Rodrigo Constantino - VEJA

A “fartura” em um supermercado venezuelano
Para aqueles críticos do socialismo em
sua vertente moderna do século 21, que alegam se tratar do mesmo
fracasso de antes, vejam que coisa incrível: a Venezuela de Maduro, o
companheiro do PT, inovou! Agora há claros avanços tecnológicos no país,
de deixar a Wal-Mart de queixo caído com todos os seus bilhões
investidos na área só para lucrar mais.
A Venezuela deve adotar
até o fim do ano um sistema biométrico para racionar as vendas de
produtos alimentícios em supermercados públicos e privados. O sistema de
controle funciona com o cadastramento da cédula de identidade e
impressão digital do comprador, evitando que a pessoa compre o mesmo
produto mais de uma vez na mesma semana.
Andrés Eloy Méndez, responsável pela fiscalização dos preços, disse, segundo o jornal venezuelano El Universal,
que o sistema será implementado até o dia 31 de dezembro. Em abril, o
Ministério da Alimentação anunciou que o programa piloto seria adotado
na rede pública, mas agora informou que será ampliado para a rede
privada.
A intenção
do governo é controlar a venda de itens básicos por pessoa. Com o
sistema biométrico, será possível, de acordo com autoridades
venezuelanas, “receber informações sobre o que os venezuelanos compram,
em qual quantidade e com que frequência”, possibilitando o desperdício
de alimentos.
[...]
O ministro de Ciência e Tecnologia, Manuel Fernández, informou, citado pelo El Universal,
que o ministério trabalha em parceria com o Ministério da Alimentação
no desenvolvimento do programa e espera que o piloto esteja pronto em 90
dias. “O sistema biométrico chega para colocar em ordem o mecanismo de
abastecimento e torná-lo mais justo”, afirmou Fernández.
Pergunto ao leitor burguês: por acaso os
Estados Unidos possuem alguém “responsável pela fiscalização de preços”?
Não? Pois é! Vejam só como são os bolivarianos que se preocupam com os
mais pobres, não esses capitalistas malditos que só querem lucrar.
É verdade que não vemos filas enormes nos
supermercados americanos, que há produtos em fartura nas prateleiras
para todos os gostos. Mas há fartura na Venezuela também! “Farta”
feijão. “Farta” arroz. E “farta” até papel higiênico! É uma fartura só,
sô!
E o governo dos pobres, com viés
igualitário, não poderia ignorar essa desigualdade cruel onde uns podem
tudo (os poderosos ligados ao governo) e outros nada (o povo). Com
biometria de ponta, agora cada um poderá comprar apenas sua ração
semanal e dar a vez ao próximo, de forma mui abnegada e altruísta, como
sói acontecer em todas as nações socialistas que constroem o “novo
homem”.
Um típico alienado pelo império
estadunidense, do tipo que lê Veja, poderia dizer que os poderosos vão
continuar se dando bem, no mercado negro, como acontecia no socialismo
do século 20. A esses patifes “neoliberais” eu digo: o que vale é a
intenção!
A Venezuela nos mostra o futuro! E, se Dilma vencer e tiver mais quatro anos no poder, de fato o futuro chegará logo…
Nenhum comentário:
Postar um comentário