IGOR GIELOW - FSP
O governo que tomou posse em 1º de janeiro acabou na manhã desta sexta (2), 275 dias depois de começado. Dilma Rousseff ainda é nominalmente a presidente, mas a sucessão de erros do Planalto e o agravamento da crise político-econômica deu à luz uma criatura híbrida: a cabeça de Luiz Inácio Lula da Silva voltou a mandar no Planalto, o varejo da Esplanada foi dado de vez ao PMDB.
A principal dúvida é sobre a eficácia do arranjo. Seu objetivo primeiro, travar a abertura de um processo de impeachment contra Dilma pela Câmara dos Deputados, teoricamente pode ser atendido se os 2/3 do PMDB na Casa cooptados com a suculenta pasta da Saúde e outros penduricalhos se contentarem com a fatura paga.
Mesmo isso é duvidoso, dado que a engrenagem do impeachment já está acionada e pode ser acelerada ou não por um personagem central na narrativa política de 2015: o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Alvejado mortalmente pela divulgação de suas contas na Suíça, Cunha tornou-se um animal ferido; logo, mais imprevisível e perigoso. Tanto é assim que o Planalto, que discretamente comemora a derrocada de desafeto mais biliar, lhe concedeu uma pasta na reforma –Ciência e Tecnologia, a ser assumido pelo homem chamado de "pau mandado" do deputado fluminense.
Por quê? Porque Cunha pode sobreviver tempo suficiente no cargo para
causar danos ao governo. Ele tem o botão do impeachment à mão, e só
faltam alguns elementos para ele ser apertado. O parecer do TCU
rejeitando as contas de Dilma, que deverá ser aprovado e servir para
ensejar condenação efetiva pelo Congresso, é o fator mais imediato pelo
qual a oposição espera.
Novamente: talvez os 2/3 do PMDB da Câmara segurem essa onda. Aí Dilma ganha sobrevida para enfrentar seu maior desafio: a crise econômica. Não será nada simples. Acreditar que o Congresso vai assumir para si a impopular ideia de recriar a CPMF é, hoje, um exercício de otimismo.
As medidas administrativas que Dilma anunciou na manhã desta sexta-feira (2) seriam salutares em qualquer momento, como a redução simbólica de cargos comissionados e de mamatas como os voos em primeira classe. Cortar salário de ministro pega bem, mas só.
Novamente: talvez os 2/3 do PMDB da Câmara segurem essa onda. Aí Dilma ganha sobrevida para enfrentar seu maior desafio: a crise econômica. Não será nada simples. Acreditar que o Congresso vai assumir para si a impopular ideia de recriar a CPMF é, hoje, um exercício de otimismo.
As medidas administrativas que Dilma anunciou na manhã desta sexta-feira (2) seriam salutares em qualquer momento, como a redução simbólica de cargos comissionados e de mamatas como os voos em primeira classe. Cortar salário de ministro pega bem, mas só.
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