O que quer o Hezbollah? Defender Assad, ameaçar Israel e vencer eleição no
Líbano
Gustavo Chacra - OESP
O xeque Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, sem dúvida viu sua popularidade
despencar nas ruas árabes sunitas, embora ele mantenha apoio dos xiitas e, em
menor escala, das minorias cristãs e alauítas. Sua organização, por outro lado,
continua poderosa, capaz de provocar milhares de mortes em Israel e dominar a
maior parte do território libanês em algumas horas, caso tenha vontade.
No momento, Nasrallah tem como estratégia garantir a vitória de Bashar al
Assad na Síria, se preparar para uma possível guerra entre Israel e Irã,
derrotar seus inimigos salafistas que crescem no Líbano e ver a sua coalizão 8
de Março, formada pelos seus aliados da AMAL e os cristãos de Michel Aoun,
vencer as eleições libanesas do próximo ano.
Destas frentes, talvez, Nasrallah tenha uma derrota na Síria. Será um revés
para questões logísticas. Mas, com o apoio do Irã e do Iraque, conseguirá rotas
alternativas para ser suprido de armamentos. No caso de Israel, o Hezbollah quer
apenas mostrar que uma ação contra as instalações nucleares iranianas pode ter
conseqüências graves. O uso de drones para atingir Tel Aviv seria uma delas.
Os salafistas devem crescer em Beirute, independentemente do que faça
Nasrallah. Mas demoraria décadas até atingirem o mesmo patamar militar do
Hezbollah, a mais forte guerrilha do mundo. Por último, a 8 de Março, formada
xiitas e cristãos, além de alguns sunitas e drusos, ainda é favorita para vencer
as eleições em junho de 2013.
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