sábado, 6 de agosto de 2016

Sobrinho de Lula não explica como empresa recebeu R$ 1,5 milhão
Em inquérito da Operação Janus, Taiguara Rodrigues dos Santos, que tinha contratos milionários com a Odebrecht em Angola, é apontado como laranja de Lula
O empresário Taiguara Rodrigues dos Santos, sobrinho do ex-presidente Lula, é um fenômeno do mundo dos negócios: de uma hora para  outra, passou de vidraceiro falido em Santos a sócio de uma empresa de engenharia de grandes obras em Angola. O salto ocorreu quando o jovem criou a Exergia Brasil, com patrimônio de 1,5 milhão de reais, e assinou contratos milionários com a construtora Odebrecht. Após VEJA revelar essa façanha em 2015, Taiguara passou a ser investigado. No dia 20 de maio, ele se tornou alvo da Operação Janus — e foi conduzido coercitivamente pela Polícia Federal para esclarecer a origem da sua fortuna suspeita. Quando questionado sobre o capital social de sua empresa, respondeu que era de 2,5 milhões de reais. Não soube explicar como chegou a esse montante, mas garantiu que o aporte não saiu de sua conta bancária. Sugeriu que os policiais ouvissem o contador.
José Emmanuel Camano, o contador da Exergia, deu uma versão diferente. Segundo ele, o capital social da Exergia é de 1,5 milhão de reais, “ tendo a integralização sido feita por João Germano (51%) e Taiguara (49%)”. Ou seja, de acordo com o relato de Camano, o sobrinho de Lula injetou quase metade do 1,5 milhão de reais na Exergia Brasil, mesmo não sabendo explicar direito como ocorreu essa operação financeira, muito menos a origem do dinheiro.  Taiguara e seu contador também derraparam em outros trechos de seus depoimentos.
doc1Em outubro de 2015, durante uma audiência na CPI do BNDES, realizada na Câmara dos deputados em Brasília, o empresário disse que visitou Cuba em março de 2014 na companhia de seu primo, Fábio Luis, o Lulinha. Aos parlamentares, Taiguara afirmou que o seu intuito era prospectar negócios, enquanto o filho do ex-presidente curtia as férias no país. O contador da Exergia Brasil, mais uma vez, apresentou outro lado da história: “Que também viajou com o Taiguara e o Fábio, ‘Lulinha’, para Cuba, ocasião em que buscavam potenciais mercados na área de exportação de alimentos, nada tendo sido concretizado”.
E-mails publicados por VEJA no ano passado revelaram que um representante da Agência Brasil de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) em Cuba chegou a pedir autorização para reservar um espaço numa feira empresarial para que Taiguara e Lulinha se reunissem reservadamente com autoridades do governo local. A direção do órgão, porém, barrou a solicitação. Os investigadores apuram se Taiguara era parceiro de negócios de Lulinha. O site da Exergia Brasil foi criado pela G4, de Fábio Luis. O único cliente conhecido da empresa é a empreiteira Odebrecht.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal estão apurando todas as estranhezas no súbito enriquecimento de Taiguara – e quais as relações disso com Lula. “Não é difícil enxergar as diversas inconsistências na narrativa apresentada e concluir que toda a inexplicável prosperidade financeira de Taiguara e seus contratos milionários com a Odebrecht constituem, na verdade, favor e meio indireto adotado pela Odebrecht para retribuir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelos serviços prestados”, diz a PF.
doc2O advogado de Taiguara, Fábio Rogério de Souza, nega o envolvimento de seu cliente com irregularidades. “Ele jamais intermediou transações financeiras fraudulentas, nunca emprestou seu nome, documentos ou contas bancárias para ocultar a identidade de qualquer pessoa. Os questionamentos feitos pela CPI e posteriormente no inquérito da Polícia Federal tomam como base reportagens jornalísticas”, complementou.
Taiguara, que costuma dizer que está na pindaíba, declarou à PF ter hoje uma renda mensal de 10 000 reais, coletando sucatas.
Por que vaiaram a Argentina?  Inveja?  É preciso educar melhor os brasileiros. 
Olha, eu era contra a Olimpíada no Brasil.  Tentei mostrar com os posts que somos nós que vamos pagá-la às custas da saúde e da educação. Mas, se ela é uma realidade, JAMAIS vou torcer contra.  Aliás, o redirecionamento (mudou muita coisa) da abertura mostra que o nosso país tem jeito.
Brasileiros de respeito
Na bela festa de abertura, o Brasil saiu muito bem na foto
A primeira prova da Olimpíada do Rio de Janeiro acabou e o pódio encheu a pátria de orgulho. Deu tudo certo na cerimônia de abertura. Mais que certo: ficou par a par com as de Pequim e Londres, páreos duros que a festa brasileira encarou com galhardia. Do Maracanã saiu para o mundo um Brasil moderno, seguro das suas qualidades, colorido e bonito. Enfim, um país bacana.
A suavidade de Paulinho da Viola cantando o hino nacional deu o tom da celebração das coisas brasileiras, uma distância refrescante do ufanismo estridente de praxe. As marcas registradas estiveram lá, no cenário forrado de vídeos: samba, funk, favela, bola, Garota de Ipanema. Só que revestidas de uma atualidade muito bem vinda, sem exageros, na medida certa.
A obrigatória referência ecológica durou um pouco mais do que devia. O segmento dos refugiados desviou-se um pouco do tema. Ficou a impressão de que, mais do que fazer parte do esperto e criativo enredo montado pelos diretores Fernando Meireles, Daniela Thomas e Andrucha Waddington, estes dois momentos tiveram o objetivo de reforçar a atuação social que o Comitê Internacional quer pregar ao universo olímpico.
Na busca incessante da simplicidade refinada, alguns figurinos e cenários ficaram mesmo é sem graça, Faltou humor, que em Londres teve e agradou. Em compensação, se lá James Bond e a rainha desceram de paraquedas, aqui tivemos o simpático voo de Santos Dumont. No balanço final, fica a imagem de um país de respeito. Ouro para a festa.

Buongiorno a tutti voi amici

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Jogos Olímpicos fazem a diferença
Não será a primeira vez que mostramos ao mundo nossa capacidade de organização, recepção e acolhimento seguro e caloroso de visitantes
Michel Temer - O Globo
Depois de anos de preparação, chegamos ao grande dia. A realização no Brasil dos primeiros Jogos Olímpicos e Paralímpicos da América do Sul é demonstração da capacidade do país de superar obstáculos, sejam políticos ou econômicos. Não tenho dúvida, depois de acompanhar atentamente o processo de envolvimento que antecedeu esse momento, de que a realização pelo país de um megaevento esportivo, com imensa visibilidade internacional, fará o povo brasileiro se reencontrar com sua alegria natural.
Nós, brasileiros, podemos dizer, com orgulho, que somos um dos países mais miscigenados do mundo, como lembrou, em várias de suas obras, Darcy Ribeiro. É característica ímpar que nos leva a receber, de braços abertos, povos de todos os continentes para esta celebração esportiva, assim como fizemos em toda a história de formação de nossa nação. O esporte une as nacionalidades, é capaz de trazer a fraternidade e paz aos povos. E é o que vai acontecer no Rio de Janeiro nas próximas semanas.
Durante a realização dos Jogos, seremos mais brasileiros que nunca: um povo com características marcantes de hospitalidade e respeito ao próximo, um povo trabalhador, alegre e dedicado a realizar grandes transformações em harmonia e com pluralidade. Vamos estender o tapete vermelho a todos nossos visitantes, atletas, trabalhadores e turistas.
Tenho chamado a atenção, nestes pouco mais de 80 dias de governo, de que é urgente pacificar a nação e unificar o Brasil. Vamos sediar o evento esportivo mais importante do planeta, inspirado na tradição da paz e da harmonia. A 31ª edição dos Jogos Olímpicos da era moderna mostrará a mais de cinco bilhões de pessoas uma nação de democracia consolidada, instituições sólidas, um país pacífico e uma economia com imenso potencial de desenvolvimento.
O diálogo é o primeiro passo para enfrentarmos os desafios para avançar e garantir a retomada do crescimento. E nada mais propício para que esse cenário se concretize do que promover o diálogo por meio do congraçamento dos atletas e participantes de todo o mundo que estarão em terras brasileiras. Os Jogos representam união, diversidade e inclusão em todos os sentidos, com o belo exemplo do Complexo Esportivo de Deodoro.
Não será a primeira vez que mostramos ao mundo nossa capacidade de organização, recepção e acolhimento seguro e caloroso de visitantes. Já demos mostra destas qualidades em megaeventos de nível mundial: Copa do Mundo, Jogos Pan-Americanos, Jogos Mundiais Militares, Jornada Mundial da Juventude e Copa das Confederações.
Muito além do espetáculo esportivo, no qual estarão competindo milhares de atletas de alto nível dos cinco continentes, a Olimpíada proporcionará outras oportunidades ao nosso país. Investidores, por exemplo, poderão conhecer o potencial econômico e de geração de negócios do Brasil.
A esta altura, e com a certeza de que os Jogos terão o sucesso que todos esperamos, vamos contribuir fortemente para difundir os valores do esporte: cooperação, solidariedade, disciplina e superação. No plano mais concreto, também deixarão como herança aos brasileiros uma rede nacional de treinamento, com excelentes instalações nas cinco regiões do país voltadas tanto à iniciação esportiva como ao alto rendimento.
Já é possível, também, mensurar o imenso legado em infraestrutura urbana feito pelos governos municipal, estadual e federal e que ficarão para a população. São 27 projetos de mobilidade, meio ambiente, renovação urbana, esporte e ciência, que totalizam R$ 24,6 bilhões. Os investimentos em centros esportivos, em programas como o Bolsa Atleta, serão um legado dos Jogos, ao estimular os jovens a lutar por seus objetivos, a viver a alegria da superação, a atuar em equipe e respeitar o adversário.
Estamos promovendo Jogos Olímpicos que deixarão um grande legado aos brasileiros e ao mundo. Faremos a confraternização dos povos em meio aos melhores atletas mundiais e tornaremos este evento inesquecível. Tenham todos uma grande Olimpíada!
Michel Temer é presidente interino da República
PT impichou Dilma antes do Senado. Ou: Personagens de uma decadência sem estilo
Presidente afastada prepara carta em que defende plebiscito, proposta que é recusada até por seu partido
Reinaldo Azevedo - VEJA
O conjunto da obra é tragicômico. Tem seu lado trágico porque personagens que já tiveram certa grandeza — hoje todos heróis de si mesmos — estão sendo severamente punidos pela realidade em razão de seu excesso de ambição. E a situação não deixa de ter a sua graça porque se mostram uns notáveis trapalhões. De certo modo, cada um deles articula a sua própria solidão, simulando um poder que não tem e emprestando à própria atuação a grandiloquência de uma farsa. É triste de ver.
A obra de referência aqui deve ser o magnífico filme “Sunset Boulevard”, dirigido por Billy Wilder, conhecido entre nós como “Crepúsculo dos Deuses”. Os personagens centrais deste drama cômico não viram o tempo passar. Estão todos mortos, mas ainda aspiram a uma grandeza e a um glamour que hoje só existem na memória e na vontade.
Falando a Natuza Nery, na Folha, Dilma, abandonada pelo PT, recebe versões e mais versões de uma carta em que vai anunciar seu apoio a um plebiscito. A população seria consultada sobre a conveniência de novas eleições.
Que importa que a proposta seja, sob qualquer ponto de vista que se queira, inviável? Há muito Dilma rompeu os fios que a ligavam à realidade. Tal uma Norma Desmond, a protagonista de “O Crepúsculo dos Deuses”, magnificamente interpretada por Gloria Swason, ela segue se comportando como estrela, ainda que tudo à sua volta já tenha ruído e só a irrelevância a aguarde, com seus enormes e terríveis tentáculos.
No dia 31 de agosto, mais tardar 1º de setembro, Norma deixará o Palácio da Alvorada e se mudará para lugar nenhum. Ocupará o rodapé da história como a presidente deposta que chamou o cumprimento da Constituição de golpe.
Enquanto ela insistia na tese do plebiscito, Rui Falcão, o presidente do PT, sustentava justamente o contrário. O partido não quer saber dessa história. Para todos os efeitos, continuará a advogar a volta de Dilma. Sabendo que isso não vai acontecer, Falcão já antecipa: a legenda fará uma espécie de memorial exaltando a obra de Lula e dará todo o suporte para o chefão do PT defender o seu legado. Ou por outra: o partido impichou Dilma da sua história antes que o Senado a tenha impichado do governo.
E Lula? Ah, este resolveu lançar candidaturas à Prefeitura em Cubatão e Santos. Mal tocou no nome do Dilma — também ele já se cansou desse assunto. Aquele que se imaginava uma espécie de reencarnação de Buda com Jesus Cristo foi flagrado sugerindo a meia-dúzia de petistas em Cubatão que não votem em senadores que forem favoráveis ao impeachment… Para que isso fizesse ao menos algum sentido teórico, seria preciso que a maioria da população fosse contrária ao impedimento de Dilma. Ocorre que é a favor.
Arre! Essa gente tem de sair logo de cena e nos deixar em paz! Em uma coisa, a turma jamais lembrará “O Crepúsculo dos Deuses”: sua decadência não tem estilo; é de uma assombrosa vulgaridade.
Rio olímpico
FSP
Realiza-se na noite desta sexta-feira (5) a cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio, a primeira realizada na América do Sul. Nos 16 dias seguintes, mais de 10 mil atletas de 206 países competirão em 42 modalidades sob os olhares de bilhões de pessoas.
A despeito dos tropeços e atrasos no cronograma, a capital fluminense parece pronta para receber os Jogos e, todos desejam, repetir o sucesso de organização da Copa do Mundo de 2014.
É grande a expectativa, ainda, com o desempenho da delegação brasileira nas provas. A meta do COB (Comitê Olímpico do Brasil) é pôr o país entre os dez primeiros colocados no quadro de medalhas.
Dado o histórico de participações nacionais, trata-se de propósito ambicioso. A melhor colocação até hoje se deu em Atenas-2004, com o 16º lugar; em Londres-2012, o Brasil ficou na 22ª posição.
O objetivo, de todo modo, se afigura factível. O time nacional terá, nesta edição, o maior número de atletas de sua história, 465 esportistas —contra os 259 de 2012, em Londres. É a segunda maior delegação, depois da norte-americana, que conta 555 esportistas.
O grupo, porém, é bem menos experiente que nos últimos Jogos: 67% da equipe fará sua estreia olímpica no Rio de Janeiro. Em 2012, eram 52%.
O maior tamanho da representação é prerrogativa do país-sede, pois este pode inscrever esportistas em quase todas as modalidades sem que seja atingido o desempenho classificatório mínimo.
Nações que recebem os Jogos tradicionalmente melhoram seu desempenho. Nos últimos 60 anos, elas conquistaram, em média, 13 medalhas a mais que na edição anterior. Se seguir essa tendência, o Brasil cumpriria o objetivo de ficar entre os dez primeiros, ao menos no que se refere ao total de pódios.
Além de contar com mais esportistas, o país-sede também costuma investir mais recursos que o usual na preparação de seus atletas. Da construção de centros de treinamento à concessão de bolsas para desportistas, o Ministério do Esporte despendeu R$ 4 bilhões de 2013 a 2016 —ao menos 50% mais que no ciclo olímpico anterior.
A motivação extra dos atletas por disputarem os Jogos em casa e o incentivo da torcida também concorrem para um resultado melhor. Em 2012, por exemplo, o Reino Unido obteve dez ouros adicionais na comparação com 2008.
Um fator circunstancial a favorecer o Brasil decorre da exclusão da Rússia nas competições de atletismo por fraudes no controle de doping. Há destacados desportistas brasileiros nessa modalidade.
O país inteiro torce para que os Jogos Rio-2016 sejam impecáveis, dentro e fora das arenas, e para que a redobrada atenção com o esporte não se atrofie após a festa olímpica, projetando o espectro da crise sobre uma atividade que leva saúde e alegria à população. 

Buongiorno a tutti voi amici

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Harley
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METALLICA - DISPOSABLE HEROES

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Joker and Harley - Suicide Squad by jasric

METALLICA - JUMP IN THE FIRE

Cena do filme 'Esquadrão Suicida'
O samba do partido doido
Os historiadores do futuro só poderão concluir que jamais um grupo político tão medíocre, arrogante e pretensioso esteve no poder no Brasil
OESP
Há carradas de razões para que se consume o impeachment da presidente Dilma Rousseff, desde as arroladas no processo ora em curso no Senado até as que fizeram do quase finado governo da petista o mais irresponsável e corrupto da história nacional. Mas o voto em separado elaborado pelo PT para se contrapor, na Comissão Especial do Impeachment no Senado, ao parecer do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) é prova cabal de outro grave delito cometido recorrentemente pelos petistas: o de lesa-inteligência. Em poucas oportunidades, os borra-papéis do partido conseguiram juntar num mesmo texto tão estapafúrdias referências – que vão de Dante Alighieri a Hitler – para reafirmar a tese de que Dilma é vítima de golpe.
Enquanto Anastasia procurou embasar seu parecer em fatos, dizendo que a gestão de Dilma instaurou “um vale-tudo orçamentário e fiscal que trouxe sérias consequências negativas para o País”, os petistas denunciaram que a presidente é vítima de uma conspiração das forças do mal. Para isso, apelaram à mais medíocre literatice, a começar pelo título: Crônica de um golpe anunciado.
Logo nos primeiros parágrafos, denuncia-se que, “na calada da noite, em meio aos odores desagradáveis emanados do fisiologismo político e da hipocrisia moral”, se urdiu, em seguida à reeleição de Dilma, “o golpe que ameaça submergir o Brasil numa longa noite de autoritarismo, conservadorismo, retrocesso social e desconstrução de direitos”.
O texto segue nessa toada embaraçosa, dizendo que, “enquanto os justos dormiam o sono do dever cívico cumprido, os derrotados, com ânimo inconformado e insone, iniciavam sua trama cínica e antidemocrática, apoiados em mentiras, distorções e, sobretudo, num secular desprezo pelo voto popular”. Os “justos”, claro, são Dilma e os petistas – aqueles cuja campanha eleitoral foi irrigada com dinheiro de origem mais do que duvidosa e que mentiram descaradamente nos palanques.
A trama, diz o texto, foi “de tal forma sinistra que poderia ter sido contada por Virgílio a Dante Alighieri e ter como introito a lúgubre frase Deixai toda esperança, vós que entrais! Com efeito, começava ali a nova descida da democracia brasileira aos históricos infernos do golpismo”. Era o caso de mencionar que o oitavo círculo do inferno de Dante é aquele onde os corruptos, hipócritas e falsários são punidos com banho em piche fervente, mas o texto omite essa passagem.
O festival de asneiras prossegue no trecho em que os petistas acusam a oposição de disseminar o ódio contra o partido. Eles não se limitam a citar Mandela: “O ódio é algo que se ensina”. Para a tigrada, a estratégia para incitar a violência contra o PT se assemelha à dos nazistas contra os judeus, “como ensinava Goebbels”. E a luta contra a corrupção é vista como “forma de legitimação de forças ou regimes autoritários”: “Hitler, por exemplo, legitimou em grande parte a sua ascensão no cenário político alemão com o recurso demagogo da ‘limpeza das ruas’ alemãs de judeus, ciganos, comunistas e corruptos”.
Na ladainha, assinada pelos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Kátia Abreu (PMDB-TO), não faltaram nem mesmo acusações de que Dilma sofreu o tal “golpe” por ser mulher – e essa alegada misoginia desrespeitou até “o corpo da presidenta do Brasil”. Homessa!
Para coroar, esse verdadeiro samba do partido doido, que faz referências também a Hannah Arendt, Sófocles, Getúlio Vargas e Carlos Lacerda, termina com uma manjada citação de Marx, evocado para dizer que “é a história que se repete, desta vez como farsa”. A turma aposta que “o julgamento definitivo desse hediondo crime de irresponsabilidade caberá, em instância irrecorrível, à História”. Os “historiadores do futuro”, conclui o voto, vão se debruçar sobre esses episódios e concluir que o impeachment, se ocorrer, terá sido um golpe.
Quando se depararem com esse texto exótico, no entanto, os historiadores do futuro só poderão concluir que jamais um grupo político tão medíocre, arrogante e pretensioso esteve no poder no Brasil.