Não cederei a pressões, diz novo titular da Saúde
'Serei um ministro inimpressionável', promete Marcelo Castro, do PMDB
Deputado diz que não fará partilha política de verbas e considera 'remotíssima' chance de impeachment
BERNARDO MELLO FRANCO - FSP
Indicado pelo PMDB para o ministério da Saúde, o deputado piauiense
Marcelo Castro promete não ceder a pressões da bancada para promover uma
distribuição política das verbas do setor.
"Eu não me curvo a pressões. Serei um ministro inimpressionável", disse à Folha.
O neologismo, que não está no dicionário, lembra o termo "imexível",
cunhado pelo ex-ministro Antônio Rogério Magri (Trabalho) no início do
governo Fernando Collor.
Para demonstrar independência, o novo titular da Saúde citou sua atuação
como relator da reforma política. Ele se recusou a apoiar o distritão,
sistema eleitoral defendido pela cúpula do PMDB, e foi destituído do
cargo pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
O deputado não quis antecipar planos para o ministério, mas disse que o
PMDB continuará na base do governo e que a chance de abertura de um
processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff se tornou
"remotíssima".
"No presidencialismo, os mandatos têm data para começar e terminar. Para
haver impeachment, é preciso que se comprove um caso de corrupção ou de
crime de responsabilidade grave da presidente. Isso não existe de jeito
nenhum", afirmou.
"A força da Dilma está na sua respeitabilidade pessoal. Em toda a Lava
Jato, não apareceu nada contra ela", acrescentou o novo ministro. Ele
também criticou a oposição por defender o impeachment. "Estão fazendo
isso para tirar proveito político", disse.
Após tomar posse, Castro deve enfrentar fortes pressões da bancada do
PMDB por cargos e verbas da saúde. Entre os alvos de cobiça estão os
hospitais federais do Rio, berço político de Eduardo Cunha e do líder do
PMDB na Câmara, Leonardo Picciani.
Doutor em psiquiatria pela UFRJ, o novo ministro já ouviu piadas de que teria a especialização ideal para auxiliar a presidente.
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