quarta-feira, 22 de março de 2017

US boycotts UN Human Rights Council debate on Israel, Palestinians
U.S. Ambassador to the U.N. Nikki Haley denounces Human Rights Council's focus on Israel as a standing agenda item • State Department vows U.S. will "vote against every resolution put forth under this agenda item," encourage other countries to do same.
Yoni Hersch - Israel Hayom
U.S. Ambassador to the United Nations Nikki Haley
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Photo credit: AP
The United States on Monday boycotted a United Nations Human Rights Council session focused on Palestinian issues, pointing out what it said is "long-standing bias against Israel" that threatens the council's credibility.
Ocidente deixou de fazer filhos porque o sexo foi vencido pelo tédio
João Pereira Coutinho - FSP

Binho Barreto
Sieber de 21 de março de 2017
Mudar de casa é uma roleta-russa. Sei disso. Mudei agora. Na primeira noite, havia farra no apartamento do lado. Tolerei: tapei os ouvidos com material apropriado e consegui as minhas dez horas de sono, sem as quais sou um figurante da série "The Walking Dead". E mordo também.
Na noite seguinte, quando entrei no leito, a farra recomeçava. Meditei. Sem sucesso.
Na escuridão do quarto, com os olhos fixos no teto, afinei os ouvidos e tentei escutar. Risos. Gritos. Gemidos. Objetos no chão.
Bati na parede —uma, duas, três vezes. Nada. Levantei-me, caminhei até a porta do vizinho e, quando me preparava para arrombá-la, escutei uma frase que me paralisou: —Vai, Messi!
Duas hipóteses: Lionel Messi era meu vizinho e eu não sabia; ou, então, Messi já fazia parte das fantasias privadas do casal. Encostei os ouvidos à porta e tentei resolver o mistério. Não havia mistério. Os meus vizinhos jogavam PlayStation.
Regressei à cama com a tristeza do mundo sobre os ombros. Deitei-me na cama. Risos. Gritos. Gemidos. Objetos no chão. Adormeci de cansaço.
A manhã chegou. Alguém abria a porta do lado. Abri a minha. O vizinho, ensonado e tísico, cumprimentou-me com o vigor de um condenado. Apresentei-me. Ele apresentou-se: estudante universitário. Aproveitei o momento para comunicar as minhas dores: o barulho a horas impróprias, sobretudo para quem precisava de trabalhar cedo.
Ele corou como uma criança e prometeu "se controlar". A culpa era do vício, dos jogos, dos amigos, até das amigas (o horror, o horror!). Riu, envergonhado. Ri, derrotado. Disse-lhe um "prazer em conhecer, meu filho" e depois me fechei em casa com uma pergunta angustiada: que se passa com a mocidade?
A ciência ajuda: um estudo publicado no "Archives of Sexual Behaviour" defende, após extensivo levantamento, que os jovens adultos americanos (os "millennials" e os "iGen", ou seja, nascidos nas décadas de 1980 e 1990) não têm grande interesse por sexo.
O caso agrava-se quando comparamos as novas gerações com os seus pais, nascidos nas décadas de 1960 e 1970. Os pais, pelos padrões atuais, eram simplesmente uns devassos. Pior: 15% dos jovens entre os 20 e os 24 anos poderiam perfeitamente legar as partes íntimas à ciência e arriscar uma carreira no canto lírico.
Antigamente, todo mundo ria com a frase clássica: "No sex please, we're British". Hoje, todo mundo é britânico. Millôr Fernandes, um sábio, escreveu que o melhor afrodisíaco era a abstinência prolongada. Eis um dos raros casos em que Millôr foi otimista —e falhou.
O melhor afrodisíaco é a abstinência forçada. Se o sexo só começou em 1963, como escreveu o poeta Philip Larkin, isso explica o entusiasmo do pessoal dos "sixties" e dos "seventies" pelas flores e pelas abelhas. Houve excessos. Mas são excessos comparáveis ao enfartamento de um etíope depois de abusar da maminha (a carne, não a dita).
Ah, que saudades do meu avô quando ele recordava a primeira vez que viu os joelhos de uma mulher. "Os joelhos!", dizia ele, com lágrimas de saudade e gratidão. Depois de casar, vieram dez filhos.
Hoje, o Ocidente está em crise demográfica. As razões são conhecidas: dos métodos contraceptivos à precariedade laboral, que adia a maternidade (e a paternidade) para depois dos 40, não há reposição geracional.
Mas eu sempre desconfiei que a causa é mais profunda: o Ocidente deixou de fazer filhos porque o sexo foi vencido pelo tédio. Antes da revolução sexual, os avós sonhavam com joelhos. Depois da revolução, os pais atiraram-se às carnes (as ditas, não as do rodízio). Quando os filhos chegaram, o sexo tornou-se tão onipresente —no cinema, na TV, na internet— que o mistério e o tesão se perderam pelo caminho.
Pelo contrário: a produção continua vigorosa no mundo muçulmano. O próprio presidente Erdoğan, para se vingar da Europa (e da Holanda), aconselhou os imigrantes turcos a fazerem, pelo menos, cinco filhos por família. Coisa fácil para quem ainda cultiva o segredo dos joelhos e das maminhas.
A minha proposta para salvar a civilização ocidental?
O uso de véu e burca entre quatro paredes. Para que os jovens celibatários abandonem o PlayStation e procurem novamente outro tipo de jogos e botões.
Blairo Maggi representa como ninguém o agronegócio brasileiro
Elio Gaspari - FSP
O ministro da Agricultura, doutor Blairo Maggi, chamou de "idiotice" a acusação, apresentada pela Polícia Federal, de que um frigorífico do grupo BRF estivesse usando papelão nas suas salsichas. Faz sentido.
Maggi bate duro. É um bilionário do agronegócio, já foi chamado de Rei da Soja (título que herdou do pai) e a ONG Greenpeace presenteou-o com a "Motosserra de Ouro". Conhece o mundo dos negócios e o da política. Chegou ao Senado pela gambiarra da suplência e ao governo de Mato Grosso pelo voto popular.
Representa como ninguém o agronegócio brasileiro com seu efeito modernizador do campo e sua importância para a economia. Quando estourou a Operação Carne Fraca, ele era o homem certo no lugar certo. Em poucos dias, verificou-se que adulterara o próprio produto.
Maggi ameaçou desnecessariamente o governo chileno, mas esse talvez seja o seu viés de senhor das terras. O ministro tornou-se patético quando acompanhou o coral dos agromandarins. Trata-se de uma casta capaz de gastar os tubos para publicar um manifesto "em defesa da proteína nacional". Essa charanga considera o desastre uma coisa pontual, produto de "desvios de conduta" que "devem ser repudiados e combatidos". Intitulam-se "associações de proteínas."
A economia internacional modernizou o agronegócio brasileiro obrigando-o a respeitar padrões de qualidade. Contudo, quando operam no mundo do poder brasileiro, os empresários fogem do século 21 e aninham-se na primeira metade do 20, quando seus antecessores administravam matadouros.
O "desastre" começou há três anos, quando o auditor Daniel Gouvêa Teixeira foi afastado das suas funções depois de ter denunciado malfeitorias ocorrida no Paraná. Em seguida ele foi à Polícia Federal, contou o que sabia e assim nasceu a "Carne Fraca". Na sua narrativa das excelências do governo, Maggi revelou que exonerou os superintendentes do ministério no Paraná (Gil Bueno) e em Goiás (Julio Cesar Carneiro).
Tudo bem, mas quem nomeou os dois foi Blairo Maggi. O doutor Gil Bueno foi apadrinhado pela base de apoio do governo, mesmo sabendo-se que o Ministério Público dizia o seguinte a seu respeito: "Recebeu para si, 67 vezes, em razão do cargo de fiscal federal agropecuário (...) vantagem indevida para deixar de praticar ato de ofício". Nomeá-lo, vê-se agora, foi "idiotice".
Em Goiás, na região do interesse de Maggi, foi nomeado outro filho da base. Quadro do PTB, Carneiro disputa eleições desde 2004, sem sucesso. Ele não é do ramo, mas o ex-diretor do serviço de inspeção era. Está preso preventivamente. Não há nada de pontual em situações desse tipo. São esquemas.
Os grandes grupos exportadores respeitam as exigências impostas pelo mercado internacional, mas convivem com o atraso que Blairo Maggi conhece de cor e salteado.
A Operação Carne Fraca começou com um lastimável grau de amadorismo megalômano e espetaculoso da Polícia Federal, mas isso não convida empresários, mandarins e ministros a adotarem a postura arrogante dos empreiteiros no nascedouro da Lava Jato. Como ensina um velho provérbio napolitano, "seja honesto, até mesmo por esperteza".
Cassiopea
PMDB do Paraná com medo de delação de preso na Carne Fraca
Guilherme Amado - O Globo
Analice Peron
É grande a tensão na bancada do PMDB do Paraná com a possibilidade de uma delação premiada do fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, preso pela operação Carne Fraca e flagrado num grampo com Osmar Serraglio.
Os frigoríficos beneficiados pela atuação de Daniel sempre foram generosos com a bancada.
Problemas da Operação Carne Fraca abrem flanco para ataques ao MPF e à Polícia Federal
Painel - FSP
Tempestade perfeita Os reparos à condução da Operação Carne Fraca criaram o ambiente ideal para políticos e críticos da Lava Jato no Judiciário incitarem uma onda de censuras à atuação de órgãos de investigação. A dura fala do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, nesta terça (21), foi uma pequena amostra. Outros nomes de peso no meio jurídico se somarão a ele. No Congresso, surge clima para relativizar o trabalho da polícia e pôr em marcha propostas que impõem limites ao Ministério Público e à PF. 
Tudo ou nada Um senador do PMDB deu a entender a auxiliares que não vê mais o que pode perder com a aprovação de medidas como a anistia ao caixa dois e o projeto de abuso de autoridade. Segundo ele, todos os citados já estão “politicamente acabados” e agora é hora de lutar para “se manter vivo”. 
Vida que segue Com uma de suas empresas alvo de busca e apreensão pela PF nesta terça (23), o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), fez o possível para transparecer tranquilidade em sua estreia no olho do furacão da Lava Jato.
Só que não A visita dos investigadores à firma de transporte de valores da família de Eunício jogou por terra a tese de rivais no PMDB de que ele sempre foi “poupado” pelo Ministério Público Federal.
Enxame de gente Diante dos sinais de que o ex-presidente Lula está estimulando a militância a ir a Curitiba no dia 3 de maio, quando prestará depoimento a Sergio Moro, a PF se prepara para conter até 50 mil pessoas. A Frente Brasil Popular já sinaliza manifestação no local.
Monotemáticos Em reunião nesta terça, integrantes da Frente Parlamentar Agropecuária articularam ida a Bruxelas para defender a qualidade carne nacional.
Moro obriga blogueiro a explicar vazamento de ação contra Lula
Filiado ao PCdoB, Eduardo Guimarães antecipou informação sobre condução coercitiva do petista; medida é criticada por entidades e mobiliza redes sociais
O juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, determinou nesta terça-feira a condução coercitiva (quando o cidadão é obrigado a depor) do blogueiro de esquerda Carlos Eduardo Cairo Guimarães, responsável pelo Blog da Cidadania, no âmbito de um inquérito que apura o vazamento de informações sigilosas da 24ª fase da Operação Lava Jato, a Aletheia, envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi levado para a sede da PF em São Paulo para confirmar a fonte que lhe passou dados prévios da ação antes que ela fosse deflagrada, no início de março do ano passado.
Guimarães é investigado junto com outras pessoas por violação de sigilo funcional. “Diligências foram autorizadas com base em requerimento da autoridade policial e do MPF. Neste contexto, apura-se a conduta de agente público e das pessoas que supostamente teriam divulgado informações sigilosas e que poderiam ter colocado investigações em risco”, diz nota da assessoria de imprensa da Justiça Federal de Curitiba. Os detalhes do processo não foram revelados, porque ele tramita em sigilo de Justiça. Segundo o advogado Fernando Hideo, que defende Guimarães, além da condução coercitiva, Moro autorizou a apreensão de computadores, celulares e outros aparelhos que pudessem esclarecer como ele obteve os dados.
O defensor negou que Guimarães tenha, de posse das informações, ajudado investigados da Lava Jato a suprimir provas e classificou as medidas como “lamentáveis e arbitrárias”. Hideo invocou o direito de sigilo de fonte previsto no inciso XIV do artigo 5º, da Constituição — “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional” —, para dizer que seu cliente não era obrigado a revelar a sua fonte. 
A Justiça Federal ressaltou que apenas quem exerce a profissão de jornalista, “com ou sem diploma”, têm direito à proteção constitucional do sigilo de fonte. Segundo a nota, Guimarães não é jornalista e o seu blog é “veículo de propaganda política”. Eduardo Guimarães é filiado ao PCdoB e foi candidato a vereador na cidade de São Paulo nas eleições de 2016. Durante a campanha, Lula gravou um vídeo pedindo votos para ele. A tática não teve efeito, porque o blogueiro teve apenas 1.302 votos e não conseguiu se eleger. Além de blogueiro, ele também é comerciante. 
Em texto enviado à imprensa, a força-tarefa da Lava Jato disse que há provas de que Guimarães “informou diretamente” alvos da investigação sobre medidas judiciais que seriam cumpridas na Aletheia, antes de publicar a matéria em seu blog. “Portanto, a diligência não foi motivada pela divulgação das informações à sociedade”, afirmou a nota.  
O advogado de Guimarães repudiou as declarações, dizendo que, ao divulgar as informações, é “óbvio” que ele está exercendo a atividade jornalística. “Condicionar a qualificação de ‘informação jornalística’ ao conteúdo das manifestações não tem outro nome: é censura. Mais do que um direito individual do cidadão Eduardo, viola-se a garantia de acesso à informação de toda a sociedade, essencial ao estado democrático de direito”, afirmou o advogado. 
Em seu site, Guimarães costumar fazer postagens críticas à Lava Jato alinhadas com a retórica dos partidos de esquerda que acusam a operação de abusos e espetacularização.
No início deste ano, Moro entrou com uma representação contra Guimarães na PF por ameaça depois que o blogueiro postou Twitter que os “delírios de um psicopata investido de um poder discricionário como Sergio Moro vão custar seu cargo, sua vida”.
Guimarães, por outro lado, protocolou uma denúncia contra o juiz na Corregedoria Nacional de Justiça, em março de 2015, contestando a prisão temporária de Marice Corrêa Lima, cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
Para o advogado do blogueiro, neste caso do inquérito que levou à condução coercitiva de Guimarães, Moro deveria se declarar suspeito de analisar um processo contra alguém de quem já se queixou na Justiça.

Repercussão

A condução coercitiva do blogueiro foi alvo de controvérsia nas redes sociais — levou o nome de Eduardo Guimarães aos trending topics (assuntos mais comentados) do Twitter — e também fora delas.
Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) protestaram contra a medida. “A PF ataca a liberdade de imprensa e de expressão do blogueiro – a mesma PF que tem vazado informações seletivamente de acordo com os próprios interesses, sem levar em consideração os interesses da sociedade”. As entidades dizem, ainda, que a iniciativa “representa um terrível precedente, que coloca em risco um dos mais importantes princípios do jornalismo – garantir o direito da população à informação”.
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, cuja liderança é formado por três petistas — o presidente, Padre João (MG), e os vices, Nilto Tatto (SP) e Paulo Pimenta (RS) — também emitiu nota condenando a ação. “Sérgio Moro não pode tomar as informações veiculadas no blog objeto de investigação. Além de violar o direito fundamental da liberdade de expressão e negar o sigilo de fonte, o juiz vale-se de sua posição para intimidades aqueles que denunciam a ilegalidade de suas práticas”, diz o texto.
Leia a nota na íntegra da assessoria de imprensa da Justiça Federal de Curitiba:
O senhor Carlos Eduardo Cairo Guimarães é um dos alvos de investigação de quebra de sigilo de investigação criminal no âmbito da Operação Lava Jato, ocorrida antes mesmo de buscas e apreensões.
Neste contexto, apura-se a conduta de agente público e das pessoas que supostamente teriam divulgado informações sigilosas e que poderiam ter colocado investigações em risco. Eduardo Guimarães não foi preso, mas conduzido coercitivamente para prestar declarações e já foi liberado.
Pelas informações disponíveis, o Blog da Cidadania é veículo de propaganda política, ilustrado pela informação em destaque de que o titular seria candidato a vereador pelo PCdoB pela a cidade de São Paulo. Juntos aos cadastros disponíveis, como ao TSE, o próprio investigado se autoqualifica como comerciante e não como jornalista.
As diligências foram autorizadas com base em requerimento da autoridade policial e do MPF de que Carlos Eduardo Cairo Guimarães não é jornalista, independentemente da questão do diploma, e que seu blog destina-se apenas a permitir o exercício de sua própria liberdade de expressão e a veicular propaganda político-partidária.
Não é necessário diploma para ser jornalista, mas também não é suficiente ter um blog para sê-lo. A proteção constitucional ao sigilo de fonte protege apenas quem exerce a profissão de jornalista, com ou sem diploma. A investigação, por ora, segue em sigilo, a fim de melhor elucidar os fatos.
Leia a nota na íntegra do advogado Fernando Hideo, que defende Eduardo Guimarães
A defesa repudia a nota oficial da Justiça Federal do Paraná, que, de maneira autoritária e contrariando o posicionamento do STF, pretende definir quem é ou não jornalista de acordo com juízos de valor sobre as informações e opiniões veiculadas em determinado meio de comunicação. Condicionar a qualificação de ‘informação jornalística’ ao conteúdo das manifestações não tem outro nome: é censura. No mais, é inquestionável que o fato em apuração (divulgação pública de uma informação) foi praticado no exercício de atividade jornalística. Pouco importa se ele também exerce a profissão de comerciante, é óbvio que ao divulgar publicamente estava se praticando atividade jornalística. Mais do que um direito individual do cidadão Eduardo, viola-se a garantia de acesso à informação de toda a sociedade, essencial ao estado democrático de direito.
Leia a nota na íntegra do MPF do Paraná
Nesta data, no âmbito da operação Lava Jato, foram executadas diligências policiais com a finalidade de aprofundar apurações relacionadas ao crime de obstrução da justiça. Dentre os motivos das providências, estão provas de que um blogueiro informou diretamente aos investigados a existência de medidas judiciais sob sigilo e pendentes de cumprimento. Esse vazamento para os investigados ocorreu antes mesmo da publicação das informações no blog, portanto a diligência não foi motivada pela divulgação das informações à sociedade. Além disso, as providências desta data não tiveram por objetivo identificar quem é a fonte do blogueiro, que já era conhecida, mas sim colher provas adicionais em relação a todos os envolvidos no prévio fornecimento das informações sigilosas aos investigados.
O Ministério Público Federal reforça seu respeito ao livre exercício da imprensa, essencial à democracia. Reconhece ainda a importância do trabalho de interesse público desenvolvido por blogueiros e pela imprensa independente. Trata-se de atividade extremamente relevante para a população, que inclusive contribui para o controle social e o combate à corrupção.
Live your life as though your every act were to become a universal law. - Immanuel Kant

MAX RICHTER - EUROPE AFTER THE RAIN


 

Jonathan Ahn (1977 - ) - The Gaze

Hold fast to dreams, for if dreams die, life is a broken-winged bird that cannot fly. - Langston Hughes

Photograph сендвич с лососем by Natalia Lisovskaya on 500px: Buongiorno a tutti voi amici!

terça-feira, 21 de março de 2017

O Lula de sempre no palanque
Lula pretende acusar Temer de ser o responsável pelo desastre econômico e social que os petistas passaram mais de 13 anos construindo
Lula deixou a Presidência em 2010 com mais de 80% de aprovação popular. Hoje, amarga a rejeição de quase metade da população brasileira. Réu em cinco ações penais, três delas na Lava Jato, o ex-presidente manteve no comício de domingo na Paraíba a mesma atitude de vítima que adota sempre que se sente politicamente desconfortável. Nessas ocasiões, introduz no discurso a figura de seus implacáveis inimigos: “eles”, todos aqueles que ousam discordar politicamente do chefão petista ou não acreditar que ele seja “a pessoa mais honesta deste país”.
Novo “evento popular” a ser protagonizado por Lula está programado para 3 de maio, quando ele prestará seu primeiro depoimento na presença do juiz Sérgio Moro, em Curitiba. A ideia ainda não foi anunciada pela direção do PT, mas acredita-se que mesmo sem a chancela oficial do partido haverá uma forte mobilização para levar às ruas da capital paranaense apoiadores do ex-presidente dispostos a protestar contra a “perseguição política” de que ele é vítima.
Lula também tem mantido, desde outubro, encontros mensais com cerca de uma dúzia de economistas, a maioria ligada à Unicamp, com o objetivo de discutir medidas a serem propostas para a retomada do crescimento econômico e o combate ao desemprego. Até o momento esses encontros não têm produzido resultados satisfatórios porque, de acordo com membros do grupo, as divergências internas são grandes, tanto no que diz respeito a medidas de curto prazo como no que se refere àquelas de natureza estrutural.
Essas divergências são agravadas pelo fato de que Lula sabe exatamente o que deseja, cobrando dos especialistas apenas a melhor forma de colocar essas ideias em prática. Na verdade, o que ele espera é um milagre, que se resume a, em linhas gerais, fazer funcionar os mesmos princípios intervencionistas que constituíam a essência da “nova matriz econômica”, cujos resultados negativos foram precipitados pela incompetência gerencial do poste Dilma Rousseff, provocando o colapso da economia brasileira.
O que Lula pretende é municiar-se de argumentos de apelo popular para radicalizar o ataque ao presidente Temer, acusando-o de ser o responsável, em 10 meses de governo, pelo desastre econômico e social que os petistas passaram mais de 13 anos construindo. É óbvio que a grande maioria dos brasileiros, além de ter memória curta, não domina certas complicações econômicas. Mas é fácil a um demagogo populista fazer acreditar que o governo tudo pode e se aquele que está aí não resolve, por exemplo, o problema do desemprego, é porque não quer ou porque, perversamente, não se sensibiliza com as dificuldades da população mais pobre.
Para fazer os brasileiros voltarem a “sonhar com emprego e salário”, Lula não terá o menor escrúpulo de ressuscitar nos palanques – com atraente alcunha – o espírito da malfadada “nova matriz econômica”. Esse é o desafio que impôs aos economistas que o apoiam, na expectativa de que eles desatem o nó dos recursos inexistentes e promovam a mágica da retomada da gastança, cujos efeitos negativos sempre podem ser atenuados por uma boa “pedalada”.
Ex-ministra diz ter sido pressionada por Serraglio a preservar chefe de quadrilha da Carne Fraca
Kátia Abreu afirmou que ministro da Justiça, deputado à época, agiu junto a outro parlamentar para evitar que Daniel Gonçalves Filho fosse afastado da pasta. Petistas ingressam com representações contra Serraglio na PGR e no Conselho de Ética da Presidência da República

Reprodução/Twitter
No Twitter, Kátia Abreu já havia demonstrado insistências de ministro da Justiça para manter Daniel Gonçalves em superintendência da Agricultura no Paraná

A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), em discurso feito em plenário nesta tarde (terça, 21), afirmou que dois deputados peemedebistas da bancada do Paraná a pressionaram, à época que ocupava o cargo de ministra da Agricultura, para que o superintendente da pasta no estado, Daniel Gonçalves Filho, apresentado pela Polícia Federal como o líder da organização criminosa investigada pela Operação Carne Fraca, fosse mantido na posição. Apesar de não ter mencionado no discurso o nome do então deputado Osmar Serraglio, hoje ministro da Justiça, a senadora publicou em perfil oficial do Twitter uma matéria intitulada “Serraglio era protetor do fiscal da ‘Carne Fraca’” ontem (segunda, 20).
Ainda de acordo com Kátia Abreu, ela “insistiu” com os dois parlamentares responsáveis pela indicação para que outra pessoa fosse nomeada. Entretanto, diante da “insistência”, acabou cedendo aos pedidos de José Souza e Osmar Serraglio. “Esse cidadão que foi nomeado tinha processos administrativos no Ministério. E eu nunca vi, em todo o período em que lá estive, e nunca tive notícias de uma pressão tão forte para não tirar esse bandido de lá”.
“Eu espero que essas pessoas, que esses Parlamentares estejam com a sua consciência bastante pesada, porque não foi por falta de argumentação”, enfatizou a senadora.
A senadora enfatizou que precisou ligar para a então presidente da República, Dilma Rousseff, para alertá-la sobre as pressões que disse estar sofrendo: “Dois deputados do meu partido insistiram para que a lei não fosse cumprida ao ponto de eu ter que ligar para a presidente Dilma e lhe dizer a minha decisão de demitir e com que consequências políticas eu ia arcar. Ela imediatamente disse: ‘Demita já! Faça o que tem que ser feito.’ Mas foram dias de pressão no ministério, buscando processo para defender esse marginal”.
Carne Fraca
No mesmo discurso, a senadora fez duras críticas à atuação da PF na Operação Carne Fraca e avaliou a investigação como ”situação ridícula”. Kátia Abreu disse ainda que as apurações são “uma verdadeira operação de destruição da pecuária de corte bovina, suína e de aves” e que os 1,1 mil agentes colocados nas ruas para cumprir os mandatos fizeram “um festival de horrores”.
“Quero deixar aqui na Mesa um pedido do custo desses 1,1 mil agentes na rua, porque não estavam atrás de traficantes, não estavam atrás de assassinos. Eu não conheço nenhuma operação dessa envergadura atrás de fiscais federais e empresários”, criticou.
“A Polícia Federal tem toda a autonomia, tem toda a nossa admiração, sempre recebeu recurso próprio desta Casa, orçamento aprovado por nós. Se não a quiséssemos independente, não lhe daríamos orçamento, porque essa lei depende de nós Senadores e Deputados para ser aprovada. Nunca deixamos faltar dinheiro para a Polícia Federal, mas também não vamos deixar que um delegado e que meia dúzia de chefes da PF possam manchar o trabalho da Polícia Federal no Brasil, mas foram, sim e praticaram crime de lesa-pátria”, acrescentou a ex-ministra.
Até o momento do fechamento desta matéria o Ministério da Justiça não havia se manifestado sobre as colocações da senadora.
Petistas pedem investigação contra Serraglio
Ainda na tarde desta terça-feira (21), os petistas Afonso Florence (PT-BA) e Rombinson Almeida (PT-BA) decidiram entrar com representação na Procuradoria-Geral da República contra Osmar Serraglio. No pedido, os parlamentares alegam que ele interferiu na conduta de um agente público e afirmam que o caso precisa ser investigado.
Além da representação na PGR, os deputados protocolaram uma representação na Comissão de Ética da Presidência da República, no qual pedem o afastamento do ministro do cargo, “dada a incompatibilidade de suas ações com a moralidade e probidade administrativa”.
Serraglio é citado nas investigações. A Polícia Federal não apontou ilegalidade na conduta do ministro, que teve interceptada uma conversa telefônica com o superintendente do Ministério da Agricultura do Paraná de 2007 a 2016, Daniel Gonçalves Filho, que seria o líder da organização criminosa. Na prestação de contas do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) à Justiça Eleitora, em 2014, consta uma doação oficial de R$ 200 mil da JBS, por intermédio do Diretório Nacional do PMDB.
Ministro visita frigorífico investigado e afirma "parceria" com a PF 
Angelo Sfair, Narley Resende e Fernando Garcel - Paraná Portal
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) Blairo Maggi esteve em Curitiba para defender as investigações da Polícia Federal (PF) e diz que não tem como prever o tempo necessário para o Brasil recuperar a credibilidade junto ao mercado internacional de carnes. Maggi vistoriou um frigorífico da empresa JBS/Seara na Lapa, região metropolitana de Curitiba, nesta terça-feira (21). A inspeção do ministro deve ser feita nas próximas três semanas em todas os 21 frigoríficos investigados na Operação Carne Fraca.
Ainda dentro do frigorífico da Seara, o ministro Blairo Maggi voltou a comentar o que o Governo Federal acredita que são erros de interpretação da PF. O caso mais emblemático revelado pela operação é o suposto uso de papelão no processamento das carnes. “No processo não usa papelão. Foi uma informação errada. Ouviram erradamente porque não conhecem os termos do dia a dia de uma planta dessa. É lamentável, mas aconteceu”, garante Maggi.
O peemedebista garantiu que a carne brasileira tem qualidade e reforçou que o governo está em contato com autoridades internacionais para explicar o que chama de problemas pontuais. Porém, ele acrescentou que é impossível prever o tempo necessário para recuperar a imagem dos produtores brasileiros: “Essa é a pergunta que vale um milhão de reais”, completou.
O ministro também mudou o tom em relação a PF e, após duras críticas a Operação Carne Fraca, classificou a corporação como uma “parceira” do ministério para identificação e resolução de “problemas pontuais”. Blairo Maggi preferiu não especular sobre desdobramentos da investigação, revelando que novas denúncias envolvendo o setor de carnes chegaram a Polícia Federal.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) reclama que não foi consultada pela investigação. A PF argumenta que não poderia consultar o Mapa, visto que o próprio ministério é alvo da Operação Carne Fraca. Mesmo assim, a coordenação da PF em Brasília e o ministro Maggi chegaram a um acordo para que os órgãos se comuniquem melhor.
“Combinamos que vamos ter algumas reuniões e que as investigações devem prosseguir, mas com um pouco mais de conhecimento técnico das informações sobre nossos regulamentos técnicos para saber se aquilo que o investigador está olhando é de fato um ilicito ou se o nosso regulamento permite”, declarou o ministro. “Eu não quero entrar em conflito com ninguém pois eles tem um papel importante para executar e tenho certeza que vamos em um bom caminho”, finalizou. 
A PF tem até hoje para apresentar os laudos técnicos que serviram de base para a Operação Carne Fraca, deflagrada na última sexta-feira. A decisão é do juiz Marcos Josegrei, o mesmo que autorizou a ação policial. A liberação dos laudos atende a um pedido do Ministério da Agricultura, que ainda não teve acesso aos lotes de carne considerados suspeitos.
Férias coletivas
Depois da operação Carne Fraca, a BRF Brasil Foods anunciou que cerca de 1,7 mil funcionários entraram em férias coletivas. Os trabalhadores atuam na linha de produção da marca Sadia em Toledo, no oeste do Paraná. Segundo a empresa, a fábrica vai passar por uma reforma de modernização que deve durar 15 dias. De acordo com a BRF, a paralisação não está relacionada a operação.
Lista de Janot
O ministro comentou a notícia de que o nome dele faz parte da segunda lista do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, e garantiu que “nunca manteve contato com executivos” para pedir recursos. Segundo o peemedebista, a chance do nome dele ser investigado no Supremo Tribunal Federal “é nula”.

Bandalheiras no São Francisco confirmam: o pai é Lula
As marcas de nascença do filhote tornam desnecessário o exame de DNA
No dia 10 de março, o presidente Michel Temer inaugurou o eixo leste da transposição das águas do Rio São Francisco. Enciumado, Lula baixou por lá neste domingo para reivindicar a paternidade da obra. Na discurseira que abrilhantou mais um comício ilegal, garantiu que é o pai da transposição. A mãe é Dilma Rousseff, esclareceu.
Nem precisa perder tempo com exame de DNA. Pelo menos cinco marcas de nascença confirmam aos berros que o filhote é a cara de Lula: 
1. CRONOGRAMA VIGARISTA.
Em 2007, quando as obras começaram, o então presidente jurou que seriam concluídas em 2010. Na conta de quem deve ser debitado o atraso de sete anos?

2. ORÇAMENTO FALSIFICADO
O custo original do projeto foi orçado em R$ 8,5 bilhões (em dinheiro de hoje). A gastança subiu para R$ 9,6 bilhões. Ninguém explicou até agora a diferença multimilionária.

3. SUPERFATURAMENTO
Apenas em licitações, o Tribunal de Contas da União já identificou um sobrepreço que vai chegando a R$ 720 milhões. Quem embolsou a fortuna?

4. INDENIZAÇÕES ILEGAIS
Só em desapropriações, o TCU calculou em 2012 que as indenizações totalizavam R$ 69 milhões, quantia que ultrapassa amplamente limites fixados como referência pelo Incra.

5. DESVIO DE VERBAS
As obras no São Francisco envolveram 90 empreiteiras. A Delta, a OAS e a Galvão Engenharia lideraram um grupo de empresas atoladas também no Petrolão que engoliu mais de R$ 200 milhões em dois lotes das obras do eixo leste.

No palavrório de domingo, Lula reiterou que Michel Temer não tem nada a ver com a transposição. Cabe ao pai da coisa, portanto, esclarecer os cinco casos de polícia em que se meteu. Fora o resto.
Governo do Rio pode ter novo ressarcimento de 350 milhões
Montante diz respeito a verbas desviadas por Sérgio Cabral
A devolução de 250 milhões de reais ao governo do Rio de Janeiro, surrupiados dos cofres públicos por Sérgio Cabral e cia, será apenas uma primeira etapa deste ressarcimento milionário. O dinheiro será usado para pagar o 13º salário atrasado de 146 000 aposentados e pensionistas.
O Palácio Guanabara e o Ministério Público Federal calculam ser possível devolver mais 350 milhões de reais ao erário. O dinheiro viria de outras contas, além da venda de diamantes, joias e ações de empresas nas mãos da quadrilha do ex-governador.
Nesta terça (21), está marcado um evento com a presença de Rodrigo Janot para celebrar o ressarcimento ao Palácio Guanabara. Luiz Fernando Pezão escapou do constrangimento. Quem vai representar o governo no evento é procurador-geral do Estado, Leonardo Espíndola.
Febre amarela no Rio retoma medo de avanço e urbanização da doença 
NATÁLIA CANCIAN/LUIZA FRANCO - FSP
A confirmação de dois casos de febre amarela silvestre no Estado do Rio de Janeiro voltou a gerar alerta para a ameaça de uma nova expansão do surto no país e risco de reurbanização da doença.
O ritmo de notificação de novos casos de febre amarela vinha caindo nas últimas semanas nos demais Estados atingidos, como Minas Gerais e Espírito Santo –que concentram 93% dos casos suspeitos. Levantamento da Folha a partir de boletins do Ministério da Saúde mostra uma queda de 86% nas novas notificações a cada semana entre janeiro e março deste ano.
Agora, especialistas dizem temer um novo aumento. A preocupação ocorre devido ao alto número de pessoas não vacinadas. Assim como o Espírito Santo, o Rio de Janeiro não fazia parte da área de recomendação para a vacina de febre amarela.
O município onde os dois primeiros casos com transmissão no Rio foram confirmados, Casimiro de Abreu, tampouco estava na lista de cidades que, por fazerem fronteira com Minas Gerais, tiveram vacinação preventiva aplicada desde o início do ano.
Para Antônio Bandeira, coordenador do comitê de arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia, o cenário chama atenção por haver confirmação de casos em áreas distintas, sem proximidade. Além de Casimiro de Abreu, ele cita as mortes de macacos confirmadas para a febre amarela em Alagoinhas, na Bahia, também fora da fronteira.
Nesta segunda-feira (20), a OMS (Organização Mundial de Saúde) anunciou que irá passar a recomendar a vacina contra a febre amarela para todos os turistas internacionais que viajam para os Estados do Rio e de São Paulo. A exceção vale apenas para quem se dirige para as áreas urbanas das capitais dos dois Estados, além das cidades de Niterói e Campinas.
Neste ano, a OMS já havia incluído o Espírito Santo e 69 municípios do sul e sudoeste da Bahia como áreas onde a vacina é indicada aos turistas. Minas Gerais já fazia parte da área de recomendação da vacina nos últimos anos. 

SEM FRONTEIRAS
Maurício Nogueira, da Sociedade Brasileira de Virologia, diz ver na confirmação dos casos de febre amarela no Rio uma "crônica anunciada". "É um fenômeno mais ou menos esperado, porque o vírus não respeita a fronteira. Mas que reforça a necessidade urgente de fazer a vacinação." Ele afirma que a situação chama atenção para o risco de reurbanização da doença.
Até agora, todos os casos de febre amarela registrados neste ano são silvestres, transmitidos por mosquitos da área rural (Sabethes e Haemagogus). Casos de febre amarela urbana, vinculados ao Aedes aegypti, não são registrados no Brasil desde 1942.
"O Rio de Janeiro é um ponto crítico, porque tem um histórico [de epidemias] que vem de séculos. Temos a Baixada Fluminense com muito Aedes aegypti e população não vacinada. Se tem população suscetível, tem-se a receita para febre amarela urbana."
Um dos principais estudiosos sobre a doença, o médico epidemiologista Pedro Tauil, da Universidade de Brasília, diz que a confirmação no Rio mostra ser preciso estar em alerta para o risco de casos também em outras regiões.
É a situação, avalia, do sul da Bahia, com mortes de macacos e casos em investigação. "É uma área que está sendo bloqueada [com a vacinação], porque como ocorreu com Rio e Espírito Santo, é possível se estender para essa região. Mas acredito que vai ficar restrito a esses Estados."
Tauil ressalva que, com redução da temperatura e do volume de chuvas, o clima se torna desfavorável aos transmissores da doença. "Em maio, provavelmente não vamos ter mais casos, porque a densidade do mosquito diminui." Até lá, secretarias de saúde tentam ampliar nas áreas de risco a cobertura vacinal –que hoje é próxima de 70% a 75% da população em Minas Gerais e Espírito Santo.
"Tivemos redução significativa de novos casos, mas ainda temos novas notificações nas áreas onde ainda não temos cobertura vacinal de 100%", afirma Rodrigo Said, subsecretário de vigilância de Minas Gerais. No Rio, onde a vacinação se concentrava em 30 municípios, a confirmação dos casos fez com que a área fosse ampliada para 64. A ideia é estender a imunização ao resto do Estado até o fim do ano.
Em 21 das 30 cidades que concentravam a vacinação no Rio, menos de metade da população estava imunizada. Na capital fluminense, testes em amostras de cinco macacos mortos coletadas em outubro de 2016 deram negativo para a febre amarela, conforme resultados divulgados nesta segunda. Com isso, na avaliação da secretaria, não há evidência da circulação do vírus no município. 
'NINGUÉM EXPLICA'
"O povo não é burro. Sabemos que, se há doente por perto, há chance de transmissão", diz a aposentada Carmen Borges, 69, para explicar a corrida da população do Rio aos postos de saúde para tomar vacina contra febre amarela. Ela própria chegou ao posto Píndaro de Carvalho, na Gávea, na capital, antes das 7h nesta segunda (20).
Desde que dois casos foram confirmados no Estado, na última quarta (15), e uma pessoa morreu, os lugares que oferecem a vacina estão lotados. Os mais precavidos levam comida e cadeira de praia para esperarem sentados. Há quem venha de outras cidades, como Nilza Barbosa, 57. "Vim ao médico no Rio e estou aproveitando para tomar vacina. Estamos todos muito assustados", diz.
Dos 92 municípios do Estado, 64 já têm mobilizações de vacinação. A capital fluminense se juntará a eles no próximo sábado. A expansão da doença era crise anunciada, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Maurício Nogueira.
"O Rio é um Estado de risco porque tem muita mata e pouca gente vacinada. A cobertura mínima segura é de 80% da população. Os sinais de alerta vieram em janeiro, quando a febre amarela atacou no Espírito Santo."
Ele acrescenta que o Rio está especialmente vulnerável neste momento, em comparação com São Paulo, devido à crise financeira. "Não se pode esperar uma faixa de bloqueio [vacinação] efetiva quando não paga salários."
Especialistas dizem que onde há floresta há risco. "Os mosquitos que transmitem a febre amarela prescindem de humanos para se alimentar, diferentemente do Aedes aegypti, mas se faltar alimentação ou se o humano estiver dentro da mata, ele pica o humano também", diz o pesquisador da Fiocruz Ricardo Lourenço de Oliveira, que lidera análise de mosquitos encontrados em áreas de febre amarela.
Para ele, há risco considerável de a febre amarela silvestre se tornar urbana se a contaminação próxima a cidades se proliferar. A diferença entre as duas é o mosquito transmissor –na urbana, é o Aedes.
As autoridades municipais e estaduais mantêm o discurso de que não há motivo para pressa pois não há casos confirmados na capital. Recomendam prioridade a quem vai viajar para lugares onde há surto.
A Fiocruz diz que os cinco macacos encontrados mortos em florestas da zona sul e norte da cidade não estavam com febre amarela. Com isso, a secretaria estadual de saúde reafirmou que não há contaminação na capital.
Em todo caso, a prefeitura quer aumentar até sexta-feira o volume de vacinação. O objetivo é fazer cada uma das 34 unidades darem no mínimo 250 doses por dia. Atualmente esse número varia de acordo com a capacidade do posto. A partir de sábado, haverá um mutirão, e a vacinação será ampliada para 233 unidades de saúde.
Na última quinta, a Secretaria Estadual de Educação afirmou que as 1.250 escolas da rede estadual de ensino serão usadas como locais de vacinação, priorizando o atendimento de alunos e pais. A partir desta terça, o Hemorio, na capital, também vai vacinar contra doença. Receberá estoque o bastante para dar 500 doses por dia.
O objetivo das autoridades é imunizar toda a população (com exceção de contra-indicações) até o fim do ano, o que requer 12 milhões de doses. Nos postos, a população reclama de filas e de falta de informação. Esperando havia mais de uma hora, Keisa Oliveira, 21, Antonio Vieira, 28, e a filha do casal, Isabella, 2, ainda não sabiam nem se haveria vacina. Isso porque postos estão controlando a quantidade dada por dia. "Ninguém explica nada, só falam para a gente esperar na fila", diz Oliveira. 
 Ciclos
Pezão foge de evento para devolver propina de Cabral
Governador evita constrangimento de participar de cerimônia marcada pelo Ministério Público Federal
O governador Luiz Fernando Pezão está fora da lista de confirmados para a cerimônia de devolução de 250 milhões de reais desviados por Sérgio Cabral.
Marcado pelo Ministério Público Federal, o evento acontece na próxima terça (21), na sede do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio.
Pezão deveria ser o principal interessado no assunto, já que o estado encontra-se quebrado. O dinheiro será usado para quitar salários em atraso de servidores.
A cerimônia, no entanto, terá presença do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e do coordenador da Lava-Jato no Rio, Leonardo Cardoso de Freitas.
Emirados Árabes Unidos abrem consulado em São Paulo nesta terça

Evaristo Sá - 16.mar.2017/AFP
O chanceler dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed al-Nahyah, é recebido no Itamaraty
O chanceler dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed al-Nahyah, é recebido no Itamaraty
FSP
O chanceler dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed al-Nahyan, inaugura nesta terça-feira (21), às 17h, o consulado do país em São Paulo.
A cerimônia, que deverá contar com a presença do prefeito João Doria (PSDB), vai marcar a abertura da primeira representação diplomática dos Emirados Árabes no Brasil fora de Brasília.
O país do Oriente Médio tem se tornado um importante parceiro comercial do Brasil. Entre 2000 e 2016, o intercâmbio comercial cresceu 785%, alcançando US$ 2,6 bilhões no ano passado —o superávit foi de US$ 1,9 bilhão para o Brasil, o sexto saldo mais positivo do país.
No mês passado, Doria viajou a Dubai e Abu Dhabi, as duas principais cidades dos Emirados Árabes Unidos, onde tentou convencer investidores árabes a participar de um programa de desestatização com 55 lotes em São Paulo, incluindo o autódromo de Interlagos, o Anhembi e o Ibirapuera.
Segundo o Itamaraty, os investimentos dos Emirados Árabes no Brasil somam cerca de US$ 5 bilhões. No sentido inverso, mais de 30 empresas brasileiras possuem escritórios no país árabe, utilizado por elas como plataforma para exportações a outras nações da região.