segunda-feira, 21 de julho de 2008

Ursula

19/07/2008 A menina se chamava Ursula e era do meio oeste norte-americano. Um nome singular para uma americana, eu pensei, o mais comum seria Mary-alguma-coisa, mas gostei. Ficamos. No alpendre tinha uma mesa e quatro cadeiras. Escutamos música, Pink Floyd, Grateful Dead e muito blues. Ela beijava com um vigor que quase fiquei sem ar. Eu tentava conversar com ela: ela tentava um espanhol meia boca e eu um inglês de rap, prevaleceu, então, a linguagem do corpo. Foi aí que me aconteceu de pensar sobre a idade dela. Ela era muuuuito nova! Pensei na prisão, detentos malucos, guardas sádicos, tipo filme de cinema/seriado de tv. Perguntei a ela e ela sorriu pela enésima vez, fez um silêncio, criou um suspense e depois disse: dezoitos anos rasos! Fiquei na dúvida, mas... O instinto animal prevaleceu e nós nos amamos. No outro dia de manhã, acordei "mais cansado que sozinho" E ela estava lá, deitada entre os lençóis e dormia profundamente. Em cima da mesa, uma Jose Cuervo vazia. Matamos sozinhos uma garrafa de tequila! Isso não era um bom sinal. Deus, dezoito anos rasos! Perdi a noção do bom senso. Pensei num monte de coisas... Mas não descobri um motivo sequer para ela dormir comigo. Muito estranho, seu pai deveria ter a minha idade. Ou menos se tivesse sido precoce. Tomei uma ducha, lavei a mente de pensamentos confusos. Coloquei uma roupa limpa e fui fumar uma cigarrilha lá fora. Ela acordou, e foi ter comigo. Usava um jeans de cós muito baixo (dava pra ver uma tatuagem próxima das nádegas e sua calcinha era algodão branco). A camiseta amarela trazia uma estampa dos Ramones. Estava linda na sua juventude. Ela, diria Rubem Braga, fazia o que fazia de melhor: ela fazia olhos azuis. Veio e me beijou. Eu não queria mais nada neste mundo. Fomos juntos até a sede, a pé. Entramos no salão para o café, ela se dirigiu a uma mesa com um casal sentado. Eram os seus pais! Queria ter uma pá nessa hora, cavar um buraco bem fundo e me jogar lá dentro. Sentamos, depois os dois juntos numa mesa bem afastada. Estava mais perdido que o Stevie Wonder num tiroteio. Ela me disse que o pai morreu num acidente de carro e aquele era o seu padrasto. Na dúvida, pensei, pegava ela pra criar. Que cafajeste! Desci muito, no funndo do poço! Para o café, pedi dois ovos no prato, com muita pimenta do reino e fatias generosas de presunto, suco de laranja e um café preto.

Um comentário:

Unknown disse...

professor to morrendo de saudade da sua aula..de vc!!
é a marjorie do anglo!!
eu sai esse ano pq to fazendo odontologia na UNESP!!!

beijo professor .. saudades!!!