terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Estado Islâmico humaniza-se
Ferreira Fernandes - DN
Novo ano, velho vídeo do Estado Islâmico (EI), cinco sírios executados. O costume, o que vai morrer está de joelhos, o carrasco por trás. Uma inovação: não há facas, mas pistolas. Foi com tiro na nuca que morreram os cinco sírios. Deixem-me lembrar, porque estas coisas têm passado. Nos campos de concentração nazis, a morte foi-se experimentando, dos tubos de escape dos camiões às câmaras de gás... Mas ao longo dessas experiências aconteceram períodos de mortes por simples tiro na nuca. Imitavam as da guerra na frente russa, fosso cavado, fila de prisioneiros ajoelhados, o matador ia descarregando a arma e os corpos caíam diretamente na campa. Em alguns campos de concentração tentaram fazer o mesmo e houve um problema. Na guerra, o assassino sentia-se no prolongamento do combate e sabe-se como isso é um soporífero para a consciência. Mas no universo organizado do campo de concentração, quase cirúrgico, o tiro na nuca efetuava-se com uma proximidade do homem (matador) com o homem (assassinado) que causou stress pós-traumático em alguns SS. No campo de concentração de Sachsenhausen, perto de Berlim, fez-se um muro com buracos, onde os prisioneiros encostavam a cabeça. O carrasco não via o outro. É horrível, mas é também um hino à delicadeza dos homens. O ano 2016 começa, pois, com uma esperança: o EI já não degola, agora é tiro na nuca. Talvez se faça, um dia, um muro com buracos para os radicais islâmicos mais sensíveis.

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