Philippe Escande - Le Monde
Chinatopix/AP
Há três bruxas debruçadas sobre o berço do recém-nascido 2016. E, assim
como muitas bruxas, elas são primas. Embora seus comportamentos sejam
imprevisíveis, eles são estreitamente ligados uns aos outros. A China, o
petróleo e a inflação são o espelho de um mundo incerto, tão tentado
pelo recuo quanto pelo progresso.
Essa segunda-feira (4),
primeiro dia do ano para o mercado de ações, foi marcado por um
"mini-crash" que obrigou as autoridades da Bolsa a fecharem o pregão de
Xangai, e que arrastou junto com sua queda a maior parte dos índices
asiáticos. Os maus números da produção industrial chinesa contribuíram
em muito para esse escorregão, bem como a antecipação de vendas em massa
de grandes investidores locais.
De forma mais ampla, é preocupante a persistência da desaceleração chinesa, fenômeno que marcou 2015, e suas consequências são sentidas no mundo inteiro. Ela é a principal responsável pela queda no preço das matérias-primas, das quais a República Popular da China é a maior compradora mundial. No caso do petróleo, essa queda de demanda veio acompanhada da decisão de países produtores de não diminuírem a produção, uma estratégia premeditada da Arábia Saudita para fazer as petroleiras americanas cederem. Estas já produzem abaixo de seus custos e quase dois terços dos poços foram fechados em um ano.
Isso não impede que os Estados Unidos estejam se preparando para exportar seu petróleo, assim como o Irã, que espera muito da retirada das sanções internacionais este ano. Há o mesmo tanto de pressão para a queda do preço do barril, apesar da pequena elevação no início desta semana, devido às tensões entre sauditas e iranianos.
Mas a desaceleração da China também tem impacto sobre a economia de vários países emergentes fornecedores de energia ou de matérias-primas, sendo os casos mais significativos o do Brasil, que exporta petróleo e matéria-prima mineral e agrícola, e o da Rússia.
Será que o ano de 2016 verá uma estabilização da economia chinesa, o aumento do preço do petróleo e a volta da inflação nos países ocidentais? As bruxas voltariam então a ser virtuosas, ainda que o aumento do preço da energia não vá agradar a todos e que a inflação deva ser contida. Caso contrário, as fadas malvadas nos prometem um ano agitado. Uma coisa é certa: a chave está mais do que nunca no coração do chinês Império do Meio.
De forma mais ampla, é preocupante a persistência da desaceleração chinesa, fenômeno que marcou 2015, e suas consequências são sentidas no mundo inteiro. Ela é a principal responsável pela queda no preço das matérias-primas, das quais a República Popular da China é a maior compradora mundial. No caso do petróleo, essa queda de demanda veio acompanhada da decisão de países produtores de não diminuírem a produção, uma estratégia premeditada da Arábia Saudita para fazer as petroleiras americanas cederem. Estas já produzem abaixo de seus custos e quase dois terços dos poços foram fechados em um ano.
Isso não impede que os Estados Unidos estejam se preparando para exportar seu petróleo, assim como o Irã, que espera muito da retirada das sanções internacionais este ano. Há o mesmo tanto de pressão para a queda do preço do barril, apesar da pequena elevação no início desta semana, devido às tensões entre sauditas e iranianos.
Mas a desaceleração da China também tem impacto sobre a economia de vários países emergentes fornecedores de energia ou de matérias-primas, sendo os casos mais significativos o do Brasil, que exporta petróleo e matéria-prima mineral e agrícola, e o da Rússia.
Países emergentes super endividados
É ali que aparece a ligação com a inflação. A situação é ambígua. De um lado, os países ocidentais se lamentam porque o aumento dos preços é baixo demais para aliviar suas dívidas e acelerar seu crescimento. Do outro, países emergentes super endividados veem disparar suas taxas de juros. O Brasil, a Rússia e a Turquia já estão acima das metas fixadas na questão por seus bancos centrais.Será que o ano de 2016 verá uma estabilização da economia chinesa, o aumento do preço do petróleo e a volta da inflação nos países ocidentais? As bruxas voltariam então a ser virtuosas, ainda que o aumento do preço da energia não vá agradar a todos e que a inflação deva ser contida. Caso contrário, as fadas malvadas nos prometem um ano agitado. Uma coisa é certa: a chave está mais do que nunca no coração do chinês Império do Meio.
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