Marcelo Madureira
Se nós estamos aqui, hoje, eu
escrevendo e você lendo, devemos isso a Winston Spencer Churchill. Foi
Churchill quem resolveu enfrentar o nazismo, com ou sem a ajuda dos EUA
(coisa que só veio depois), em 1940. O grande estadista convenceu o povo
inglês a entrar na guerra. Isso porque as pesquisas indicavam que os
ingleses, traumatizados com as perdas na Primeira Guerra, preferiam a
paz em separado com Hitler a se meter em novo conflito. Mas Winston
Churchill, certo de que o que estava em jogo era a existência da
Democracia e a nossa Civilização Ocidental, conseguiu ganhar
politicamente a população a enfrentar a ameaça nazifascista. Para isso,
usou apenas a retórica, as palavras, arma poderosa que Winston usava com
arte e precisão.
Depois de uma sequência de derrotas, os
ingleses, ainda sozinhos, iniciaram uma arrancada irresistível de
vitórias no norte da África, a mais famosa El Alamein. Ainda preocupado
se os Estados Unidos iriam ou não apoiar os ingleses no conflito,
Churchill pronunciou mais um de seus históricos discursos. Para conter o
excesso de otimismo, cunhou um período que hoje se encaixa como uma
luva na atual situação brasileira.
Na minha mesa de cabeceira tenho um livro
com os discursos do velho Churchill. Gosto de ler alguns trechos nos
momentos em que perco a esperança no Brasil.
Now this is not the end. It is not even the beginning of the end. But it is, perhaps, the end of the beginning – Winston Churchill.
Now this is not the end. It is not even the beginning of the end. But it is, perhaps, the end of the beginning – Winston Churchill.
Em tradução livre: “…isso não é o final. Não é sequer o começo do final. Mas, talvez, seja o final do começo”.
Pois é, estamos, provavelmente, às
vésperas do impeachment da presidente Dilma. Batalha longa e dolorosa,
uma etapa importante na empreitada de colocar o país novamente nos
trilhos, o impeachment da presidente não significa, de maneira nenhuma, o
final de nossos problemas.
Evidentemente, este movimento político
traz uma mudança nas expectativas, uma inversão de tendências, para um
ambiente mais otimista, que ajuda e muito na recuperação nacional.
No entanto, é necessário advertir a todos
que temos ainda um longo calvário pela frente. Vamos viver momentos
muito difíceis nos próximos dois anos, resultado da incompetência e
desonestidade de 14 anos de lulopetismo. Não podemos esquecer que o
espectro sinistro de Luiz Inácio Lula Silva ronda à solta pelo país, uma
ameaça explícita à democracia.
O Brasil vai seguir na direção a que for a
Operação Lava Jato, Zelotes e suas derivadas. Para bem caso prossigam
aprofundando as investigações e dando sequência às suas consequências
judiciais. Vai para mal no caso de um acordo criminoso entre as forças
representantes do Brasil arcaico incriminadas em transações ilegais.
Não acredito muito na segunda hipótese
pelo fato de que, desde os atentados de 11 de setembro de 2001, as
transações financeiras internacionais são cada vez mais monitoradas,
principalmente aquelas relacionadas com o “dinheiro sujo” de origem
duvidosa. Além do mais, as sociedades mais avançadas são cada vez menos
tolerantes com governos e empresas de comportamento ético claudicante.
Entretanto, parece que muitos da plutocracia criminal brasileira e seus
caríssimos criminalistas ainda não se deram conta desse fenômeno.
E digo mais: com as revelações dos Panama
Papers, um correspondente global da Operação Lava Jato, novos e novos
escândalos virão à tona.
Portanto, creio que muitos personagens
ainda sairão do armário por força da continuidade das investigações.
Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Collor de Mello já estão na fila, não
necessariamente nesta ordem. E olha que a fila já está dobrando a
esquina.
Assim sendo, acredito eu, e respeitada a
Constituição, caberá à ministra Cármen Lúcia, então presidente da
Suprema Corte, a responsabilidade de conduzir o Brasil. Ela terá que
convocar eleições em 90 dias. Mas quem é que ainda vai sobrar
politicamente vivo no país?
Sou totalmente favorável à aplicação
implacável da Lei a todos aqueles que estiverem envolvidos em negociatas
e falcatruas. Seja quem for, sem exceções.
Resumo da ópera: um futuro incerto,
embaçado e sombrio nos aguarda. E não existe Economia que avance num
contexto político nebuloso desses.
A recuperação da Economia dar-se-á
somente por um governo com forte apoio da sociedade brasileira. Para
recolocar o Brasil no caminho certo, reorganizar as contas públicas e
absorver os prejuízos, será necessário um enorme sacrifício de nosso
povo e principalmente e, infelizmente, daqueles que menos têm, isso
porque são aqueles que têm menos “gordura para queimar”.
Uma profunda reforma do Estado brasileiro
irá contrariar muitas parcelas da população, principalmente daquelas
dependentes do setor público. Direitos adquiridos, aposentadorias
especiais, estabilidade no emprego e outros privilégios, tudo isso vai
ter que acabar e muito mais! Reforma da Previdência, reforma fiscal,
reforma política, tudo isso traz choro, sangue e ranger de dentes.
Não vai ser fácil, pessoal. Mas, para
concluir com um pouco de otimismo, mais uma vez lanço mão do velho
Churchill em discurso proferido no parlamento inglês no dia 18 de junho
de 1940 no início da Segunda Guerra Mundial.
Naquela ocasião as forças do Reino Unido
estavam tomando uma tremenda sova dos exércitos nazistas com a invasão
da Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega e França. A Inglaterra lutava
sozinha e Winston Churchill, à frente de um gabinete suprapartidário de
salvação nacional, fez um longo discurso em que explicava as
circunstâncias das derrotas e antevia as possibilidades de vitória. E
por fim conclamava todos à luta. Nessa circunstância dramática,
Churchill escreveu este parágrafo abaixo, uma pequena joia da literatura
inglesa:
Let us therefore brace ourselves to
our duties, and so bear ourselves that, if the British Empire and its
Commonwealth last for a thousand years, men will still say, “This was
their finest hour”.
Trecho belíssimo, que ouso traduzir e adaptar para a nossa realidade:
Vamos, portanto, nos dedicar de corpo e
alma às nossas obrigações de cidadãos. E se o destino da nação
brasileira for durar mais mil anos, daqui a mil anos nossos descendentes
ainda haverão de se lembrar de nossa geração: “naquele momento eles se
superaram”.
E tenho dito.
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