Liz Robbins - NYT
Mario Tama/Getty Images/AFP
Dançarinos se apresentam no dia africano em um festival no Harlem, em Nova York (EUA)As pessoas ainda conversavam quando Afua Atta-Mensah pegou o microfone e deu as boas-vindas a todos à Reunião Comunitária Africana, realizada no portão do Museu de Artes do Brooklyn neste mês.
"Ete sen?" gritou Atta-Mensah, a moderadora do programa, em twi, uma das principais línguas de Gana. A plateia de 300 pessoas vibrou. Ela simplesmente perguntou: "E aí?"
Segundo um relatório divulgado no mês passado pelo Census Bureau americano (órgão de estatísticas federal, semelhante ao IBGE), mais de 192 línguas são faladas na área de Nova York, tornando a cidade a mais linguisticamente diversa do país. O aumento de línguas africanas contribui significativamente para essa diversidade, e em nenhum outro lugar é mais aparente do que no Bronx.
Segundo o Census Bureau, mais de 16 línguas africanas são faladas no
Bronx, um número provavelmente bem menor do que o falado de fato nos
lares do distrito, dizem linguistas. Apenas na África Ocidental há mais
de 800 línguas.
Mas independente de ser ulof, diula, efik ou gur falado aqui, o impacto é claro. A proliferação de africanos ocidentais no norte de Nova York provocou uma necessidade crescente de intérpretes de línguas africanas.
"Pessoas estão chegando com barreiras de linguagem, e ao virem e colocarem crianças nas escolas, temos barreiras de linguagem em toda parte", disse Akinde Kodjo, uma organizadora comunitária do grupo de defesa Comunidades Africanas Juntas. Ela ajudou a iniciar um programa de intérpretes em fevereiro de 2014 e, há poucos meses, oito membros treinaram para ser intérpretes no programa municipal NY Certified (certificado por Nova York).
Apesar de muitos imigrantes da África Ocidental falarem inglês ou francês suficiente para atividades cotidianas, seu entendimento pode ser inadequado para lidar com as complexidades da documentação de imigração, tribunais, requerimentos de moradia ou para as opções de ensino.
"Há muitas pessoas que precisam de serviços públicos, mas não têm conhecimento de como ter acesso a eles", disse Alane Bibang, um intérprete de 32 anos do Gabão que é voluntário no Comunidades Africanas Juntas.
Ele disse ter ficado contente por ter ajudado um homem de Burkina Fasso que estava sofrendo abusos por seus empregadores. Como ambos falavam francês, disse Bibang, o cliente ficou mais à vontade quando eles se encontraram com os advogados.
Pela lei, qualquer instituição que recebe fundos federais é obrigada a fornecer serviços de intérprete, disse Nisha Agarwal, a comissária municipal para assuntos de imigração. Além do básico, entretanto, a prefeitura está examinando como "podemos ser de mais ajuda para facilitar a integração", disse Agrawal.
O Saint Barnabas Hospital no Bronx está correndo para acompanhar o ritmo das mudanças demográficas ao promover os dias de diversidade, para que os médicos possam entender as normas culturais que podem afetar a saúde e ajudar os imigrantes a se sentirem mais à vontade.
Como a maioria dos hospitais da cidade, o Saint Barnabas utiliza um banco de línguas para ter acesso a intérpretes ao vivo de mais de 2.000 línguas a qualquer hora. Telefones azuis com dois monofones estão presentes nas salas de exame, um para o médico e outro para o paciente conversarem com o intérprete, que fica em um call center.
Mas às vezes há mais que uma barreira de linguagem. No ano passado, um bebê do Quênia foi trazido ao pronto-socorro com envenenamento por chumbo. Após um mês de tratamento, ele continuava sem melhorar, disse Lynette Alvarado, a diretora de línguas do hospital.
Ela contatou o Centro Sauti Yetu para Mulheres e Famílias Africanas e descobriu que a fonte do problema tinha vindo da África. Os utensílios de cozinha que os pais do menino trouxeram para os Estados Unidos eram decorados com tinta com chumbo.
Como a comunidade africana é relativamente nova no Bronx, os médicos do hospital estão aprendendo as línguas e culturas do continente enquanto trabalham.
"Para mim, o que acho incrível é como as línguas podem mudar em um espaço geográfico tão pequeno", disse o dr. Eric Applebaum, o diretor médico associado da unidade ambulatorial do hospital. "Você vai ao mapa e diz: 'Você é daqui, você é dali, vocês parecem viver a cinco minutos um do outro'. Seria como eu e um sujeito de Jersey ou da Filadélfia dizendo: 'Desculpe, não falamos a mesma língua'."
Tradutor: George El Khouri Andolfato
Mas independente de ser ulof, diula, efik ou gur falado aqui, o impacto é claro. A proliferação de africanos ocidentais no norte de Nova York provocou uma necessidade crescente de intérpretes de línguas africanas.
"Pessoas estão chegando com barreiras de linguagem, e ao virem e colocarem crianças nas escolas, temos barreiras de linguagem em toda parte", disse Akinde Kodjo, uma organizadora comunitária do grupo de defesa Comunidades Africanas Juntas. Ela ajudou a iniciar um programa de intérpretes em fevereiro de 2014 e, há poucos meses, oito membros treinaram para ser intérpretes no programa municipal NY Certified (certificado por Nova York).
Apesar de muitos imigrantes da África Ocidental falarem inglês ou francês suficiente para atividades cotidianas, seu entendimento pode ser inadequado para lidar com as complexidades da documentação de imigração, tribunais, requerimentos de moradia ou para as opções de ensino.
"Há muitas pessoas que precisam de serviços públicos, mas não têm conhecimento de como ter acesso a eles", disse Alane Bibang, um intérprete de 32 anos do Gabão que é voluntário no Comunidades Africanas Juntas.
Ele disse ter ficado contente por ter ajudado um homem de Burkina Fasso que estava sofrendo abusos por seus empregadores. Como ambos falavam francês, disse Bibang, o cliente ficou mais à vontade quando eles se encontraram com os advogados.
Pela lei, qualquer instituição que recebe fundos federais é obrigada a fornecer serviços de intérprete, disse Nisha Agarwal, a comissária municipal para assuntos de imigração. Além do básico, entretanto, a prefeitura está examinando como "podemos ser de mais ajuda para facilitar a integração", disse Agrawal.
O Saint Barnabas Hospital no Bronx está correndo para acompanhar o ritmo das mudanças demográficas ao promover os dias de diversidade, para que os médicos possam entender as normas culturais que podem afetar a saúde e ajudar os imigrantes a se sentirem mais à vontade.
Como a maioria dos hospitais da cidade, o Saint Barnabas utiliza um banco de línguas para ter acesso a intérpretes ao vivo de mais de 2.000 línguas a qualquer hora. Telefones azuis com dois monofones estão presentes nas salas de exame, um para o médico e outro para o paciente conversarem com o intérprete, que fica em um call center.
Mas às vezes há mais que uma barreira de linguagem. No ano passado, um bebê do Quênia foi trazido ao pronto-socorro com envenenamento por chumbo. Após um mês de tratamento, ele continuava sem melhorar, disse Lynette Alvarado, a diretora de línguas do hospital.
Ela contatou o Centro Sauti Yetu para Mulheres e Famílias Africanas e descobriu que a fonte do problema tinha vindo da África. Os utensílios de cozinha que os pais do menino trouxeram para os Estados Unidos eram decorados com tinta com chumbo.
Como a comunidade africana é relativamente nova no Bronx, os médicos do hospital estão aprendendo as línguas e culturas do continente enquanto trabalham.
"Para mim, o que acho incrível é como as línguas podem mudar em um espaço geográfico tão pequeno", disse o dr. Eric Applebaum, o diretor médico associado da unidade ambulatorial do hospital. "Você vai ao mapa e diz: 'Você é daqui, você é dali, vocês parecem viver a cinco minutos um do outro'. Seria como eu e um sujeito de Jersey ou da Filadélfia dizendo: 'Desculpe, não falamos a mesma língua'."
Tradutor: George El Khouri Andolfato
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