Quanto ao Líbano, este há muito se tornou conhecido como um ponto de trânsito internacional para a cocaína sul-americana
O príncipe saudita Abdel Mohsin Bin Walid Bin Abdul-Aziz foi detido por autoridades libanesas no aeroporto internacional de Beirute Rafik Hariri, em 26 de outubro de 2015. Duas toneladas de anfetaminas (fenethylline) e um pouco de cocaína foram encontradas a bordo de seu avião particular antes que ele decolasse para Riad, Arábia Saudita.
De acordo com o relatório de 2014 do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime, "a Arábia Saudita, Jordânia e Síria respondem por mais de 55% de anfetaminas apreendidas em nível mundial."
Os estimulantes são muito usados pelos combatentes sunitas e xiitas na guerra síria e os enormes lucros do mercado de drogas ilegais podem ser vistos por alguns príncipes como uma boa forma de complementar a redução das receitas de petróleo. No entanto, os sauditas têm usado os lucros das drogas ilegais para financiar a Al Qaeda e outros grupos sunitas. De fato, Abdel Mohsin Bin Walid Bin Abdul-Aziz não é o primeiro príncipe saudita pego traficando drogas ilegais.
Em 1998 e 1999, a Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) acompanhou um acerto para enviar mais de duas toneladas de cocaína da Colômbia para Caracas, Venezuela. De lá, em seguida, a droga foi embarcada via "mala diplomática" para o aeroporto de Le Bourget, em Paris, através de um Boeing 727. O avião foi registrado em nome da Skyways Internacional da Arábia Saudita, mas era, na verdade, de propriedade do príncipe saudita Nayif bin al-Fawwaz Shaalan al-Saud, - a.k.a., "El Principe".
Quando o avião particular aterrissou no aeroporto Le Bourget, em Paris, o príncipe e seus acompanhantes foram presos pelas autoridades francesas. Mas a França não reteve "El Principe" saudita por muito tempo. Cedeu à pressão do governo saudita, que usou o contrato de fabricação do radar Thales, de 7 bilhões de dólares, pela França, para obter a liberação do príncipe liberado. Os detalhes desse acordo foram encontrados em um telegrama diplomático francês confidencial datado de 21 de fevereiro de 2000. Em 2007, no entanto, os sauditas, aparentemente, perderam o poder de barganha porque em maio daquele ano, um tribunal francês condenou Nayif, à revelia, a dez anos de prisão e uma multa de 100 milhões de dólares.
O neto do rei Abdul-Aziz, o fundador do Reino Saudita, e parente do falecido rei Abdullah através de seu irmão, que se casou com uma filha do rei, “El Principe" gozava de imunidade diplomática. Nayif (nascido em 1956) viveu nos EUA na década de 1970 e nos anos 80 estudou na Universidade de Miami e na Universidade de Princeton. Afirma-se que fala nove línguas. Ele residia em Genebra, descrevia-se como um investidor em petróleo da Colômbia e da Venezuela, mas não em drogas ilegais e lavagem de dinheiro, atividades quais ele muito se beneficiou.
Nayif era conhecido da DEA. Ele foi indiciado por porte de drogas em 1984, no Mississippi, mas permaneceu um fugitivo. Aparentemente, a DEA estava ciente de que "El Principe" estava em contato com o "cartel colombiano de Carlos Zapata" e que grande parte dos cerca de $30 milhões derivada da venda de cocaína, seria usada para financiar um movimento islâmico.
Em 1999, como o negócio da droga estava progredindo, Nayif e seu irmão gêmeo fundaram o Banco Kanz da Suíça, que na época se apresentava como "o único banco privado islâmico em Genebra." O banco tinha 15 funcionários e proeminentes "caras suíças para garantia" estavam em seu conselho de administração, incluindo um ex-gerente do banco central suíço. O Kanz Banco aliou-se à Bammer Financial Trade Corporation de Gênova (também fundada em 1999), e Capital Trust SA de Barcelona, que estavam supostamente envolvidos no financiamento da Al Qaeda. Informou-se que os fundos provenientes da venda de cocaína estavam sendo lavados pelo Kanz Banco de Nayif.
A 03 de maio de 2005, a DEA anunciou a condenação de co-conspiradores de Nayif em um Tribunal Federal na Flórida. De acordo com a Press-Release, "Em dezembro de 1998, em Riad, Arábia Saudita, todos os quatro réus e os narcotraficantes colombianos, foram levados por Al-Shaalan para um acampamento no deserto. Lá, os réus e os co-conspiradores discutiram os detalhes de um esquema de transporte de drogas. Especificamente, os narcotraficantes colombianos concordaram em "disfarçar" toda a cocaína e entregar a droga para Al-Shaalan em Caracas, Venezuela. Al-Shaalan, então, transportaria a cocaína para Paris, França, a bordo de seu jato particular. Uma vez em Paris, os narcotraficantes colombianos iriam recuperar a posse da cocaína. Após a venda da cocaína, avaliada em mais de US $ 30 milhões de dólares, Al-Shaalan levaria metade dos lucros em moeda americana como forma de pagamento pelo transporte da cocaína. Lopez Vanessa e Salazar deveriam receber uma taxa de corretagem”.
Curiosamente, apesar da evidência de que Nayif iniciou o negócio da droga, o agente da DEA ao anunciar a condenação, disse: "Neste caso, os traficantes de droga utilizaram pessoas poderosas para criar uma fachada de legitimidade para ajudá-los a esconder as suas atividades de tráfico de drogas."
Quanto ao Líbano, este há muito se tornou conhecido como um ponto de trânsito internacional para a cocaína sul-americana, outras drogas ilegais, armas e contrabando de pessoas. E esta "Suíça do Oriente Médio” também é conhecida por sua eficiente lavagem de dinheiro e serviços de financiamento do terrorismo.
Uma acusação oficial contra o príncipe Abdel Mohsin pode fornecer informações importantes sobre tudo isso. No entanto, a pressão que a Arábia exerce pelo menos tanto pesa no Líbano, como na França. Portanto, não prenda a respiração.
Publicado no LinkedIn Pulse.Tradução: William Uchoa
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