Ana Gomes Ferreira - Público
A UE divide-se perigosamente. Há cada vez mais muros e agressões verbais — neste cenário de países solidários e países duros, continua a não haver solução para os refugiados
Esta quarta-feira, a Áustria anunciou que poderá erguer “barreiras técnicas” na sua fronteira com a Eslovénia para impedir a entrada de mais gente — a Hungria já ergueu um muro, a Bulgária fez o mesmo e a Eslovénia pode vir a fazê-lo.
Oficialmente, todos disseram o mesmo — não se trata de fechar a circulação, de suspender Schengen, apenas de criar um sistema que permite registar os que chegam, criando condições para que sejam distribuidos pelos países.
Na prática, é o encerramento de facto de algumas fronteiras, ou uma ameaça de suspensão, colocando no país vizinho o ónus dessa decisão. “Este empurrar o problema para o vizinho é imprudente. Conduzirá, em última instância, ao fim de Schengen, e ao fim da liberdade da Europa”, lia-se na revista Economist num artigo de Setembro chamado Tiro a Schengen.
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, acusou o Governo de Angela Merkel de ser responsável por uma grande parte da crise, ao ter feito o que considera ser um convite aos sírios para irem viver na Alemanha. Concluiu que o que se está a passar na Europa é “um problema alemão”, causado pela política de “portas abertas” de Merkel, e que cabe a Berlim resolvê-lo.
Críticas de Berlim
Berlim não reagiu às declarações de Orbán. Esta quarta-feira, o Governo de Berlim comentou sim a decisão austríaca de poder fechar as fronteiras. O ministro do Interior, Thomas de Maizière, condenou a política de Viena para com as dezenas de milhares de pessoas que utilizam a Rota dos Balcãs — a principal porta de entrada para os refugiados que cruzam o Mediterrâneo. “O comportamento da Áustria nos últimos dias foi inapropriado”, disse, acusando Viena de estar a enviar dezenas de milhares de pessoas para a Alemanha (em concreto para a Baviera) sem aviso prévio.
“O comportamento da Áustria nos últimos dias não é correcto. Sem aviso prévio, os refugiados são conduzidos, depois do cair da noite, para a fronteira com a Alemanha, sem que tenham sido tomadas as medidas preparatórias [para os receber]”, disse Maizière.
“É preciso que percebam que chegam diariamente à Áustria 11 mil refugiados, vindos da Eslovénia. A maior parte quer ir para a Alemanha, o que coloca grande pressão no Sul da Austria. É preciso repartir este imigrantes rapidamente”, como que respondeu David Furtner, um porta-voz da polícia da Áustria. No final do Verão, este país foi elogiado por ter permitido a passagem dos refugiados e imigrantes, um contraste em relação à política dura da vizinha Hungria, que desde o primeiro momento optou por impedir a entrada destes milhares de pessoas, empurrando-as para a Eslovénia e Croácia. No papel, o “jogo do empurra” ficou proibido na mini-cimeira que se realizou domingo em Bruxelas.
O aviso prévio sobre a passagem de refugiados de um país para outro foi outra das decisões de domingo — a reunião foi mais uma tentativa de Bruxelas para comprometer os países a responder a uma voz ao problema dos refugiados, criando regras fixas e tendo como último objectivo a sua redistribuição equitativa pelos países da UE, conforme ficou decidido numa cimeira anterior.
Porém, as decisões de domingo, como as tomadas anteriormente, não estão a ser cumpridas. Por falta de vontade dos Estados-membros, por um lado, e porque quando as decisões são tomadas a realidade já as superou. Um exemplo: em Setembro foi acordada a distribuição de 120 mil refugiados, mas até agora só um número ínfimo chegou ao seu destino. E, o que é mais grave, quando esta decisão sobre 120 mil pessoas foi tomada, já tinham chegado à Europa para cima de 500 mil; actualmente serão já mais de 700 mil, segundo os números oficiais do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Oficialmente, todos disseram o mesmo — não se trata de fechar a circulação, de suspender Schengen, apenas de criar um sistema que permite registar os que chegam, criando condições para que sejam distribuidos pelos países.
Na prática, é o encerramento de facto de algumas fronteiras, ou uma ameaça de suspensão, colocando no país vizinho o ónus dessa decisão. “Este empurrar o problema para o vizinho é imprudente. Conduzirá, em última instância, ao fim de Schengen, e ao fim da liberdade da Europa”, lia-se na revista Economist num artigo de Setembro chamado Tiro a Schengen.
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, acusou o Governo de Angela Merkel de ser responsável por uma grande parte da crise, ao ter feito o que considera ser um convite aos sírios para irem viver na Alemanha. Concluiu que o que se está a passar na Europa é “um problema alemão”, causado pela política de “portas abertas” de Merkel, e que cabe a Berlim resolvê-lo.
Críticas de Berlim
Berlim não reagiu às declarações de Orbán. Esta quarta-feira, o Governo de Berlim comentou sim a decisão austríaca de poder fechar as fronteiras. O ministro do Interior, Thomas de Maizière, condenou a política de Viena para com as dezenas de milhares de pessoas que utilizam a Rota dos Balcãs — a principal porta de entrada para os refugiados que cruzam o Mediterrâneo. “O comportamento da Áustria nos últimos dias foi inapropriado”, disse, acusando Viena de estar a enviar dezenas de milhares de pessoas para a Alemanha (em concreto para a Baviera) sem aviso prévio.
“O comportamento da Áustria nos últimos dias não é correcto. Sem aviso prévio, os refugiados são conduzidos, depois do cair da noite, para a fronteira com a Alemanha, sem que tenham sido tomadas as medidas preparatórias [para os receber]”, disse Maizière.
“É preciso que percebam que chegam diariamente à Áustria 11 mil refugiados, vindos da Eslovénia. A maior parte quer ir para a Alemanha, o que coloca grande pressão no Sul da Austria. É preciso repartir este imigrantes rapidamente”, como que respondeu David Furtner, um porta-voz da polícia da Áustria. No final do Verão, este país foi elogiado por ter permitido a passagem dos refugiados e imigrantes, um contraste em relação à política dura da vizinha Hungria, que desde o primeiro momento optou por impedir a entrada destes milhares de pessoas, empurrando-as para a Eslovénia e Croácia. No papel, o “jogo do empurra” ficou proibido na mini-cimeira que se realizou domingo em Bruxelas.
O aviso prévio sobre a passagem de refugiados de um país para outro foi outra das decisões de domingo — a reunião foi mais uma tentativa de Bruxelas para comprometer os países a responder a uma voz ao problema dos refugiados, criando regras fixas e tendo como último objectivo a sua redistribuição equitativa pelos países da UE, conforme ficou decidido numa cimeira anterior.
Porém, as decisões de domingo, como as tomadas anteriormente, não estão a ser cumpridas. Por falta de vontade dos Estados-membros, por um lado, e porque quando as decisões são tomadas a realidade já as superou. Um exemplo: em Setembro foi acordada a distribuição de 120 mil refugiados, mas até agora só um número ínfimo chegou ao seu destino. E, o que é mais grave, quando esta decisão sobre 120 mil pessoas foi tomada, já tinham chegado à Europa para cima de 500 mil; actualmente serão já mais de 700 mil, segundo os números oficiais do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
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