Vinicius Torres Freire - FSP
A julgar pelo padrão de delações anteriores, não vai ser apenas em
agosto ou setembro que se vai abrir o embrulho completo das confissões
da Odebrecht, por exemplo. A sujeira deve vir aos borbotões.
Gente graúda da praça financeira começa a discutir a possibilidade de fim do governo, com apreensão. Como é meio óbvio, consideram que novas eleições seriam um estorvo para a economia. Pior ainda seria a falta de alternativas "organizadas" de candidaturas, seja em 2017 ou 2018: a "incerteza dentro da incerteza".
A incerteza na incerteza mais imediata, porém, é sobre os efeitos dos novos escândalos no Congresso. É também por isso que o governismo interino se apressa em aprovar a deposição final da presidente afastada. Mas essa seria apenas a garantia de que não haveria mais Dilma Rousseff, não de que haveria Michel Temer.
Uma hipótese chamada de "otimista" é que os caciques atingidos resistam como zumbis comportados, não mordam Temer, "business as usual".
O zumbi brasiliense resiste indiferente ao efeito repulsivo do espetáculo da sua putrefação e é capaz de angariar apoio e, pois sobrevida, com chantagens, agora ou depois, com uma delação. Faz quase uma década, trata-se de atitude cada vez mais disseminada no Congresso. Tornou-se mais descarada nos anos Lava Jato. Atingiu por assim dizer o estado da arte com Eduardo Cunha, um herói e campeão da categoria, que pauta moda.
Ameaçados de levar tiros nas cabeças, os zumbis vão manter a frieza, tocando a pauta de Temer no Congresso? Além do mais, qual o risco de Temer ser ele mesmo atingido? Enfim: qual o grau de resistência do governo Temer ao tumulto?
Esse é o dado que donos do dinheiro grosso e seus operadores tentarão estimar nas próximas semanas, problema que, entretanto, já vai nublar o ambiente. Mas não há intenção de desistir de Temer enquanto o presidente, interino ou não, for capaz de sustentar sua equipe econômica e seu plano (por ora intenções).
Isso não quer dizer que essas pessoas estejam envolvidas em movimentos políticos ou mesmo em conversas efetivas, práticas. A maioria enorme não está; de resto, há grandes rachaduras, divergências e distanciamentos nas elites. O empresariado envolvido ou próximo de articulações políticas é quase todo ele muito evidente. No entanto, os distantes sempre podem fazer um ou outro sinal em público. Estão fazendo: é pró-Temer, desde que Temer seja equivalente a um programa econômico de ajuste mínimo.
As expectativas, porém, são reduzidas, não apenas pela dificuldade de produzir grandes mudanças no curto prazo de dois ano e meio ou pelo temor de que os décimos de despiora do PIB se esfumacem com a volta do tumulto político intenso.
Pergunta-se como será possível governar o país com um sistema político despedaçado e fragmentado em dezenas de partidos que são meros bandos de negocistas ou criminosos.
Gente graúda da praça financeira começa a discutir a possibilidade de fim do governo, com apreensão. Como é meio óbvio, consideram que novas eleições seriam um estorvo para a economia. Pior ainda seria a falta de alternativas "organizadas" de candidaturas, seja em 2017 ou 2018: a "incerteza dentro da incerteza".
A incerteza na incerteza mais imediata, porém, é sobre os efeitos dos novos escândalos no Congresso. É também por isso que o governismo interino se apressa em aprovar a deposição final da presidente afastada. Mas essa seria apenas a garantia de que não haveria mais Dilma Rousseff, não de que haveria Michel Temer.
Uma hipótese chamada de "otimista" é que os caciques atingidos resistam como zumbis comportados, não mordam Temer, "business as usual".
O zumbi brasiliense resiste indiferente ao efeito repulsivo do espetáculo da sua putrefação e é capaz de angariar apoio e, pois sobrevida, com chantagens, agora ou depois, com uma delação. Faz quase uma década, trata-se de atitude cada vez mais disseminada no Congresso. Tornou-se mais descarada nos anos Lava Jato. Atingiu por assim dizer o estado da arte com Eduardo Cunha, um herói e campeão da categoria, que pauta moda.
Ameaçados de levar tiros nas cabeças, os zumbis vão manter a frieza, tocando a pauta de Temer no Congresso? Além do mais, qual o risco de Temer ser ele mesmo atingido? Enfim: qual o grau de resistência do governo Temer ao tumulto?
Esse é o dado que donos do dinheiro grosso e seus operadores tentarão estimar nas próximas semanas, problema que, entretanto, já vai nublar o ambiente. Mas não há intenção de desistir de Temer enquanto o presidente, interino ou não, for capaz de sustentar sua equipe econômica e seu plano (por ora intenções).
Isso não quer dizer que essas pessoas estejam envolvidas em movimentos políticos ou mesmo em conversas efetivas, práticas. A maioria enorme não está; de resto, há grandes rachaduras, divergências e distanciamentos nas elites. O empresariado envolvido ou próximo de articulações políticas é quase todo ele muito evidente. No entanto, os distantes sempre podem fazer um ou outro sinal em público. Estão fazendo: é pró-Temer, desde que Temer seja equivalente a um programa econômico de ajuste mínimo.
As expectativas, porém, são reduzidas, não apenas pela dificuldade de produzir grandes mudanças no curto prazo de dois ano e meio ou pelo temor de que os décimos de despiora do PIB se esfumacem com a volta do tumulto político intenso.
Pergunta-se como será possível governar o país com um sistema político despedaçado e fragmentado em dezenas de partidos que são meros bandos de negocistas ou criminosos.
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