Miquel Noguer - El País
Albert Gea/Reuters
Catalães
fazem fila em uma seção eleitoral em Barcelona para votar na consulta
simbólica sobre a independência da Catalunha, em 2014A candidatura do Juntos pelo Sim, da qual fazem parte Convergência Democrática e Esquerda Republicana, viveu na quarta-feira (26) uma nova jornada de confusão, desta vez por conta da eventual expulsão da União Europeia (UE) de uma hipotética Catalunha independente.
A polêmica foi aberta pelo presidente da Assembleia Nacional Catalã, Jordi Sánchez, que admitiu que a Catalunha ficaria "indubitavelmente" fora da UE de forma "transitória".
O próprio Sánchez, cuja entidade faz parte do Juntos pelo Sim, retificou mais tarde suas palavras. A polêmica ocorre semanas depois que o cabeça de chapa do Juntos pelo Sim, Raül Romeva, pôs em dúvida a continuidade de Artur Mas à frente da Generalitat [governo regional] se sua candidatura ganhar, o que também teve de retificar.
Até agora os partidos pró-independência
sempre defenderam que a UE encontraria fórmulas para que, se for o caso,
a Catalunha possa se manter como um Estado membro da união.
Sánchez não nega essa máxima, mas em declarações à cadeia SER admitiu que é uma "realidade" que a Catalunha "ficaria transitoriamente fora de uma zona como a UE", embora "isso não queira dizer sair do euro".
"Em um momento inicial", acrescentou, "é indiscutível, mas ficar fora da UE não quer dizer que não haja acordos de relação com a UE e que se possam manter todas as condições que hoje tem em relação à Europa."
O líder da principal entidade independentista catalã mostrou-se confiante, apesar disso, em que se encontrará uma solução negociada. "Vocês acreditam que a UE, que está fazendo o impossível para que a Grécia não saia do euro, vai permitir que a Catalunha saia?", perguntou durante a entrevista.
A polêmica que essas declarações provocaram dentro e fora do independentismo obrigou Sánchez a retificar horas depois o que havia dito, por meio de sua conta no Twitter.
"É inexato e retifico", disse. "A Catalunha continuará fazendo parte da UE se esta for a vontade dos catalães."
Acrescentou que os tratados europeus não preveem o que fazer diante de uma secessão, e por isso o pertencimento da Catalunha à UE será "uma decisão política e não jurídica", já que exatamente não há base jurídica para prever a expulsão de um Estado catalão.
Romeva saiu posteriormente em apoio à retificação de Sánchez, afirmando que a permanência de uma Catalunha independente na UE "estará muito condicionada" a obter um "mandato democrático claro e incontestável" nas eleições de setembro.
"Não há nada escrito sobre a secessão de parte de um país, mas precisamos de uma maioria democrática clara", reiterou.
A retificação de última hora de Sánchez reabriu as dúvidas sobre a solidez do discurso e das propostas políticas da chapa.
A retificação de Sánchez é a segunda importante que a candidatura tem de fazer depois que o líder da chapa chegou a questionar se Artur Mas continuará presidente da Generalitat caso ganhe.
Mas é o número 4 da candidatura, posição que assumiu para conseguir um acordo com as entidades e ERC. Romeva também retificou e afirmou que Mas será presidente.
Fontes da candidatura Juntos pelo Sim admitem as dificuldades que estão tendo para soldar o discurso diante do 27 de setembro e depois. Até hoje não têm um programa eleitoral e já adiantaram que este será um posicionamento mínimo sobre todos os aspectos que vão além da declaração de independência.
De fato, em assuntos sociais relevantes, como a implementação de uma renda mínima garantida, na candidatura há no mínimo três posições diferentes: os que a defendem, os que a consideram inatingível e as opiniões intermediárias.
O PSC e os Ciudadanos viram nas primeiras declarações de Sánchez a constatação de que "finalmente" o independentismo assume "os riscos" de uma Catalunha independente.
"Até agora diferentes líderes o haviam negado em voz ativa e passiva", lembrou a porta-voz socialista Eva Granados. Inés Arrimadas, dos Ciudadanos, chamou os independentistas para que se esclareçam, porque "as pessoas têm de saber o que votarão em 27 de setembro".
"Que deixem de enrolar", disse o candidato do Partido Popular à Generalitat, Xavier García Albiol, antes de dar por certo que um Estado catalão sairia imediatamente da UE e "os aposentados não poderiam receber as pensões".
O jogo de afirmações e retificações no qual entrou o Juntos pelo Sim também serviu à União Democratica para se distanciar de seus antigos parceiros da Convergência.
"Nós transmitimos uma mensagem clara", disse o candidato democrata-cristão, Ramon Espadaler, que reiterou que seu partido nunca fará nada que "ponha em risco" a permanência da Catalunha na UE.
Romeva alertou que se a independência perder nas urnas o governo do PP "continuará a tônica que sofremos nos últimos anos, de restrição democrática, econômica, em investimentos e menos autogoverno".
Além disso, o candidato separatista lembrou que se chegaram a esse ponto é pela "falta de credibilidade democrática do governo" e voltou a acusar o Executivo central de ser o culpado por essa situação, "por não deixar que o povo catalão se expresse".
Ele afirmou que se estas eleições serão realizadas é porque "é o único cenário que nos deixou o governo".
Embora para Romeva a independência seja a única saída, lembrou que para consegui-la é muito importante obter uma maioria "inquestionável e incontestável" nas urnas, porque se não sua formação terá muitos problemas para "administrar outro cenário".
Sobre o comparecimento do presidente da Generalitat, Artur Mas, no próximo dia 2 de setembro diante da Deputação Permanente no Parlamento catalão, o líder da Juntos pelo Sim afirmou que "Mas tem poder para reunir essa comissão e pode fazê-lo se considerar necessário".
Além disso, Romeva respondeu às críticas dos demais partidos que chamaram essa intervenção de "eleitoreira", afirmando que a única coisa que o presidente vai fazer é explicar o porquê dessas eleições e responder às perguntas dos demais grupos parlamentares.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Sánchez não nega essa máxima, mas em declarações à cadeia SER admitiu que é uma "realidade" que a Catalunha "ficaria transitoriamente fora de uma zona como a UE", embora "isso não queira dizer sair do euro".
"Em um momento inicial", acrescentou, "é indiscutível, mas ficar fora da UE não quer dizer que não haja acordos de relação com a UE e que se possam manter todas as condições que hoje tem em relação à Europa."
O líder da principal entidade independentista catalã mostrou-se confiante, apesar disso, em que se encontrará uma solução negociada. "Vocês acreditam que a UE, que está fazendo o impossível para que a Grécia não saia do euro, vai permitir que a Catalunha saia?", perguntou durante a entrevista.
A polêmica que essas declarações provocaram dentro e fora do independentismo obrigou Sánchez a retificar horas depois o que havia dito, por meio de sua conta no Twitter.
"É inexato e retifico", disse. "A Catalunha continuará fazendo parte da UE se esta for a vontade dos catalães."
Acrescentou que os tratados europeus não preveem o que fazer diante de uma secessão, e por isso o pertencimento da Catalunha à UE será "uma decisão política e não jurídica", já que exatamente não há base jurídica para prever a expulsão de um Estado catalão.
Romeva saiu posteriormente em apoio à retificação de Sánchez, afirmando que a permanência de uma Catalunha independente na UE "estará muito condicionada" a obter um "mandato democrático claro e incontestável" nas eleições de setembro.
"Não há nada escrito sobre a secessão de parte de um país, mas precisamos de uma maioria democrática clara", reiterou.
A retificação de última hora de Sánchez reabriu as dúvidas sobre a solidez do discurso e das propostas políticas da chapa.
A retificação de Sánchez é a segunda importante que a candidatura tem de fazer depois que o líder da chapa chegou a questionar se Artur Mas continuará presidente da Generalitat caso ganhe.
Mas é o número 4 da candidatura, posição que assumiu para conseguir um acordo com as entidades e ERC. Romeva também retificou e afirmou que Mas será presidente.
Fontes da candidatura Juntos pelo Sim admitem as dificuldades que estão tendo para soldar o discurso diante do 27 de setembro e depois. Até hoje não têm um programa eleitoral e já adiantaram que este será um posicionamento mínimo sobre todos os aspectos que vão além da declaração de independência.
De fato, em assuntos sociais relevantes, como a implementação de uma renda mínima garantida, na candidatura há no mínimo três posições diferentes: os que a defendem, os que a consideram inatingível e as opiniões intermediárias.
O PSC e os Ciudadanos viram nas primeiras declarações de Sánchez a constatação de que "finalmente" o independentismo assume "os riscos" de uma Catalunha independente.
"Até agora diferentes líderes o haviam negado em voz ativa e passiva", lembrou a porta-voz socialista Eva Granados. Inés Arrimadas, dos Ciudadanos, chamou os independentistas para que se esclareçam, porque "as pessoas têm de saber o que votarão em 27 de setembro".
"Que deixem de enrolar", disse o candidato do Partido Popular à Generalitat, Xavier García Albiol, antes de dar por certo que um Estado catalão sairia imediatamente da UE e "os aposentados não poderiam receber as pensões".
O jogo de afirmações e retificações no qual entrou o Juntos pelo Sim também serviu à União Democratica para se distanciar de seus antigos parceiros da Convergência.
"Nós transmitimos uma mensagem clara", disse o candidato democrata-cristão, Ramon Espadaler, que reiterou que seu partido nunca fará nada que "ponha em risco" a permanência da Catalunha na UE.
Único rival
O chefe de chapa do Juntos pelo Sim, Raül Romeva, afirmou ontem, depois da primeira reunião de trabalho conjunta da candidatura independentista, que "se ganhar o não, o Partido Popular se apropriará dele".Romeva alertou que se a independência perder nas urnas o governo do PP "continuará a tônica que sofremos nos últimos anos, de restrição democrática, econômica, em investimentos e menos autogoverno".
Além disso, o candidato separatista lembrou que se chegaram a esse ponto é pela "falta de credibilidade democrática do governo" e voltou a acusar o Executivo central de ser o culpado por essa situação, "por não deixar que o povo catalão se expresse".
Ele afirmou que se estas eleições serão realizadas é porque "é o único cenário que nos deixou o governo".
Embora para Romeva a independência seja a única saída, lembrou que para consegui-la é muito importante obter uma maioria "inquestionável e incontestável" nas urnas, porque se não sua formação terá muitos problemas para "administrar outro cenário".
Sobre o comparecimento do presidente da Generalitat, Artur Mas, no próximo dia 2 de setembro diante da Deputação Permanente no Parlamento catalão, o líder da Juntos pelo Sim afirmou que "Mas tem poder para reunir essa comissão e pode fazê-lo se considerar necessário".
Além disso, Romeva respondeu às críticas dos demais partidos que chamaram essa intervenção de "eleitoreira", afirmando que a única coisa que o presidente vai fazer é explicar o porquê dessas eleições e responder às perguntas dos demais grupos parlamentares.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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