terça-feira, 18 de julho de 2017

Agricultura impede retração de vagas, que têm saldo positivo no 1º semestre
Maeli Prado - FSP
O bom desempenho da agricultura salvou o emprego formal no primeiro semestre. Entre demissões e contratações, foram gerados 67,3 mil postos de trabalho com carteira assinada no período, o melhor resultado desde 2014.
O campo gerou 117 mil vagas nos primeiros seis meses do ano, ajudando a compensar o mau desempenho de setores como comércio (123 mil vagas fechadas) e construção civil (33,1 mil vagas a menos).
Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) também mostram que, em junho, foram criados 9.800 empregos no país, terceiro mês consecutivo no azul.
O número veio abaixo do que era esperado pelo mercado, que apostava em mais de 20 mil vagas formais geradas.
Dos oito setores acompanhados, somente dois geraram vagas: administração pública e agropecuária.
Foram as 36,8 mil vagas criadas neste último setor que compensaram as demissões nas outras áreas e possibilitaram um resultado geral positivo. Somente o cultivo de café, concentrado em Minas, gerou 10,8 mil postos formais.
"O mercado de trabalho ainda segue em ajuste: o saldo dessazonalizado [retirados os efeitos típicos de cada mês] é negativo, e o desempenho no semestre foi muito dependente de agro", afirmou o economista Thiago Xavier, da Tendências.
A construção civil, os serviços, a indústria de transformação e o comércio eliminaram, nessa ordem, 8.900, 7.200, 7.800 e 2.700 vagas.
"É importante reconhecer que o Brasil passou por uma das recessões mais profundas da sua história. Mesmo em setores que apresentaram números negativos, não foram assim com expressão, a ponto de trazer pânico. A não ser a construção civil, que está demorando para se recuperar", afirmou o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira.
Para o coordenador-geral de estatística do ministério, Mario Magalhães, o desempenho da indústria de transformação costuma oscilar no fim do primeiro semestre.
"A indústria está em queda, mas não é generalizada pelos Estados. O Centro-Oeste e o Nordeste estão com resultados mais positivos para a indústria", argumentou.
A pasta também informou que o salário médio de admissão das vagas formais criadas no Brasil foi de R$ 1.463,67 no primeiro semestre, aumento real (descontada a inflação) de 3,5% na comparação com o mesmo período de 2016.
Questionado sobre as expectativas para a geração de emprego em 2017, Nogueira preferiu não dar projeção. "Os economistas, os astrólogos e os profetas erram em suas projeções. Vamos ter números positivos [no final do ano]." O último ano em que o país gerou vagas foi 2014.
REFORMA TRABALHISTA
O ministro disse que, usando cálculos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) para geração de vagas a partir da criação de novas modalidades de emprego, é possível estimar que 2 milhões de empregos formais serão gerados com a reforma trabalhista. O cálculo leva em conta a criação de modalidades como jornada parcial, intermitente e trabalho de casa.
Nogueira disse acreditar que, após o recesso parlamentar, a medida provisória ajustando alguns pontos da reforma trabalhista será aprovada.

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