quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Candidatos em trânsito

Pedro Ladeira/Folhapress - Marcus Leoni/Folhapress - Miguel Schincariol/AFP
BRASILIA, DF, BRASIL, 09-08-2017, 16h00: O governador de SP Geraldo Alckmin é recebido pelo presidente do senado Eunício Oliveira (PMDB-CE), em reunião no gabinete da presidência do senado. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)SAO PAULO, SP, BRASIL, 10.08.17 20h30 Joao Doria. Athie Wohnrath, lanca seu terceiro, seguido de debate com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o cineasta e escritor Arnaldo Jabor e o jornalista Carlos Sardenberg.(Foto: Marcus Leoni / Folhapress, MONICA BERGAMO)Former Brazilian president (2003-2011) Luiz Inacio Lula Da Silva holds a sign reading "No to Lula's sentence" during a rally at the metalworkers union of Diadema, in Sao Paulo, Brazil, July 15, 2017. Brazil's former leader Luiz Inacio Lula da Silva on Thursday defiantly brushed aside his conviction on corruption charges and said he plans to run again for president next year. Lula's sentence to nine-and-a-half year was handed down Wednesday by an anti-corruption judge who found him guilty of taking bribes and money-laundering. / AFP PHOTO / Miguel SCHINCARIOL
O governador de SP, Geraldo Alckmin, o prefeito de São Paulo, João Doria, e o ex-presidente Lula
FSP
Em um de seus célebres arrebatamentos retóricos, ainda na Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que um homem público "faz campanha da hora em que acorda à hora em que dorme, 365 dias por ano".
Desconte-se algum eventual exagero, reconheça-se a franqueza da sentença. Não será realista esperar que políticos de ofício deixem de mirar diuturnamente as eleições seguintes, mesmo quando à frente de funções administrativas a eles confiadas pela população.
Assim o demonstram dois potenciais candidatos a adversário de Lula no pleito de 2018. Os tucanos Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, e João Doria, prefeito da capital, já percorrem o país em eventos os mais diversos, nenhum que possa desmentir a observação do cacique petista.
Conforme noticiou esta Folha, Alckmin visitou cinco Estados e o Distrito Federal desde junho; Doria, quatro, além de duas idas a Brasília —ainda nesta segunda-feira (14), estava no Tocantins.
Ambos visam o contingente mais vasto do eleitorado nacional: os 46% que, segundo levantamento de junho do Datafolha, descartam a hipótese de votar em Lula. Se a escolha da candidatura do PSDB vier a depender do desempenho nas pesquisas, o que é plausível, nem o governador nem o prefeito dispõem de números decisivos.
Este pontua um pouco melhor, com 14% em cenário que exclui investigados pela Lava Jato; aquele chega a 10% na simulação com o ex-prefeito Fernando Haddad na condição de postulante pelo PT.
Os resultados dos tucanos nas eleições presidenciais desde os anos 1990 encorajam expectativas de crescimento dos índices. Mais incerto, todavia, é o que seu representante terá a propor ao país.
Doria apresenta-se como a novidade, alheio à política convencional, um gestor. Nesta seara, entretanto, tem pouco a apresentar em menos de oito meses de seu primeiro mandato —e as seguidas ausências dificilmente contribuirão para seu currículo administrativo.
Precisa-se de experiência, contrapõe Alckmin, que soma dez anos em diferentes passagens pelo comando do Estado. Seu feito mais vistoso tem sido o de manter as contas paulistas em relativa ordem; sempre lhe faltou desenvoltura, entretanto, para tratar dos temas nacionais mais complexos.
Já o eterno presidenciável do PT, com 30% das intenções de voto, prepara caravana pelo Nordeste, seu maior reduto, sem plataforma que vá além da crítica oportunista à política econômica e do culto à própria personalidade.
Desta feita, a incessante campanha de Lula independe das próximas eleições —trata-se, mais imediatamente, da defesa política para os processos judiciais de que é alvo.

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