quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

2016 promete ser tudo menos um ano calmo
Mas as fortes quedas registadas no início do ano bolsista são, mesmo sem querer ter sido, um grito dos investidores. O mundo enfrenta desafios económicos em várias frentes e a expectativa de muitos economistas é a de que os problemas identificados possam vir a agravar-se ainda mais.
A China lidera, sem dúvida, a lista das preocupações, mas a temida desaceleração da segunda maior economia do mundo está longe de ser o único fator de instabilidade a nível global. Brasil, Angola e até África do Sul, Tailândia e Turquia surgem também no radar dos analistas. E, mesmo na Europa, países como Portugal, Espanha e Grécia são incluídos no pacote de focos de incerteza económica, mas também política, para 2016. Nesta semana, o economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld, referiu-se à Península Ibérica como um dos principais riscos económicos a ter em atenção ao longo do ano. Como se não bastasse, os Estados Unidos, e a sua FED, deram início a um ciclo de subida dos juros, subsistem cada vez mais dúvidas, na Europa, sobre a eficácia da intervenção do BCE, bem como ainda se desconhece o real impacto da imensa crise dos refugiados, um desafio sem precedentes à capacidade de resposta da União Europeia. E agora já não há apenas a ameaça de grexit, mas também de um brexit - a eventual saída do Reino Unido da União Europeia seria mais uma estocada no projeto europeu.
Tudo isto junto, para não falar de outros problemas de carácter estrutural, que se agravam com o passar do tempo, como o envelhecimento da população e a crescente debilidade na credibilidade de algumas lideranças, faz-nos pensar que a reação dos mercados, na primeira sessão deste ano, até poderá ter sido tímida, tendo em conta o que para aí vem. A vulnerabilidade financeira, as crises das dívidas soberanas e a instabilidade política misturam-se, em muitos casos, para resultar numa fórmula potencialmente explosiva.
2016 promete, portanto, ser tudo menos um ano calmo. Os economistas são conhecidos por terem previsto muito mais crises do que as que, de facto, se verificaram; e também se distinguiram por terem sido apanhados de surpresa em outras tantas. As previsões são o que se sabe, nunca se sabe, com exatidão, quando acontecerá a próxima crise, mas não será difícil fazer apostas sobre onde tudo poderá correr muito mal. Valha-nos o facto de ainda faltar muito ano para contrariar os piores cenários.

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