quarta-feira, 24 de maio de 2017

Caso JBS desmente operação teleguiada anti-PT
A delação de Joesley, ao citar Aécio Neves, confirma o caráter multipartidário da corrupção, e ainda ajuda a invalidar discurso de que o alvo único é o lulopetismo
O Globo
O mensalão do PT, denunciado em 2005 por um de seus beneficiários, o então deputado fluminense Roberto Jefferson, surgiu multipartidário. Por ser um esquema de compra literal de apoios para a montagem da base parlamentar no primeiro mandato de Lula, ele, necessariamente, enredaria várias legendas.
E foi por isso que, entre os mensaleiros denunciados ao Supremo, além de petistas, havia um bom número de representantes do PP, do PTB e do PL, depois rebatizado de PR, após juntar-se ao Prona.
Até pelo estilo de fisiologismo selvagem adotado pelo lulopetismo na cooptação de partidos, organizações da sociedade e movimentos ditos sociais, aquela aliança espúria costurada na campanha de 2002 e lançada no mensalão só fez se ampliar. Com os bilhões surrupiados da Petrobras em conluio com empreiteiras, e a pulverização partidária, a festa cresceu.
Agora, com a delação dos irmãos Joesley e Wesley, do grupo JBS, a tendência multipartidária da corrupção se firmou, no envolvimento do senador tucano Aécio Neves, presidente do PSDB, cuja acerto com Joesley, em torno de R$ 2 milhões, foi gravado. Não se esquecer que, nos depoimentos da Odebrecht à Lava-Jato, há outros tucanos citados, como o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, José Serra e Sérgio Guerra, já falecido.
Se houve lulopetista animado com a tormenta que atinge Michel Temer, o “golpista”, e Aécio, a terceira denúncia contra Lula feita pelo Ministério Público à Justiça do Paraná, na Lava-Jato, na segunda, deve ter acabado com esse bom humor.
Reafirma-se o caráter multipartidário da corrupção. Desta vez, trata-se do caso do sítio de Atibaia, próximo à cidade de São Paulo, em que estão visíveis impressões digitais da OAS e da Odebrecht, empreiteiras do petrolão.
Na Lava-Jato, existem depoimentos sobre como as duas empresas, em troca de vultosos contratos com a Petrobras, pagaram propinas ao ex-presidente na forma de obras no imóvel.
Coube à OAS, entre outras empreitadas, equipar a cozinha do sítio e também a do tríplex do Guarujá, no prédio construído pela empresa. Este apartamento consta de outro processo, também na Lava-Jato, contra Lula. Ainda no caso do sítio estão o Grupo Schahin e o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, intermediário de exótica operação pela qual, segundo denúncia, obteve empréstimo do Schahin, para o PT, saldado com a assinatura com o grupo de um contrato de aluguel de navio-sonda pela Petrobras.
Este grande arco multipartidário que se fecha com Aécio Neves tem, ainda, o efeito de invalidar de vez o discurso de que a atuação do Ministério Público e da Justiça no combate à corrupção visa apenas ao lulopetismo. Os fatos mostram que não é assim. Não há preconceitos. Existe é corrupção disseminada.

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