domingo, 14 de outubro de 2012

O que quer o Hezbollah? Defender Assad, ameaçar Israel e vencer eleição no Líbano
Gustavo Chacra - OESP
O xeque Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, sem dúvida viu sua popularidade despencar nas ruas árabes sunitas, embora ele mantenha apoio dos xiitas e, em menor escala, das minorias cristãs e alauítas. Sua organização, por outro lado, continua poderosa, capaz de provocar milhares de mortes em Israel e dominar a maior parte do território libanês em algumas horas, caso tenha vontade.
No momento, Nasrallah tem como estratégia garantir a vitória de Bashar al Assad na Síria, se preparar para uma possível guerra entre Israel e Irã, derrotar seus inimigos salafistas que crescem no Líbano e ver a sua coalizão 8 de Março, formada pelos seus aliados da AMAL e os cristãos de Michel Aoun, vencer as eleições libanesas do próximo ano.
Destas frentes, talvez, Nasrallah tenha uma derrota na Síria. Será um revés para questões logísticas. Mas, com o apoio do Irã e do Iraque, conseguirá rotas alternativas para ser suprido de armamentos. No caso de Israel, o Hezbollah quer apenas mostrar que uma ação contra as instalações nucleares iranianas pode ter conseqüências graves. O uso de drones para atingir Tel Aviv seria uma delas.
Os salafistas devem crescer em Beirute, independentemente do que faça Nasrallah. Mas demoraria décadas até atingirem o mesmo patamar militar do Hezbollah, a mais forte guerrilha do mundo. Por último, a 8 de Março, formada xiitas e cristãos, além de alguns sunitas e drusos, ainda é favorita para vencer as eleições em junho de 2013.

Nenhum comentário: