terça-feira, 2 de outubro de 2012

Sanção econômica derruba moeda do Irã
Rial cai 17% ante o dólar com punições aplicadas por EUA e países europeus em razão de programa nuclear iraniano
Pressão internacional sobre o Irã surte efeito esperado, dizem EUA; Teerã insiste em caráter pacífico de atividades
FSP
O rial, a moeda do Irã, atingiu ontem seu nível histórico mais baixo, apresentando uma queda de quase 20% em seu valor ante o dólar.
Por volta das 17h locais (10h30 em Brasília), a cotação de US$ 1 chegou a 34.500 riais, 17% a mais que na abertura dos mercados. No domingo, o câmbio fechou a 29.720 riais para US$ 1.
No final de 2011, o dólar valia 13 mil riais, demonstrando uma perda de mais que o dobro de seu valor em menos de dez meses. Somente na última semana, perdeu mais de um quarto.
A desvalorização da moeda é efeito das sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) e dos embargos impostos por Estados Unidos e União Europeia pelos avanços no programa nuclear da república islâmica.
O país tem escasso acesso a dólares, cruciais para importar produtos de primeira necessidade. A situação econômica vem afetando a popularidade do presidente Mahmoud Ahmadinejad.
"Na nossa perspectiva, isso está relacionado à implacável e cada vez mais bem-sucedida pressão internacional à economia iraniana", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland.
Segundo ela, as sanções estão surtindo o efeito esperado e são "o corte mais profundo na economia do Irã".
Os Estados Unidos e outros países estão buscando intensificar a pressão sobre Teerã. "É um modo de fazê-los entender que a comunidade internacional não vai tolerar o Irã com uma arma nuclear", afirmou a porta-voz.
"O país está sob tensão inacreditável e cada vez mais isolado do sistema financeiro mundial", acrescentou ela.
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse durante a Assembleia-Geral da ONU que o futuro do mundo depende da extinção do programa nuclear iraniano e que Teerã alcançou 70% do processo para produzir armamento nuclear.
Israel acusa o Irã de desenvolver armas e tecnologias nucleares e ameaça agir militarmente para impedir essa produção.
Já os Estados Unidos, que compartilham das suspeitas, dizem que ainda há tempo para resolver a questão diplomaticamente.
Os iranianos insistem no caráter pacífico das suas atividades e prometem retaliações caso sejam atacados.

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