quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Blues Saraceno - Carry Me Back Home



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Dobro guitar - Overview by mrflix on Flickr.
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John Thompson, inventor of… yes, the Tommy gun. by War History Online on Flickr.
John Thompson, inventor of… yes, the Tommy gun. by War History Online
Os gêmeos terríveis, por Winston Churchill 
Arca Reaça - Reaçonaria 
Setembro de 1939, revista COLLIER'S. Leiam uma introdução neste post.
Churchill, novamente Lorde da Marinha no Gabinete de Guerra Britânico, enviou este artigo para a revista Collier poucas horas antes do início da Guerra. Desconfiado desde o início da política de apaziguamento, ele não perdeu a chance de alertar o mundo do desastre que se avizinha. Aqui estão suas opiniões, dadas com eloquência, sobre o pacto entre Hitler e Stálin
O senhor Chamberlain descreveu o anúncio do pacto Nazista-Soviético como bombástico. Foi certamente um evento marcante e que lançou raios sinistros mas reveladores em muitas direções. Foi com grande dificuldade e pressionado pelo perigo que o partido Conservador na Inglaterra chegou a tolerar a idéia de negociar ou mesmo se aliar com a besta fera do bolchevismo mas, quando afinal o governo britânico acreditou que seria uma opção inteligente tentar levar a Rússia a uma frente de não-agressão, os elementos dominantes na Inglaterra obedientemente engoliram a dose.
O “comportamento” russo, pra usar uma palavra neutra, não era bombástico para as forças conservadoras na Inglaterra ou na França. Pela primeira vez em muitos anos eles podiam gritar, alegremente, “Eu avisei!… “O que vocês esperavam”, perguntavam exultantes, “quando tentaram persuadir um crocodilo, que não fosse uma mordida destruidora?”
Mas novamente, algumas vozes da direita no Reino Unido, França e nos EUA – já que essas reações afetam todos os países – ficaram genuinamente desapontados pois o querido Herr Hitler havia traído a causa anti-Comunista ou anti-Bolchevique. Leitores de meus artigos na Collier se lembrarão que sempre apontei as muitas semelhanças entre o Bolchevismo e o Nazismo. Comparei ambos aos pólos Norte e Sul: se você acordar em uma manhã em qualquer um deles, não saberia em qual está. Podem haver alguns poucos ursos polares em um e pinguins no outro, só que eles só apareceriam gradualmente el, quanto ao resto,  haveria neve, gelo e as terríveis rajadas de vento.
Mas esses dois credos de ódio, as duas formas de tirania, ambas idiotologias marcham juntas na destruição dos direitos das pessoas comuns e exaltando um ídolo que, guardado por sacerdotes armados com metralhadoras, decide a concepção do estado. Ambos estão prontos para destruir toda a história e tradição que repousa sob a marcha da humanidade.
Ambos ansiavam repudiar a revelação cristão, ambos exaltaram a corrosão dos padrões da sociedade. Ainda assim eles eram inimigos entre si; Se apresentavam como os dois supremos antagonistas sob os quais todas as pessoas razoáveis e decentes no mundo deveriam se organizar.
Há quão pouco tempo temos ouvido que o futuro seria uma luta entre o comunismo e nazismo! Cada um, estávamos seguros, teria que se decidir se ele ou ela – porque mulheres têm algo a ver com isso – apoiariam a revolução de Karl Marx ou a reconstrução da sociedade por Adolf Hitler.
Agora esses lados opostos estão se abraçando. Reconheceram a grande lista de afinidades perdidas; a suástica com a foice e o martelo caminham lado a lado. A União Soviética se juntou ao Pacto Anticomintern. A Alemanha nazista mimou os comunistas.
Quanto maior a visão que temos desse surpreendente evento, mais devemos avaliá-lo como extremamente vantajoso para a humanidade. Ele conseguiu, com um simples chacoalhão, despir o comunismo russo e o anti-comunismo nazista de suas credenciais, de seus meios de apelo à mente e espírito humanos. Em lugar de duas poderosas e, para certos tipos de pensamento, cativantes filosofias (se é que podemos usar esta palavra) nós tivemos dois conjuntos de gângues rivais juntando forças em uma empreitada, agrupando sua sorte e tentando disparar com tudo que conseguirem pilhar como os G-Men(1) da civilização.
Eu nunca considerei o movimento nazista, com Thor, Odin and Wodin incluídos, como algo além de exploração, sob a agonia da derrota, feita por um pequeno grupo de homens maus. Entre a dócil população alemã, a idéia de ficar contra os horrores da revolução comunista ganhou uma abrangente e sincera aceitação. Os pastores podem se desviar mas o rebanho fica perplexo e perturbado. Eles levantaram suas cabeças e gritaram na noite fria.
Mas o conceito comunista russo representava uma escola de pensamento muito mais profundamente enraizada . Milhões de homens espalhados por muitos países têm a doutrina do comunismo como seus princípios para a vida. Ainda que sejam almas pervertidas, distorcidas, doentias e diminutas, ao menos eles têm uma motivação. Grandes forças em todas as nações se levantam contra a desigualdade de riquezas materiais e as velhas regras de respeito pela propriedade privada pelas quais, por milhares de anos, a raça humana tem, lentamente e aos tropeços, se afastado do barbarismo.

Duas estradas para o mesmo destino

Outros elementos duros e auto-afirmativos declararam que apenas pelo Socialismo Nacional ou Nazismo se poderia atingir esta meta. Essa deveria ser então a batalha da nova geração. Agora eles estão todos misturados em uma névoa de desesperança e excitação, e esse é o momento em que aqueles que se apegaram firmemente aos princípios da democracia livre, dos governos representativos e parlamentar; que sustentam os direitos do indivíduo contra o estado; que respeitam a continuidade da história e valorizam a variedade e originalidade na evolução humana; que lutam por uma família honrada e fiel, pelas relações sociais, pela boa fé e moral tanto na vida privada quanto pública, são deixados em posse exclusiva do campo intelectual
Agora sabemos que para seus líderes o comunismo é apenas um truque pelo qual grandes massas de pessoas pobres são reduzidos a uma forma de servidão, e que o nazismo é o reverso do mesmo truque pelo qual outro grande número pode ser reduzido à mesma condição melancólica. Os dez mandamentos ficam de fora. Os princípios dos direitos individuais contra a autoridade arbitrária ficam de fora, os processos de coleta dos desejos e opiniões dos cidadãos comuns e trabalhadores através de eleições livres, liberdade de expressão e instituições parlamentares; fica de fora toda a mensagem do povo que fala inglês pelo mundo. Essas falsas filosofias têm se difamado e atacado em uma fusão ridícula: Stálin-Hitler, Hitler-Stálin, às avessas e de cabeça para baixo.
É demais para os aspectos ideológicos esta meia-volta. Será um alívio para as nações livres ver seus antagonistas, campeões de formas opostas de tirania, assim neutralizadas, expostas e privadas de todas as credenciais nos domínios teóricos.
Mas as consequências na esfera da ação também precisam de muita atenção. Os governos francês e britânico estavam prontos para se aliarem com a União Soviética para conter a violência da Alemanha nazista. Estavam prontos porque cada um deve enfrentar os perigos e dificuldades da vida com um espírito prático.
Tenho sido questionado muitas vezes sobre quem é pior, o comunismo ou o nazismo. Respondo que qualquer um que esteja próximo de dominar qualquer país a qualquer momento. Ainda que os russos vistam uma máscara comunista, um grande número deles é composto por pessoas boas, decentes, carregando uma carga pesada e ansiosos por fazerem o melhor que podem para si mesmos, suas famílias, seus vizinhos e seu país. Todos devem ser muito cuidadosos na distinção entre a imagem apresentada pela panelinha dominante em qualquer país e as pessoas de boa índole, generosas, pobres e confusos seres humanos que ficam desamparados sob controle deles.
A massa de pessoas oprimidas pelo trabalho pesado e absorvidas pelos prazeres limitados e servidão da vida diária têm quase o mesmo sentimento em relação a políticos em todos os lugares, mas se não forem educados por um bom tempo sobre os firmes princípios da liberdade, lei e justiça, e ensinados a trabalhar por esses objetivos, são então presas fáceis para diversos tipos de obsessões monstruosas e desumanas. Também entre essas massas surgem o amor ao país, o orgulho da raça, a esperança por dias melhores e, quando tudo foi dito e feito, essa força nacionalista e de interesse nacional se torna mais forte, mais persistente, mais profunda e mais enraizada que qualquer uniforme ideológico que o governo tenha ordenado os cidadãos a vestir.
Pode durar muito tempo a controversa questão sobre a possibilidade de um acordo entre as democracias ocidentais e o sistema russo-stalinista. Muitos pensam que se no início, logo após a captura de Praga ou, melhor ainda, antes, os governos francês e britânico tivessem se dirigido aos soviéticos com espírito cordial, o grande peso da Rússia como contrapeso poderia ter sido direcionado contra os nazistas.
Nenhuma pessoa bem informada poderia esperar que os exércitos russos lutassem a batalha da civilização ocidental. Lá existiam grandes exércitos contados em milhões. Eles aparentavam se erguer como um fator nos assuntos europeus. Comunistas em todos os países e em todos os partidos da esquerda e centro-esquerda viam essas massas russas armadas como um meio de intimidar Hitler, e todos esperavam que ele seriam um meio de prevenir a guerra, mas os especialistas militares sempre tinham dúvidas se no caso de uma guerra, essa pesada massa russa poderia se mover.

A Polônia não queria os russos

Havia um entendimenro generalizado de que eles (os russos) não conseguiriam se mover muito além de seu país. Eles tinham que defender suas fronteiras. Eles certamente seriam formidáveis nos recuos de sua vasta terra, mas nenhum especialista francês ou britânico imaginou que eles agiriam ofensivamente contra as tropas regulares alemãs. Todos os seus melhores generais haviam sido assassinados. Tukatchevsky(2), o hábil marechal, foi assassinado por Stálin tentando fazer dois anos antes o que Stálin fez agora. Seu corpo descansa ardendo no túmulo mas sua alma marcha agora no coração de seu executor.
Os poloneses, que estavam tão próximos dos russos quanto dos alemães e estavam vital e mortalmente interessados na conclusão, eram os mais determinados em não permitir tropas russas em seu território. Qualquer coisa, pensavam eles, seria melhor que isso. Se foi uma decisão sábia, não sabemos. Foi o ponto exato em que as conversas militares cessaram. Os generais russos conversando com as missões militar, naval e aérea da França e do Reino Unido, disseram que se quisessem resistir à ameaça alemã efetivamente eles deveriam avançar e bloquear as duas linhas de avanço alemão na Rússia que ficam nos dois lados da ampla barreira formada pelos pântanos de Pripiat.
Dum ponto de vista puramente técnico, esses eram propósitos razoáveis, mas os poloneses não queriam tropas russas, como expliquei na Casa dos Comuns (3). O que eles queriam não era mais tropas russas mas sim mais munições e suprimentos russos. A Polônia não sofria da falta de soldados corajosos e leais. Ela possuía mais do que podia equipar e manter em campo de batalha. Qual seria o benefício de bloquear as ferrovias polonesas vindas da Rússia com equipamentos das divisões russas quando esses mesmos suprimentos poderiam ter sido encaminhados diretamente às linhas polonesas que enfrentavam a invasão alemã?
Neste caso, para todos os efeitos, houve uma diferença natural de opinião, mas foi ela a causa do colapso ou havia uma  má-fé dos soviéticos guiando todos os seus passos? Isso certamente cai mal para os russos. É claro que uma pessoa pode trapacear e vencer, ainda que a longa experiência da humanidade seja a de que a honestidade é a melhor política. Mas foi certamente uma situação que nenhuma sociedade humana justificaria quando a comissão militar anglo-francesa discutia ações contra a Alemanha dia após dia com ministros e generais russos enquanto ao mesmo tempo esses mesmos ministros e o mesmo alto comando negociavam um pacto com a Alemanha, hostil aos britânicos, à França e mais perigoso ainda, à Polônia.
Há uma máxima muito parecida entre comunistas e nazistas de que nenhuma fé pode ser mantida em países ou pessoas fora de suas crenças particulares. Hitler deixou isso bem claro em seu Mein Kampf (Minha Luta), mas também por suas ações, que uma promessa ou um pacto só tem validade enquanto servir à sua conveniência. E na raiz das doutrinas comunistas há a de que não apenas nenhuma fé precisa existir mas de que nenhuma fé possa ser mantida entre não-comunistas.
É portanto muito difícil lidar com esses nobres pois são poderosos, armados e vivem em grandes números no mundo em que habitamos. É necessário ter uma permanente tentativa de estabelecer relações; encontrar uma linguagem no qual, seja em paz ou em guerra, negociações possam ser mantidas em todo o golfo. Mas precisamos ter plena certeza que no longo prazo, a fidelidade e estrita observância dos acordos sejam honrados como meio de sobrevivência e vitória e que o contrário apenas leva a uma convulsão bárbara e miserável.
Devemos ver essa verdade ilustrada nos próximos anos. Tenho lidado com as profundas reações, para qual nenhum homem consegue ver o fim, produzidas pelo acordo Hitler-Stalin sobre os sinceros comunistas e anti-comunistas por todo o mundo. Eles estão privados de qualquer liderança e assunto. Foram deixados apenas com seus apetites, oportunismo e, não nos esqueçamos, armamentos.

Estranhamento japonês

Mas o efeito da reviravolta desesperada de Herr Hitler já está surpreendentemente marcado nos países que tentaram se identificar com a crença nazista. É válido traçar essas repercussões nos vários países relevantes, quaisquer que sejam suas posições sobre o tratamento soviético à Grã Bretanha e, sobretudo, à França, com quem eles assinaram um acordo.
Não pode haver dúvida de que o tratamento dado por Hitler ao Japão atinge os mais altos níveis de cinismo e traição. Nesse caso ele é o requerente. Ele persuadiu o Japão a se juntar a um bloco Anti-Internacional Socialista e os militares de lá estavam ansiosos por transformar esse compromisso numa aliança definitiva pelo qual os nazistas estavam pressionando. Todo o processo de convencimento do Japão estava sendo realizado de forma sedutora. Agora os japoneses vêem  subitamente a Alemanha trabalhando em harmonia com o grande poder dos exércitos siberianos, que apontam ameaçadoramente ao Japão pelo norte.
Do ponto de vista britânico, podemos esperar sem sombra de dúvidas um alívio de nossas dificuldades no extremo oriente. Os militares japoneses, tendo sido insultados e traídos pelo seu parceiro europeu, devem começar a se lembrar da Grã Bretanha e dos EUA, de quem nunca receberam qualquer coisa em sua ascenção e modernização, exceto ajuda e boas intenções.
Se eles estranham hoje ao mundo que fala inglês, é apenas porque investiram numa política de agressão e conquista na China. Eles devem desistir de sua cruel e ambiciosa política, pela qual o sucesso é em hipótese alguma certo, e encontrar o caminho de volta à sanidade e segurança.
Eu nunca considerei o fascismo italiano como no mesmo nível que o nazismo, e todos foram atingidos pela grande deterioração na posição da Itália após a violenta expansão alemã no norte. Esse não é o momento para profecias que podem ser falsificadas no mesmo momento em que são impressas, mas ninguém pode duvidar que toda a base ideológica da associação entre Berlim e Roma foi destruída, e nenhum sentimento ou interesse junta esses eixos de poder.
Hitler e Stálin, aliados e causadores da II Guerra Mundial – Clique para ampliar

Como a Democracia saiu vencedora

Vamos então avaliar toda a cena e tentar aferir as consequências do acordo Nazi-soviético no sentido político.
Não há necessidade de frustração no campo das relações externas. As democracias ocidentais ganharam um alívio no extremo oriente e há possibilidades de outro no Mediterrâneo. Hitler não iria contra as convicções de sua vida se ele não tivesse sido forçado a açÕes desesperadas. O fato de que ele desejava apertar essas mãos que ele havia desprezado e estigmatizado, a ruptura nos princípios sobre os quais suas concepções políticas se firmaram, provam quanto mortais são suas necessidades e desejos. O fato da União Soviética recuar da cena européia dessa maneira e nesta conjuntura foi a causa de liberação de todas essas calamidades mundiais que ninguém consegue medir agora. Mas entre as profundas reações que seguiram dessa estranha e abrupta mudança nenhuma é mais importante do que a clara luz jogada sobre a causa da liberdade, agora desafiada como nunca antes.
Tudo que os arquitetos da Constituição Americana levaram além do oceano e encarnaram na estrutura do novo mundo está envolvido, mas além dessas grandes idéias e sistemas de governo livre e da força do cidadão individual eleva-se em gigante esplendor e simplicidade a questão moral. Ela pode ser julgada em qualquer homem com sua própria consciência. O caminho pelo qual a raça humana tem seguido foi muitas vezes obscuro e cheio de obstáculos, mas os faróis da honestidade, justiça, misericórdia e boa fé nunca arderam com tanta intensidade. Seguindo-os, certamente conseguiremos seguir nosso caminho adiante para as terras altas em que teremos espaço para todos e onde os homens de todos os lugares serão úteis para todos os outros.
Nós nessa velha ilha não tememos que os poderes absolutos confiados ao governo do rei sejam exacerbados. Eles não serão explorados poor nenhum partido ou interesse de classe. Eles serão devotados apenas a serviço da grande causa e olhamos o futuro confiantes para o dia em que nossos direitos e liberdades, dos quais abrimos mão voluntariamente, serão reestabelecidos à nação britânica e quando estiver ao nosso alcance compartilhá-lo com outras raças e povos para quem essas bênçãos são desconhecidas.
(1) Sucesso de bilheteria nos anos 1930, “G-MEN” era um filme que apresentava um agente do governo combatendo bandidos. O sucesso do filme fez nascer a gíria G-Man, que designaria agentes do governo. Leiam sobre o filme no IMDB
(2) Leiam mais sobre Mikhail Tukhachevsky na Wikipédia.
Em 1939, Churchill já sabia das semelhanças entre nazismo e comunismo
O artigo “Os gêmeos terríveis“, escrito por Winston Churchill em 1939 e traduzido de forma inédita aqui no Brasil por nosso site, é um documento histórico que tem uma relevância muito maior agora que ganhou corpo em nosso país o debate sobre os matizes ideológicos do movimento nazista.
Publicado pela revista mensal norte-americana Collier’s, ele foi enviado por Churchill algumas horas antes de ser oficialmente deflagrada o que seria chamada depois de II Guerra Mundial. O então chefe da Marinha britânica mostrava como enfrentou resistências dentro de seu partido por ter sido, desde o princípio, contrário a tudo o que representavam os nazistas. Churchill explica como o mundo de então por algumas vezes via neles uma força opositora aos comunistas, enquanto os esquerdistas do mundo acreditavam que sua potência-mãe pararia os alemães.
O artigo foi escrito sob o grande impacto da união entre Stálin e Hitler celebrada dias antes. Churchill explica como eram muito circunstanciais as desavenças entre os regimes pois eles tinham certamente muito mais pontos em comum do que discordâncias. Se havia uma desavença real entre eles essa se manifestava apenas pelo fato de ambos acreditarem que somente eles poderiam reformar e dominar definitivamente a humanidade.  Mais importante, Churchill fazia o juízo correto especialmente por não guiar sua visão do que acontecia sob prismas restritos como os da ideologia política (esquerda vs direita)  ou da economia (liberal e capitalista ou estatista). Para ele, o que deixava claro o aspecto nefasto do comunismo e do nazismo podia ser percebido por qualquer cidadão normal e de bem.

Nas partes mais significativas do artigo, Churchill lembra como nazistas e socialistas atentavam contra os padrões morais da sociedade, tão duramente construídos e erguidos por muitos anos de experiência, erros e aprendizados. O nazismo e o comunismo atentavam sim contra as instituições novas e importantes como eleições livres e liberdade de imprensa, mas mais grave ainda era o ataque aos pilares mais antigos e duradouros da sociedade ocidental, como os ensinamentos dos 10 mandamentos. Sem falar isso, fica claro que para Churchill, ainda que algum desses dois caminhos tão semelhantes prevalecesse e a sociedade evoluísse materialmente, ela estaria se distanciando de um sentido mais elevado para a sua existência.
Mas Churchill errou em alguns prognósticos. Ele acreditava que o Japão, após a união comuno-nazista, tentaria se aproximar dos EUA e da Grã-Bretanha. Também esperava que Mussolini se afastasse de Hitler. Para azar dele e do mundo, houve o contrário. Mas também para sorte do mundo, Stálin não investiu firmemente nos planos de Hitler, preferindo acompanhar a escalada da guerra para tomar posição apenas quando estivesse mais fácil decidir qual lado, mais fragilizado, atacar. Numa época de insanidade social e científica, não dava mesmo para contar com respostas elementares.
Tanto tempo depois, as loucuras do mundo não parecem ter a mesma força de 1939 ao menos em um aspecto: não há forças centrais estabelecidas com os intuitos mais nefastos no comando de uma das grandes potências. As ameaças de ainda mais decadência para a comunidade global hoje são sem dúvida graves, e têm no extremismo islâmico sua maior expressão, mas não chegam perto do que representava o gigantismo russo e o poderio militar nazista. Por outro lado, por um relaxamento trazido pela ilusão da paz duradoura e de avanços tecnológicos, o mundo hoje não tem nos chefes de estado ou em seus conselheiros mais próximos homens com grandeza de caráter e espírito como Churchill, que praticamente sozinho (em 1939) conseguia olhar para os aspectos mais relevantes das alianças políticas que se realizavam e para onde elas levariam o mundo. Churchill foi um gigante  que se ergueu contra uma época de loucura, enquanto hoje os chefes de estado se dobram para promover movimentos segregacionistas e revolucionários que podem nos levar a uma crise que não vivenciamos desde a década de 1940.
Democracia, moral e reforma política
Não deve haver lugar para iniciativas que facilitem a reeleição, contrariando o sistema democrático. Ato parlamentar em causa própria foge à diretriz constitucional
 
O Congresso Nacional saiu fora (sic) da órbita e ultrapassa os limites do justo ou razoável quando, com o objetivo de aprovar uma autorreforma, usurpa a soberania do povo e fere o artigo 1º da Constituição Federal, cujo sistema de representação, segundo o Artigo 14, só poderá ser alterado por plebiscito. O “distritão” ou “semidistritão”, ao incentivar o descasamento entre a representatividade social e a parlamentar, contribui para a confusão geral por facilitar a reeleição de deputados. A Câmara parece com um tio às vezes ranzinza, mas essencialmente generoso com seus afilhados. Como todo mundo espera, afinal entrega os pontos e passa o dinheiro, dá a autorização ou concede bênçãos e, então, volta à cadeira de balanço para outro ano de sonolência, interrompido apenas por um olhar ocasional à rua e um resmungo de dúvida se fez a coisa certa.
Por textos constitucionais expressos, a nossa ordem política tem que se basear na liberdade, na ordem social e econômica, na justiça e no trabalho. Não deve haver, assim, lugar para iniciativas que visam a facilitar a reeleição de deputados, atitude que contraria o sistema democrático. Todo ato parlamentar em causa própria foge à diretriz constitucional e cria o fermento da revolta, que cresce no espaço escuro formado pelo desnível entre o plano da lei e o plano da realidade.
Na base da organização política, fixamos os princípios da ordem social, irremovível fenômeno do nosso tempo. Na justiça social, na liberdade de iniciativa, na valorização do trabalho, na ética devemos assentar as instituições nacionais. Vivemos, hoje, uma crise que indica o esgotamento do Estado brasileiro: a insustentabilidade do contrato social da Constituição; a captura do Estado por grupos empresariais e corporativos; a ineficiência estrutural na gestão pública, potencializada pela corrupção em larga escala e o declínio da confiança no Congresso.
O sistema político, como conhecemos, entrou em falência. O chamado “presidencialismo de coalizão”, no seu colapso, trouxe à luz um Estado aparelhado por gangues entre ideológicas e morais. Procuremos com serenidade o ponto de convergência dessas linhas de ideias, que se transformaram perigosamente em linhas de interesse. Nessa conjuntura está a posição reclamada pelo pensamento e pela justiça. Poderá se dizer que aí está uma solução de meio-termo, odiosa aos olhos dos arrebatados e por demais serena numa hora dominada pelos ímpetos do fanatismo e de interesses de toda ordem. Mas tenhamos coragem de assumir a posição intermediária, não pela passividade dos que não querem combater, mas pela disposição de não eliminar de nosso país valores que, de um e outro lado, se afirmaram nos espíritos e aí deitaram raízes profundas. É dever de todos os responsáveis lutar contra o progressivo esvaziamento da democracia de seu conteúdo moral, com risco de transformá-la no reino da demagogia e da corrupção, que são irmãs pela sua mesma origem na impostura e ora falam aos ingênuos pela mentira das promessas, ora falam aos fracos pela mentira do dinheiro.
Daí o erro de consequências sinistras dos que esvaziam a ordem democrática do sentido ético, atentos à organização de interesses particulares, e não à ordem social. O distritão ou qualquer modelo semelhante não é adotado em nenhuma democracia avançada e não deve ser adotado por ser espúrio e imoral.
Justiça de Minas mantém condenação de Azeredo no mensalão tucano 
CAROLINA LINHARES - FSP
Os desembargadores fixaram a pena em 20 anos e um mês —nove meses a menos do que estabeleceu a sentença na primeira instância da Justiça, em dezembro de 2015.
O esquema de corrupção que teve o objetivo de financiar sua fracassada campanha à reeleição em 1998 é conhecido como "mensalão tucano".
O julgamento de recursos à condenação teve início na tarde de terça e se estendeu até a madrugada de quarta-feira (23). Prevaleceu, por dois votos a um, o entendimento de que Azeredo tinha conhecimento e participou do esquema.
O Ministério Público pediu ao TJ a prisão do ex-governador, seguindo o entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) de que é possível executar a pena após condenação na segunda instância.
Os desembargadores, porém, concordaram que é preciso esgotar os recursos no TJ antes de executar a pena. Ainda cabem dois tipos de recurso (embargos declaratório e infringentes), e a defesa afirmou que irá utilizá-los.
No caso dos embargos infringentes, o julgamento é feito por cinco e não três desembargadores.
Não há definição sobre uma eventual prescrição dos crimes imputados ao tucano em setembro do ano que vem, quando Azeredo completa 70 anos e, por isso, os prazos de prescrição caem pela metade.
A definição da prescrição depende da eventual pena que será aplicada após o julgamento dos recursos.
A denúncia oferecida em 2007 pela Procuradoria-Geral da República, quando Azeredo ocupava o cargo de senador, acusa o tucano de desviar R$ 3,5 milhões (R$ 11,7 milhões em valores atuais) de empresas estatais de Minas (Copasa, Comig e Bemge) para sua campanha.
As empresas pagaram os valores para a SMP&B, de Marcos Valério, para supostamente patrocinar três eventos esportivos. A orientação para que as estatais concedessem o patrocínio partiu da Secretaria de Comunicação do governo.
As investigações mostram, porém, que os recursos foram usados para cobrir empréstimos da campanha junto ao Banco Rural.
DIVERGÊNCIA
Embora o relator Alexandre Victor de Carvalho tenha votado para absolver Azeredo, o revisor Pedro Vergara e seu colega Adilson Lamounier divergiram e decidiram condená-lo.
Carvalho afirmou que não há provas que liguem o ex-governador aos crimes. "Não restaram apuradas ações específicas praticadas pelo acusado. [...] A denúncia é inepta, já que não descreve satisfatoriamente sua participação nos fatos", disse.
Segundo o relator, o Ministério Público faz suposições pelo fato de o ex-governador ter sido beneficiado.
Já Vergara afirmou que a denúncia descreve a conduta do acusado, que realmente praticou os delitos. Lamounier também enxergou "suficiência de provas" no processo.
Os dois desembargadores defenderam a tese de que é difícil obter provas diretas de crimes de corrupção, pois as leis são feitas pelos políticos com o objetivo de blindá-los.
Carvalho afirmou não ter havido lavagem de dinheiro, já que os empréstimos no Banco Rural, que serviriam para dissimular a verba desviada, ocorreram antes dos desvios. A verba das estatais serviu justamente para quitá-los.
O relator disse ainda que Azeredo não pode ser considerado autor dos crimes de peculato, mas apenas participante e, portanto, não poderia ser condenado antes dos verdadeiros autores (os dirigentes das estatais).
O processo do mensalão tucano foi divido, e os processos dos demais acusados ainda não foram julgados.
Vergara, por sua vez, destacou que as estatais Cemig e Comig liberaram o patrocínio aos eventos esportivos no mesmo dia em que a Secretaria de Comunicação do governo solicitou o repasse por ofício. Ainda neste mesmo dia, 7 de agosto de 1998, a SMP&B obteve empréstimo no Banco Rural dando o negócio com as estatais como garantia.
"Não teve estudo de viabilidade, o patrocínio foi rapidamente aprovado, o que mostra determinação superior. [...] A falta de procedimento administrativo evidência a ingerência política", disse o revisor.
Vergara destacou ainda que dirigentes das estatais, após autorizarem o patrocínio, se licenciaram para participar da campanha de Azeredo.
"Não é ter mero conhecimento. Azeredo sabia de todo o esquema e atuou de forma veemente para o êxito da trama."
ACUSAÇÃO E DEFESA
O procurador da Justiça Antônio de Padova Marchi Júnior afirmou, durante o julgamento, que o ex-governador "agiu com dolo direto, quis praticar crimes de peculato e favorecer-se da quantia no momento de disputa eleitoral".
Segundo o procurador, Azeredo participou ativamente dos desvios, que desequilibraram a eleição em Minas Gerais.
A defesa de Azeredo, por sua vez, reafirmou que não há prova da participação do ex-governador.
O advogado Castellar Guimarães Filho afirmou que há "vontade do MP de obter a condenação a qualquer custo" e que o "descrédito da classe política concorre para isso".
Guimarães chamou de "petulância" o fato do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ter sugerido a quantidade de anos de prisão em sua alegação final.
TRAMITAÇÃO
O processo de Azeredo foi enviado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) à primeira instância da Justiça mineira em 2014, quando o tucano renunciou ao cargo de deputado federal e perdeu o foro privilegiado.
A denúncia de 2007 envolvia outras 14 pessoas, sendo que 12 (incluindo Azeredo) se tornaram rés. Três acusados tiveram os crimes prescritos ao atingirem 70 anos de idade e um morreu.
Somente o ex-governador foi condenado. Os demais aguardam julgamento em primeira instância.
Azeredo também responde pelo caso na esfera civil.
Geddel vira réu por obstrução de justiça
Ex-ministro é suspeito de tentar impedir delação premiada de Lúcio Funaro

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília, recebeu nesta terça-feira denúncia contra o ex-ministro Geddel Vieira Lima e o transformou em réu. Ele será investigado em uma ação penal pelo crime de obstrução de justiça. Ele é suspeito de ter tentado impedir que o lobista Lúcio Funaro firmasse acordo de delação premiada. Nos depoimentos, Funaro poderia incriminar Geddel em um esquema fraudulento na Caixa Econômica Federal.
Na denúncia apresentada à Justiça Federal, o Ministério Público afirma que Geddel teria tentado atrapalhar a Operação Cui Bono, que apura fraudes na liberação de crédito da Caixa, de onde o ex-ministro foi vice-presidente de Pessoa Jurídica entre 2011 e 2013, no governo Dilma Rousseff.
Segundo o Ministério Público, em um mês e meio, Geddel fez 17 ligações para a mulher de Funaro, Raquel Pita, com o objetivo de sondar se ele faria um acordo de delação premiada. A denúncia afirma que o ex-ministro tinha a intenção de intimidar o casal. “Com ligações alegadamente amigáveis, (Geddel) intimidava indiretamente o custodiado, na tentativa de impedir ou, ao menos, retardar a colaboração de Lúcio Funaro com os órgãos investigativos Ministério Público Federal e Polícia Federal”, diz a denúncia.
Temer fez com os tucanos o que eles não tiveram coragem de fazer com ele
Elio Gaspari - FSP
Fernando Henrique Cardoso e Tasso Jereissati jamais poderiam ter imaginado que apoiando a deposição de Dilma Rousseff, substituindo-a por Michel Temer, levariam o partido para sua pior crise, correndo o risco da implosão. O vice-presidente da chapa de Dilma está esfarelando o tucanato com a ajuda de Aécio Neves, o candidato do PSDB derrotado em 2014.
Com todos os seus defeitos, o PSDB não é um partido qualquer. Ele foi criado por Fernando Henrique Cardoso, Mario Covas, Franco Montoro e José Richa. Noves fora a qualidade biográfica desse grupo, eles abandonaram o PMDB, porque prevalecera a caciquia do governador paulista, Orestes Quércia.
Quércia foi o primeiro politico bilionário produzido pela redemocratização. Ao morrer, em 2010, deixou um patrimônio de cerca de R$ 1 bilhão. Montoro, Fernando Henrique e Covas fugiram desse modelo e fundaram o PSDB em 1988. Dois anos depois, o poderoso Quércia e seu PMDB elegeram seu sucessor e Aloysio Nunes Ferreira tornou-se vice-governador. O tucanato só recuperou o governo de São Paulo em 1995, com Mario Covas, e está lá até hoje, com o apoio do PMDB, é claro.
Michel Temer navegou no PMDB, sem ser admitido no círculo elitista do tucanato de São Paulo. O vice Nunes Ferreira migrou para o PSDB em 1997 e chegou a ocupar o Ministério da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso. Hoje é o ministro das Relações Exteriores de Temer e feroz defensor da permanência do tucanato no governo. (Antonio Imbassahy, atual ministro da Secretaria de Governo, também quer que os tucanos fiquem no Planalto, mas sua relação com o PSDB começou em 2005. Antes disso, era um quadro promissor dos governos de Antonio Carlos Magalhães na Bahia.)
Brigas de tucanos não chegam a ser novidade, mas poucos estranhamentos podem ser comparados ao que envolveu Tasso e Aloysio no Alvorada, em dezembro de 2001. Uma testemunha temeu pelo pior. Os dois reaproximaram-se, mas nem tanto.
O que parece ser uma briga de Aécio Neves com Tasso Jereissati pelo controle do PSDB é uma revanche do PMDB. A revanche de um partido no qual o quercismo foi uma doença infantil que se fortaleceu na maturidade e chegou ao poder com a deposição de Dilma Rousseff.
Pode-se acusar o PSDB de tudo, mas ele tem uma corrente ideológica. É ambígua, convive com o que condena, mas preserva uma ambição ideológica. Quem duvidar dessa característica pode ler quaisquer páginas dos três volumes dos "Diário da Presidência", de FHC.
Enquanto os tucanos mandaram em Brasília, sempre houve quem defendesse um endurecimento do jogo com o PMDB. Tratava-se de contrariar seus pleitos, elevando a tensão, na certeza de que o partido de Temer seria capaz de tudo, menos de romper com o governo. A ideia nunca foi em frente. Numa trapaça da História, Temer está na Presidência e fez com os tucanos o que eles não tiveram coragem de fazer com ele.
Elevou a tensão e obrigou o PSDB e seus valorosos intelectuais a decidir se são valentes a ponto de apoiar programas e abandonar cargos.
Para Tasso Jereissati, isso não é ameaça, é conforto. Para Temer, a briga com Aécio Neves é um presente dos deuses. O PSDB, dividido, poderá encolher, dando ao PMDB o direito de sonhar com o seu espólio. Não foi uma vingança planejada, era apenas inevitável.

Eleição de 2018 pode ser a mais importante desde a redemocratização
Alexandre Schwartsman - FSP
Na semana passada, foram divulgados vários indicadores de atividade econômica, culminando com o índice do Banco Central (IBC-Br), que busca antecipar o comportamento do PIB e que, pela primeira vez desde o fim de 2013, mostrou dois trimestres consecutivos de crescimento, 1,2% e 0,3%, sempre na comparação com o trimestre imediatamente anterior, ajustados à sazonalidade.
Trata-se de desempenho positivo, nem tanto pelo IBC-Br em si, que nem sempre consegue capturar os movimentos do PIB, mas pelo conjunto da obra.
No período, observamos expansão da produção industrial (+0,9%), do varejo (+1,7%) e do volume de serviços (+0,3%), números que sugerem recuperação difundida da atividade, não mais limitada à agropecuária, como havia ocorrido no primeiro trimestre.
Mais próximo do dia a dia das pessoas, há ainda sinais de melhora no mercado de trabalho.
Dados do IBGE indicam que, também corrigida a sazonalidade, o emprego total aumentou no segundo trimestre, muito embora o crescimento tenha se dado principalmente entre os trabalhadores informais. Assim, detectamos pequena queda do desemprego (dessazonalizado), de 12,9% para 12,7%, a primeira desde o último trimestre de 2013.
Para ser sincero, não dá para garantir que o crescimento do PIB já se mostre positivo no segundo trimestre, mas a evidência aponta para uma economia que finalmente saiu do fundo do poço.
Ao contrário do ocorrido no primeiro trimestre, quando o crescimento veio do setor externo e da acumulação de estoques, componentes que tipicamente não sustentam a economia por muito tempo, o consumo deve ter sido o principal motor da expansão, sugerindo continuidade da retomada.
Em particular, como tenho insistido já há algum tempo, a redução persistente da taxa real de juros (de 7% há um ano para menos de 4% agora), resultado da queda da inflação, é a causa mais provável da recuperação.
Notando ainda que seus efeitos costumam aparecer com defasagem ao redor de seis meses, é bastante razoável concluir que ainda há impulso a se materializar na segunda metade do ano, ou seja, devemos testemunhar um desempenho um pouco melhor à frente, longe de espetacular, mas sólido o bastante para nos levar a terreno positivo ainda em 2017 e mais vigoroso em 2018.
Não se segue, contudo, que nossos problemas estejam superados. Muito embora haja condições para uma retomada moderada nos próximos 18 a 24 meses, o comportamento das contas públicas permanece como fonte constante de ansiedade e mais ainda após a revisão das metas fiscais para o período 2017-20.
Mesmo com taxas reais de juros mais baixas, a se confirmarem os números ali previstos, o governo a ser eleito em 2018 herdará uma dívida superior a 80% do PIB e a necessidade de transformar o deficit primário de 2,3% do PIB (R$ 159 bilhões) em superavit de 1% a 1,5% do PIB (de R$ 70 bilhões a R$ 100 bilhões).
A eleição do ano que vem pode ser, portanto, a mais importante pós-redemocratização do país: decidiremos se vale a pena seguir o difícil caminho do ajuste ou se optaremos pela manutenção do status quo, que nos trouxe à pior crise da nossa história.
A depender de nossos políticos, que continuam lutando pelos lugares na janelinha enquanto o ônibus marcha para o abismo, temo que o status quo largue com ampla vantagem.

Acordo difícil
Merval Pereira - O Globo 
A assim chamada reforma política não encontra consenso na Câmara e no Senado, que teriam que aprovar as mudanças com duas votações cada, com pelo menos 308 votos a favor na Câmara e 49 no Senado. Qualquer coisa que venha a ser aprovada esbarrará, porém, no financiamento da campanha eleitoral, pois nem o Fundão de R$ 3,6 bilhões tem condições de ser aprovado, nem o financiamento privado, já aprovado na Câmara em 2015, passa pelo crivo do Senado.
Mas não há ninguém pensando em baratear a campanha para reduzir os seus custos, a não ser a longo prazo, com a adoção do voto distrital misto para 2022. O Fundão bilionário estava chamando de volta à arena política os marqueteiros, atraídos pela possibilidade de gastos mirabolantes para seus efeitos especiais. Tão especiais que acabam tendo que ser financiados em paraísos fiscais.
Enquanto não chega o voto distrital misto, se é que ele chegará um dia, pois nada garante que o que for aprovado agora será mantido no futuro Congresso a ser eleito por regras que ainda não sabemos, a eleição continuará cara, mas sem que se saiba quanto o Fundo que a financiará terá.
Envergonhados com a soma absurda que foi apresentada pelo petista Vicente Candido, os políticos estão dispostos a aprovar um fundo sem valor específico, para depois defini-lo na Comissão de Finanças, dentro do Orçamento. A vantagem é que aí terão que justificar de onde virão os recursos, dentro do limite de gastos e tirando verbas de outras rubricas. Espera-se que essa situação iniba o apetite dos parlamentares.
O distritão misto, por exemplo, encarece a eleição na medida em que os partidos não contarão com as coligações proporcionais. Mas o voto majoritário para a Câmara poderia perfeitamente limitar o programa eleitoral oficial à apresentação dos candidatos, sem necessidade de grandes pirotecnias, assim como a propaganda para o Senado sempre foi mais simples que a dos candidatos a governador e presidente.
Mas é o contrário que estão armando em uma das duas comissões que tratam da reforma eleitoral. Enquanto o voto majoritário para a Câmara não está garantido, as regras para a eleição proporcional, nos moldes em que é feita hoje, vão sendo votadas, mesmo que no final tudo seja jogado fora por não se adequar ao distritão misto.
O fim das coligações proporcionais, que é consensual no meio político para evitar que partidos não representativos elejam parlamentares sem votos, está sendo debatido, mas em seu lugar criaram as federações partidárias, que permitiriam que partidos disputassem a eleição em coligação, com a exigência de que continuassem atuando conjuntamente na Câmara durante toda a legislatura, dando um mínimo de coerência às tais federações.
Mas essa medida atenuadora da mixórdia partidária está sendo reduzida em uma das comissões, a que tem como relatora a deputado Sheridan, tucana do Acre. Lá, há um texto permitindo que nas eleições estaduais existam as chamadas “subfederações”, que nada mais são do que as antigas coligações proporcionais. Nem mesmo existe a obrigação de atuar em conjunto com os demais partidos durante a legislatura, facilitando os chamados “partidos de aluguel”, que continuarão podendo participar de negociações políticas que têm muito mais características comerciais do que políticas.
Dessa maneira, as já frouxas cláusulas de desempenho que estão sendo propostas serão facilmente superadas nos Estados, ajudando a que esses partidos tenham um mínimo de votos nacionais. Trata-se, portanto, de mais uma tramóia para burlar a cláusula de barreira e continuar tudo como está, com quantos partidos os políticos forem capazes de montar atrás das verbas milionárias do Fundo Partidário e mais o Fundo eleitoral.     
Após privatização da Eletrobras, governo estuda corte em plano de saúde dos Correios e PDV na EBC
Painel - FSP
Tesoura afiada Para escapar do noticiário da crise política, o governo Michel Temer vai mergulhar numa polêmica agenda de ajuste e reestruturação de estatais. Após o anúncio da privatização da Eletrobras, vai discutir mudanças no plano de saúde dos Correios, órgão que enfrenta grave crise orçamentária. A ideia é redistribuir o custeio do benefício. Hoje, os servidores arcam com 5% da despesa e a estatal com o restante. A proposta é alvo de forte crítica entre os funcionários e deve despertar reações.
Não para Em outra frente, o Planalto enviou ao Planejamento uma proposta de PDV (Programa de Desligamento Voluntário) para servidores da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação, que cuida, entre por exemplo, da TV Brasil. Quer estimular cerca de 500 dos 2.500 funcionários a pedir demissão.
Sem fundo Integrantes da direção dos Correios dizem que os gastos com o pagamento de planos de saúde foram responsáveis por um deficit de R$ 300 milhões no ano passado. Já os servidores da estatal acusam a gestão Temer de “sucatear” sua estrutura para poder vendê-la.
Às dezenas O Diário Oficial desta quarta (23) trará uma série de exonerações em órgãos da administração federal. A lista — que inclui demissões na Funasa, no INSS, no Iphan e no Ibama — é um rescaldo do corte de cargos de aliados que votaram a favor da denúncia contra Temer.
Tampa da panela Mesmo após o acordo de delação com Lúcio Funaro, integrantes da PGR seguem em conversas com Eduardo Cunha. O operador do PMDB disse ter tomado conhecimento de alguns fatos por meio do ex-deputado — daí o interesse.
Tampa da panela 2 Apesar da situação delicada, o peemedebista colocou condições para falar. Pede imunidade aos parentes que estão na mira da Lava Jato para retomar a negociação.
Filho é teu A senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) diz que não tem responsabilidade na indicação de André Luís Pereira Nunes à SPU (Secretaria de Patrimônio da União). “Nem eu e nem o meu partido indicamos.”
Highlander O servidor chegou à SPU ainda na gestão Dilma Rousseff, sobreviveu à ascensão de Temer e foi promovido. No órgão, sua nomeação é atribuída à Graziottin.
Ponte para o futuro Em sua passagem por Pernambuco, o ex-presidente Lula vai visitar Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos. Será um gesto de reaproximação entre PT e PSB, que romperam pouco antes da eleição de 2014. 
Prato do dia Presidente nacional do PMDB, o senador Romero Jucá (RR) jantou com o prefeito João Doria (PSDB), na semana passada, no restaurante A Bela Sintra, em SP.
Quando quiser Na ocasião, Jucá reafirmou que sua sigla está de portas abertas para o tucano, cotado para o Planalto em 2018.
Privatização da Eletrobras é lado positivo da crise
Aperto fiscal não só leva governo a tratar de reformas que vinham sendo adiadas, como a reduzir o tamanho do Estado-empresário, essencial para a sociedade
O Globo
O cenário político é intrincado, e o econômico, incerto. Mas deve-se reconhecer que a crise tem permitido que o país caminhe na direção certa, na formulação de reformas, embora, infelizmente, o enfraquecimento político do governo Temer, devido a denúncias e ao seu telhado de vidro ético, o impeça de avançar, como necessário, na aprovação, no Congresso, das mudanças na Previdência.
É certo que a queda do governo lulopetista de Dilma Rousseff facilitou a imposição da agenda das reformas, embora, mesmo ela, se continuasse no Planalto, seria obrigada a fazê-las, por simples questão de sobrevivência.
O motor que impulsiona aperfeiçoamentos cruciais na condução da economia é a mais séria crise fiscal de que se tem notícia no país. Dela derivam o desengavetamento, enfim, da modernização da Previdência, entre outras ações, e, também não era sem tempo, a retomada das privatizações.
O governo já havia lançado um programa de parcerias de investimentos (PPI), para ampliar concessões, e, na segunda-feira, anunciou a venda da Eletrobras, holding estatal do setor elétrico — com exceção de Itaipu, por ser binacional, e das usinas nucleares, por imposição constitucional. Deve melhorar os humores na economia, pela relevância desta correta decisão.
A equipe econômica espera melhorar a situação fiscal com o aporte estimado de R$ 20 bilhões, a serem levantados com a venda de ações de controle da empresa, sendo criada uma golden share, para a União ter poder de veto em qualquer decisão estratégica. O mesmo foi feito na venda da Embraer e da Vale.
Se a Eletrobras não fosse estatal no governo Dilma, a presidente não colocaria a empresa em enormes dificuldades, ao intervir no setor por meio da MP 579, em 2012, forçando a redução das tarifas em 20% e também mexendo nas concessões, com nítidos objetivos populistas e eleitoreiros. Prejuízos das elétricas terminaram no Tesouro e no bolso do consumidor.
Esta é outra grande vantagem da desestatização, para além do aporte de dinheiro ao Tesouro na venda da empresa: tira dos cofres públicos o enorme custo de ter de sustentar companhias inviáveis e resgatar outras em momentos de dificuldades, muitas vezes criadas pelos próprios governantes. E ainda permite redução de custos, logo, de tarifas.
O modelo de privatização da Eletrobras, pela venda de ações, pode muito bem ser usado para desestatizar a Petrobras, por exemplo. O campo a explorar na mais do que imperiosa redução do tamanho do Estado-empresário é extenso.
Basta considerar que recente levantamento oficial contabilizou 159 estatais federais ativas — as 220 inativas também sobrecarregam o Erário —, das quais só 89 têm orçamentos próprios de investimento. Ou seja, 70 dependem abertamente do Tesouro. A crise tem permitido que a sociedade entenda por que paga tanto imposto, e mesmo assim os déficits públicos não zeram.
Privatização bem-vinda
FSP
Embora a avidez por recursos não seja a melhor conselheira em um processo de privatização, o governo dá sem sombra de dúvida um passo correto ao anunciar o intento de se desfazer da Eletrobras.
À notícia seguiu-se uma alta vertiginosa, de quase 50%, de ações da estatal negociadas em Bolsa. Os benefícios em potencial para o país, todavia, devem ir além dos antecipados pela euforia especulativa.
Em um único dia, o valor de mercado da empresa saltou para algo próximo de R$ 29 bilhões, semelhante ao que se pretende arrecadar com a desestatização. Há pela frente um complexo processo de definição das regras de venda, que precisa contemplar interesses de contribuintes e consumidores.
Sob o controle do governo, que conta com 63% do capital, a Eletrobras atua em geração, transmissão e distribuição. A empresa detém 32% da capacidade de geração de energia do país e mais de 70 mil quilômetros de linhas de transmissão. Opera também seis distribuidoras nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.
Toda essa base de ativos chegou a valer meros R$ 8 bilhões no pior momento da gestão de Dilma Rousseff (PT), a maior responsável pela ruína da companhia.
Na longa lista de desmandos administrativos estão perdas ocasionadas por planejamento deficiente nas usinas hidrelétricas de Belo Monte, Santo Antônio e Jirau; estouros no orçamento da usina nuclear Angra 3; a tentativa desatinada de baixar à força as tarifas de energia em 2012.
A ineficiência da Eletrobras se mostra ainda em comparações com o desempenho de empresas privadas, que precisam investir menos para gerar resultados similares.
Nem poderia ser diferente, dado o histórico de nomeações políticas para os postos de comando e o inchaço da folha de pessoal, que só recentemente começou a ser atenuado por meio de planos de demissão voluntária.
Se tudo isso recomenda a privatização, convém que sejam moderadas as expectativas de um desfecho célere para o processo.
Primeiro, porque infelizmente caminham a passos lentos os demais projetos de concessões e alienações em infraestrutura —particularmente rodovias e ferrovias.
Segundo, porque o modelo para a venda de uma empresa de tal calibre depende de um debate que ainda não parece amadurecido.
Dado o papel central da Eletrobras na organização do setor, será preciso ponderar temas como custo para o consumidor, concorrência e segurança energética.

Uncle Lucius - Keep The Wolves Away

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“Muse” - Excellent work by Benjamin Victor (1979)
All happy families resemble one another, each unhappy family is unhappy in its own way. - Leo Tolstoy

Nick Nolan ~ Life Of Sin


Stanislav Fomenok (1941 - )

Sleeping Girl - Reclining Nude 
Sleeping Girl – Reclining Nude
Sunny Day At The Cottage 
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Reclining Nude 
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Girl From Calella, Spain 
Girl From Calella, Spain 
Morning For Toilet 
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In The Morning 
In The Morning 
Reclining Nude In The Garden 
Reclining Nude In The Garden 
Spring 
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The Mood
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