sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Forma de Hillary lidar questão dos e-mails frustra líderes democratas
Patrick Healy, Jonathan Martin e Maggie Haberman - NYT
John Moore/Getty Images/AFP
Entre alguns dos conselheiros de Hillary Clinton, as discussões passaram recentemente a se ela deve oferecer um reconhecimento mais forte de arrependimentoEntre alguns dos conselheiros de Hillary Clinton, as discussões passaram recentemente a se ela deve oferecer um reconhecimento mais forte de arrependimento
Os líderes democratas estão cada vez mais frustrados com o fracasso de Hillary Rodham Clinton em colocar um fim às questões sobre suas práticas de e-mail no Departamento de Estado e acabar com as crescentes dúvidas entre os eleitores sobre sua honestidade e confiabilidade.
Além disso, muitos dizem, suas repetidas piadas e comentários desdenhosos sobre a controvérsia dos e-mails sugerem que ela não a está tratando de forma séria o bastante.
Entrevistas com mais de 75 governadores, legisladores, candidatos e outros membros do Partido Democrata expuseram a perplexidade generalizada por Clinton ter permitido que uma nuvem persistente pairasse sobre sua candidatura –-primeiro ao usar um servidor privado de e-mails, já que isso provavelmente levantaria dúvidas sobre seu juízo, e ao não acabar com essas questões de uma vez por todas, quando a questão surgiu em março.
Com os americanos registrando sua desconfiança em relação a Clinton nas pesquisas de opinião, apoiadores ansiosos estão começando a expressar francamente seus temores de que ela abriu inadvertidamente a porta para um possível desafio à sua candidatura pelo partido pelo vice-presidente Joe Biden e deu aos republicanos nova munição para ataques ao seu caráter, caso seja escolhida como candidata.
Entre alguns dos conselheiros de Clinton, as discussões passaram recentemente a se ela deve oferecer um reconhecimento mais forte de arrependimento –-se não dizer de fato "me desculpem"-– que possa ajudar a campanha a seguir em frente.
Na quarta-feira, Clinton disse em uma parada de campanha em Iowa que assume a "responsabilidade" por realizar atividades do governo como secretária de Estado usando seu e-mail pessoal, o que "claramente não foi a melhor decisão".
Mas muitos democratas temem que o novo tom de contrição é muito pouco, tarde demais, para calar as questões, e que pode não durar –-dado que suas respostas até agora foram muito variadas e sua irritação com a questão é evidente.
"Eles lidaram mal com a questão dos e-mails, talvez até de forma atroz, certamente horrível", disse Edward G. Rendell, um ex-governador da Pensilvânia e um apoiador da candidatura de Clinton. "A campanha tem sido incrivelmente insensível, ao não perceber isto como sendo uma questão séria. Ela deveria ter entregue o servidor de e-mails no início, porque então eles saberiam que seriam forçados a desistir. Mas a esta altura, não há nada que possam fazer para calar a questão –-apenas restou ficarem na defensiva."
Rosalind Wyman, uma comissária nacional democrata veterana da Califórnia que também é apoiadora de Clinton, disse que a candidata não exibiu urgência suficiente em combater o questionamento de seu juízo, e se queixou de que as respostas da campanha à controvérsia –-e às investigações federais que se seguiram-– apenas ficaram mais confusas.
"A única coisa que Hillary pode fazer, eu acho, é aparecer diante dos repórteres e encarar umas cinco horas de perguntas –-se for preciso-– até que as pessoas no mínimo a entendam e, com sorte, acreditem nela", disse Wyman. "E precisamos de pessoas talentosas que sejam especialistas independentes em segredos confidenciais e que a defendam na televisão, em vez daquelas que temos agora."
As críticas a Clinton também ameaçam complicar a sorte política de outros candidatos democratas nos próximos 15 meses, caso tenham a necessidade de defendê-la em vez de se concentrarem em questões e partirem para a ofensiva contra os republicanos.
"Obviamente, eu acho que quanto mais cedo a secretária Clinton puder deixar isto para trás, melhor", disse Jason Kander, o secretário de Estado no Missouri, que está concorrendo ao Senado no ano que vem contra o republicano que atualmente ocupa a cadeira, Roy Blunt.
Clinton destacou que seu uso de apenas uma conta privada de e-mail foi legal e que ela não é alvo de uma investigação federal, cujo foco é avaliar alguma brecha de segurança.
Mesmo assim, com centenas de membros do Comitê Nacional Democrata se reunindo em Minneapolis nesta semana para a reunião de verão –-na qual Clinton e outros candidatos falarão na sexta-feira-– vários disseram em entrevistas que escutarão atentamente os comentários dela sobre a questão dos e-mails.
Em Kentucky, onde uma disputa acirrada ao governo estadual será decidida em novembro, alguns democratas temem que os problemas de Clinton possam prejudicar a imagem do partido. O governador democrata de saída, Steven L. Beshear, disse acreditar que os ataques republicanos ao uso da conta privada de e-mail por Clinton prosseguirá nos próximos meses e além –-e que a campanha de Clinton precisa conceber uma estratégia para responder a eles de modo mais eficaz.
"Honestamente, a esta altura, não há nenhuma forma excelente de lidar com isso", disse Beshear. "Apesar de Hillary Clinton ter sido franca e direta desde o início, os republicanos não deixarão o assunto morrer, e realizarão o máximo de caça às bruxas possível. Ela realmente terá que começar a tratar desses ataques à medida que a campanha se torna mais ativa."
Ao ser perguntado sobre as preocupações dos democratas, Brian Fellon, um porta-voz de Clinton, disse: "Nós estamos confiantes de que à medida em que o público souber mais sobre a questão dos e-mails, mais claro ficará. Enquanto isso, estamos mostrando que estamos atentos ao caso tratando das questões legítimas que são levantadas, sem perder o foco nas questões que mais importam".
A equipe de Clinton compartilha a posição dela de que a mídia de notícias tem sido injusta e há um sentimento de frustração. Assessores disseram de forma privada a apoiadores que a questão dos e-mails não desaparecerá tão cedo.
Os assessores de Clinton, muitos deles novos em seu círculo, estão em grande parte seguindo o manual ditado pela candidata, segundo vários democratas em contato próximo com a campanha, que insistiram no anonimato para preservar seu acesso a ela. Mas mesmo assim, eles precisam ser especialmente cuidadosos por causa das investigações em andamento.
Em Iowa e New Hampshire, Estados cruciais porque votam primeiro nas primárias presidenciais, os aliados de Clinton disseram não acreditar que ela está perdendo apoio por causa da questão dos e-mails –-mas que o verdadeiro teste ocorrerá à medida que a campanha se intensificar nos próximos meses.
"Os críticos dela olharão ao redor, verão uma névoa e gritarão, 'Ahá, há fogo!" disse Michael Gronstal, o líder democrata do Senado estadual de Iowa. "Assim, continuará."
James M. Demers, um importante apoiador e arrecadador de fundos para Clinton em New Hampshire, disse ser "cedo demais para dizer se a questão dos e-mails está afastando as pessoas".
"É muito difícil explicar os sistemas do governo para tornar informações confidenciais, todas as regras, e manter as pessoas focadas nas respostas corretas", disse Demers.
Tradutor: George El Khouri Andolfato 

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