Maduro cassa credenciais de sete jornalistas de TV americana CNN
Um dia antes, líder da Venezuela ameaçara expulsar rede do país por cobertura de protestos
Episódio é novo ataque à liberdade de imprensa no país; ao menos 55 profissionais de mídia já foram agredidos
FSPEpisódio é novo ataque à liberdade de imprensa no país; ao menos 55 profissionais de mídia já foram agredidos
Em mais um sinal do cerceamento à imprensa na Venezuela, o canal americano CNN informou ontem que o governo cassou as credenciais de trabalho de sete jornalistas dos canais em inglês e em espanhol que cobriam os protestos no país.
A retirada dos vistos ocorre um dia após o presidente Nicolás Maduro ameaçar expulsar a emissora por considerar que as reportagens do canal "querem demonstrar que há uma guerra civil".
Ontem, o mandatário incluiu na lista de emissoras "contrárias" ao governo as americanas NBC, Fox News, Univision e Telemundo.
Anteontem, a CNN em espanhol exibiu um debate entre jovens chavistas e da oposição para comentar sobre os protestos, que já deixaram oito mortos em dez dias.
O programa teria causado irritação em Maduro. A apresentadora do debate, Patricia Janiot, disse ter sido hostilizada por agentes do governo ao deixar o país ontem.
O mandatário, no entanto, não havia cumprido até a noite de ontem a promessa de retirar a CNN da TV por assinatura. A medida foi motivo de um panelaço de opositores, que aconteceu ontem em bairros nobres de Caracas.
Na quarta-feira, uma equipe do canal foi atacada por milícias chavistas durante protesto da oposição em Caracas. Um dos milicianos apontou uma arma para a cabeça do repórter Karl Pehnaul, da CNN Internacional.
Não se sabe, no entanto, se Pehnaul está entre os jornalistas que tiveram a licença e o visto cassados.
Em nota, a emissora afirmou que fez reportagens de "ambos os lados" e esperava que o governo reconsiderasse sua decisão.
A retirada das credenciais se soma a uma longa lista de intimidações e hostilidades de forças do governo contra jornalistas e meios de comunicação.
Em 12 de fevereiro, primeiro dia de protestos, o governo retirou do ar o canal colombiano NTN24, único a mostrar imagens da violência nas manifestações.
De acordo com o Sindicato dos Jornalistas venezuelano, 55 profissionais de comunicação foram agredidos nos atos, sendo seis estrangeiros.
INTERNET
O avanço do governo sobre a imprensa começa a atingir também a internet.
Anteontem, as autoridades cortaram a internet na cidade universitária de San Cristóbal, um dos principais locais dos protestos estudantis.
O governo também bloqueou o acesso ao Zello, aplicativo para celulares que manda mensagens de voz e que foi baixado por mais de 150 mil venezuelanos em um dia desta semana.
A ofensiva na internet começou na semana passada, com o bloqueio de imagens no microblog Twitter. O governo não comentou oficialmente sobre o bloqueio à internet.
A ministra da Informação, Delcy Rodriguez, usou o Twitter para reclamar que as redes sociais "estão sendo usadas para gerar angústia e incitar violência com vistas a um golpe de Estado".
Ontem, Nicolás Maduro convocou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a um diálogo, desde que o americano aceite "uma mudança na relação com a América Latina e o Caribe."
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