Arábia Saudita pode ter polícia religiosa feminina
Chefe da instituição defende que recrutamento comece 'em breve'; iniciativa
é vista como sinal de agenda reformista
BBC - Brasil
O chefe da polícia religiosa da Arábia Saudita, Abdul Latif Abdul Aziz
al-Sheikh, defendeu a contratação de mais mulheres para os quadros da
instituição e disse esperar que uma campanha de recrutamento seja realizada em
breve. As declarações foram publicadas pelo jornal oficial saudita Saudi
Gazette.
A polícia religiosa é responsável por garantir o respeito às leis islâmicas,
incluindo códigos de vestimenta e horários de oração. É ela quem impede as
mulheres de dirigir, supervisiona o veto a certas formas de entretenimento
público e garante que todas as empresas e pequenos comércios fechem suas portas
cinco vezes ao dia para as orações.
Para analistas, a introdução das mulheres em seus quadros pode ser um sinal
de que o rei saudita, Abdallah, está avançando - ainda que de modo lento e
cauteloso - em uma agenda reformista.
Práticas excessivas No início deste mês, al-Sheikh
anunciou que os poderes da polícia religiosa - conhecida como Comissão para a
Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, ou simplesmente "mutawa" - seriam
reduzidos. O próprio al-Sheikh foi nomeado em janeiro deste ano para lidar com a
crescente indignação pública sobre práticas dos policiais que integram essa
força, vistas como excessivas e inapropriadas.
Recentemente, um vídeo que mostra um policial obrigando uma jovem a sair de
um shopping por causa de sua maquiagem tornou-se viral na internet. Para
analistas, a introdução de mulheres na polícia religiosa saudita não
necessariamente tornará a aplicação das regras menos rigorosa. Mas pelo menos,
acreditam eles, a medida ajudará a ampliar o papel da mulher na vida pública do
país.
Apesar de a Arábia Saudita continuar a ser um país profundamente conservador,
o rei Abdallah introduziu recentemente algumas reformas políticas e sociais
limitadas. Em setembro de 2011, por exemplo, as mulheres finalmente ganharam o
direito de votar e se candidatar às eleições municipais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário