terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

GRÉCIA E PORTUGAL À BEIRA DO ABISMO

Grécia e Portugal deveriam falir para depois serem resgatados
WOLFGANG MÜNCHAU - “FINANCIAL TIMES”
Dois anos atrás, a maioria dos políticos europeus ainda acreditava que a Grécia fosse superar a crise. Faltava a eles experiência na gestão de crises financeiras. Eles nem sequer consultaram políticos de outras regiões que tinham enfrentado crises em décadas anteriores. Armados com ignorância e arrogância, acabaram por repetir os erros cometidos por todos os outros.
Minha expectativa é que o programa vai se concretizar. Haverá um período de calmaria, mas após alguns meses ficará claro que os cortes nos salários e nas pensões terão agravado a depressão. Em pouco tempo, será preciso mais uma rodada de cortes.
Este é um cenário que presume que a política grega vai continuar colaborando. Mas, com novas greves e renúncias de ministros, será que Antonis Samaras, o mais provável vencedor das eleições de abril, vai cooperar com a estratégia atual? Não vejo como isso possa funcionar politicamente. Para um novo premiê que contempla um mandato de quatro anos, a tentação de puxar a descarga e atribuir a culpa a seus predecessores só pode ser enorme.
Para se reconstruir, a Grécia precisa de uma infraestrutura econômica funcional, um mercado de trabalho moderno e um sistema político menos tribal. Mas é possível que tenhamos que esperar décadas por isso.
Assim, mesmo na eventualidade improvável de que tudo funcione segundo os planos, a sustentabilidade da dívida está longe de garantida. Creio que a razão de dívida para PIB (Produto Interno Bruto) na Grécia teria de cair para algo como 60% antes que o país tenha uma chance de escapar da crise.
Alguns dizem que seria melhor forçar a Grécia a sair da zona do euro imediatamente e usar os recursos para salvar Portugal.
Não concordo. O melhor seria reconhecer o estado desolador de ambos os países, deixá-los quebrar dentro da união monetária e utilizar, então, um fundo de resgate suficientemente incrementado para ajudá-los a se reconstruir, ao mesmo tempo em que se ergue um muro de proteção ao resto.
Será muito caro, mas ignorar a realidade por mais dois anos será ruinoso.
Tradução de CLARA ALLAIN

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