domingo, 25 de junho de 2017

Atenção dos pais, e não aulas de natação, garante a segurança das crianças nas piscinas.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Êta minino arretado! Donde tiraste esse texto dito por mestre Suassuna??
Tirei do "Romance da Pedra do Reino", sabe não?

O sistema escolar moderno prolonga a adolescência e atrasa as responsabilidades da vida adulta
Solução: menos escolas compulsórias e mais sistemas de aprendizagem profissional
Kerry McDonald - IMB
As oficinas de aprendizes surgiram pela primeira vez no fim da Idade Média. Eram uma oportunidade para que os jovens da época, normalmente entre 10 e 15 anos de idade, adquirissem habilidades manuais e conhecimentos práticos trabalhando diretamente sob o comando de um mestre artesão.
Esses adolescentes aprendizes chegavam à maturidade imersos em autênticas experiências de trabalho, rodeados por mentores adultos. Isso rapidamente os preparava e capacitava para assumir responsabilidades profissionais, fazendo com que se tornassem adultos mais precocemente.
Em pouco tempo, deixavam de ser adolescentes e se tornavam adultos com responsabilidades e deveres.
O termo "adolescência" advém do latim "adolescere", um termo surgido no século XV cujo significado era 'crescer' ou 'tornar-se maduro'. Mas foi apenas em 1904 que G. Stanley Hall, o primeiro presidente da Associação Americana de Psicologia, cunhou o termo "adolescência" para identificar uma fase distinta e separada do desenvolvimento humano.
A expansão da escola obrigatória, em conjunto com uma variedade de leis que proíbem o trabalho infantil, acabou por artificialmente ampliar a duração da infância e da adolescência, levando ao surgimento do estereótipo do "típico adolescente" imaturo, sem a necessidade de assumir deveres e responsabilidades, o qual persiste até hoje.
Adolescentes são mais capazes do que permitimos
A adolescência se tornou um conceito social. A maioria das pesquisas sobre a adolescência — frequentemente abordadas em termos patológicos — começou na década de 1940. Desde então, intensificou-se a ideia de que a adolescência é uma fase intermediária entre a infância e a vida adulta, durante a qual o jovem está liberado de assumir deveres e responsabilidades profissionais, tendo apenas a obrigação de estudar (em escolas cujos currículos são determinados pelo governo) e uma maior liberdade para se comportar de maneira errática.
Compulsoriamente removidos das experiências práticas da vida real, e confinados a um ambiente restritivo e artificial imposto pelo sistema escolar massificado, não é de se surpreender que os adolescentes de hoje demonstrem apatia, angústia, ansiedade e raiva. E, acima de tudo, um grande despreparo técnico e profissional.
Porém, historicamente, não é assim que os adolescentes sempre se comportaram. Tampouco é assim que eles se comportam hoje em algumas partes do mundo.
Como escreveu o psicólogo Dr. Robert Epstein, autor do livro The Case Against Adolescence:
A confusão social e emocional vivenciada por vários jovens do mundo ocidental é um fenômeno inteiramente criado pela cultura moderna. Nós criamos este fenômeno ao infantilizarmos nossos jovens isolando-os dos adultos e do mundo adulto.
O atual sistema escolar compulsório e massificado, bem como as restrições ao trabalho infantil — uma criação da era da Revolução Industrial —, não mais são apropriados para o mundo moderno. As clássicas fábricas exploradoras não mais existem e hoje temos a capacidade de fornecer educação de qualidade em nível individual, sem a necessidade de um currículo compulsório ditado pelo estado.
Adolescentes são jovens adultos inerentemente capazes. Para desfazer o estrago que fizemos, seria necessário estabelecer sistemas baseados na competência que dêem a estes jovens as oportunidades e os incentivos para se juntarem ao mundo adulto o mais rapidamente possível.
O impacto do sistema escolar compulsório e massificado sobre os adolescentes pode ser ainda mais severo. Forçadamente isolados do autêntico mundo adulto (com o qual, inevitavelmente, terão de interagir no futuro), superprotegidos e cada vez mais despreparados para as responsabilidades da vida, vários adolescentes acabam por se rebelar e adotar comportamentos autodestrutivos, que vão desde a raiva e a angústia até o vício em substâncias e o suicídio.
Como acrescentou o doutor Epstein:
Devido aos imperativos evolucionários estabelecidos há milhares de anos, o principal desejo de um adolescente continua sendo o de se tornar produtivo e independente. Todos nós, como indivíduos, inevitavelmente aspiramos a isso. Mas se, após a puberdade, continuarmos agindo como se os jovens ainda fossem crianças indefesas, estaremos dificultando enormemente a concretização deste desejo. E isso lhes causará grandes agonias.
Uma solução
Se o objetivo é conectar os adolescentes às experiências práticas e autênticas do mundo real, então acabar com o modelo de escola compulsória (e de currículo estabelecido pelo governo) e retornar aos sistemas de aprendizagem profissional seria uma abordagem valiosa e já testada e aprovada pelo tempo.
Estágios e programas de aprendizado profissional são valiosos em qualquer etapa da vida, principalmente quando se está na faculdade. Porém, permitir que eles ocorram já em idade escolar é essencial. Jovens que estão no ensino médio anseiam por experiências reais e significativas que levem à aquisição de habilidades e conhecimentos práticos. Permitir que, em vez da escola compulsória e controlada pelo governo, eles possam frequentar programas de aprendizado profissional, adquirindo desde cedo valiosas habilidades e conhecimentos práticos, não apenas pode atacar o crescente problema da confusão social e emocional que acomete os adolescentes, como também pode abrir um caminho para uma carreira de sucesso e de satisfação pessoal.
Para isso, revogar as leis que obrigam a presença em escolas e que proíbem o trabalho infantil seria crucial.
Integração por meio do aprendizado
No prefácio do seu livro The Means to Grow Up: Reinventing Apprenticeship as a Developmental Support in Adolescence ('Os meios para o crescimento: reinventando o aprendizado como um suporte para o desenvolvimento na adolescência'), o doutor Robert Halpern afirma:
As experiências dos jovens com o aprendizado profissional não apenas estabelecem os pilares para sua vida profissional, como também, em vários casos, facilitam e clarificam enormemente a escolha de seus cursos universitários. E isso ocorre para todas as classes sociais.
Aquilo que, à primeira vista, parece uma estratégia para aprofundar as desigualdades sociais — universidades e uma adolescência ampliada para os jovens mais abastados, e cursos profissionais e um empurrão prematuro para o mundo adulto para os menos abastados — é exatamente um meio para atacá-la.
Programas de aprendizado geram uma situação de ganho mútuo para os jovens aprendizes e para os empregadores que os contratam e os treinam. Os adolescentes adquirem habilidades práticas e benéficas, o que os leva para o autêntico mundo adulto; já os empregadores terão mão-de-obra capacitada e produtiva.
Adolescentes não são seres inerentemente problemáticos. Um século atrás, o grande anseio de um adolescente era se tornar um adulto responsável, respeitado e independente. Tal anseio foi destruído pelas regulamentações estatais sobre o mercado de trabalho e pelo sequestro educacional promovido pelo estado. As consequências não foram nada positivas para juventude.
Por isso, o segredo para se resolver este desvio é simplesmente fornecer apoio ao desenvolvimento natural do indivíduo jovem. E isso deve ser feito libertando-o de ambientes institucionais restritivos e artificiais e permitindo que ele siga caminhos mais relevantes para a maturidade e a vida adulta.
Como a escola acaba com a criatividade e com o raciocínio próprio
O verdadeiro aprendizado sempre ocorre fora da sala de aula
Kerry McDonald - IMB
Em 2006, o educador e autor de livros Ken Robinson proferiu uma palestra para a TED intitulada "Será que as escolas matam a criatividade?". Com mais de 45 milhões de visualizações, esta continua sendo a palestra mais visualizada da história da TED.
A premissa de Robinson é simples: nosso atual sistema educacional acaba com a criatividade e a curiosidade naturais dos jovens ao forçá-los a se configurar dentro de um molde acadêmico unidimensional. Esse molde pode funcionar bem para alguns — principalmente, como diz ele, para aqueles que querem se tornar professores universitários.
Porém, para a maioria de nós, nossas paixões e habilidades inatas são, na melhor das hipóteses, ignoradas. Na pior, são prontamente destruídas pelo sistema educacional moderno.
Em sua palestra na TED, Robinson conclui:
Creio que nossa única esperança para o futuro é a adoção de uma nova concepção de ecologia humana, uma em que começamos a reconstituir nossa concepção da riqueza da capacidade humana. Nosso sistema educacional explorou nossas mentes como exploramos a terra: em busca de um recurso específico. E, para o futuro, isso não serve. Temos de repensar os princípios fundamentais em que baseamos a educação de nossas crianças.
Educação pela força
Robinson estava apenas ecoando as preocupações de vários educadores que acreditam que o atual modelo de escola compulsória solapa a vibrante criatividade das crianças e as obriga a suprimir seus instintos auto-educativos.
Em seu livro Livre para Aprender, o doutor Peter Gray, professor de psicologia do Boston College, mostra que todas as crianças adoram aprender e avidamente exploram o mundo ao seu redor com grande entusiasmo e dedicação. Mas tudo isso acaba quando entram na escola.
Em suas pesquisas sobre crianças que não entraram no sistema de educação em massa e foram para formas alternativas de educação, o doutor Gray descobriu que a curiosidade humana e o comprometimento para com o aprendizado se manteve até muito além do início da infância.
Em seu artigo "A escola é uma prisão e está destruindo nossas crianças", ele diz:
Esta incrível vontade de aprender e esta enorme capacidade de aprendizado não são desligadas quando a criança faz 5 ou 6 anos de idade. Nós é que as desligamos por meio de nosso coercitivo sistema de educação compulsória. A maior e mais duradoura lição trazida pelo nosso sistema escolar é que aprender é algo maçante, que deve ser evitado ao máximo possível.
Mas esta observação do doutor Gray não é nenhuma novidade. Décadas atrás, o conhecido educador e defensor do ensino doméstico (homeschooling) John Holt escreveu em seu livro — hoje best-seller — Como as Crianças Aprendem:
Queremos acreditar que estamos enviando nossas crianças para a escola para que elas aprendam a pensar. Mas o que realmente estamos fazendo é ensinando-as a pensar de maneira errada. Pior: estamos ensinando-as a abandonar uma maneira natural e poderosa de pensar e a adotar um método que não funciona para elas e o qual nós mesmos raramente usamos.
Ainda pior do que tudo isso: nós tentamos convencê-las de que, ao menos dentro da escola, ou mesmo em qualquer situação em que palavras, símbolos ou pensamento abstrato estejam envolvidos, elas simplesmente não podem pensar. Devem apenas repetir.
Por meio deste processo de educação compulsória e massificada, a curiosidade infantil e o impulso natural pelo aprendizado são continuamente substituídos por um sistema de controle social que ensina às crianças que seus interesses e observações não mais importam.
Ainda segundo o doutor Gray:
Em nome da educação, estamos cada vez mais roubando das crianças o tempo e a liberdade de que necessitam para se educarem por conta própria por meio de seus próprios métodos. Criamos um arranjo educacional no qual as crianças devem suprimir seus instintos naturais — os quais as estimulam a estar no controle do próprio aprendizado — para, em vez disso, simplesmente seguirem automaticamente métodos e caminhos criados para elas por adultos, e os quais não levam a lugar nenhum.
Criamos um sistema educacional que está literalmente enlouquecendo jovens e tornando-os incapazes de desenvolver a autoconfiança e as habilidades necessárias para as responsabilidades da vida adulta.
Sobre isso, pesquisas convincentes mostram que, quando se permite que as crianças aprendam naturalmente, sem instruções coercitivas vindas de cima para baixo, o aprendizado é mais profundo e muito mais criativo do que quando as crianças são passivamente ensinadas. A professora Alison Gopnik, da Universidade de Berkeley, Califórnia, descobriu em seus estudos com crianças de quatro anos de idade, bem como em estudos similares feitos pelo MIT, que o aprendizado direcionado a si próprio — em oposição à instrução coerciva — elevam a criatividade, a capacidade de pensar e a própria qualidade do aprendizado.
As pesquisas de Gopnik envolveram crianças novas aprendendo a como manipular um brinquedo específico, o qual emitiria determinados sons ou exibiria determinadas figuras em uma certa sequência.
Ela descobriu que, quando as crianças eram diretamente ensinadas a como usar o brinquedo, elas conseguiam replicar os resultados e rapidamente chegavam à "resposta certa" por conta própria ao apenas imitar o que a professora demonstrava. Porém, quando, em vez disso, as crianças tinham a liberdade de aprender sem qualquer instrução direta — brincar livremente com o brinquedo, explorar livremente suas características, e descobrir seus recursos por conta própria —, elas conseguiam chegar à "resposta certa" mais rapidamente (em menos etapas) do que as crianças ensinadas.
Estas crianças que fizeram o "aprendizado direcionado a si próprio" também descobriram outras partes e características do brinquedo que podiam fazer coisas interessantes — as quais as crianças ensinadas não descobriram.
Gopnik resumiu essa pesquisa em um artigo para a revista Slate dizendo:
A instrução direta talvez possa ajudar as crianças a aprender fatos e habilidades específicas. Mas e quanto à curiosidade e à criatividade — capacidades estas que, no longo prazo, são ainda mais importantes para o aprendizado?
Ao passo que aprender com um professor pode ajudar as crianças a obter uma resposta específica mais rapidamente, tal método também faz com que elas sejam menos propensas a descobrir informações novas sobre um problema e a criar novas e inesperadas soluções.
Aprendendo, e não doutrinando
A conformidade e a submissão podem ter sido os objetivos sociais e econômicos dos arquitetos do modelo escolar compulsório criado no século XIX, feito para funcionar de cima para baixo. Mas a economia do século XXI exige criatividade e adaptação. Hoje, acima de tudo, é necessário um modelo voltado para o aprendizado, que privilegie a capacidade de raciocínio próprio e a criatividade, e não um modelo de ensino compulsório voltado para escola.
Como disse o antigo CEO da Google, Eric Schmidt, "a cada dois dias criamos o mesmo volume de informações que foi criado desde o surgimento da humanidade até 2003".
É impossível acreditar que um modelo arcaico de ensino forçado pode se adaptar às exigências de uma nova economia saturada de informações e cada vez mais voltada para a tecnologia, a qual requer agilidade, inventividade, colaboração e um contínuo compartilhamento de conhecimento. Um modelo educacional verdadeiramente transformador para o século XXI é aquele que cultiva e estimula, e não esmaga e abole, a criatividade humana.

GILVAN SAMICO (19182013)

Comedor de Folhas de Gilvan Samico (Brasil - 1928) - xilogravura

Pequeno Cantar a Modo de Introdução - Grupo Gesta


Se Ariano Suassuna tivesse nascido no Primeiro Mundo, seria considerado um gênio. Como não nasceu, foi apenas o meu professor.  Saudades.
Wise men speak because they have something to say; Fools because they have to say something. - Plato
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quinta-feira, 22 de junho de 2017

GILVAN SAMICO (1918/2013)

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Incêndio em Portugal teve 'mão criminosa', diz chefe dos bombeiros 
GIULIANA MIRANDA - FSP
O chefe da Liga de Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, afirmou nesta quarta-feira (21) ter visto uma "mão criminosa" como causa do incêndio florestal que deixou 64 mortos e 204 feridos no centro de Portugal.
Soares contestou publicamente a informação oficial do governo de que o fogo teve início por causa de uma trovoada seca –fenômeno atmosférico que ocorre em caso de altas temperaturas e baixa umidade–, quando um raio teria atingido uma árvore.
A declaração foi feita em uma entrevista a uma rádio e, horas depois, repetida pelo bombeiro na televisão.
Ele disse ver com estranheza a rapidez com que a Polícia Judiciária (PJ), responsável pela investigação, determinou que o incêndio teve causas naturais. O diagnóstico das causas do fogo foi anunciado pela PJ cerca de oito horas depois do começo do fogo, no sábado (17).
"Gostaria de ver isso apurado melhor porque, quando se viu a trovoada, o incêndio já estava com mais de duas horas de ignição", afirmou.
A Polícia Judiciária disse que vai convocar o líder dos bombeiros para apresentar sua versão.
RESCALDO
Segundo as autoridades portuguesas, o incêndio na região de Pedrógão Grande já está em situação de rescaldo.
"O fogo não vai progredir mais do que já progrediu. Vamos nos concentrar no interior do perímetro", disse o chefe da Proteção Civil de Portugal, Vítor Vaz Pinto.
"Vamos ter situações dentro bastante complicadas, mas temos a certeza de que o incêndio não vai progredir mais do que isso", completou Vaz Pinto. Ele afirmou que, mesmo assim, irá manter na região todos os meios necessários para controlar o incêndio.
Os mais de 2.000 bombeiros que atuavam na região tiveram uma ajuda da natureza desde a noite de terça (20). As temperaturas diminuíram, os ventos ficaram menos intensos e, em alguns momentos, houve chuva intensa na região.
Agora, o país começa a cobrar das autoridades respostas para a tragédia.
FOGO CONTINUA
Embora controlado na região de Pedrógão Grande, os incêndios continuam em vários outros pontos de Portugal.
A situação mais preocupante é em Góis –concelho vizinho à região onde houve a tragédia–, que ainda tem duas frentes de incêndio ativa: em Pampilhosa e Arganil.
Nesta tarde, todas as 16 aeronaves de combate as chamas estão concentradas em conter o fogo nesta região, onde 27 aldeias foram evacuadas preventivamente.
FUNERAL
Às 18h desta quarta (14h de Brasília), acontece a cerimônia religiosa e o enterro do bombeiro Gonçalo Correia, 40, que morreu combatendo o incêndio
O funeral, que acontece em Castanheira de Pera, recebeu uma caravana de políticos e autoridades.
Além do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro, António Costa, vários ministros, secretários de Estado e os líderes dos principais partidos políticos portugueses marcam presença na cerimônia.
Mello, Fux e Marco Aurélio devem votar por manter acordo da JBS
Os três ministros indicaram que seguirão votos de Fachin e Moraes pela manutenção das regras e benefícios firmados entre a empresa e a PGR
VEJA
Na sessão em que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin e Alexandre de Moraes votaram por manter as cláusulas do acordo de colaboração  firmado entre a JBS e a Procuradoria-Geral da República, outros três ministros, que ainda não votaram, indicaram a mesma posição. Em apartes ao voto de Moraes, Celso de Mello, Luiz Fux e Marco Aurélio Mello defenderam que os termos do acordo, criticados por blindarem penalmente os delatores,  não podem ser alterados pelo STF. Caso Mello, Fux e Marco Aurélio confirmem as indicações em seus votos, a manutenção das regras e benefícios previstos na delação ficará a apenas de um voto de alcançar maioria no plenário.
Após o voto de Alexandre de Moraes, a presidente da Corte, Cármen Lúcia, suspendeu o julgamento, que será retomado amanhã com os votos dos demais nove ministros. Também está em análise a continuidade de Fachin como relator das delações da JBS.
Decano do Supremo, Celso de Mello saiu em defesa do Ministério Público. “Não podemos desconfiar do Ministério Público. O Ministério Público tem tido atuação de grande importância no panorama jurídico nacional”, afirmou.
“Não tem sentido que o Poder Judiciário, trate-se de um magistrado singular ou de um órgão colegiado, como o STF, não tem sentido que homologado o acordo, cumpridas as obrigações assumidas pelo agente colaborador, venha esse a ser surpreendido com um gesto desleal do Estado representado pelo Poder Judiciário”, ressaltou o ministro.
No mesmo sentido, Marco Aurélio Mello disse que, “a atividade do relator é simplesmente formal. Se formos à decisão do ministro Edson Fachin, ele só homologou o aspecto formal, não teria como adentrar a matéria de fundo [conteúdo da delação] porque ela é de competência do órgão julgador. Quanto ao fato de o Ministério Público poder ter ajustado a não oferta de denúncia contra os delatores, esse aspecto está previsto na lei e pelo artigo 129 da Constituição”.
Marco Aurélio se referiu à cláusula do acordo de colaboração da JBS que prevê que a Procuradoria-Geral da República e o Ministério Público Federal sequer ofereçam denúncias à Justiça contra os sete executivos da empresa que aderiram a delações premiadas, incluindo os donos do Grupo J&F, Joesley e Wesley Batista.
Já Luiz Fux entende que revisões posteriores à homologação pelo relator gerariam “incerteza e insegurança”. “Se nós aqui assentarmos que o tribunal pode, à posteriori, firmar o que foi estabelecido na delação, a pretexto de que o Ministério Público não foi um bom player, então vamos gerar um estado de incerteza e insegurança (…) uma vez homologada [a delação] pelo relator, só caberá ao órgão julgador verificar a eficácia daquela colaboração sob se aquelas declarações correspondem à realidade probatória”, declarou.
Planalto mapeia cargos de PSDB e PSD e mira senadores que votaram contra reforma trabalhista
Painel - FSP
Lei do retorno A demissão de dois apadrinhados do senador Hélio José (PMDB-DF) foi apenas o primeiro tiro de advertência lançado pelo governo para sua base, após derrota da reforma trabalhista em comissão do Senado. Nesta quarta (21), o Planalto começou a mapear outros cargos ocupados por indicados do peemedebista e também pelo PSDB e PSD, num aviso de que os votos contrários às novas regras dados por Eduardo Amorim (PSDB-SE) e Otto Alencar (PSD-BA) também serão retaliados.
Vai custar caro O governo está disposto a fazer das represálias à derrota da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais um caso exemplar. Avisa que novos cortes podem ser feitos a depender do comportamento da base na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário.
Toma lá, dá cá Deputados que votaram e fizeram campanha para aprovar a reforma na Câmara foram ao gabinete do ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) cobrar “pulso firme” do Planalto em relação aos traidores do Senado.
Até logo Os ataques de Hélio José (PMDB-DF) ao governo depois da demissão de seus afilhados irritaram o Planalto. Houve quem defendesse sua expulsão do PMDB. A direção da sigla não quer, ainda, entrar nessa discussão.
Vem todo mundo O PMDB monitora o comportamento do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO). Contrário à reforma, ele tem articulado o que chama de “manifesto suprapartidário dos parlamentes nem-nem”: nem Michel Temer, nem Lula.
Faroeste caboclo Aliados do presidente Michel Temer defendem que ele anuncie o substituto de Rodrigo Janot na PGR assim que receber o resultado da eleição interna, dia 27 de junho. Acham que o movimento pode desviar as atenções e enfraquecer o atual procurador-geral.
Vira o jogo Em busca de uma agenda positiva, o Planalto anuncia nesta quinta (22) o empresário Jorge Gerdau e a ex-ministra de Indústria Dorothea Werneck como membros do Conselho Nacional para a Desburocratização — Brasil Eficiente.
Time Eliseu Padilha (Casa Civil) coordena os trabalhos do conselho. Juliana Nolasco, gerente de relações governamentais do Google, também estará no colegiado.
Na ponta do lápis A Petrobras levantou o histórico de sua negociação com a JBS para o fornecimento de gás a uma empresa do grupo. Joesley Batista disse que pagou a Rodrigo Rocha Loures para que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) pressionasse a estatal.
Bem que se quis No levantamento, a Petrobras diz que a demanda de Joesley foi rejeitada por estar abaixo de sua política de preços e que fez um contrato de curto prazo com o grupo do empresário — a um custo bem maior do que ele havia solicitado.
Estica e puxa Dirigentes de partidos querem ampliar para R$ 4 bilhões o valor do fundo a ser criado para o financiamento de campanhas em 2018. O valor discutido hoje é de R$ 3,5 bilhões.
Fatiada A negociação que avança no Congresso prevê, além da nova fonte de recursos, fim das coligações proporcionais a partir de 2020 e a aplicação gradual da cláusula de barreira, de 2018 a 2026.
Joaquim Barbosa quer ser convencido a disputar a sucessão de Temer
Ricardo Noblat - O Globo
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, faz beicinho e finge resistir à ideia de ser candidato à vaga do presidente Michel Temer no próximo ano.
Alega que não sabe se seria uma boa. Diz que não tem dinheiro nem grupo econômico disposto a apoiá-lo. Considera-se desprovido de perfil para exercer o cargo. E afirma que preza sua atual liberdade de viver.
Nem por isso se nega a participar de reuniões com pessoas que o estimulam a se candidatar. Que imploram para que ele seja candidato. E que afagam seu enorme ego.
Tem sido procurado por partidos interessados em que se filie a eles. Vez por outra murmura que talvez um dia acabe se rendendo ao convite de entrar na política – quem sabe?
E assim alimenta a corte ao seu nome, o assédio dos desesperançados com os políticos de sempre, e as especulações que são feitas em torno de suas chances de se eleger.
Comporta-se, enfim, como um político experiente que apenas simula desinteresse. E que deseja ganhar tempo para melhor avaliar o que deverá fazer.
Pesquisas de intenção de voto a mais de 15 meses de uma eleição só servem para medir o prestígio passado de aspirantes a candidato, e para animar o mercado político.
As poucas conhecidas até agora indicam que Barbosa aparece bem na foto por causa do seu desempenho como principal algoz dos mensaleiros condenados pela Justiça.
A Lava Jato assinou o atestado de óbito do atual sistema político. Mas ainda assim ele esperneia na maca e imagina que pode ainda se arrastar por mais alguns anos.
O eleitor dá todas as indicações de que está à procura de novos nomes capazes de merecer seu voto. É essa a brecha que se oferece a Barbosa, mas também a outros políticos travestidos de não políticos.
Barbosa está certo em não ir por enquanto além dos seus chinelos.
Joaquim Barbosa (Foto: Paula Giolito)Joaquim Barbosa (Foto: Paula Giolito)
PSDB, Aécio, presidentes e presidiários

Pedro Ladeira - 12.jun17/Folhapress
BRASILIA, DF, BRASIL, 12-06-2017, 17h00: Reunião da executiva da PSDB para definir sobre o desembarque ou não do governo Temer. O partido está rachado e não deve ter nenhuma definição sobre o assunto na reunião de hoje. Na mesa principal o presidente em exercício do partido senador Tasso Jereissati, os governadores de SP, Geraldo Alckmin, do PA Simão Jatene, do PR Beto Richa, de GO Marconi Perillo, o prefeito de Manaus Arthur Virgílio, de São Paulo João Dória e os ministros Bruno Araújo (Cidades), Luislinda Valois (Direitos Humanos), Aloysio Nunes Ferreira (MRE) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), alem do senador e ex ministro José Serra. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
Reunião da executiva da PSDB em que foi decidida a permanência no governo Temer 
Vinicius Torres Freire - FSP
SOZINHO, O PSDB não tem peso para salvar a reforma da Previdência, a mais importante da coalizão liberal. Não tem como derrubar o governo, mesmo na hipótese remota em que decida fazê-lo. Sozinho o PSDB ficou, note-se o fracasso na articulação para substituir Michel Temer. Além de sozinho, está para variar sobre um muro rachado, dividido.
Os escassos votos restantes pela reforma, como outros votos, cargos e tanto mais, serão negociados no balcão da sobrevivência de Temer. Ao que se dá apoio, então?
O PSDB no momento apenas discute como se apresentar na eleição de 2018, como zelador da cripta dos zumbis deste governo ou não, e como conduzir um enterro discreto de Aécio Neves. Não se trata de questões menores, pois o partido é considerado pelos donos do dinheiro como a esperança de governo reformista em 2019.
A conversa do pessoal da finança mudou desde a crise do grampo de Temer. Os efeitos da morte da reforma da Previdência no "mercado" teriam sido exagerados. O "foco" agora é 2018.
A acreditar nessa história, o tumulto financeiro (juros longos e dólar em alta) teria sido adiado para quando houver risco de derrota eleitoral do programa reformista.
Até lá, espera-se que o governo, qualquer governo, mantenha uma equipe econômica que cozinhe o arroz com feijão macroeconômico e aprove remendos para tapar os buracos que a falta de reformas várias deve deixar.
O PSDB não sabe como ou quando abandonar Temer. Bidu. Até com Dilma Rousseff se enrolou. Em agosto de 2015, FHC ainda pedia um "gesto de grandeza", a renúncia; parte do partido ainda pensava em deixar Dilma "sangrar". Não era o caso de Aécio, do líder na Câmara, Carlos Sampaio, e dos "cabeças pretas".
Aécio e Sampaio, ao lado de Paulinho da Força (SD) e de Eduardo Cunha, faziam arruaça, votavam a "pauta-bomba". Com alegre espírito de porco, rasgavam o programa tucano. Votaram pela derrubada do fator previdenciário e a favor de outras depredações das contas públicas, além de ajudarem a destroçar o ajuste de Joaquim Levy (com ajuda do PT).
O partido pode baixar mais, à cova moral do governo Temer. Já vai descendo com Aécio.
O ainda presidente do PSDB confessou a molecagem de começar um processo para impugnar a eleição "para encher o saco" do PT, entre outras gracinhas udenistas golpistas, de resto cínicas, pois sua campanha é acusada dos mesmos rolos imputados à chapa Dilma-Temer.
Pediu dinheiro a Joesley Batista "porque não tem mais, não tem ninguém que ajuda", confissão implícita de outros rolos, na qual não se prestou muita atenção. Ainda é articulador-mor do acordão para livrar a si e colegas da Lava jato.
Caciques do PSDB tentam dar um jeito em Aécio, sem escândalos e risco de revanche.
Quanto a Temer, não sabem se enfiam as mãos e os braços na lama, esperando sustentar o que sobrou do programa reformista e, talvez, alguma melhorazinha econômica em 2018, correndo o risco de fracasso total, de irem às urnas como cúmplices da ruína econômica e moral do governo.
Assim, pode ser que não sobreviva nem mesmo João Doria, o outsider do partido, contradição em termos e grande última esperança da coalizão dos azuis, da direita, dos liberais e do mercado.
“São tantas coisinhas miúdas” e outras notas
Na conversa gravada, o líder da quadrilha comenta com seu convidado que há tempos não o via. O bandido notório lembrou um evento em que se encontraram
Num dia, tarde da noite, o bandido notório de maior sucesso na história do país telefonou ao líder da maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil para marcar uma visita. Ótimo: marcou-se a conversa para a mesma noite. O bandido notório combinou com o líder da quadrilha que usaria nome falso e a visita não entraria na agenda. Se a opinião de um sobre o outro era a que depois declararam, por que um pediu a reunião, por que o outro a aceitou? A história da reunião, da gravação e da entrevista é marcada por pequenos mistérios. Esquisitices – como entendê-las?
No início da conversa gravada de ambos, o líder da quadrilha comenta com seu convidado que há tempos não o via. O bandido notório lembrou um evento em que se encontraram. Mas, na entrevista, o bandido notório diz que o líder quadrilheiro vivia atrás dele para pedir dinheiro. Onde está a verdade? Se o bandido notório mentiu na delação, diz a regra do jogo, perde as vantagens – e que vantagens! Terá corrido o risco? E os 500 mil por semana, durante 20 anos? Terminado o mandato do capo da quadrilha, ele não vai ver um centavo a mais. Sem poder, sem dinheiro. Os dois sabem disso. Não seriam idiotas de propor ou aceitar essa bobagem.
Como compôs Gonzaguinha, e Maria Bethânia interpretou com brilho, essas coisinhas miúdas, tantas delas, vão “roendo, comendo, arrasando aos poucos com o nosso ideal”. Historinhas, “já não dá mais para engolir”.

Grito de alerta
Michel Temer é inocente ou culpado? Isso o Supremo irá decidir. E, no Brasil, só o Capitão Gancho põe a mão no fogo pela inocência de um figurão. Já Joesley confessou; se disse tudo, ou apenas parte, caberá  ao Supremo julgar. Mas é estranho que, tendo multiplicado seus negócios nos 14 anos de Governo petista e neles transformado suas empresas nas maiores do mundo em proteína animal, concentre a maior parte da delação e acusações nos dez meses de Temer. E que, além de delatar, procure dar a maior repercussão possível às acusações, sem que isso lhe renda qualquer vantagem. Passou semanas negociando sua entrevista, com diversos veículos, até escolher quem a publicaria. Por que esse trabalho todo?

Amanhã ou depois
Com a entrega das alegações finais dos advogados de Lula, o juiz Sérgio Moro pode, a qualquer momento, emitir a sentença. Em caso de condenação, dificilmente Lula será preso: há a possibilidade de defender-se em liberdade até o julgamento da apelação pelo Tribunal Regional Federal. A sentença pode até sair hoje, mas, embora Moro seja conhecido pela rapidez das decisões, o normal é que demore mais de uma semana.

O que é, o que é

Além deste, Lula tem dois outros processos penais na 14ª Vara de Curitiba, do juiz Sérgio Moro. Mas o mais problemático é este que aguarda sentença. Se Lula for condenado, e sua apelação for negada, estará automaticamente proibido de concorrer a qualquer eleição – e, portanto, não poderá disputar a Presidência em 2018. Nos outros dois processos, não há tempo para que seja condenado em segunda instância.

É
No episódio da perseguição ao jornalista Alexandre Garcia no aeroporto de Brasília, noticiou-se que o responsável pelo assédio foi Rodrigo Grassi Cademartori, conhecido pelo apelido de Pilha. O que passou quase despercebido foi o passado do cavalheiro: Pilha (que filmou a perseguição a Alexandre Garcia e a colocou na Internet) já ofendeu o então senador Aloysio Nunes e foi detido por isso, sendo rapidamente solto, hostilizou a blogueira cubana Yoani Sánchez, tentando impedir suas palestras, e comandou a perseguição na rua ao ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal. Na época, era assessor da deputada petista Erica Kokay.

Não é
Esta coluna errou ao dizer que Mário Covas, quando se opôs duramente à entrada do PSDB no Governo de Fernando Collor, dispunha do poder de governador de São Paulo. Na verdade, Covas dispunha apenas de seu prestígio e boa reputação: ainda não tinha sido eleito governador.

Sangrando

Lula, líder de um dos maiores partidos do país, sob ameaça de condenação. O PSDB, um dos maiores partidos do país, enfrenta problemas internos com grupos que querem afastá-lo do Governo. O PMDB, um dos maiores partidos do país, ocupante da Presidência da República, luta para manter o mandato ameaçado de Temer. Pois nada disso afeta nossos parlamentares: depois da semana folgada com desculpa do feriado de Corpus Christi, nesta semana o expediente termina mais cedo, por causa das festas juninas. Nesta quarta, o expediente termina às 15h, para que Suas Excelências possam pegar um voo mais cedo. Folgam até a terça que vem.

Lula é considerado o mais nocivo dos envolvidos na Lava-Jato
Em seguida, Aécio Neves e Eduardo Cunha
VEJA
O ex-presidente Lula é considerado a personalidade mais nociva para o Brasil envolvida na Lava-Jato. É o que indica uma pesquisa do Instituto Paraná.
No Distrito Federal, o petista é visto como o mais perigoso para 37%. Em seguida, para 14,5%, Aécio Neves. Preso, Eduardo Cunha é o pior deles para 12,7%.
Sergio Cabral, Marcelo Odebrecht e Joesley Batista são os mais nocivos para 4,6%, 4,3% e 4,1%, respectivamente.
Eles não acreditam nas reformas
A votação depende de gente que está pensando em ‘indicaçõezinhas’ ou em escapar da Lava-Jato e sobreviver
Carlos Alberto Sardenberg - O Globo
Até ontem, o senador Hélio José (PMDB-DF) tinha “duas indicaçõezinhas” no governo federal, dois diretores em órgãos regionais situados em Brasília. Perdeu os dois, demitidos logo após o senador ter votado contra a reforma trabalhista proposta pelo governo. Dizendo-se vítima de chantagem, retaliação e perseguição, Hélio José pediu a renúncia do “podre” e “corrupto” presidente Temer. Acrescentou que ele, senador, não participaria de um balcão de negócios.
Que as nomeações eram um negócio, não há dúvida. Ao demitir os dois diretores, em clara resposta ao voto oposicionista do senador, o governo Temer admitiu que eles haviam sido nomeados não por competência ou para aplicar um programa partidário, mas para que seu padrinho votasse com a base. Dando um voto decisivo contra a reforma trabalhista, numa comissão do Senado, Hélio José rompeu os termos do contrato, dando ao governo o direito de cancelar todo o negócio.
Simples assim. Eis um lamentável sistema de administração pública mais uma vez funcionando às claras, sem constrangimento de seus agentes.
Por que, então, o senador teria ficado tão revoltado com a perda dos “carguinhos”? É que a coisa vai mais longe. Parlamentares se julgam no direito de fazer indicações, grandes e pequenas, pelo simples fato de serem políticos eleitos.
Eles argumentam: foram eleitos para governar, e isso inclui nomear pessoas para a gestão.
Na teoria, parece certo. Na prática, errado. Seria certo se os apadrinhados fossem nomeados por suas qualidades para aplicar um determinado programa de governo. Ora, o programa do governo Temer tem como objetivo central a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária. O senador Hélio José não apenas se declara contra a reforma trabalhista, como considera a administração corrupta e podre.
Como podia participar desse governo ou dessa base partidária? Como podia achar normal indicar correligionários para uma administração que condena?
De outro lado, líderes parlamentares do governo Temer sabiam que o senador tinha aquelas posições oposicionistas. Por que, então, aceitaram nomear seus apadrinhados?
Porque eles, todos, não estão ligando a mínima para as reformas ou para programas. O presidente Temer e seus aliados se agarram às reformas porque é o único caminho que lhes resta para manter o governo vivo. Temer e seu pessoal do PMDB participaram anos a fio do governo petista, sendo, portanto, cúmplices da política econômica que provocou o desastre do qual o país tenta sair. Desde quando o senador Romero Jucá é um líder reformista?
De outro lado, o senador Hélio José só é contra as reformas porque está em Brasília, território dominado pelas corporações, tão eficientes quanto barulhentas na defesa de seus interesses. Por isso não se incomodou nem um pouco em colocar gente sua para participar de um governo sem “vergonha na cara”. Simplesmente, encostou a barriga no balcão de negócios. Não é exceção por lá.
Aliás, na mesma votação da reforma trabalhista, no Senado, deu-se um bate-boca inédito: a ex-petista Marta Suplicy, agora reformista, contra a ex-ruralista Kátia Abreu, agora uma dura esquerdista.
Vamos falar francamente: só a equipe econômica acredita nas reformas, no programa de equilíbrio das contas públicas, na necessidade e eficiência das privatizações. E o público sabe disso.
Querem a prova? Simples: o que depende quase exclusivamente da equipe econômica funciona bem. Exemplo: o Banco Central de Ilan Goldfajn. Sua política monetária de controle da inflação e busca da estabilidade financeira tem a maior credibilidade. Hoje, o BC divulga seu Relatório de Inflação — e todo mundo vai receber o documento como uma peça verdadeira e crível. Reparem: não que todos concordem com as análises cegamente. Mas todos sabem que aquela é uma palavra independente, competente, séria e capaz de colocar a inflação na meta, com a mais baixa taxa de juros possível.
Do mesmo modo, todo mundo entende que o ministro Henrique Meirelles está falando sério quando diz que o país vai quebrar se não fizer as reformas.
O problema está no outro lado: a votação dessas reformas depende de gente que está pensando em “indicaçõezinhas” ou em escapar da Lava-Jato e sobreviver.
Esse é o problema das reformas. Não é que sejam impopulares ou politicamente inviáveis. Inviáveis e impopulares são muitos, mas muitos dos que as defendem no Congresso. Não é que as pessoas não entendam a necessidade das reformas. Não são idiotas. Ao contrário, entendem muito bem os interesses nada republicanos que estão envolvidos.
Resumo: um bom programa precisa de um líder confiável. Este é o nosso maior impasse político.
Foto de Temer e Putin no teatro Bolshoi é uma fina ironia do destino

Beto Barata/PR
Moscou - Russia, 20/06/2017) Presidente do Brasil Michel Temer com Vladimir PutinCerimônia de Encerramento do Concurso Internacional de Ballet do Teatro Bolshoi. Foto: Beto Barata/PR ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
Presidente Michel Temer com o russo Vladimir Putin em Moscou 
Matias Spektor - FSP
A fotografia de Michel Temer com Vladimir Putin no teatro Bolshoi de Moscou é uma ironia do destino. No mesmo dia em que a Polícia Federal engordava o volume de denúncias e investigações que assolam o presidente, nosso mandatário dividia o camarote com seu anfitrião, o mais sagaz dos sobreviventes da política mundial.
Putin é imbatível. Há 17 anos no poder, ele continua hegemônico. Enfrentou denúncias colossais de corrupção, conviveu com sanções da Europa e dos Estados Unidos, amargou os dramas de uma economia recessiva e, apesar de tudo, manteve a cadeira. Salvo uma hecatombe, em março próximo ele ganhará de lavada a eleição para renovar seu mandato.
Não se trata de uma operação trivial porque a Rússia possui uma dinâmica parecida com a brasileira. A economia nacional lá também depende do vaivém das commodities de exportação, tamanha a estagnação da produtividade e a ausência de investimentos inteligentes.
Isso significa que, para sobreviver politicamente, o presidente russo é obrigado a fazer um movimento típico de países em desenvolvimento: usar as receitas geradas no exterior, como a do gás exportado, para comprar a adesão da base de sustentação no Parlamento, nos quarteis, nos serviços de inteligência e na máquina de governo.
Isso significa que Putin, apesar de ser nominalmente forte, anda sempre no fio da navalha. Apesar de seus 80% de aprovação popular —seu opositor mais visível conta com apenas 2% das intenções de voto—, ele nunca brinca com fogo. Por isso, acaba de fazer ouvidos moucos à recomendação de seus economistas: para satisfazer sua base de sustentação, Putin desidratou a reforma da Previdência e os projetos de lei destinados a conter o gasto público.
Num país como a Rússia, fazer as reformas necessárias para tirar o país do atoleiro equivale a atentar contra a sobrevivência de quem é responsável por tocar as próprias reformas. O ato de reformar vira impossível.
Claro, as diferenças são gigantescas. Ao contrário do colega russo, nosso presidente não consegue reprimir, prender ou mandar matar quem lhe faz oposição. Hoje, o Kremlin consegue fazer com um juiz, promotor ou jornalista aquilo que o Planalto nem sequer concebe em seus sonhos mais selvagens.
No entanto, assim como o presidente russo, Temer também sacrificará o futuro no altar da própria sobrevida (no caso, 172 deputados e suas respectivas redes de patronagem e clientelismo). Não há mecanismo em nosso sistema para impedir esse desfecho.
O custo disso? Atraso e estagnação para todos, hoje e amanhã. Vale na Rússia, vale também do lado de cá.
As forças do atraso contra a reforma trabalhista
Derrota da proposta por um voto, em comissão no Senado, reflete em parte desgaste de Temer, mas nada justifica o descaso do Planalto com a votação do relatório
O Globo
A rejeição do projeto de reforma trabalhista, por um voto, na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, se deve em parte a uma desorganização na base do governo, em função da debilitação política do presidente Michel Temer sob acusações — de delatores premiados, da Procuradoria-Geral da República e agora da Polícia Federal. E isso abre espaço para todo tipo de interesses. Menos o de melhorar a regulação do mercado de trabalho em que 14 milhões estão desempregados, e metade dos que labutam não tem proteção da tão defendida CLT, por simples fé ideológica e saudades de Getulio.
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), por exemplo, adota a linha populista de esquerda para tentar se salvar em Alagoas nas eleições de 2018. Já o senador tucano Eduardo Amorim SE), vota contra o relatório e o partido, alegando atender a pedido da mulher, do Ministério Público Trabalhista, uma das trincheiras contra a modernização das leis. E a oposição, por sua vez, aproveita para fazer luta política. Assim, por um voto, o relatório foi derrotado, depois de aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAC).
Semana que vem deverá ser apreciado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e tudo ficará para ser decidido em plenário, onde a derrota de terça poderá ser revertida.
O governo Temer precisa demonstrar uma competência mínima na condução da base parlamentar, e não repetir erros primários que depõem contra a imagem de sábios da política que têm os do seu grupo. Foi bisonho levar na comitiva da viagem a Moscou votos que fizeram falta na terça: Paulo Bauer (PSDB-SC) e o ministro Antônio Imbassahy (PSDB-BA). Numa reação previsível, os mercados sinalizaram negativamente — a Bolsa caiu 2%, e o dólar subiu 1,27%. Num lapso, o Planalto parece ter esquecido a relevância das reformas.
O projeto desta já foi muito debatido. Sabe-se como é necessário dar flexibilidade às relações patrão-empregado, permitindo-se que acordos entre as partes, sem alterar direitos pré-definidos, sejam aceitos pela Justiça Trabalhista. Também sabe-se como é estratégico acabar com o imposto sindical, tornando-o uma contribuição espontânea, a fim de que os sindicatos ganhem legitimidade e deixem de ser um desses grandes cartórios lucrativos que surgem às sombras do Estado, para viver de dinheiro extraído compulsoriamente da sociedade.
Por ilustrativa coincidência, esta reforma chega à fase final de votação quando, na França, um político jovem, o presidente Emmanuel Macron, faz maioria na Assembleia Nacional, acenando com uma reforma como esta brasileira, entre outras. Ganhou no voto de corporações sindicais como as que sabotam mudanças no Brasil. Faz lembrar Millôr Fernandes: "quando uma ideologia fica bem velhinha, ela vem morar no Brasil". É o caso.
Corrupção, Rússia, Brasil
FSP 
Dificilmente poderia ser maior o contraste entre a popularidade de Michel Temer (PMDB) e a de Vladimir Putin, seu anfitrião na Rússia até esta quarta-feira (21).
A aprovação ao brasileiro, segundo o Datafolha, não passava de 9% ao final de abril —e é mais que improvável ter havido alguma melhora de lá para cá. Já o presidente russo ostenta taxas estelares, acima de 80%.
Temer, há pouco mais de um ano no poder, corre risco não desprezível de ser defenestrado. Se permanecer no posto, a reeleição não é hipótese considerada. Putin comanda a Rússia há 18 anos, alternando-se nos papéis de premiê e presidente, e mantém sólido favoritismo para o pleito de 2018.
Entretanto os dois têm algo em comum: o calcanhar de Aquiles de seus governos é a corrupção.
Se o peemedebista e seus auxiliares encontram-se a cada dia mais enredados nas delações premiadas da Lava Jato, o autocrata russo tem tido que enfrentar uma série crescente de protestos de rua.
Os atos são convocados pelo líder oposicionista Alexei Navalni, que mobiliza a população jovem com vídeos, postados na internet, em que acusa dirigentes próximos a Putin de desvios bilionários.
As manifestações não chegam a arregimentar milhões, mas têm ocorrido com frequência cada vez maior e atingido mais cidades. Na última leva, há menos de duas semanas, chegaram a mais de uma centena de localidades.
Embora brasileiros nos ressintamos da falta de estabilidade política, muito particularmente nos últimos dois anos, nossa situação no plano institucional é bem melhor do que a dos russos.
Escândalos de corrupção fazem parte da história de nações que transitaram do patrimonialismo para a democracia. A forma como cada uma lida com o problema dá a medida de seu desenvolvimento.
Em seu país, Putin consegue evitar qualquer tipo de investigação e reprime manifestações; no Brasil, a polícia, o Ministério Público e a Justiça vão cumprindo seu papel.
Temer corre o risco de cair como sua antecessora porque por aqui começa a haver algum tipo de "accountability" (prestação de contas e responsabilização, em tradução aproximada), o que não parece ter entrado para o léxico russo nem mesmo como estrangeirismo.