sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Lyon cria sistema de coabitação onde estudantes ajudam pacientes em recuperação
Richard Schittly - Le Monde
Será uma experiência única de coabitação na França. Daqui a alguns dias, 21 pacientes se juntarão aos 45 estudantes já instalados no prédio novinho em folha situado perto da estação de Perrache, no 2º distrito de Lyon. Nessa residência construída pela associação Habitat et Humanisme, os estudantes poderão morar em um apartamento do tipo T4 (4 cômodos) em co-locação, a tarifas moderadas (30% a 40% mais baratas que os preços médios do mercado), em troca de duas horas por semana dedicadas a um paciente em convalescência.
A residência de nove andares foi batizada de Emmanuel-Mounier, em homenagem ao filósofo de Grenoble (1905-1950), líder do movimento do personalismo. Diferentemente de outras coabitações criadas pela Habitat et Humanisme, que aluga 1.500 moradias na região de Lyon, e que envolvem idosos ou pessoas em dificuldades sociais, essa fórmula se dirige a pessoas que estão saindo do hospital ou passando por um longo tratamento e não podem voltar para casa, pois vivem sozinhas ou não possuem recursos.
Elas serão acomodadas em estúdios do tipo T1 adaptados, situados nos mesmos andares que os dos estudantes. Outros 80 jovens, acomodados nos T1 do prédio, doarão duas horas por semana a outras associações ligadas à Habitat et Humanisme.
Os estudantes envolvidos nesse experimento, que se mudaram para o número 13 da rua Delandine no início de setembro, estão tranquilos. "Tem a vantagem do preço, de estar juntos e de ajudar alguém em dificuldades. Estamos meio que acostumados a cuidar só de nós mesmos na faculdade", conta Olivier-Jean Rapp, 22, da Alsácia, que está em Lyon há dois anos como estudante de biologia.
"É uma experiência para nós, um contato humano", diz com simplicidade Vincent Parizot, 20, da Provença. Os dois co-locatários já fizeram os cálculos. No ano passado, cada um deles pagava 380 euros por um quarto de 10 metros quadrados. Agora, em três eles pagam 750 euros, com móveis, cozinha e wi-fi inclusos.

"Não há obrigatoriedade"

Outros demonstram um entusiasmo mais pronunciado, como Aymeric Denis, 18, que já contatou seus amigos escoteiros para propor atividades no local. "Por enquanto ainda não há nada definido, mas não estou preocupado: um aluguel barato para ajudar as pessoas é uma boa troca", ressalta Amélie Viel, 18.
Às vezes os pais ficam mais empolgados que seus filhos. "Essas pessoas vão precisar de companhia, é uma ideia magnífica incentivar os estudantes a se abrirem para os outros ajudando aqueles que precisam", diz Nathalie Martel, que veio de Ardèche com sua filha Julie, de 19 anos, para fazer a vistoria do imóvel.
A intervenção dos estudantes será cuidadosamente supervisionada por uma equipe de voluntários, formada por ex-profissionais da saúde. "Não os deixamos soltos, mas também eles não são obrigados a nada. Se um estudante precisa de tempo em determinado momento, ele é dispensado", explica Jean-Pierre Moissinac, 61, responsável pelo projeto.
Segundo esse ex-diretor de hospital, o perfil dos pacientes será estudado para se adaptar à coabitação com os estudantes. Um comitê de admissão se reunirá uma vez por semana. Todos os tratamentos serão ministrados da maneira tradicional, por colaboradores externos. Os estudantes estarão lá para fazer companhia, desenvolver atividades juntos ou ajudar nas compras. Os pacientes não deverão permanecer por mais de um ano na residência, o que pressupõe que eles passarão por um preparo na ocasião da saída.

"Agir diferente"

Segundo os idealizadores do experimento, a ligação entre estudantes e pacientes permite atender a profundas questões sociais contemporâneas. A permanência nos hospitais tem ficado cada vez menor por razões financeiras, e o envelhecimento da população gera solidão. "Estamos nos encaminhando para uma medicina desigual, a evolução da sociedade tem causado o acúmulo de problemas médicos e sociais", observa Moissinac, para quem esse seria "um protótipo que pode se espalhar por toda a França".
"Essa forma de habitação é uma passarela entre o cuidado e a solidariedade", resume Bernard Devers, 68, fundador da Habitat et Humanisme. Esse corretor imobiliário que virou padre teve a ideia dessa residência depois de ver a criação de uma casa para pacientes em dificuldades, quando ele era capelão no centro de combate ao câncer Léon-Bérard. Para ele, "os desafios da sociedade exigem criatividade,  os jovens estão nos acompanhando nessa iniciativa. O futuro está em aprender a ver, a agir de uma forma diferente".
Outro fator emblemático é o fato de a residência Mounier estar instalada no amplo espaço da antiga penitenciária de Lyon. A arquitetura de estilo falanstério foi preservada nessa estrutura em fase final de obras, que terá suas passagens e jardins abertos ao público. Ela abriga a Universidade Católica de Lyon, escritórios e moradias. "Passar do confinamento para a abertura, é essa marca que queremos deixar", diz Bernard Devers.
Parkour inspira exercícios físicos para idosos no Reino Unido
O parkour --atividade que combina corrida acrobática, escalada e saltos que desafiam a gravidade, geralmente associado à praticantes bem jovens-- serviu de inspiração em Londres (Reino Unido) para exercícios físicos voltados a idosos. Dois professores adaptaram elementos do esporte de rua e, semanalmente, ensinam a atividade ao grupo da terceira idade em um parque no sul da cidade britânica. Acima, George Jackson, 85, é o participante mais velho da turma - Lefteris

Nenhum comentário: