Jogando a favor
TEMA EM DISCUSSÃO: Legalização do jogo para criar receita extra contra a crise
OTTO ALENCAR - O Globo
Entre os 193 países-membros da ONU, 75,52% tem o jogo legalizado. Das
156 nações integrantes da Organização Mundial do Turismo, na maioria —
71,16% — a atividade é legal. O momento pede que deixemos a demagogia de
lado e raciocinemos sobre a atividade e seus reflexos no Brasil. É
fato: o jogo existe e está fora de controle. Abrem-se casas de apostas.
Brasileiros jogam dentro do território nacional e em outros países.
Jogam nos navios que atracam em nossos portos, nas casas clandestinas
espalhadas pelos estados e na internet, mas não se recolhe tributos.
Mesmo não sendo uma atividade legalizada, as empresas de apostas on-line
lucram com brasileiros mais de US$ 200 milhões/ano, segundo estimativas
da revista i-Game Review. No Brasil, cerca de 8,7 milhões de pessoas
praticam algum tipo de jogo on-line. Hipocrisia ignorar a realidade. É
preciso agir com coerência e responsabilidade diante deste fator social
irreversível: a prática de jogo, socialmente aceita e arraigada nos
costumes das populações.
O próprio Estado realiza inúmeras modalidades de jogo. Recentemente, o
Congresso Nacional aprovou duas novas loterias para clubes de futebol.
Além da Timemania, haverá a Lotex, em forma de raspadinha, e uma com o
jogo pela internet. Por que não legalizar as outras modalidades? É
preciso avançar e criar um marco regulatório para essa atividade. Sem
uma análise despida de preconceitos, as casas de jogo vão continuar a
atuar na clandestinidade, seus donos sem pagar impostos ao Estado e mais
milionários. Trabalhadores permanecerão na ilegalidade, sem carteira
assinada e nenhum direito. Enquanto o jogo for considerado ilícito,
caminhará de mãos dadas com a corrupção. Ninguém deixa de apostar porque
está proibido. Não é o jogo que fomenta o crime, mas a sua proibição.
Proibir as apostas, certamente não é o caminho mais inteligente e
eficaz. Legalizar trata-se de garantir direitos e criar nova fonte de
receita para investimentos sociais. O projeto do senador Ciro Nogueira
(PP-PI) avança porque estabelece requisitos claros e objetivos para os
interessados na exploração das apostas; contribui para a geração de
milhares de novos empregos; evita abusos cometidos pela falta de uma
legislação; exige regularidade fiscal; prevê punições às empresas
autorizadas a explorar o jogo e reforça a política de desenvolvimento
regional através do turismo.
Após
análise preliminar do projeto de lei — o projeto tramita na Comissão de
Constituição, Justiça e Cidadania —, avalio que devem ser incluídos
filtros para proibir menores de 18 anos de jogarem. É necessário também
limitar o pagamento das apostas ao uso do cartão de crédito para
assegurar maior transparência, fiscalização e controle na identificação
do jogador. A legalização permitirá a arrecadação de cerca de R$ 20
bilhões/ano ao Estado. Defendo que os recursos sejam direcionados para
saúde, educação e segurança pública, áreas em que milhões de brasileiros
clamam por acesso e melhorias. Aumento no orçamento significa mais e
melhores serviços públicos.
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