Luís Reis Ribeiro - DN
O buraco do Banif obrigou o ministro das Finanças, Mário Centeno (dir.), a fazer um Orçamento Retificativo | REUTERS/Yves HermanDepósitos atingem maior valor de sempre, mais de 18,6 mil milhões. Dívida pública total também: 231,3 mil milhões. E ainda falta o resgate ao Banif, que aconteceu em dezembro
Os cofres do Tesouro, que são almofadas de segurança em forma de depósitos e numerário em caso de algum acidente de mercado, tinham no final de novembro 18 664 milhões de euros, indicou ontem o Banco de Portugal (BdP).
Trata-se do maior valor de
sempre nas séries disponibilizadas pelo banco central, tendo nesse mês
aumentado uns expressivos 23% (3526 milhões de euros) face a novembro de
2014.
Esta subida no nível de
depósitos contribuiu para agravar o nível global de dívida pública, que
em novembro subiu para 231 261 milhões de euros, também o valor nominal
mais alto de que há registo.
O bolo da
dívida pública engordou 4520 milhões no ano que terminou nesse mês de
novembro de 2015. Este agravamento ainda não reflete o resgate ao Banif,
decretado em dezembro, e que custa aos contribuintes um endividamento
adicional de 2255 milhões de euros, pelo menos.
Segundo
o BdP, "em novembro de 2015, a dívida pública situou-se em 231,3 mil
milhões de euros, aumentando dois mil milhões de euros face ao final do
mês anterior. Esta variação reflete um aumento de empréstimos (0,9 mil
milhões de euros) e emissões líquidas positivas de títulos (mil milhões
de euros), nomeadamente de obrigações do Tesouro".
"O
incremento da dívida pública foi acompanhado por um aumento mais
acentuado dos ativos em depósitos (2,5 mil milhões de euros), pelo que a
dívida pública líquida de depósitos da administração central registou
uma redução de 0,5 mil milhões face ao mês anterior, ascendendo a 213
mil milhões de euros no final de novembro de 2015", escreve o banco na
mesma nota.
A política dos "cofres
cheios" é uma herança do programa de ajustamento que ainda não foi
abandonada, pois o país, apesar das taxas de juro baixas, ainda não terá
saído da zona de perigo, pois continua sem ter as contas públicas
estabilizadas, como se provou com absorção do Banif.
A anterior ministra das Finanças constatou há tempos que a dívida pública "está, de facto, ainda muito elevada".
Mas
isso também dá "o conforto de saber que, para além disso, temos cofres
cheios para poder dizer tranquilamente que, se alguma coisa acontecer à
nossa volta que perturbe o funcionamento do mercado, nós podemos estar
tranquilamente durante um período prolongado sem precisar de ir ao
mercado, satisfazendo todos os nossos compromissos", disse Maria Luís
Albuquerque.
Os depósitos constituem
uma almofada de segurança, mas é dinheiro que está parado, num ambiente
de taxas de juro muito baixas, não sendo canalizado para investimento ou
para a redução da própria dívida.
Em
meados do mês passado, o novo ministro das Finanças, Mário Centeno,
anunciou que teria de fazer um Orçamento Retificativo para 2015 de modo a
acomodar o buraco do Banif. Para isso decidiu aumentar o teto do
endividamento da República, uma vez que não se optou nem por cortar mais
despesa nem por subir receita. Também não daria tempo para tal.
O
valor em causa na ajuda ao Banif é grande: uma injeção de capital
público mais um empréstimo ao fundo de resolução no valor conjunto de
2255 milhões, mais um pacote de garantias pessoais do Estado ao
comprador (Santander) no valor de 746 milhões de euros, segundo
explicaram as Finanças na altura.
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