segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Israel investirá R$ 1,2 milhão no apoio a imigrante brasileiro
DANIELA KRESCH - FSP
A verba, que servirá, por exemplo, para programas de recolocação profissional, foi anunciada na semana passada em reunião da Comissão de Imigração e Absorção do Knesset (o Parlamento local).
O motivo é o aumento de 58% no número de novos imigrantes brasileiros em 2015, em comparação com o ano anterior (de 308 para 486).
Guilherme Tosetto - 4.jun.2009/Folhapress
Vista panorâmica de Jerusalém
Vista panorâmica de Jerusalém
A previsão é de que esse número deve aumentar ainda mais neste ano, chegando a cerca de 750.
"É a primeira vez que Israel dá atenção aos imigrantes vindos do Brasil. Ficamos emocionados com o anúncio", disse Michel Abadi, diretor-executivo do Beit Brasil, ONG de imigrantes brasileiros veteranos que lida com a chegada de compatriotas ao país. "Essa verba é um bom começo, mas vamos lutar para ela aumentar."
O investimento será feito por meio de uma instituição que reúne órgãos do governo e ONGs de promoção à imigração judaica (ou "aliá", palavra em hebraico que significa "subida"), principalmente a Agência Judaica e a Organização Sionista Mundial. Ambas atuam no Brasil há décadas, mas agora receberão mais verba.
Segundo Yehuda Sharf, diretor do Departamento de Imigração e Absorção da Agência Judaica, há um claro "despertar" dos judeus brasileiros, que estão emigrando em números recordes para Israel.
O motivo, segundo ele, é claro: a crise política e econômica no Brasil sob o governo Dilma Rousseff.
"Temos a melhor agente de 'aliá' do mundo: a presidente [Dilma]. Se ela ficar no poder, talvez venham mais judeus para Israel", disse Sharf.
CRESCIMENTO
Até 2013, o número de brasileiros que se mudavam para Israel ficava em torno de 250 por ano. Em 2014, o número começou a crescer até o recorde de 2015 (486).
Para 2016, cerca de mil processos de imigração já foram abertos na Agência Judaica.
Atualmente, há 12 mil brasileiros em Israel. A comunidade judaica no Brasil conta com cerca de 120 mil pessoas.
O Knesset emitiu uma nota oficial se referindo ao investimento como "encorajamento" à imigração de brasileiros. Mas Gladis Berezowsky, diretora-executiva do Beit Brasil, prefere chamá-lo de apoio.
"A intenção de Israel não é chamar cidadãos de um país a emigrar para outro, e sim apoiar quem já decidiu se mudar. A Embaixada de Israel em Brasília não lida com esse assunto, não oferece trabalho nem somas de dinheiro para imigrantes, como outros países fazem", diz Gladis.
"É preciso esclarecer que essa verba vai para programas de inserção, e não diretamente para a mão dos imigrantes."
Os maiores problemas enfrentados pelos brasileiros em Israel são a língua (poucos falam hebraico) e a recolocação profissional.
O investimento vai contemplar a abertura de 15 classes de hebraico no Brasil, tradução para português do teste Psicométrico (Enem israelense), a realização de feiras de empregos para brasileiros e acompanhamento para empresários que quiserem transferir seu negócio para o país.
"Queremos facilitar o licenciamento de novos profissionais, lutar contra a burocracia e facilitar processos. A 'aliá' é muito importante para nós porque o Estado de Israel é formado de imigrantes", disse o deputado Avraham Nagosa (do partido governista Likud), presidente da Comissão de Imigração e Absorção e ele mesmo um imigrante da Etiópia.
LAÇO CULTURAL
A maior parte dos brasileiros em Israel é formada por judeus que gozaram da chamada "lei do retorno", de 1950, que dá aos judeus do mundo o direito de se tornarem imediatamente cidadãos no país.
Eles recebem uma carteira de identidade e um visto de trabalho, além das passagens aéreas, uma pequena ajuda financeira, moradia e plano de saúde gratuitos por seis meses, curso de hebraico e descontos para compra de carros, entre outros benefícios.
"Muitos judeus brasileiros decidem emigrar para Israel porque há um laço muito forte cultural e, em alguns casos, religioso que os une ao país", diz Abadi, do Beit Brasil.
A onda de imigração brasileira lembra a que ocorreu entre os argentinos no início do século. Com a crise econômica no país, entre 2000 e 2002, 10 mil argentinos se mudaram para Israel.
Os brasileiros em Israel citam as crises política e econômica e a violência urbana como motivos para a decisão de mudar de país. 

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