terça-feira, 30 de setembro de 2014

MATANZA - ELA ROUBOU MEU CAMINHÃO



Via rht

Garden of Gods, Colorado

New Plymouth, Mount Taranaki, New Zealand

  by serafini on Flickr.
Neste calor só com muita cerveja gelada
A mentira como método 
Eles sabem que estão mentindo e, sem qualquer respeito próprio, repetem a mentira por décadas 
FERREIRA GULLAR - FSP 
Tenho com frequência criticado o governo do PT, particularmente o que Lula fez, faz e o que afirma, bem como o desempenho da presidente Dilma, seja como governante, seja agora como candidata à reeleição.
Esclareço que não o faço movido por impulso emocional e, sim, na medida do possível, a partir de uma avaliação objetiva.
Por isso mesmo, não posso evitar de comentar a maneira como conduzem a campanha eleitoral à Presidência da República. Se é verdade que os candidatos petistas nunca se caracterizaram por um comportamento aceitável nas campanhas eleitorais, tenho de admitir que, na campanha atual, a falta de escrúpulos ultrapassou os limites.
Lembro-me, como tanta gente lembrará também, da falta de compromisso com a verdade que tem caracterizado as campanhas eleitorais do PT, particularmente para a Presidência da República.
Nesse particular, a Petrobras tem sido o trunfo de que o PT lança mão para apresentar-se como defensor dos interesses nacionais e seus adversários como traidores desses interesses. Como conseguir que esse truque dê resultado?
Mentindo, claro, inventando que o candidato adversário tem por objetivo privatizar a Petrobras. Por exemplo, Fernando Henrique, candidato em 1994, foi objeto dessa calúnia, sem que nunca tenha dito nada que justificasse tal acusação.
Em 2006, quem disputou com Lula foi Geraldo Alckmin e a mesma mentira foi usada contra ele. Na eleição seguinte, quando a candidata era Dilma Rousseff, essa farsa se repetiu: ela, se eleita, defenderia a Petrobras, enquanto José Serra, se ganhasse a eleição, acabaria com a empresa.
É realmente inacreditável. Eles sabem que estão mentindo e, sem qualquer respeito próprio, repetem a mesma mentira. Mas não só os dirigentes e o candidato sabem que estão caluniando o adversário, muitos eleitores também o sabem, mas se deixam enganar. Por isso, tendo a crer que a mentira é uma qualidade inerente ao lulopetismo.
Quando foi introduzido, pelo governo do PSDB, o remédio genérico --vendido por menos da metade do preço do mercado-- o PT espalhou a mentira de que aquilo não era remédio de verdade. E os eleitores petistas acreditaram: preferiram pagar o triplo pelo mesmo remédio para seguir fielmente a mentira petista.
Pois é, na atual campanha, não apenas a mesma falta de escrúpulo orienta a propaganda de Dilma, como, por incrível que pareça, conseguem superar a desfaçatez das campanhas anteriores.
Mas essa exacerbação da mentira tem uma explicação: é que, desta vez, a derrota do lulopetismo é uma possibilidade tangível.
Faltando pouco para o dia da votação, Marina tem menos rejeição que Dilma e está empatada com ela no segundo turno --e o segundo turno, ao que tudo indica, é inevitável.
Assim foi que, quando Aécio parecia ameaçar a vitória da Dilma, era ele quem ia privatizar a Petrobras e acabar com o Bolsa Família.
Agora, como quem a ameaça é Marina, esta passou a ser acusada da mesma coisa: quer privatizar a Petrobras, abandonar a exploração do pré-sal e acabar com os programas assistenciais. Logo Marina, que passou fome na infância.
E não é que o Lula veio para o Rio e aqui montou uma manifestação em defesa da Petrobras e do pré-sal? Não dá para acreditar: o cara inventa a mentira e promove uma manifestação contra a mentira que ele mesmo inventou! Mas desta vez ele exagerou na farsa e a tal manifestação pifou.
Confesso que não sei qual a farsa maior, se essa, do Lula, ou a de Dilma quando afirmou que, se ela perder a eleição, a corrupção voltará ao governo. Parece piada, não parece? De mensalão em mensalão os governos petistas tornaram-se exemplo de corrupção, a tal ponto que altos dirigentes do partido foram parar na cadeia, condenados por decisão do Supremo Tribunal Federal.
Agora são os escândalos da Petrobras, saqueada por eles e por seus sócios na falcatrua: a compra da refinaria de Pasadena por valor absurdo, a fortuna despendida na refinaria de Pernambuco, as propinas divididas entre o PT e os partidos aliados, conforme a denúncia feita por Paulo Roberto Costa, à Justiça do Paraná.
Foi o Lula que declarou que não se deve dizer o que pensa, mas o que o eleitor quer ouvir. Ou seja, o certo é mentir.

ELIÂNICAS

Mato sem cachorro 
ELIANE CANTANHÊDE - FSP 
BRASÍLIA - A campanha do PSDB anda animada com os ventos de última hora em grandes redutos eleitorais, mas Aécio Neves está num mato sem cachorro. Se correr, o bicho pode pegar; se ficar, o bicho pode comer.
A boa notícia para o tucano no Datafolha é que ele cresceu seis pontos em São Paulo, por exemplo, e no geral está só nove pontos atrás de Marina Silva, a segunda colocada. A má notícia é que faltam poucos dias e o grande risco de Aécio, ao bater em Marina, é favorecer Dilma, não ele próprio.
A única chance de Aécio chegar ao segundo turno é atacar as fragilidades de Marina. Mas, se ele não calibrar bem os ataques, pode obter o efeito inverso ao que gostaria: a vitória de Dilma já no primeiro turno.
Depende de uma combinação de dados: o quanto Marina cair e o quanto ele subir. Aécio precisa bater, mas não pode bater muito. Tem de ser o suficiente para enfraquecer Marina e herdar os seus votos, não a ponto de enfraquecê-la demais e transferir pontos diretos dela para Dilma.
Uma operação delicada, ainda mais se Dilma tem todas as condições e vantagens. Quanto mais brotam notícias ruins da economia e quanto mais se sabe que ela não cumpriu as promessas de 2010, mais ela cresce. O que se discute não é o crescimento pífio, as contas públicas, o desequilíbrio externo. É se Marina é a candidata dos banqueiros. Raia o ridículo.
Isso comprova que as versões e o marketing valem mais do que os fatos e a realidade. São eles que determinam os rumos das eleições. E, além de todos os seus trunfos objetivos, Dilma conta com a oposição dividida, competindo entre si, atarantada, para fazer o jogo dela.
Aécio precisa medir adequadamente os ataques no primeiro turno. E PSDB, PSB, Rede, DEM e PPS não podem explodir pontes para uma rearticulação de forças no segundo. Senão, ficará cada vez mais difícil enfrentar o rolo compressor do governo e do PT. Apesar de tudo e de todo o grande desgaste, aparentemente irreversível, do partido.
Desafio aos socialistas 
Ney Carvalho - IL 
paises-socialistas-conheca-11Desde a Revolução Industrial o progresso material das sociedades ocidentais é um dado inegável e jamais contestado. Surgiram grandes conquistas a partir do século XVIII, como equipamentos para fiar e tecer, engenhos a vapor, estradas de ferro, telégrafo, indústria de petróleo, mineração, siderurgia, eletricidade, telefonia, automóvel, aviação civil e tantas outras.
Sem contar as melhorias científicas e tecnológicas que nos cercam de segurança e comodidades no dia-a-dia das quais nem nos damos conta, como os antibióticos, fármacos e equipamentos para diagnóstico de todos os males. Além de banalidades como geladeiras, aparelhos de calefação e refrigeração, fornos de micro-ondas, cinema, rádio, televisão, telefonia celular, computadores pessoais, etc., etc., etc.
Sem exceção, todas essas inovações nasceram em sociedades econômica e politicamente livres, fossem européias, americanas ou, mais recentemente, asiáticas.
A partir de 1917, com a revolução bolchevique, proliferaram em toda parte os regimes ditos socialistas. Essas construções completam um século daqui a três anos e seus adeptos seguem exibindo retórica vanguardista, apesar da estrondosa queda do Muro de Berlim, em 1989. Está na hora de demonstrarem a eficácia de suas premissas. Afinal de contas já lá vão quase 100 anos da inauguração de tais sistemas. E aí reside meu repto.
Desafio os igualitários a indicarem um, nada mais que um único progresso material oriundo do socialismo. Uma invenção ou inovação que ateste e registre eventual superioridade de suas sociedades, e organizações, sobre os regimes democráticos e liberais que tanto demonizam.
Gestão desabonadora  
Governo Dilma insiste em lidar com as contas públicas por meio de truques contábeis e previsões orçamentárias irrealistas
FSP
Têm sido recorrentes os exemplos de má gestão no governo Dilma Rousseff (PT), pródigo em truques de contabilidade para fechar as contas públicas e irrealista em excesso nas previsões que faz para elaborar o Orçamento.
Tomem-se as receitas. Com o arrefecimento da atividade econômica, a arrecadação estagnou, ficando longe, em 2014, do crescimento superestimado pelo Planalto. Em 2015, tudo leva a crer que o cenário pífio se repita, mas o governo, ao montar suas planilhas, mais uma vez supõe um aumento.
Ao ignorar princípios de prudência que deveriam pautar seus cálculos, a atual administração não se limita a inspirar descrédito, com suas consequências deletérias para o custo da dívida pública. A atitude temerária também estimula a própria máquina a inventar manobras contábeis com o fim de disfarçar a insuficiência de recursos.
No episódio mais recente, a gestão Dilma cortou quase pela metade (de R$ 18,9 bilhões para R$ 10,1 bilhões) a programação de gastos para 2015 com o abono salarial do PIS/Pasep --benefício pago a cerca de 20 milhões de trabalhadores com carteira assinada que receberam, em média, até dois salários mínimos mensais no ano anterior.
Iniciativas dessa natureza ainda têm algo de espantoso, pois nem ludibriam observadores da economia nem livram o país de sofrer os efeitos reais, e negativos, dessa gestão imprudente.
O governo da presidente Dilma Rousseff mesmo assim recorre sem cessar a parcelamentos de dívidas tributárias, com a intenção de compensar, com receitas atípicas e incertas, os rombos deixados pela falta de entradas regulares.
Cria despesas que não são discutidas no Orçamento, como as injeções de dinheiro no BNDES, financiadas por aumento de dívida pública. Tais empréstimos ao banco estatal, aliás, foram renegociados com base em prazos e juros ainda mais subsidiados --trata-se, portanto, de maquiagem das dificuldades presentes à custa do futuro.
Recorreu-se até à prática perigosíssima de atrasar repasses à Caixa Econômica Federal de fundos destinados ao pagamento de benefícios sociais. Assim, o banco federal paga, com recursos próprios, os compromissos do Tesouro e espera receber o repasse devido.
Em suma, esta administração desmoraliza as instituições desenvolvidas penosa e lentamente com o objetivo republicano de tornar transparentes as contas públicas e colocá-las sob controle, sujeitas ao escrutínio público.
Como se já não fosse em si bastante, contribui com isso para a deterioração objetiva da economia e para o aumento da incerteza a respeito do futuro do país.
Um país à beira do precipício 
Já estamos em recessão, apesar de uma inflação bastante elevada. Não obstante, Dilma ainda é a líder nas pesquisas. Como?
Rodrigo Constantino -O Globo
Como ainda ter esperanças no eterno “país do futuro” quando vemos que a presidente Dilma, depois dos novos escândalos da Petrobras, continua como favorita na corrida eleitoral? Não só isso: a delação premiada do importante ex-diretor Paulo Roberto Costa, chamado de “Paulinho” por Lula, não fez um único arranhão na candidatura da presidente. É um espanto! 
Quando estourou o escândalo do mensalão em 2005, muitos acharam que era o fim de Lula e do PT. Os tucanos julgaram melhor deixá-lo sangrando até as eleições em vez de partir para um pedido legítimo de impeachment. Lula foi reeleito. A economia ia bem, graças principalmente ao crescimento chinês.
Em 2010, Lula decidiu iluminar seu “poste”, e Dilma, sem jamais ter vencido uma eleição na vida, foi alçada diretamente ao posto máximo de nossa política. Havia vários escândalos de corrupção divulgados pela imprensa, mas nada disso adiantou. A economia estava “bombando”, no auge da euforia com o Brasil. E, como sabemos, é a economia que importa, certo?
Mas o que dizer de 2014, então? Os escândalos só aumentaram, a imagem de “faxineira ética” virou piada de mau gosto, e até a economia mudou o curso, derrubando o mito de “gerentona eficiente”. Já estamos em recessão, apesar de uma inflação bastante elevada. Não obstante, Dilma ainda é a líder nas pesquisas. Como?
É inevitável concluir que o povo brasileiro ou é extremamente alienado, ou não dá a mínima para a roubalheira. Quem aplaude o atual governo ou não sabe o que está acontecendo, ou está ganhando dinheiro com o que está acontecendo. O PT conseguiu banalizar a corrupção. Muitos repetem por aí que todos os partidos são corruptos mesmo, então tanto faz: ao menos o PT ajudou os mais pobres. Vivem em Marte?
Esses que adotam tal discurso são coniventes com o butim, são cúmplices dos infindáveis esquemas de desvio de recursos públicos. Querem apenas preservar sua parcela na pilhagem. E isso vai desde os mais pobres e ignorantes, que dependem de esmolas, até os funcionários públicos, os artistas engajados que mamam nas tetas estatais, os empresários que vivem de subsídios do governo.
Desde que a máfia respingue algum em suas contas bancárias, tudo bem: faz-se vista grossa aos “malfeitos”. Uma campanha sórdida, de baixo nível, mentirosa como nunca antes na história deste país se viu, difamando, apelando para um sensacionalismo grosseiro, nada disso parece incomodar uma grande parcela do eleitorado. Ao contrário: a tática pérfida surtiu efeito e Dilma subiu, enquanto Marina Silva caiu. A falsidade compensa.
Vários chegaram a apontar a vantagem de Argentina e Venezuela terem mergulhado no caos com o bolivarianismo, pois ao menos a desgraça alheia serviria de alerta aos brasileiros. Afinal, o PT vive elogiando tais regimes e os trata como companheiros próximos, aliados ideológicos. Ledo engano. Nem mesmo a tragédia de ambos os países despertou o povo brasileiro de sua sonolência profunda.
O brasileiro é como aquele urso polar que passa meses hibernando. A ignorância é uma bênção, dizem, mas só se for para os corruptos populistas. E pensar que uma turma chegou a se empolgar com as manifestações de junho de 2013, quando o gigante supostamente havia acordado. Só se for para pedir mais Estado, mais do veneno que assola nossa nação. O gigante é um bobalhão...
Não pensem que culpo apenas ou principalmente o “povão”, os mais pobres e ignorantes que, sem dúvida, compõem a maioria do eleitorado petista. Não! Nossa elite também é culpada. Nossos “formadores de opinião” ajudaram muito a trazer o Brasil até esse precipício, sempre enaltecendo o metalúrgico de origem humilde ou a primeira mulher “presidenta”.
Ou então delegando ao Estado a capacidade de solucionar todos os nossos males, muitos deles criados pelo próprio excesso de intervenção estatal. Temos uma elite culpada, que adora odiar o capitalismo enquanto usufrui de todas as benesses que só o capitalismo pode oferecer.
Com uma elite dessas, realmente não precisamos de inimigos externos ou de desgraças naturais. O que é a ameaça islâmica ou um simples furacão perto do estrago causado por uma mentalidade tão equivocada assim por parte daqueles que deveriam liderar a nação? Nossa elite idolatra o fracasso.
Roberto Campos foi certeiro ao constatar que, no Brasil, a burrice tem um passado glorioso e um futuro promissor. Quer maior prova disso do que todos esses anos de PT no poder? Mas parece que ainda não foi o suficiente. O brasileiro quer mais! Quer dar um passo adiante nesse precipício...
Nova lei de abastecimento levará argentinos à pobreza 
Bernardo Santoro - IL
Foi promulgada no último dia 18, na Argentina, a lei que estabelece “Nova Regulação das Relações de Produção e Consumo” (Lei n. 26.991) que veio substituir a antiga norma peronista da “Lei de Abastecimento” (Lei n. 20.680). Ambas as normas tinham, e têm, como objetivo, o controle governamental sobre toda a atividade econômica nacional.
argentina-chabolasA lei original foi um dos últimos atos oficiais do ex-presidente Perón antes de sua morte. O artigo primeiro dispunha que o objetivo da lei seria regulamentar o comércio em geral. Já o segundo artigo dava ao governo argentino o poder de regular preços, quantidade e qualidade de todo o tipo de produto e serviço, em qualquer etapa da cadeia de produção.
Tinha o poder de obrigar uma fábrica a continuar funcionando, se assim o governo quisesse, sob pena de multa e até prisão. Os artigos conseguintes reforçavam o caráter autoritário e interventor das mentes que elaboraram tal documento.
Após o fim da ditadura militar argentina, entendeu-se que tal lei, em virtude de sua natureza antidemocrática, estaria revogada, mas nunca houve um consenso absoluto sobre a matéria ou manifestação declaratória do Poder Judiciário.
Com o resgate da política de planificação econômica a partir da implementação da visão marxista do atual ministro da Economia, Axel Kiciloff, o governo viu a necessidade de legitimar, pelo debate democrático parlamentar, uma lei que respaldasse sua ação – ainda que esta fosse aprovada através de mecanismos de pressão do Executivo sobre o Legislativo, como ocorreu.
A planificação econômica e o controle de preços já se mostraram ser políticas econômicas equivocadas, mas, aparentemente, governos de todo o mundo continuam a insistir nesse caminho.
O livro “Quarenta Séculos de Controles de Preços e Salários” (tradução livre), de Robert Schuettinger e Eamon Butler, mostra que em todo lugar onde um governo buscou controlar rigidamente um mercado, o resultado foi uma mistura de miséria, escassez e violência. Chegou até a causar rupturas sociais, e ajudou decisivamente na ruína de grandes impérios, como o egípcio e o romano. Foi o fim do controle de preços decretado pelo ministro Ludwig Erhard em 1948, na Alemanha pós-Segunda Guerra, que possibilitou o conseguinte milagre econômico alemão.
No Brasil, os cidadãos mais antigos certamente se lembrarão da inútil tentativa de controle de preços através do Plano Cruzado do ex-presidente José Sarney. Além de não evitar a hiperinflação causada pelo próprio governo através de gastos públicos e expansão da base monetária, a medida ainda jogou brasileiros contra brasileiros (os chamados “fiscais do Sarney” contra todos os empreendedores) e criou uma crise de abastecimento sem precedentes.
Controle de preços nunca funcionará por uma razão bastante simples: preços têm significado. Quando o preço de um bem está alto, significa que ele é muito útil para a sociedade ou está muito escasso, ou até mesmo ambos ao mesmo tempo. Esse preço, portanto, estará enviando a mensagem de que ele deve ser menos consumido ou mais produzido, criando o incentivo natural para que novos empreendedores entrem nesse mercado e que os consumidores poupem esse bem. No médio prazo ocorre uma normalização desse consumo, dentro de um ambiente economicamente livre, e de maneira sustentável.
Já a intervenção econômica de planejamento central impede que o preço funcione como uma fonte de informações sobre a utilidade e a escassez desse bem. Se o preço for forçado artificialmente para baixo, novos empreendedores não entrarão no mercado.
Já os consumidores não pouparão o bem, gerando rapidamente um cenário de desperdício, desabastecimento, fim da renovação tecnológica e de estoques, além do aumento exponencial da burocracia.
A nova lei argentina causará exatamente os mesmos problemas se posta em prática pelo seu governo, pois ela garante uma completa intervenção na produção nacional, controlando preços, quantidade e qualidade da produção, além de outros fatores menores – ainda que não seja aplicada a pequenas empresas e não traga a pena de prisão para os empresários nela enquadrados.
A lei ainda será alvo de uma ação de inconstitucionalidade, pois a Constituição argentina garante a liberdade econômica no país, mas não creio que a Corte Suprema fará frente ao Poder Executivo.
Essa “Nova Regulação das Relações de Produção e Consumo” só tem paralelo, dentro da América Latina, com a chamada Lei de Preços Justos, na Venezuela, e trará definitivamente um ambiente de socialismo econômico e pobreza aos “hermanos”. Se o resultado final for o mesmo, e duvido que não seja, recomendo, desde já, que a população local comece a montar um bom estoque de papel higiênico.

ROGÉRIO FLAUSINO - POINTLESS RACE



Via rht

Union Island, the Grenadines


Taken on the Merced River in Yosemite Valley, California

Sobre Política Fiscal 
Bernardo Santoro - IL 
Devemos observar primeiramente que a lei de responsabilidade fiscal sempre foi uma ilusão, pois ela é frágil na disposição de limites totais de endividamento da União, dos Estados e dos Municípios, e mesmo a meta de superávit primário é extremamente frágil, pois o superávit primário não leva em consideração os juros da dívida, as amortizações e o refinanciamento da dívida. Falar em superávit primário como regra de responsabilidade fiscal é uma piada de mau gosto com a população brasileira.
Na verdade, uma verdadeira lei de responsabilidade fiscal exigiria o cumprimento de metas de superávit nominal, sendo que este último sequer abrange a questão do refinanciamento, mas apenas as despesas correntes, acrescidas de juros e amortização.
O que queremos dizer com isso é que a meta primária sempre foi opaca. Dentro desse cenário, o verdadeiro cenário das contas públicas brasileiras, o Governo sequer conseguir atingir o superávit primário é um verdadeiro escândalo, e mostra como o Governo brasileiro já não tem mais para onde expandir.
Isto posto, para consertar essa situação, o Governo teria de enfrentar essa questão ao lado da sociedade civil e reformar a legislação atual para garantir por lei, e quem sabe constitucionalmente, a busca por uma meta de superávit nominal, com um corte grave de despesas públicas, que poderia levar a uma recessão de curto prazo. Essa recessão de curto prazo normalmente é politicamente inviável, pois a população não entenderia, exigindo de um governante um alto grau de estadismo e desapego ao cargo, o que é difícil de acontecer.
Esse panorama de tragédia não está adstrito ao Brasil, sendo um problema mundial decorrente da filosofia econômica keynesiana, que prevalece na maior parte dos Governos, e ainda vamos ter que aguardar para ver qual será o limite de alavancagem a ser suportado pelo sistema financeiro internacional.
O certo é que em nenhuma hipótese podemos defender a previsão de políticas fiscais anticíclicas na Constituição. Na verdade, apoiamos o contrário, a previsão de que políticas fiscais anticíclicas devem ser ilegais, por ferirem o direito individual do cidadão brasileiro de ter uma política fiscal previsível, isonômica e austera.
Sobre Bancos Públicos 
Bernardo Santoro - IL 
Essa é a terceira parte da minha palestra no Conselho Federal de Economia sobre os rumos do país. Agora a pergunta é sobre bancos públicos.
OBS: A RESPOSTA FOI LEVEMENTE MODIFICADA NESTA VERSÃO
bndesCOFECON: O mundo passa pelo sexto ano consecutivo da maior crise econômica desde 1929 e agora com sinais de recuperação. Nesse período, em especial em 2008 e 2009, os bancos oficiais federais – Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES – foram, e continuam sendo, os propulsores na concessão de crédito a todos os segmentos da sociedade, seja pessoa física, seja pessoa jurídica; e a taxas bem inferiores à média do mercado, e assim, injetam centenas de bilhões de reais na economia brasileira, estando a Caixa por 20 trimestres consecutivos liderando o crédito entre os grandes bancos. Ainda que operando a taxas de juros inferiores e correndo riscos, Caixa e Banco do Brasil têm conseguido ano após ano os melhores resultados financeiros de suas histórias, e com índices de Basileia satisfatórios. Assim, perguntamos:
(i) Qual deveria ser o papel dos bancos oficiais federais, em especial o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal no futuro governo?
(ii) Os bancos devem continuar sendo incentivados na atuação como braço do governo federal para implementação de políticas públicas (programas habitacionais, microcrédito, desenvolvimento urbano, credito agrícola, transferência de benefícios) e na bancarização da população de menor renda?
(iii) Os bancos deverão ter que competir com a iniciativa privada sem subsídios/incentivos por parte do governo?
(iv) Em relação ao papel do Banco Central: a fixação das metas monetárias deve levar em conta também o emprego, como  faz o Federal Reserve?
R: Preliminarmente, cabe destacar que vemos com muita temeridade o uso de políticas anticíclicas, seja pelo Governo, seja pelos bancos públicos. Entendemos que a causa da crise econômica de 2008 foi justamente o uso de medidas anticíclicas aplicadas para reverter a liquidação de maus investimentos durante o estouro da bolha da internet, onde o Governo americano passou a incentivar de maneira absolutamente insustentável o consumo de recursos para construção e compra de casas próprias. Esses incentivos, atrelados às baixíssimas taxas de juros artificialmente impostas pelo Federal Reserve ao longo da gestão de Alan Greenspan levaram a um excesso de consumo e malinvestments generalizados no sistema econômico americano, e a nossa previsão é que as novas políticas anticíclicas de afrouxamento monetário, as quantitative easing, vão causar uma crise ainda maior que a de 2007/2008. De fato, só não causaram ainda em virtude da absorção desses recursos por países estrangeiros, notadamente a China, mas até mesmo o Brasil, e pelo fato dos bancos privados americanos terem represado boa parte desse dinheiro, mas não se sabe até onde esse arranjo se sustentará.
Nos assusta um pouco que o Banco Central brasileiro esteja usando, embora em escala consideravelmente menor, as mesmas políticas utilizadas pelo FED que resultaram na catástrofe econômica americana. Pelo menos aqui a responsabilidade dos nossos técnicos superou o autoritarismo político da Presidente Dilma, resultando no restabelecimento de taxas de juros mais condizentes com o atual nível de poupança nacional.
Dentro dessa realidade, o papel dos bancos públicos deveria ser o mesmo dos bancos privados, salvo nos casos excepcionais onde os bancos públicos exercem funções especiais que a lei delega, como por exemplo na gestão de loterias e de fundos específicos.
Dentro desse contexto, os bancos continuariam a praticar políticas de concessão de crédito, programas habitacionais, programas de transferência de renda, entre outros, mas dentro de um contexto de combate à inflação, interferência estatal mínima no setor financeiro e austeridade fiscal, sem nenhum tipo de subsídio.
Em última análise, como bancos públicos devem fazer a mesma função dos bancos privados, não há motivos para mantê-los sob propriedade governamental, devendo ser privatizados para se evitar cabide de empregos e corrupção.
E sobre a atuação do Banco Central levar em conta o emprego no momento de se fixar as metas monetárias, faço nossas as palavras de Friedrich Hayek no seu maravilhoso livro “Desemprego e Política Monetária”, ao dizer que na verdade a inflação aumenta o desemprego no longo prazo ao desarrumar por completo a alocação de bens e serviços na sociedade, dentre eles a mão-de-obra. A ideia de trade-off entre inflação e desemprego, além de equivocada e aplicável no máximo ao curtíssimo prazo, cria uma justificativa utilitária para um processo econômico absolutamente antiético, que é o imposto inflacionário.
Novo conceito de cultura
Affonso Romano de Sant'Anna - O Estado de S.Paulo
Os Estados Unidos não têm ministério da cultura. E a cultura americana está entre as maiores exportações daquele país. Lá a cultura está vinculada ao comércio, aos produtos. Da Coca-Cola ao pintor Rauschenberg, seus símbolos estão em todo o mundo. Iludem-se aqueles que pensam que, numa sociedade mercantilista, livros, filmes, discos, etc., têm circulação graças (apenas) ao seu valor artístico. Vejam os livros How America Stole the Idea of Modernism (Serge Guilbaut), explicando como os Estados Unidos tomaram o lugar da França culturalmente depois da 2.ª Guerra, e Quem Pagou a Conta? (Frances Saunders), no qual se analisa a intervenção do Departamento de Estado e da CIA na Bienal de Veneza e a criação de uma "Otan cultural" durante a guerra fria. Assim acabam com nossa ingenuidade neste assunto.
Portanto, a menos que se tenha uma ideia de cultura que extrapole o nicho do Ministério da Cultura, não se entenderá histórica, antropológica e sociologicamente o que a cultura pode significar num país. No Brasil, estima-se que pelo menos 10 milhões de pessoas trabalhem na área da cultura. São formadores de opinião. É um contingente capaz de mudar qualquer eleição. Isso equivale à população da Suécia. Perto desse número a quantidade de operários em nossa indústria automobilística é ridícula. E, no entanto, não só aqueles 10 milhões produzem cultura. Os 202 milhões de brasileiros são produtores (inconscientes) de cultura. 
É disso que se trata quando se pensa num plano cultural para o País e quando se fala de "um novo conceito de cultura". Consumidores e produtores se confundem. E mais: "cultura" não é só o que sabidamente se chama de cultura. Temos de redefinir essa palavra. Recentemente, descobriu-se que a "periferia" tem uma cultura própria. Descobriu-se que "centro" e "periferia" têm de ser redefinidos. Cultura é tanto a "dança do passinho" quanto um concerto sinfônico. E mais: o "tráfico" e as "milícias" são uma maneira de nossa cultura se manifestar. Em outros termos: nossos hábitos alimentares são cultura - e temos de estudar isso. Apoderar-se de papel higiênico e das tramelas nos banheiros dos aeroportos, assaltar e depredar as residências do programa Minha Casa, Minha Vida são também gestos culturais. Deixar as casas e os apartamentos no reboco e cuidar apenas da parte interna da residência, isso é algo que encontramos tanto aqui quanto no Egito, e é igualmente um sintoma cultural. Ultrapassar pela pista de acostamento é um gesto cultural tanto quando clonar placas de automóveis.
Conhece-se um país pelo lixo que produz. Lixo é cultura. Ler o lixo, interpretar o lixo, compreender o desperdício e os que vivem nos lixões. Por que o dinheiro do governo não chega ao ponto extremo destinado? Entender isso é entender nossa cultura. Por que somos incapazes de follow up, de continuidade? Por que não completamos as jogadas? Por que destruímos a arquitetura colonial e enfeamos nossas cidades com monstrengos arquitetônicos? Igualmente, a noção de que aquilo que é "público" é algo que não tem dono e pode ser surrupiado é um danoso dado cultural.
Setorialmente, será preciso integrar mais o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Cultura (MinC). Se fosse uma secretaria do MEC, o MinC teria hoje uns R$ 10 bilhões de orçamento. No entanto, tem só cerca de R$ 2 bilhões, aproximadamente 0,128% do Orçamento da União. E há dez anos arrasta-se no Congresso Nacional um projeto medíocre (e revolucionário) que prevê 2% para o MinC, mas em quatro anos.
A solução, então, é acabar com o MinC? Nunca. A melhor solução é, para começar, quadruplicar o orçamento do MinC - 90% do problemas, do patrimônio histórico à política do livro, seriam resolvidos com essa medida. A Lei Rouanet tem de ser melhorada e os empresários têm de botar dinheiro - o dinheiro deles, e não o do governo - na cultura. Como disse alguém, se você acha que a educação é cara, experimente a ignorância.
Além de uma associação permanente com o MEC, é urgente entender que a cultura atravessa todos os ministérios e as ações culturais devem ser desencadeadas tanto nos quartéis, com o apoio da Forças Armadas, quanto nas cadeias, com participação do Ministério da Justiça. Igualmente os "agentes de saúde" do Ministério da Saúde seriam convertidos em "agentes da cultura" - assim saúde e cultura se dariam as mãos e o Plano Nacional do Livro e da Leitura seria mais impactante.
O Brasil, além de descobrir um novo conceito de cultura, precisa descobrir o mundo. Só o provinciano olha o mundo a partir de seu umbigo. É sintomático que digamos "lá fora" quando nos referimos ao exterior. Estamos "por fora". Por isso o livreiro de La Hune, em Paris, quando lhe cobrei a ausência de autores brasileiros nas estantes, me disse, seguro: "Vocês não têm autores suficientes para uma estante". Enfim, qual o nosso projeto internacional?
Nessa linha, nunca demos a devida importância à Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa (CPLP), apesar de sermos a quinta língua mais falada no mundo. Por que não temos uma televisão multilíngue que sirva como exportação de nossa cultura? Por que deixamos desamparados os "leitorados" no exterior? Por que não modificamos a lei de depósito legal e não mandamos para os carentes países africanos da CPLP cópia dos 50 mil livros que publicamos anualmente.
Termino com uma parábola verdadeira: o marechal Rondon saiu colocando postes de telégrafo com fio pelo País. Quando fincou o último poste na fronteira da Bolívia, recebeu a notícia de que Marconi havia acabado de descobrir o telégrafo sem fio.
O que isso tem que ver com os iPhones e iPads - verdadeiras bibliotecas virtuais que poderiam suprir o que não fizemos em 500 anos?
Há países que têm petróleo e são pobres. Há países que não têm petróleo e são ricos. A cultura é o nosso pré-sal. E ela não está a milhares de metros abaixo do solo, basta abrir os olhos, ver. E fazer.
DOLEIRO DA ‘LAVA JATO’ RECUSA DELAÇÃO PREMIADA
Cláudio Humberto - VEJA

O doleiro Carlos Habib Chater, um dos personagens da Operação Lava Jato, preso há seis meses pela Polícia Federal, decidiu não fazer delação premiada. “Podem me condenar a 200 anos de cadeia, mas não faço isso”, segundo amigos próximos. O Ministério Público Federal (MPF) pediu sua condenação a 12 anos e 1 mês de prisão por evasão de divisas e por “lavar” dinheiro para o traficante Renê Pereira.

CANA DURA
Chater confirmou à Justiça que “lavou” US$ 124 mil para o traficante René Pereira, cuja pena solicitada pelo MPF é de 28 anos e 9 meses.

CONEXÕES

O preso Carlos Habib Chater responde a outro processo penal na Lava Jato, por suas conexões com o megadoleiro Alberto Youssef.

MAIS UM
Outro preso na Lava Jato, André Catão, ligado a Chater, responde por evasão e lavagem de dinheiro. O MPF pediu 9 anos e meio para ele.

DELAÇÃO TOTAL

Alberto Youssef, ao contrário, optou pela “delação total” de políticos e comparsas, como Chater, que estavam no Petrolão e outros esquemas.

PP DEIXA EXPULSÃO DE ‘TERRORISTA’ PARA DEPOIS
Somente após as eleições, a direção nacional do Partido Progressista (PP) vai se mexer para expulsar o suplente de vereador Jac Souza Santos, que ontem sequestrou um funcionário do Hotel St. Peter, em Brasília. A alegação de um dirigente do PP é que o presidente nacional, senador Ciro Nogueira (PI), “está muito ocupado” com a campanha. Jac, que se assina “Jack”, tentou ser vereador em Combinado (TO).

MALUQUICES
Jac exigiu a saída de Dilma e a deportação do terrorista de verdade Cesare Battisti, homicida italiano protegido pelo ex-presidente Lula.

NA RUA, EM BREVE

O sequestrador Jac Souza Santos deverá ser beneficiado pela lei que protege sociopatas e os solta, como o assassino do cartunista Glauco.

JOAQUIM, 60

Joaquim Barbosa chega aos 60 anos no próximo dia 7. Se estivesse na ativa, teria direito a mais dez anos no Supremo Tribunal Federal.

GOLPE NA JUSTIÇA

A Justiça do Trabalho está sendo usada para um golpe sujo, no DF: o reclamante informa endereço errado da ex-empresa, e o processo corre à revelia. Só na fase de execução ele informa o endereço certo, para notificar o empregador desavisado e tomar dinheiro do otário.

PIBINHO SEM-VERGONHA
O futuro desempregado Guido Mantega se apressou em dizer que a estimativa do Banco Central de crescimento de 0,7% da economia “é só uma projeção”, e que a da Fazenda é de 0,9%. Grande coisa!

TIRO NO PÉ
Após duas semanas de intenso tiroteio, o candidato a governador de Minas, Pimenta da Veiga (PSDB), acumula 10 pontos a mais que o rival Fernando Pimentel (PT), mas em rejeição. Bater, às vezes, é tiro no pé.

MICHEL COM DIRCEU

Deputados do PMDB-PR estão indignados com o vice Michel Temer, que gravou mensagem de apoio à reeleição do petista Zeca Dirceu, filho do ex-ministro José Dirceu, preso no processo do mensalão.

MÃO AMIGA
O PT não tem do que reclamar da afiliada da Globo no Ceará. O TRE proibiu a veiculação de comerciais do petista Camilo Santana, no sábado, mas a ordem foi ignorada: sete inserções foram exibidas.

PT-PE RACHADO
O PT-PE chega rachado às eleições. A facção PTLM (Lutas e Massas), rompeu com João Paulo, candidato ao Senado, para apoiar Fernando Bezerra Coelho (PSB). Também apoia o socialista Paulo Câmara para o governo, até porque petista não vota no usineiro Armando Monteiro.

E AGORA?
Políticos potiguares foram pegos de surpresa com a delação premiada do lobista George Olímpio, antecipada nesta coluna. O início das formalidades com o Ministério Público se deu na semana passada.

A CONTA É NOSSA
Dilma Rousseff (PT) não quis encarar 28 km de carro para gravar um vídeo nas cercanias de Brasília. Usou helicóptero presidencial nos primeiros 10km e só depois seguiu de carro. Curtos 18 km.

VAI QUE É TUA!

...após criticar o combate ao “Estado Islâmico”, Dilma corre o risco de ser convocada pela ONU a liderar uma tentativa de negociação com os terroristas que cortam cabeças.
A lista dos perigos
Arnaldo Jabor - OESP
O que acontecerá com o Brasil se a Dilma for eleita?
Aqui vai a lista:
A catástrofe anunciada vai chegar pelo desejo teimoso de governar um país capitalista com métodos "socialistas". Os "meios" errados nos levarão a "fins" errados. Como não haverá outra "reeleição", o PT no governo vai adotar medidas bolivarianas tropicais, na "linha justa" da Venezuela, Argentina e outros.
Dilma já diz que vai controlar a mídia, economicamente, como faz a Cristina na Argentina. Quando o programa do PT diz: "Combater o monopólio dos meios eletrônicos de informação, cultura e entretenimento", leia-se, como um velho petista deixou escapar: "Eliminar o esterco da cultura internacional e a 'irresponsabilidade' da mídia conservadora". Poderão, enfim, pôr em prática a velha frase de Stalin: "As ideias são mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, porque deveríamos permitir que tenham ideias?".
As agências reguladoras serão mais esvaziadas do que já foram, para o governo PT ter mais controle sobre a vida do País. Também para "controlar", serão criados os "conselhos" de consulta direta à população, disfarce de "sovietes" como na Rússia de Stalin.
O inútil Mercosul continuará dominado pela ideologia bolivariana e "cristiniana". Continuaremos a evitar acordos bilaterais, a não ser com países irrelevantes (do "terceiro mundo") como tarefa para o emasculado Itamaraty, hoje controlado pelo assessor internacional de Dilma, Marco Aurélio Garcia. Ou seja, continuaremos a ser um "anão diplomático" irrelevante, como muito acertadamente nos apelidou o Ministério do Exterior de Israel.
Continuaremos a "defender" o Estado Islâmico e outros terroristas do "terceiro mundo", porque afinal eles são contra os Estados Unidos, "inimigo principal" dos bolcheviques que amavam o Bush e tratam o grande Obama como um "neguinho pernóstico".
Os governos estaduais de oposição serão boicotados sistematicamente, receberão poucas verbas, como aconteceu em S. Paulo.
Junto ao "patrimonialismo de Estado", os velhos caciques do "patrimonialismo privado" ficarão babando de felicidade, como Sarney, Renan "et caterva" voltarão de mãos dadas com Dilma e sua turminha de brizolistas e bolcheviques.
Os gastos públicos jamais serão cortados, e aumentarão muito, como já formulou a presidenta.
O Banco Central vai virar um tamborete usado pela Dilma, como ela também já declarou: "Como deixar independente o BC?".
A Inflação vai continuar crescendo, pois eles não ligam para a "inflação neoliberal".
Quanto aos crimes de corrupção e até a morte de Celso Daniel serão ignorados, pois, como afirma o PT, são "meias-verdades e mentiras, sobre supostos crimes sem comprovação...".
Em vez de necessárias privatizações ou "concessões", a tendência é de reestatização do que puderem. A sociedade e os empresários que constroem o País continuarão a ser olhados como suspeitos.
Manipularão as contas públicas com o descaro de "revolucionários" - em 2015, as contas vão explodir. Mas ela vai nomear outro "pau-mandado" como o Mantega. Aguardem.
Nenhuma reforma será feita no Estado infestado de petistas, que criarão normas e macetes para continuar nas boquinhas para sempre.
A reforma da Previdência não existirá, pois, segundo o PT, "ela não é necessária, pois exageram muito sobre sua crise", não havendo nenhum "rombo" no orçamento. Só de 52 bilhões.
A Lei de Responsabilidade Fiscal será desmoralizada por medidas atenuantes - prefeitos e governadores têm direito de gastar mais do que arrecadam, porque a corrupção não pode ficar à mercê de regras da época "neoliberal". Da reforma política e tributária ninguém cogita.
Nossa maior doença - o Estado canceroso - será ignorada e terá uma recaída talvez fatal; mas, se voltar a inflação, tudo bem, pois, segundo eles, isso não é um grande problema na política de "desenvolvimento".
Certas leis "chatas" serão ignoradas, como a lei que proíbe reforma agrária em terras invadidas ilegalmente, que já foi esquecida de propósito.
Aliás, a evidente tolerância com os ataques do MST (o Stedile já declarou que se Dilma não vencer, "vamos fazer uma guerra") mostra que, além de financiá-los, este governo quer mantê-los unidos e fiéis, como uma espécie de "guarda pretoriana", como a guarda revolucionária dos "aiatolás" do Irã.
A arrogância e cobiça do PT aumentarão. As 30 mil boquinhas de "militantes" dentro do Estado vão crescer, pois consideram a vitória uma "tomada de poder". Se Dilma for eleita, teremos um governo de vingança contra a oposição, que ousou contestá-la. Haverá o triunfo "existencial" dos comunas livres para agir e, como eles não sabem fazer nada, tudo farão para avacalhar o sistema capitalista no País, em nome de uma revolução imaginária. As bestas ficarão inteligentes, os incompetentes ficarão mais autoconfiantes na fabricação de desastres. Os corruptos da Petrobrás, do próprio TCU, das inúmeras ONGs falsas vão comemorar. Ninguém será punido - Joaquim Barbosa foi uma nuvem passageira.
Nesta eleição, não se trata apenas de substituir um nome por outro. Não é Fla x Flu. Não. O grave é que tramam uma mutação dentro do Estado democrático. Para isso, topam tudo: calúnias, números mentirosos, alianças com a direita mais maléfica.
E, claro, eles têm seus exércitos de eleitores: os homens e as mulheres pobres do País que não puderam estudar, que não leem jornais, que não sabem nada. Parafraseando alguém (Stalin ou Hitler?) - "que sorte para os ditadores (ou populistas) que os homens não pensem".
Toda sua propaganda até agora se acomodou à compreensão dos menos inteligentes: "Quanto maior a mentira, maior é a chance de ela ser acreditada" - esta é do velho nazista.
O programa do PT é um plano de guerra. Essa gente não larga o osso. Eles odeiam a democracia e se consideram os "sujeitos", os agentes heroicos da História. Nós somos, como eles falam, a "massa atrasada".
É isso aí. Tenho vontade de registrar este texto em cartório, para depois mostrar aos eleitores da Dilma. Se ela for eleita.
Quem é o antipetista? 
Merval Pereira - O Globo 
A disputa pelo voto antipetista é o que opõe neste reta final a candidatura de Aécio Neves do PSDB à de Marina Silva do PSB. O raciocínio que prevalece hoje no PSDB é francamente contrário a um acordo formal com Marina num eventual segundo turno. À medida que cresce a percepção entre os assessores de Aécio Neves de que é possível ir ao segundo turno passando por cima de Marina, o que tem que necessariamente ser confirmado pelas pesquisas Ibope e Datafolha que serão divulgadas hoje, aumenta também a visão crítica sobre a relação entre os dois partidos.
Afinal, raciocinam, não é justo cobrar uma frente de oposição no primeiro turno do PSDB para apoiar uma candidata que não apoiou o PSDB no segundo turno na eleição passada. Além do mais, Marina não teria feito nenhum sinal até o momento para uma aproximação, e Walter Feldman, que supostamente será o articulador político de um futuro governo, diz que o PSDB tende a acabar.
Há uma espécie de orgulho na campanha tucana pelo “mérito”, não “culpa”, de terem feito um estrago na candidatura de Marina, revelando sua raiz petista que, nessa visão da campanha de Aécio, não representaria uma mudança verdadeira de cenário.
O resultado prático na contabilidade dos tucanos foi inviabilizar o voto útil em Marina no primeiro turno. Por que votar útil pela Marina se ela já está perdendo no segundo turno para Dilma e dá mostras de fraqueza? Marina já deixou de ser “uma causa”, virou uma candidata, o que seria meio caminho para ser superada nessa reta final.
Boa parte do voto antipetista ainda está com Marina em São Paulo e Minas, e o esforço do primeiro turno é recuperá-los para chegar nos últimos dias em empate técnico com a candidata do PSB. Nas simulações de segundo turno, já ganham de 70% a 80% dos votos da Marina, dizem os analistas da campanha tucana.
A campanha em Minas tem um subproduto especial, a tentativa de reverter o quadro em que o petista Fernando Pimentel supera o tucano Pimenta da Veiga. O objetivo inicial é impedir que lá a eleição termine no primeiro turno. Se Aécio Neves conseguir reverter a questão nacional indo para o segundo turno contra Dilma, a disputa em Minas ganhará uma dimensão distinta.
Caso apenas em Minas seja possível evitar a derrota no primeiro turno, o grupo político de Aécio Neves se dedicará integralmente à campanha estadual, para garantir seu reduto eleitoral. Hoje o candidato petista tem, segundo o Datafolha, 51% dos votos válidos, o que o coloca no limite da vitória do primeiro turno.
Há, porém, histórias famosas em Minas sobre reviravoltas em eleição, a mais recente delas com Hélio Costa em 1994, quando terminou o primeiro turno à frente com 49% dos votos e perdeu no segundo turno para Eduardo Azeredo. Na eleição anterior, Costa já havia perdido para Hélio Garcia por 1% dos votos no segundo turno.
Superar Dilma e Marina em São Paulo e em Minas seria o primeiro passo para uma recuperação nacional, que viria em conseqüência. Num segundo turno, a tentativa será fazer a maior diferença possível nos dois Estados, conforme o planejamento inicial, para reduzir a diferença no norte e no nordeste. O problema é que em ambos os Estados a presidente Dilma está tendo uma performance muito boa, e a recíproca não é verdadeira para Aécio no norte e nordeste do país.
As pesquisas divulgadas ontem, da MDA e do Vox Populi, mostram a presidente Dilma com 40% dos votos, a mesma pontuação que a pesquisa anterior do Datafolha, mas diferem em relação a Marina. Na MDA, a candidata do PSB caiu 2 pontos, e Aécio sobe os mesmo dois, o que representaria as curvas ascendentes do tucano e descendente de Marina. Já o Vox Populi mostra Marina subindo dois pontos e Aécio subindo um, o que demonstraria que dificilmente o tucano teria condições de superar Marina até o próximo domingo.

Convocação de Palocci: presidente e relator da CPI da Petrobras precisam escolher se servirão ao Palácio do Planalto ou ao país
Lauro Jardim - VEJA
Palocci: fora da campanha pela primeira vez
Palocci: requerimento aguardando votação
De uma forma ou de outra, a CPI mista da Petrobras precisará lidar com Antônio Palocci. Hoje, Rubens Bueno apresentou um requerimento para convocá-lo, a partir da reportagem publicada no sábado por VEJA, relevando que a campanha de Dilma Rousseff apresentou o pires a Paulo Roberto Costa em 2010.
Vital do Rêgo e Marco Maia esgueiram-se como podem, quando perguntados qual a disposição para ouvir Palocci, caso o requerimento, ainda sem data para ser votado, passe no colegiado.
Independentemente do que fizerem, Vital e Maia contabilizarão prejuízo: se trabalharem pela convocação, entrarão na lista negra do Palácio do Planalto; caso sentem em cima, reforçarão a pecha de que a CPI é uma bravata.
A propósito, vale lembrar: tanto a Marco Maia quanto a Vital do Rêgo, sobram episódios de mágoas com Dilma. O primeiro não virou ministro, o segundo cansou de bater de frente com o governo enquanto presidia a Câmara.

DÓRICAS

Perdas inegáveis
Dora Kramer - OESP
A menos que a presidente Dilma Rousseff saia em disparada nas últimas pesquisas antes do primeiro turno, esta agora terá sido a eleição em que o candidato com o maior índice de intenções de voto apresenta a menor vantagem em relação ao principal adversário.
O instituto Datafolha levantou os dados dos desempenhos dos candidatos de 1994 para cá, comparando as pesquisas feitas a uma semana do dia da primeira votação. Fernando Henrique Cardoso, há 20 anos, tinha 47% contra 23% de Luiz Inácio da Silva, mais que o dobro; venceu na primeira rodada por 54% a 27%.
Quatro anos depois, a pesquisa registrava proporção semelhante: 46% a 25%; FH ganhou no primeiro turno por 53% a 31%. A partir de 2002 as disputas ficariam mais difíceis e todas seriam decididas no segundo turno. Naquele ano, Lula aparecia na pesquisa com 45% contra 21% de José Serra, 24 pontos de diferença; na simulação de segundo turno, a distância era de 22 pontos (57% a 35%). O resultado, Lula 61% e Serra 38%.
Em 2006, as pesquisas registravam uma redução da vantagem no primeiro turno com 49% para Lula e 31% para Geraldo Alckmin, 18 pontos. A simulação do segundo apontava a recuperação do petista (54% a 39%, diferença de 15 pontos) confirmada com folga pelo resultado das urnas, 60% Lula e 38% Alckmin.
Na eleição seguinte, Lula no auge da popularidade, governo com aprovação altíssima, a candidata Dilma Rousseff aparecia nas pesquisas uma semana antes da eleição com 46% contra 28% de José Serra; 18 pontos de diferença. Na simulação da segunda etapa a distância entre os dois era de 13 pontos (52% a 39%). Dilma ganhou por 12:56% a 44%.
As pesquisas desta semana é que vão permitir a conferência precisa da situação atual comparativamente aos dados acima. Mas, considerando os números mais recentes a margem é consideravelmente mais estreita: no primeiro turno Dilma tem vantagem de 13 pontos em relação a Marina (40% a 27%) e no segundo, inéditos 4 (47% a 43%).
A menos que as pesquisas finais que começam a sair hoje mostrem que o Brasil resolveu cair de amores pela presidente Dilma Rousseff, os números mostram como nunca foi tão estreita a margem de manobra para o governo do PT.
Está aí em parte explicado o recurso aos ataques ferozes à segunda colocada, arma em geral evitada por candidatos em situação razoavelmente confortável nas disputas, dado o alto risco de haver uma espécie de efeito bumerangue. Não havia outro jeito. Ou a campanha abatia Marina Silva ou entregava de bandeja a Presidência.
Mesmo com a perda já significativa de pontos da candidata do PSB, principalmente nos maiores colégios eleitorais, o ambiente no PT está longe de ser de serenidade e bom humor. No comitê central, em Brasília, a atmosfera está mais para manifestações de junho que para Copa do Mundo.
Na verdade o clima é tenso em todas as campanhas. O PSB teme o derretimento de última hora e no campo dos tucanos o inconformismo é com a confirmação da eliminação precoce pela primeira vez em 20 anos.
De um lado governar com muito menos, de outros fazer oposição com menos ainda.
Corpo mole. Compreende-se que o PSDB tenha investido pesado no Sudeste a fim de tentar tirar nos maiores colégios eleitorais a diferença da vantagem que o PT tem o Nordeste. O que não é compreensível é o desempenho de nanico que o partido apresenta na região.
Em redutos de aliados fortes. No Ceará, onde Tasso Jereissati será eleito, o senador Aécio Neves tem 7% na última pesquisa do Datafolha. No Rio Grande do Norte, terra de Agripino Maia, coordenador da campanha, o Ibope registra 11% para Aécio. Mesmo índice na Paraíba, onde o senador tucano Cássio Cunha Lima está em primeiro lugar para governador.
Os mesmos 11% o candidato do PSDB tem na Bahia, a despeito de o candidato ao governo Paulo Souto (DEM), seu aliado, estar cotado para vencer no primeiro turno.
DINHEIRO FARTO NA CAMPANHA DO PRESIDENTE DE CPIs
Cláudio Humberto - O Globo  
Presidente das CPIs da Petrobras no Senado e no Congresso, Vital do Rêgo tem remotíssimas chance de conquistar o governo da Paraíba: agarrado ao 4º lugar, é de longe o que tem o pior desempenho nas pesquisas, entre os 18 candidatos do PMDB a governador no País. Apesar disso, é também de longe um dos que mais recebem doações em dinheiro: oficialmente, até agora, foram quase R$ 3 milhões.

COMPARAÇÃO
A campanha à reeleição do governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), que lidera as pesquisas, atraiu doações de apenas R$ 282 mil.

FARTURA
Mesmo sem chances, Vital do Rêgo na Paraíba arrecadou quase o triplo da soma de 8 candidatos nanicos a presidente da República.

COSTAS LARGAS

O PMDB também investe em Vital do Rêgo, que recebeu mais recursos do partido que Iris Rezende (Goiás) e Roberto Requião (Paraná).

SUPLENTE SOLIDÁRIO
Entre os doadores de Vital do Rêgo destaca-se, claro, seu primeiro suplente, o ex-senador e empresário Raimundo Lira.

CAMPANHA ELEITORAL FAZ A ALEGRIA DA ÁREA JURÍDICA
As campanhas fazem a alegria de advogados que atuam na Justiça Eleitoral que, como jabuticaba, só existe no Brasil. E tanta alegria se justifica: de acordo com a segunda parcial da prestação de contas divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral, as bancas de advocacia já faturaram mais de R$ 4,6 milhões só com os principais candidatos à Presidência, Dilma (PT), Aécio (PSDB) e Marina (PSB).

OS GASTOS DO PT
Dos R$ 56 milhões gastos por Dilma para se reeleger, mais de R$ 2 milhões foram utilizados para pagar sua estrutura de advogados.

DESPESA TUCANA
O candidato do PSDB, Aécio Neves, gastou mais de R$ 40 milhões na campanha, mas reservou até agora, R$ 1,7 milhão para a área jurídica.

PSB GASTA MENOS
Marina (PSB) ainda não prestou contas, mas dos R$ 17 milhões gastos até Eduardo Campos, os advogados já haviam custado R$ 750 mil.

CONTROLE DA TEVÊ
Um dos planos de Dilma, se reeleita, é impor a regionalização da produção da televisão aberta, com o objetivo de acabar com a grade nacional. Seria o fim das telenovelas nacionais, por exemplo. Daí a determinar o que pode ou não ser divulgado será um passo.

TIRO AO ALVO
Ex-secretário nacional de Justiça no governo Lula, Romeu Tuma Jr diz que duvidaria da seriedade da delação premiada do ex-diretor Paulo Roberto Costa, se ele não tivesse mencionado a presidente Dilma.

TÁ FEIA A COISA
O ministro Gilberto Carvalho jogou a toalha. Admitiu em uma roda que restam ao PT duas esperanças de eleição em governos estaduais: Tião Viana, no Acre, e Wellington Dias, no Piauí. E olhe lá.

DUPLA DE ANÕES
Na ONU, enquanto o Brasil se envergonhava com o discurso de Dilma criticando os países que combatem os cruéis terroristas do “Estado Islâmico”, seu aspone Marco Aurélio Top-Top Garcia a tudo assistia na plateia, sem dar palpites, ao lado do anão diplomático Antonio Patriota.

TUCANOS, 24

Caso confirme a vitória no primeiro turno em São Paulo, Geraldo Alckmin garantirá mais quatro anos do PSDB no governo paulista e baterá recorde: os tucanos vencem o governo do Estado desde 1994.

DEU ERRADO
Na intimidade, Dilma responsabiliza o ex-presidente Lula pelo seu desempenho baixo em São Paulo. Ela adora seu ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, mas avalia que não era mesmo o melhor candidato.

VAI ENTENDER

Preso em agosto por porte de drogas, Marcelo Valente, candidato do PSOL a deputado no DF, divulgou vídeo em defesa da legalização e, vá entender, criticando a “impunidade” da família Perrella, em Minas.

A DUPLA DO QUINTO
A OAB vai comemorar o Quinto Constitucional em 16 de julho, data da Constituição de 1934, que fixou 20% das vagas dos tribunais a advogados e membros do Ministério Público. Não fosse isso, Ricardo Lewandowski não presidiria o STF, nem Francisco Falcão, o STJ.

PENSANDO BEM...
...problemas na voz só aparecem quando Dilma tem comícios marcados com petistas que ela detesta, como Tarso Genro (RS).
Para que 39 ministérios?
Suely Caldas - O Estado de S.Paulo
A presidente Dilma Rousseff assumiu o compromisso de economizar R$ 80,8 bilhões este ano para pagar juros e amortizar a dívida pública, cujo valor já ascende a R$ 2,169 trilhões. Até julho, seu governo economizou só R$ 15,2 bilhões e precisa reter R$ 65,6 bilhões nos próximos cinco meses para cumprir o compromisso. Parodiando Dilma, "nem que a vaca tussa" será possível alcançar essa meta, que ela própria definiu por determinação legal. Se a média mensal até agora ficou em R$ 2,2 bilhões, economizar até dezembro R$ 13,1 bilhões a cada mês, só mesmo com poderes mágicos ou milagrosos que a presidente não tem (se tivesse, gastaria todos para derrotar adversários nesta eleição).
E aí? O que faz a equipe do demitido ministro da Fazenda para fechar as contas? Busca desesperadamente paliativos: reduziu em R$ 4 bilhões a verba destinada a subsidiar a tarifa das distribuidoras de energia; perdoa juros e multa para estimular empresas a pagarem dívidas tributárias vencidas (o chamado Refis); cruza os dedos e torce por uma receita gorda no leilão de telefonia móvel com tecnologia 4G; e planeja sacar R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano, zerando seu saldo. Além de cortar investimentos aqui e ali, desacelerando programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida. Os gastos cotidianos da gigante máquina pública, que poderiam ser evitados com uma boa reforma administrativa, foram preservados, ou melhor, até aumentaram neste ano eleitoral.
Nos quatro anos de Dilma, a lengalenga do superávit primário se repete. Para impressionar investidores, o governo começa o ano fixando metas fiscais que (sabe) não vai conseguir entregar e termina o ano tirando do baú remendos e artifícios mirabolantes e desacreditados para fechar as contas. De tanto abusar, o truque caiu em descrédito e o descrente investidor privado parou de investir. Diante do fiasco do resultado de 2013 (mesmo com truques, o superávit ficou em 1,9% do PIB, abaixo da meta de 2,3%), Dilma convocou sua equipe e ordenou: em 2014 a meta fiscal será a possível, e nada de truques para engordá-la.
A meta baixou para 1,9% do PIB, mas não evitou a continuidade da farsa. Faltando três meses para acabar o ano, mais uma vez o governo busca desesperadamente uma forma de conseguir dinheiro para fechar as contas. Só que o arsenal de manobras esgotou, murchou e secou. A ausência da Oi no leilão da telefonia celular 4G, nesta terça-feira, pode reduzir em R$ 3 bilhões os R$ 8 bilhões que o governo contava arrecadar para reforçar o superávit. Os R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano estão aplicados em ações do Banco do Brasil e a transferência para ajudar na meta fiscal exigiria uma contorcionista manobra contábil, já usada nos últimos dias de 2012, sem nenhuma transparência, e que causou críticas virulentas e enorme estrago à imagem do governo. Se repetida agora, o tiro pode sair pela culatra.
O Orçamento da União não é elástico. Além de rubricas fixas e permanentes (Previdência, saúde, educação e outras) que o engessam, a expansão da receita tributária depende do crescimento da economia, que no governo Dilma foi medíocre. A saída seria economizar na parcela flexível do Orçamento, mas nestes quatro anos ocorreu justamente o contrário: os gastos correntes cresceram acima da inflação. E por quê?
Além da corrupção e do desperdício de dinheiro, há uma causa estrutural na expansão dos gastos públicos que candidatos preocupados com a população pobre (como todos se dizem) deveriam atacar com urgência: o tamanho gigante da máquina pública e seus 39 ministérios, por onde escorrem negócios suspeitos para favorecer partidos políticos, ineficiência e condenável multiplicação da burocracia. FHC deixou 24 ministérios, Lula e Dilma criaram mais 15 - caros e inúteis - simplesmente para abrigar a enorme base aliada sequiosa por manipular verbas públicas em favor de seus partidos. Governar com 15 ministérios é o quanto basta para tornar o Estado eficiente, sobrar dinheiro para a área social e expandir a rede de esgoto e água limpa.
Dilma já disse que vai manter os 39. Só não explicou por quê.
Marina mais frágil
João Bosco Rabello - OESP 
A chegada da candidata Dilma Rousseff à casa dos 40% de intenção de votos traz duas indicações que se correlacionam - a vulnerabilidade de Marina Silva ao discurso do despreparo para governar e a consequente necessidade de a candidata do PSB se abrir a um acordo político tradicional no 2.º turno, congelando o tema da "nova política".
Pela pesquisa Datafolha de anteontem, a candidatura Dilma Rousseff foi a beneficiária dos ataques a Marina Silva, o que fica claro com a permanência de Aécio Neves no patamar de 18%. Esses votos, que parecem fiéis ao PSDB, serão decisivos no 2.º turno.
Um dado que reforça a conclusão é o índice de aprovação do governo, que se mantém nos 37%, em contraste com os 10 pontos a mais que Dilma obteve na simulação de 2.º turno. Isso pode significar que houve uma migração de eleitores reconquistáveis que repensaram seu voto em Marina apesar de considerar ruim o governo Dilma.
Apesar do insistente recurso de Aécio Neves à comparação de Marina com o PT, o fato é que o eleitorado de oposição parece convencido de que a ex-senadora é a candidata com mais condições de enfrentar o seu ex-partido.
Por enfrentar, deve-se entender não apenas o combate eleitoral, mas o contexto pós-eleição. A rede de minorias que o ex-presidente Lula organizou ao longo dos 12 anos de poder do PT, dando-lhe organicidade e poder através de ministérios específicos, será acionada pelo partido se for para a oposição.
É de se imaginar a dificuldade do PSDB, em hipotética vitória de Aécio Neves, de conduzir um mandato de ajustes difíceis e impopulares, sob ataque intensivo do PT à frente desses grupos.
Marina Silva teoricamente é blindada ao tipo de ataque que atinge o PSDB. Seria a primeira a conjugar gênero e raça - negra e mulher - na Presidência do País, com uma história de vida muito mais difícil e dramática que a de Lula - ex-seringueira, pobre, migrante, que compõe um perfil de superação invulnerável ao discurso que o PT utiliza historicamente contra o PSDB.
O que falta a Marina - pelo menos é a crítica que o eleitor parece absorver - é a experiência para governar e quadros de elite que assegurem o êxito de seu governo.
Por isso, Marina já deve estar atenta à necessidade de construir alianças com visão realista de que a ponte entre a velha e a nova política impõe uma transição. E, nesse contexto, o apoio do PSDB é imprescindível, não só pelos seus quadros, mas também por ser uma legenda em que a corrupção é pontual e não sistêmica.
O PSDB, nesse momento, já raciocina nessa direção, embora a circunstância eleitoral não permita admitir.