Há um ano preso em Curitiba, dono da maior empreiteira do país decide expor os seus segredos em delação. O alvo principal de suas revelações será a presidente afastada
A delação mais aguardada é a de Marcelo Odebrecht, o príncipe das
empreiteiras, provedor-mor das campanhas eleitorais, doador universal do
sistema político brasileiro. Preso em junho do ano passado, Marcelo, de
início, declarou-se inocente e rechaçou a possibilidade de ajudar as
autoridades a esquadrinhar as entranhas do petrolão. "Primeiro, para
alguém dedurar, precisa ter o que dedurar. Isso eu acho que não ocorre
aqui", disse o empresário, já sob a custódia da Polícia Federal, numa
audiência da CPI da Petrobras. Os parlamentares presentes, sabedores de
onde o calo aperta, quase pediam desculpas ao fazer perguntas a ele. "Eu
talvez brigasse mais com quem dedurou do que com aquele que fez o
fato", acrescentou Marcelo, criticando os delatores. Uma sucessão de
fatos mudou suas convicções. Fracassaram todos os recursos jurídicos e
as armações políticas de bastidores para livrá-lo da prisão. A
força-tarefa da Lava-Jato descobriu que a Odebrecht tinha um setor
específico para pagamento de propina que abastecia os partidos
governistas e de oposição. Em março, o juiz Sergio Moro, responsável
pela Lava-Jato, condenou Marcelo a dezenove anos e quatro meses de
prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Para
se livrar da cadeia, o condenado finalmente aceitou exercer o papel de
delator que tanto desqualificara.
O alvo principal de suas revelações será a presidente afastada Dilma Rousseff. Segundo o empresário, a reeleição de Dilma foi financiada com propina depositada em contas no exterior. A Lava-Jato já rastreou o repasse de 3 milhões de dólares da empreiteira para uma conta na Suíça do marqueteiro João Santana, mago das últimas três campanhas presidenciais do PT. Além disso, mapeou o pagamento de 22,5 milhões de reais ao marqueteiro, em dinheiro vivo, entre outubro de 2014, quando Dilma conquistou o segundo mandato, e maio de 2015. Marcelo confirmará aos investigadores que, ao remunerar Santana, bancou despesas não declaradas da campanha da petista.
O alvo principal de suas revelações será a presidente afastada Dilma Rousseff. Segundo o empresário, a reeleição de Dilma foi financiada com propina depositada em contas no exterior. A Lava-Jato já rastreou o repasse de 3 milhões de dólares da empreiteira para uma conta na Suíça do marqueteiro João Santana, mago das últimas três campanhas presidenciais do PT. Além disso, mapeou o pagamento de 22,5 milhões de reais ao marqueteiro, em dinheiro vivo, entre outubro de 2014, quando Dilma conquistou o segundo mandato, e maio de 2015. Marcelo confirmará aos investigadores que, ao remunerar Santana, bancou despesas não declaradas da campanha da petista.

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