Drama universitário
FSP
A situação financeira das universidades estaduais paulistas se mostra
dramática. Mas qual instituição pública não se encontra em tal condição
num Brasil atolado na crise que se seguiu à irresponsabilidade
orçamentária e à profunda recessão dela decorrente?
Não a Unicamp, decerto. Com 101,5% de R$ 1,9 bilhão recebido pela
universidade em 2016 (a parcela a que faz jus da arrecadação do ICMS)
comprometidos com a folha de pagamento, nenhuma organização pode
considerar sustentáveis as próprias contas.
Tampouco a USP (com 105% de comprometimento) ou a Unesp (101%). E é
manifesto que tamanho descompasso entre receita e despesa se deve em
parte à queda da arrecadação motivada pela crise econômica —mas não só a
ela.
No entanto, o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, parece entender que a
única solução para o aperto que escolheu administrar está no aumento dos
recursos repassados pelo Tesouro estadual às instituições de ensino
superior.
Em entrevista publicada pela Folha
nesta segunda (29), o físico defendeu elevar o teto salarial das três
universidades, fixado pelos proventos do governador (R$ 21 mil mensais).
Obviamente, isso implica aumentar ainda mais o dispêndio com pessoal.
A própria reitoria projeta um deficit de R$ 200 milhões neste ano.
O reitor alega que USP, Unicamp e Unesp aumentaram muito a oferta de
vagas nos anos 2000, com a promessa de recursos adicionais —que nunca
vieram. Diz que o hospital da universidade consome R$ 308 milhões do
orçamento sem contrapartida equivalente do SUS.
Tais argumentos nada mudam na realidade insofismável: não há espaço para
expandir o gasto com as universidades, que afinal já contam com um
percentual fixo da arrecadação para se manter. Aumentar-lhes a dotação
equivaleria a cortar recursos de outras áreas.
Knobel afirma que não planeja demitir ninguém, provável alusão ao
programa da USP de incentivo a demissões voluntárias, lançado ainda em
2014. Declara-se contrário a cobrar mensalidades de estudantes que
possam pagar por elas.
Não se questiona a importância nem o serviço prestado pelas três
universidades estaduais a São Paulo e ao país. Mas elas só sairão do
drama atual se demonstrarem um pouco mais de realismo e criatividade
para buscar soluções.
Nenhum comentário:
Postar um comentário