JBS rebate BNDES e manifesta apoio a Wesley Batista na presidência
NICOLA PAMPLONA - FSP
Em comunicado distribuído nesta segunda (28), a JBS diz que, na
avaliação do conselho, o afastamento seria prejudicial à companhia. Os
conselheiros também rejeitaram a proposta, também do BNDES, de
contratação de auditoria externa para investigar controladores e
ex-administradores.
Por meio da empresa de participações BNDESPar, o banco tem 21,3% das
ações da JBS. O afastamento da família Batista foi uma das primeiras
bandeiras levantadas pelo presidente da instituição, Paulo Rabello de
Castro, ao assumir o cargo em junho.
As propostas do BNDES serão discutidas em assembleia de acionistas em 1º
de setembro e têm apoio de outros minoritários insatisfeitos com a
permanência dos Batista no comando após a confissão de crimes em delação
premiada.
No comunicado distribuído nesta segunda, a empresa chama as propostas de
"prematuras e disruptivas" e diz que a criação de um comitê de
investigação já é prevista no acordo de leniência negociado entre sua
controladora, a J&F, com o Ministério Público.
"Cabe à administração agir com serenidade, sem açodamento, para, de
maneira informada, refletida e sobretudo desinteressada, com o apoio de
assessores especialmente contratados, dar início aos trabalhos de
investigação interna e independente exigidos pelo Ministério Público",
defende.
A JBS argumentou ainda que vem tomando medidas para conter a crise
gerada pela delação de Joesley Batista, incluindo o afastamento do
executivo, o lançamento de um plano de venda de ativos no valor de R$ 6
bilhões e acordo com bancos para alongamento de sua dívida, de R$ 20,5
bilhões.
"Ao final dos trabalhos investigativos, espera-se que a administração da
companhia esteja de posse dos elementos de informação necessários para
torná-la apta a tomar as medidas cabíveis, sempre com vistas a proteger o
interesse social da JBS", disse a companhia.
"A manifestação do conselho, embora estranha, não surpreende. Mostra que
o acionista controlador está usando o conselho para manter a JBS refém
de seus interesses", acusou o vice-presidente da Associação de
Investidores Minoritários do Brasil, Aurélio Valporto.
Ele vem articulando um grupo de minoritários para apoiar as propostas do
BNDES na assembleia e diz que a decisão do conselho "é uma comprovação
de que os acionistas minoritários precisam liderar o processo de
reparação dos danos causados à companhia".
REMUNERAÇÃO
A JBS defendeu ainda proposta de ampliar, em até R$ 10 milhões, a
remuneração de seus administradores para o ano de 2017 —proposta também
criticada pelo BNDES.
Em assembleia realizada em abril, os acionistas aprovaram um valor de R$
17 milhões para remunerar executivos. Agora, a empresa pede R$ 27
milhões.
O aumento seria dado apenas para os membros do conselho de
administração: a cifra destinada a eles subiria de R$ 2,59 milhões para
R$ 14,6 milhões.
A empresa diz que as assessorias MercerHuman Resource Consulting e Hay
Group concluíram os valores devem ser elevados e que a deve criar ainda
criar uma "remuneração variável como forma de incentivo e retenção",
vinculada aos resultados de médio e longo prazos.
A companhia também defendeu proposta de inclusão em seu estatuto de
permissão para indenizar executivos por danos ou prejuízos sofridos no
exercício de suas funções, além dos seguros conhecidos como D&O —que
cobrem prejuízos com ações judiciais.
A proposta, diz a empresa, "tem por finalidade promover e manter um
alinhamento entre as praticas adotadas pela companhia e aquelas adotadas
no mercado internacional"
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