Corrupção pornográfica
Merval Pereira - O Globo
A ironia
estava presente na Operação "Que País é esse?", exclamação do
ex-diretor da Petrobras Renato Duque ao ser preso, ou na Operação Passe
Livre que prendeu o amigo de Lula José Carlos Bumlai, que tinha passe
livre no Palácio do Planalto.
Nada mais bem aplicado, porém,
quanto o nome dado para a 22 Operação, a Triplo X, que tanto pode ser
lido como uma referência ao triplex de Lula no Edifício Solaris, quanto à
classificação dos filmes de pornografia pesada. Por que nada mais
pornográfico do que esse escândalo dentro do escândalo envolvendo a
Bancoop, denunciado no Globo pelo repórter Germano Oliveira, e que Lula
tentou parar na Justiça, tendo sido derrotado em seu intento.
Uma
cooperativa de trabalhadores presidida primeiro por Ricardo Berzoini e
depois por João Vaccari Neto, a alta direção do PT, que quebrou devido à
corrupção e deixou literalmente abandonadas mais de 3 mil pessoas que
haviam colocado suas economias na arapuca desses sindicalistas que
sempre trabalharam em proveito próprio.
Fundada em 1996 pelo
ex-presidente do PT e atual Ministro da Secretaria Geral da Presidência
Ricardo Berzoini, a cooperativa dos bancários é investigada pelo
Ministério Público de São Paulo desde 2007, por crimes de lavagem de
dinheiro, com desvio de recursos para o Caixa 2 do Partido dos
Trabalhadores, que controla a máquina sindical dos bancários.
Os
fundos de pensão controlados também por representantes do PT perderam
muito dinheiro investindo na Bancoop, até que a empreiteira OAS assumiu o
empreendimento, a pedido de Lula segundo denúncias que estão sendo
apuradas. O fato é que apenas o edifício Solaris foi terminado,
coincidentemente onde Lula e dona Marisa tinham apartamento, também João
Vaccari Neto, parentes seus, e até Freud Godoi, ex-segurança de Lula
envolvido no escândalo dos aloprados.
O triplex de Lula, o 164 –
A, foi incluído pela Polícia Federal entre os imóveis com "alto grau de
suspeita quanto à sua real titularidade". As investigações já
realizadas, pela força-tarefa de Curitiba e também pelo Ministério
Público de São Paulo, indicam, segundo relatório oficial, que "manobras
financeiras e comerciais complexas envolvendo a empreiteira OAS, a
cooperativa Bancoop e pessoas vinculadas a esta última e ao Partido dos
Trabalhadores apontam que unidades do condomínio Solaris podem ter sido
repassadas a título de propina pela OAS em troca de benesses junto aos
contratos da Petrobras".
O Ministério Público do Estado de São
Paulo considera que já tem provas suficientes para denunciar o
ex-presidente Lula e sua mulher, dona Marisa, por ocultação de
propriedade, e não é coincidência que a Operação Lava-Jato tenha chegado
ao estágio em que chegou justamente na semana em que o Ministério
Público de São Paulo anunciou sua decisão. As duas investigações estão
sendo compartilhadas.
O promotor de Justiça de São Paulo Cassio
Conserino foi apenas menos cauteloso que os Procuradores da Lava-Jato,
que ontem somente incluíram o apartamento atribuído a Lula na
investigação quando perguntados diretamente, e mesmo assim deixando
claro que todas as unidades que teoricamente pertencem à OAS serão
investigadas.
Os promotores paulistas já têm depoimentos de
pessoas que estiveram com o ex-presidente e sua família durante a
reforma do apartamento, financiada pela OAS, e sabem até mesmo, como o
site O Antagonista revelou, onde as cozinhas foram compradas, por quem, e
quanto custaram, possibilitando um interessante cruzamento com um sitio
em Atibaia que também é dito pertencer a Lula, mas está no nome de
outros proprietários, provavelmente laranjas. As mesmas cozinhas foram
compradas na mesma loja, pela mesma pessoa, ligada à OAS, no mesmo dia.
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