Reinaldo Azevedo - VEJA
O
PSOL, por si, não tem importância, é claro! É um partido com uma
presença na imprensa absolutamente desproporcional à sua atuação e a seu
naniquismo. Explica-se: conta com a simpatia de muitos jornalistas de
esquerda, especialmente do Rio, que hoje se envergonham do petismo.
Reúne ainda alguns políticos-celebridades, como o ex-BBB Jean Wyllys e
Marcelo Freixo. O primeiro é capaz de dizer bobagens assombrosas com o
destemor de quem se imagina ainda acompanhado por câmeras ocultas. O
outro virou uma espécie de líder dos socialistas do Leblon… Pois é.
O partido,
dada a sua dimensão liliputiana, sofreu três baixas importantes:
deixaram a legenda a vereadora por Maceió Heloísa Helena, que migrou
para a Rede, de Marina Silva; o senador Randolfe Rodrigues, do Amapá, e o
prefeito de Macapá, Clécio Luís, que foi para o PCdoB. No Congresso,
agora, a legenda será representada apenas pelos deputados Chico Alencar
(RJ), Jean Wyllys (RJ), Edmilson Rodrigues (PA), Ivan Valente (SP) e
Glauber Braga (RJ), que se abrigou na sigla na quarta, oriundo do PSB.
Clécio
justificou a decisão explicando que o cargo de prefeito “impõe imensos
problemas a resolver”, os quais “exigem relações políticas mais amplas,
capacidade de fazer alianças maiores e um trabalho articulado com outros
entes do poder público, como o governo federal”. Resumo: cansou de
fazer oposição de esquerda ao PT. Ou ainda: um prefeito não pode ficar
apenas berrando na rua. Tem de trabalhar. Heloísa Helena há tempos
estava rompida com a direção do partido, que ela acusa — imaginem vocês!
—, de sectária.
Embora tenha
feito uma cartinha de despedida elegante, elogiando os parceiros de
trajetória, o sectarismo do PSOL está na raiz da desfiliação de
Randolfe. O senador, destaque-se, sempre deu o voto mais à esquerda
possível no Parlamento, mas isso é pouco para a turma. Se bem se
lembram, ele era o escolhido para disputar a Presidência da República
pelo partido, mas foi apeado do posto por Luciana Genro e seus
extremistas amestrados.
O troço é de
tal natureza estúpido que os psolistas patrulhavam o seu senador, entre
outros motivos, porque este tentava levar recursos federais para seu
estado. Segundo a “linha justa”, isso representaria uma espécie de
capitulação, evidenciando que o partido estaria se rendendo ao jogo
parlamentar.
Na sua carta de despedida, escreve Randolfe:
“(…) o ambiente político exige uma maior capacidade de articulação política. Exige amplitude, exige multiplicidade de relações, para que se construam organizações políticas capazes de atrair jovens, intelectuais, artistas, membros do movimento social, ativistas, militantes das redes sociais e todos aqueles que possam abraçar uma agenda comum em defesa do desenvolvimento soberano e sustentável e da superação das desigualdades econômicas e sociais.”
“(…) o ambiente político exige uma maior capacidade de articulação política. Exige amplitude, exige multiplicidade de relações, para que se construam organizações políticas capazes de atrair jovens, intelectuais, artistas, membros do movimento social, ativistas, militantes das redes sociais e todos aqueles que possam abraçar uma agenda comum em defesa do desenvolvimento soberano e sustentável e da superação das desigualdades econômicas e sociais.”
Isso,
obviamente, tem sotaque, jeito e perfil da Rede. A ida do senador para a
legenda é dada como certa. Marina vai formando, assim, o seu pequeno
exército de notáveis. Miro Teixeira deixou o PROS e Alessandro Molon
abandonou o PT. Os dois deputados do Rio agora integram aquele partido
que, segundo a sua inspiradora, não é nem situação nem oposição, mas tem
“posição”. Também não é nem de esquerda nem de direita, mas está à
frente.
Sei lá o que
isso tudo significa. Uma coisa é certa: Marina não quer nem ouvir falar
em impeachment. Segundo diz, não há motivos para isso. Deve ser isso a
tal “posição à frente”. Que coisa! É bem parecida com a retaguarda do
PT, né?
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