com naturalidade a acusação de corrupção passiva, obstrução da Justiça e formação de organização criminosa. Temer é aprovado por 3% da população. E a vida segue como se tudo isso fosse normal, e não produto da degeneração da democracia. Quando seus defensores jurídicos utilizam argumentos semelhantes aos da defesa de Lula, não é mero acaso. É que os dois são produtos de um mesmo sistema. Sistema que levou ao segundo turno das eleições presidenciais de 2014 uma presidente que perdeu o mandato por crime de responsabilidade e um opositor que, no momento, está afastado do mandato de senador e é obrigado, por determinação judicial, ao recolhimento domiciliar no período noturno.
O sentimento de impotência domina o cidadão. Fazer o quê? Como participar da vida política? Ou, ao menos, como simplesmente votar? Em quem? O voto ainda tem valor? Muda alguma coisa? A desmoralização das instituições chegou ao ponto máximo. Não há paralelo com qualquer momento da nossa história. O longo domínio petista colaborou em muito para chegarmos a esta situação. Mas não é o único responsável. Basta citar os escândalos do atual governo. A questão, portanto, não é partidária, mas estrutural.
Frente a esta conjuntura, a resposta do cidadão é encontrar uma solução rápida, que considera eficaz. Entende que no sistema que aí está, não há nenhuma possibilidade de mudança. A cada momento em que o estado democrático de direito é invocado por um advogado de corrupto, cresce ainda mais a intolerância à democracia. Uns passam a considerar o golpe militar como a redenção do país; outros defendem o separatismo — é, o separatismo voltou — como meio de acabar com a corrupção e a insegurança.
Citar a Constituição vai ficando um discurso vazio, pois não há uma relação entre a Carta Magna e o cotidiano. Todo arcabouço legal construído nas últimas três décadas não tem, para o cidadão, aplicação prática. Quando milhares de policiais e soldados, com auxílio das Forças Armadas, não conseguem sequer capturar um bandido — como no recente caso da Rocinha e o marginal Rogério 157 — o cidadão pergunta: para que serve esta tal de democracia?
O regime democrático somente é compreendido como algo que está a serviço da cidadania quando, ao menos, demonstra eficácia legal e administrativa. Não é o caso atual. A fratura entre a sociedade civil e o Estado cresce a cada dia. De nada adianta negar a crise. Isto só alimenta o autoritarismo. Michel Temer quer — e deve conseguir — impedir que o STF aprecie a segunda denúncia da PGR. Os parlamentares só pensam na eleição do ano que vem e de como vão manter seus mandatos e seus negócios. O STF — “guardião da Constituição” — continua tomando decisões absurdas. E a democracia pode estar dando seus últimos suspiros derrotada pelo autoritarismo.
Ideólogo de Bolsonaro, Olavo de Carvalho critica nova direita
Isabel Fleck - FSP
Dos Estados Unidos, o homem que afirma ter feito "todo o possível para que existisse uma direita no Brasil" diz não saber definir o que hoje é a corrente identificada como a "nova direita" no país.
"Eu sei lá o que é a nova direita. Eu quero que ela se dane. É um bando de picaretas", diz à Folha o ideólogo e polemista Olavo de Carvalho, 70, na casa de um dos filhos em Petersburg, na Virgínia. Está alojado no lugar enquanto espera a reforma na sua nova casa, também na região de Richmond, ficar pronta.
"Eu abri um rombo na hegemonia esquerdista, só que o pessoal que veio atrás não tinha preparo nenhum. Só palpiteiro, carreirista, oportunista", afirma, antes de se corrigir. "Não todos, evidentemente. Tem gente boa no meio."
Carvalho, com 390 mil seguidores no Facebook e um curso de filosofia online que, segundo ele, é acompanhado por 5.000 pessoas, é considerado o "guru" de boa parte do conservadorismo brasileiro, que tem ganhado cada vez mais força no país. "Não estou ligado a nenhum desses grupos. Eu fiz o meu serviço, agora eles que se virem."
Citado pelo deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) como uma de suas referências, Carvalho aceitou o pedido feito por um dos filhos do presidenciável para aconselhar o pai antes das eleições. "Pois é, ele me pediu, mas o Bolsonaro não veio ouvir o conselho, o que que eu posso fazer?"
Os dois participarão, nesta semana, de uma discussão promovida pelo centro de pesquisas do ideólogo, o Inter-American Institute, em Nova York. Eles, contudo, não se encontrarão. Carvalho falará por videoconferência, a partir da Virgínia, por causa da missa de um mês da morte de sua mãe.
Apesar de já ter feito pelo menos dois debates por videoconferência com o deputado e de ter dois filhos dele como seguidores, Carvalho diz não ter "nenhuma relação" com o pré-candidato.
Ele afirma, no entanto, que seu voto já é de Bolsonaro, o único que tem uma "carga nacionalista". "Primeiro, a candidatura dele é nacional. Segundo, é um dos dois ou três políticos que não se meteram em nenhum esquema de corrupção. Terceiro, ele tem algum amor ao Brasil", justifica.
Carvalho admite, porém, "não saber bem quais são as ideias" do deputado. "Não sei quais são os projetos políticos dele. Ouvi ele falar de coisas, problemas isolados, mas ainda não peguei bem qual é a concepção política dele."
Além de Bolsonaro, o ideólogo aposta que, em 2018, os nomes com mais chances ao Planalto são o do ex-ministro Ciro Gomes (PDT-CE) e o do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB-SP).
"Acho o Ciro um sujeito altamente competente, tenho uma simpatia por ele e pelo João Doria. Não voto neles porque os dois estão ligados a forças internacionais."
Segundo ele, Doria copia o "discurso multicultural da nova ordem global" e Ciro já teve demonstração de apoio do Partido Comunista da China.
E o ex-presidente Lula? "O Lula, coitado. Acho que ele não se elege nem em Catolé do Rocha [PB]", diz, rindo e acrescentando que não acredita em pesquisas de intenção de voto.
No último Datafolha, publicado no início do mês, o petista, que foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, aparece com pelo menos 35% dos votos em todos os cenários. Bolsonaro está em segundo, empatado com Marina Silva (Rede).
Diante do alvoroço gerado pela notícia de que ele poderia dar conselhos a Jair Bolsonaro, Carvalho diz estar disposto a fazer isso com qualquer candidato.
A todos, assegura, falaria a mesma coisa: "É preciso encontrar o caminho pelo qual o Brasil possa deslizar por entre as malhas da dominação globalista e preservar um pouco da sua soberania, da sua identidade, da sua cultura".
Questionado se estaria disposto a ser conselheiro de Bolsonaro se ele for eleito, afirma, entre um cigarro e outro, que poderia aconselhar qualquer presidente. "Não como um cargo oficial, como seu conselheiro pessoal. Cobro R$ 100 por mês."
MBL E DIREITA DIVIDIDA
Carvalho não poupa apelidos para políticos e lideranças de movimentos de direita no Brasil. O coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Kataguiri, virou "Kim Cata-Coquinho" e o governador Geraldo Alckmin é o "Geraldo Alguénzinho" -"É tudo o que ele quer ser quando crescer, mas ele não vai crescer; é uma pessoa oca", diz.
O ideólogo diz ter "dado uma força por caridade" para "os gênios do MBL" quando eles realizaram a marcha até Brasília, em 2015. O MBL apoia Doria, rival de Bolsonaro pelo voto conservador.
"Depois o movimento popular se dispersou e o MBL está lá, levando o dinheiro dos partidos políticos. Inventou um jeito de fazer tudo de novo, como estava antes", diz.
Sobre suas críticas à nova direita, Olavo de Carvalho afirma ser "uma besteira" a ideia de que os conservadores precisam se unir. "As divisões internas são uma força que faz crescer."
Ele chega a afirmar que integrantes do MBL "às vezes tomam posições que são teoricamente certas", citando a oposição do grupo à exposição "Queermuseu", fechada em Porto Alegre (RS), e à performance "La Bête", do artista Wagner Schwartz, realizada no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo.
"Se alguém vê sinal de pedofilia numa exposição e fica indignado, não tem nada de errado nisso. Só que ali não tem pedofilia nenhuma. Tem uma lenta e sutil operação de dessensibilização que resultará na criação de uma atmosfera social favorável à assimilação da pedofilia daqui a dez ou 15 anos", afirma.
Diante de parte da sua coleção de mais de 20 armas, quase todas usadas para caça, Carvalho faz piada sobre sua imagem polêmica. "O pessoal acha que eu estou aqui armado até os dentes para matar comunista. É muita fantasia."
Resultado de imagem para coffee with bread and butterBuongiorno a tutti voi amici!

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Nuzman tentou que Rio-2016 pagasse R$ 5,5 milhões a seu advogado; comitê autorizou e recuou
Entidade está endividada, e ato de dirigente levou MPF a pedir prisão preventiva 
Miguel Caballero - O Globo
Dias após sua casa ter sido alvo de uma ação de busca e apreensão pela Polícia Federal a mando da Justiça, o presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, tentou que o comitê Rio-2016, que ele também preside, arcasse com os custos de sua defesa - o contrato por "prestação de serviços jurídicos" com o escritório do advogado Nélio Machado tinha o custo de R$ 5,5 milhões. O Conselho Diretor do Rio-2016, que tem dívida de mais de R$ 132 milhões com fornecedores e ex-funcionários dos Jogos Olímpicos, chegou a aprovar o pagamento, mas em seguida desistiu do negócio. No último dia 5 de outubro, Nuzman foi preso temporariamente por determinação do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, responsável pelos casos da Lava-Jato no Rio.
O episódio embasou o pedido do Ministério Público Federal (MPF) para a conversão da prisão de Nuzman de temporária em preventiva, sem prazo determinado, o que foi aceito por pelo juiz Bretas nesta segunda-feira. Para os procuradores, ficou provado que o dirigente tentou usar sua influência no Comitê Rio-2016 em benefício próprio. O MPF também afirma que Nuzman estava tentando manter oculto seu patrimônio ou legalizar recursos escondidos.
O avançar das investigações da Lava-Jato sobre seu presidente levou o comitê Rio-2016 a adotar uma postura mais cautelosa, e o pagamento, mesmo depois de previamente aprovado pelas instâncias da entidade, acabou não acontecendo.
Primeiramente, o setor de Compliance do Rio-2016 emitiu um parecer favorável ao pagamento ao advogado de Nuzman. O caso então foi para o Conselho Diretor do Rio-2016, formado por seis pessoas, incluindo o próprio Nuzman, e que tem a prerrogativa de ordenar as contratações. No dia 27 de setembro, o Conselho aprovou, por maioria, a contratação do advogado, com a ressalva de que seria necessário encomendar, como precaução, um parecer jurídico externo ao comitê avalizando a contratação.
Advogados consultados teriam recomendado não pagar pelo advogado de Nuzman, e a contratação do escritório de Nélio Machado acabou não ocorrendo. A tentativa do dirigente de usar o Rio-2016 - entidade que recebeu dinheiro público para organizar os Jogos e encontra-se endividade -, porém, já foi considerada suficiente pelos procuradores para requerer a prisão preventiva do dirigente.
O advogado Nélio Machado confirma que não recebeu do Comitê Rio-2016, mas conta a história com detalhes diferentes. Segundo Machado, ao tomar conhecimento de que a contratação de seu escritório sofreu a objeção de dois votos no Conselho Direito do Rio-2016, partiu dele a decisão de não cobrar pela defesa de Nuzman.
- Eu já era advogado do Rio-2016, trabalhei em um caso sobre as contas do Comitê, e defenderia o Nuzman como qualquer outro funcionário. Quando soube que houve dois votos contra no Conselho, eu mandei cancelar a nota fiscal. Faço questão de defender o Nuzman por solidariedade, como causa humanitária, porque esta prisão é um absurdo. Tenho mais de 40 anos de profissão e sou obrigado a ter um pedido de honorários revelado por pura descautela do MP e do juiz - diz o advogado. - Não existe o crime de corrupção passiva no Brasil; o crime de organização criminosa está na lei desde 2013, e os fatos teriam sido anteriores a isso; e não há lavagem, as pessoas têm direito de fazer a retificação do imposto de renda, é a lei.
Além de Nuzman, formam o Conselho Diretor do Rio-2016 o ex-jogador de vôlei e membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) Bernard Razman; Edson Menezes, ex-presidente da Bolsa de Valores do Rio e também diretor financeiro do COB; o banqueiro Manoel Cintra, do Banco Indusval; o empresário Josa Nascimento Brito; e Luiza Trajano, dona da rede Magazine Luiza.
PF pede que prisão de Nuzman se torne preventiva, sem prazo determinadoDirigente estaria tentando obstruir investigações 
Miguel Caballero - O Globo
O Ministério Público Federal (MPF) no Rio pediu à Justiça a conversão da prisão temporária do ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, em prisão preventiva, sem prazo determinado. Nuzman foi detido na última quinta-feira, dia 5 de outubro, em prisão temporária, ciujo prazo de cinco dias terminaria nesta terça-feira (dia 10). Além da conversão da prisão de Nuzman, o MPF também requereu à Justiça Federal a prorrogação, por mais cinco dias, da prisão temporária de Leonardo Gryner, diretor-geral do COB. Caberá ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, decidir se aceita os pedidos do MPF.
Para embasar o pedido de prisão preventiva de Nuzman, os procuradores afirmam que identificaram intenção do dirigente em atrapalhar as investigações, usando como prova disso o fato de Nuzman ter imprimido e-mails em que Papa Diack, filho do membro do COI Lamine Diack, acusado de vender votos que elegeram o RIo sede das Olimpíadas de 2016, cobra de Nuzman e Gryner o pagamento acordado entre eles. Os e-mails impressos foram encontrados na casa de Nuzman no dia de sua prisão.
Papa Diack é filho de Lamine Diack, ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) e membro do COI à época da votação que elegeu o Rio. Dias antes da votação, Papa Diack recebeu transferências bancárias, no total de 2 milhões de euros, de uma conta do empresário Arthur Soares, o "Rei Arthur", implicado em esquemas de corrupção ligados ao ex-governador Sérgio Cabral. O MPF investiga se o esquema de compra de votos foi além de Lamine Diack, envolvendo outros membros do COI.
Em depoimento dado à Polícia Federal na quinta-feira, e revelado pelo "Fantástico" da TV Globo no domingo, a ex-secretária de Nuzman, Maria Celeste Pedroso, contou ter começado a receber emails de Papa Diack antes da escolha do Rio como sede dos Jogos. Maria Celeste revelou ainda que imprimia os emails e relatava os contatos a Nuzman, que apenas dizia não saber do que se tratava.
OCULTAÇÃO DE PATRIMÔNIO
Os procuradores acrescentam que pediram às autoridades suíças ajuda na investigação de bens de Nuzman naquele país, e que uma eventual soltura do investigado poderia lhe dar acesso e seus bens e facilidade para ocultar patrimônio. O MPF desconfia que Nuzman possui mais recursos na Suíça além das 16 barras de ouro que ele incluiu em sua declaração de imposto de renda.
Outro motivo para a prisão preventiva, segundo os procuradores, foram e-mails em que Nuzman pede, no fim de setembro, que o comitê Rio-2016 faça pagamentos, por prestação de serviçõs jurídicos, ao escritório do advogado Nélio Machado, que o defende neste caso. Isto mostraria, segundo o MPF, que Nuzman tem utilizado a instituição, que recebeu dinheiro público para a organização dos Jogos, em benefício próprio.