Nos últimos doze anos, o senador acompanhou de dentro o lado sombrio dos governos petistas. Viu o nascimento dos esquemas de corrupção, seus desdobramentos financeiros e eleitorais, participou dos esforços para debelá-los e agora pode apontar com precisão quem são os mentores e beneficiários
Terminada uma reunião no gabinete de Dilma Rousseff, em junho
passado, Delcídio chamou-a de lado e disse a seguinte frase:
"Presidente, a prisão (de Marcelo Odebrecht) também é um
problema seu, porque a Odebrecht pagou no exterior pelos serviços
prestados por João Santana à sua campanha". Delcídio contrariou o
diagnóstico de Aloizio Mercadante, que ainda chefiava a Casa Civil,
segundo quem a prisão de Marcelo Odebrecht "era problema do Lula". Ao
deixar o Palácio do Planalto, Delcídio definiu Dilma a um colega de
partido como "autista", espantado que ficou com o aparente
desconhecimento da presidente sobre o umbilical envolvimento financeiro
do PT com as empreiteiras implicadas na Lava-Jato. Na reunião, Dilma
dissera aos presentes que as repercussões da operação nada mais eram do
que uma campanha para "criminalizar" as empreiteiras e inviabilizar seu
pacote de investimento e concessões na área de infraestrutura. "A Dilma
não sabe o que é passar o chapéu porque passaram o chapéu por ela",
concluiu Delcídio.
Passar o chapéu é bater na porta das empreiteiras e pedir dinheiro para campanhas políticas. Quando feitas dentro da lei, as doações não deixam manchas no chapéu. Mas, quando fruto de propinas como as obtidas nos bilionários negócios com a Petrobras, a encrenca, mesmo que seja ignorada por sua beneficiária, não vai embora facilmente. Menos de um mês após a reunião no Planalto, a Polícia Federal divulgou as explosivas anotações com que Marcelo Odebrecht incentivava seus advogados a encontrar uma maneira de fazer chegar a Dilma a informação de que as investigações sobre as contas da empreiteira na Suíça bateriam nela.
Poucos políticos tiveram mais acesso do que Delcídio aos bastidores do mensalão e do petrolão. Poucos políticos conhecem tão bem como ele as entranhas da Petrobras, onde trabalhou e fez amigos. Poucos políticos têm tanto trânsito como ele nos gabinetes mais poderosos da política e da iniciativa privada. Até ser preso, Delcídio atuava como bombeiro, tentando reduzir os focos de tensão existentes para Lula, Dilma e o PT. Na condição de encarcerado, é uma testemunha decisiva. A possibilidade de ele colaborar com os investigadores está sob avaliação de sua família.
Passar o chapéu é bater na porta das empreiteiras e pedir dinheiro para campanhas políticas. Quando feitas dentro da lei, as doações não deixam manchas no chapéu. Mas, quando fruto de propinas como as obtidas nos bilionários negócios com a Petrobras, a encrenca, mesmo que seja ignorada por sua beneficiária, não vai embora facilmente. Menos de um mês após a reunião no Planalto, a Polícia Federal divulgou as explosivas anotações com que Marcelo Odebrecht incentivava seus advogados a encontrar uma maneira de fazer chegar a Dilma a informação de que as investigações sobre as contas da empreiteira na Suíça bateriam nela.
Poucos políticos tiveram mais acesso do que Delcídio aos bastidores do mensalão e do petrolão. Poucos políticos conhecem tão bem como ele as entranhas da Petrobras, onde trabalhou e fez amigos. Poucos políticos têm tanto trânsito como ele nos gabinetes mais poderosos da política e da iniciativa privada. Até ser preso, Delcídio atuava como bombeiro, tentando reduzir os focos de tensão existentes para Lula, Dilma e o PT. Na condição de encarcerado, é uma testemunha decisiva. A possibilidade de ele colaborar com os investigadores está sob avaliação de sua família.

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