Rodrigo Constantino - VEJA

Nesta quarta-feira, o “Jornal Nacional” fez uma reportagem
sobre o elevado grau de endividamento dos brasileiros. Segundo
pesquisa, mais de 50 milhões de brasileiros devem e não conseguem pagar
suas dívidas todas. Isso representa algo como 40% dos brasileiros
adultos. O país nunca teve tanta gente nessa situação antes.
No mesmo JN, foi divulgada
de forma um tanto rápida a decisão do Banco Central ontem de tomar
novas medidas para estimular o crédito. Eis tudo o que foi dito por
Patrícia Poeta:
O Banco
Central anunciou duas medidas para aumentar em até R$ 25 bilhões a
oferta de crédito no país. Os bancos poderão reduzir a parcela dos
depósitos que precisa ficar retida como reserva de segurança do sistema
financeiro. E também poderão diminuir as reservas obrigatórias
específicas contra calotes. No mês passado, o Banco Central tinha
anunciado medidas semelhantes.
Ou seja, grego para a imensa maioria dos
brasileiros. Como não é hábito abaixo da linha do Equador ligar “lé” com
“cré”, ou seja, fazer um elo lógico entre as coisas – caso contrário
não seríamos mais um continente imerso em tanto populismo e demagogia –
seria de bom alvitre o JN ter ajudado a ligar um ponto ao outro.
De um lado, temos famílias cada vez mais
endividadas e incapazes de chegar ao final do mês sem dever alguma
coisa. Do outro, temos um governo que, por só pensar nas próximas
eleições chegando, decide estimular ainda mais o crédito no país no afã
de produzir um tiquinho mais de crescimento artificial para reduzir a
sensação – legítima – de crise, em uma economia estagnada e com elevada
inflação.
No meu dicionário, isso se chama
irresponsabilidade. O governo está fomentando uma bolha de crédito que
irá, inevitavelmente, estourar um dia. Depois não adianta culpar o
mercado, a ganância, o capitalismo, os banqueiros, os agiotas, os
abutres ou os ETs.
As impressões digitais do verdadeiro
culpado estão sendo deixadas em todas as cenas do crime. É o próprio
governo quem está estimulando a farra como se não houvesse amanhã. Guess what? Há
amanhã! Ele é inexorável. E chegará cobrando juros e correção monetária
daqueles que, hoje, caem no canto da “sereia”, ou seja, Dilma Rousseff.
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