quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Crimes violentos crescem em Berlim
A violência nas grandes cidades, é claro, muitas vezes é uma questão de percepção. E este mês a percepção é de que Berlim está no meio de uma onda de crimes violentos.
Durante o fim de semana passado, um espancamento brutal na cidade resultou na morte de um jovem de 20 anos e ocupou as manchetes. A polícia da capital alemã ainda procura sete suspeitos que teriam atacado o rapaz sem provocação na praça Alexanderplatz, no centro da cidade, no início da manhã de domingo (14). Enquanto ele estava deitado no chão, os atacantes teriam pisoteado sua cabeça. Ele morreu no dia seguinte no hospital.
Apenas alguns dias antes, perto do local onde ocorreu o espancamento na Alexanderplatz, desconhecidos atiraram em um jovem de 23 anos que está se recuperando depois de uma cirurgia de emergência, segundo a polícia. No mesmo fim de semana outro homem foi ferido por tiros no bairro de Schöneberg. E no final de setembro um grupo de atacantes não identificados quase sufocou um torcedor de futebol com síndrome de Down com seu cachecol, em uma estação de metrô.
Um surto de violência leva muitos a se perguntar se Berlim está se tornando uma megacidade violenta no estilo americano. As estatísticas, porém, não o confirmam. Na verdade, não é sequer a cidade mais perigosa da Alemanha. Segundo estatísticas da polícia referentes a 2010, houve cerca de 319 casos de ferimentos corporais perigosos e severos para cada 100 mil moradores. O índice é mais alto que o de Munique (243) ou Dresden (135), por exemplo, mas igual ao de Hamburgo (320) e menor que o de Dortmund (325).
Em comparação, o índice de 2010 para todos os EUA é de 403,6 crimes violentos para cada 100 mil habitantes. Em certas cidades, como Detroit, St. Louis e Atlanta, por exemplo, é muito maior. As estatísticas da polícia de Berlim também indicam que os crimes de rua que causam ferimentos sérios caíram 13,9% em 2011, comparados com o ano anterior.
Mas a percepção é importante. E houve várias agressões graves, muitas delas em plataformas do metrô, nos últimos meses. Além disso, as estatísticas podem ser enganosas, segundo o chefe do maior sindicato policial da Alemanha em Berlim, o GdP.
"Quando você corta 4 mil policiais, naturalmente menos crimes serão registrados", diz Klaus Eisenreich, que estima que o índice de criminalidade não caiu na verdade. "Berlim foi e continua sendo a capital da violência", ele diz. Enquanto isso, as inibições à prática de crimes violentos "absolutamente diminuíram" nos últimos anos, ele diz. Hoje os idosos, indefesos ou mesmo deficientes são vítimas de ataques violentos - algo que não acontecia antes, segundo Eisenreich.
Claudius Ohder, um professor de criminologia na Escola de Economia e Direito de Berlim, tem uma opinião semelhante. Segundo sua avaliação, não é a frequência da violência que mudou, mas a gravidade. "O que mudou é que esses casos de violência são motivados por puro ódio", ele disse à agência de notícias DPA na terça-feira. Os atacantes parecem sofrer sentimentos de exclusão e inferioridade, ele diz. "Muitas vezes eles não conseguem ter sucesso com suas famílias, na escola ou na profissão."
No caso do jovem de 20 anos assassinado esta semana, a polícia continua buscando pistas concretas dos atacantes. Além de ser descritos como aparentemente "europeus do sul", outros detalhes continuam vagos, diz o chefe da divisão de homicídios de Berlim, Jutta Porzucek, que descreveu a vítima como "asiático". O gabinete do promotor público ofereceu recompensa de até 15 mil euros por informações que levem à prisão dos atacantes.
O prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, prometeu fazer o possível para esclarecer o crime "vil" e prender os criminosos. "É incompreensível para mim como pode se desencadear esse excesso de violência", ele disse.
O sindicato da polícia espera que uma nova proposta ajude no combate à violência. O plano pede maior cooperação entre a polícia federal, a polícia de Berlim e o pessoal de segurança nos transportes públicos. Enquanto a vigilância com vídeos é útil, não é suficiente, ele disse, acrescentando: "Se você quer garantir segurança, precisa de pessoas".
O ministro do Interior da cidade-Estado de Berlim, Frank Henkel, também encorajou a maior presença policial na capital para "aumentar a sensação de segurança". Mas ele advertiu que somente isso não impedirá necessariamente a violência. "Mesmo que tivéssemos 20 mil policiais só faríamos pequenos progressos", ele diz.
*Com informações de agências de notícias
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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