Estado Islâmico humaniza-se
Ferreira Fernandes - DN
Novo
ano, velho vídeo do Estado Islâmico (EI), cinco sírios executados. O
costume, o que vai morrer está de joelhos, o carrasco por trás. Uma
inovação: não há facas, mas pistolas. Foi com tiro na nuca que morreram
os cinco sírios. Deixem-me lembrar, porque estas coisas têm passado. Nos
campos de concentração nazis, a morte foi-se experimentando, dos tubos
de escape dos camiões às câmaras de gás... Mas ao longo dessas
experiências aconteceram períodos de mortes por simples tiro na nuca.
Imitavam as da guerra na frente russa, fosso cavado, fila de
prisioneiros ajoelhados, o matador ia descarregando a arma e os corpos
caíam diretamente na campa. Em alguns campos de concentração tentaram
fazer o mesmo e houve um problema. Na guerra, o assassino sentia-se no
prolongamento do combate e sabe-se como isso é um soporífero para a
consciência. Mas no universo organizado do campo de concentração, quase
cirúrgico, o tiro na nuca efetuava-se com uma proximidade do homem
(matador) com o homem (assassinado) que causou stress pós-traumático em
alguns SS. No campo de concentração de Sachsenhausen, perto de Berlim,
fez-se um muro com buracos, onde os prisioneiros encostavam a cabeça. O
carrasco não via o outro. É horrível, mas é também um hino à delicadeza
dos homens. O ano 2016 começa, pois, com uma esperança: o EI já não
degola, agora é tiro na nuca. Talvez se faça, um dia, um muro com
buracos para os radicais islâmicos mais sensíveis.
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