segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Espanha se transforma em argumento eleitoral
Lluís Bassets - El Pais
A Espanha se transformou em um argumento eleitoral. Já o foi na campanha para a eleição presidencial francesa, em que Nicolas Sarkozy pretendia identificar François Hollande com Zapatero e a França com a Espanha em caso de vitória do socialista. E o foi nesta semana, quando Mitt Romney transformou a marca Espanha no caminho errado que se deve evitar pelo excesso de gastos públicos, 42% das receitas fiscais espanholas, porcentagem idêntica à dos EUA comandados por Obama.
Ainda resta uma eleição presidencial transcendental neste ano, mas se realizará a portas fechadas, sem qualquer notícia sobre os debates e com o resultado praticamente já resolvido antes das votações. É a que se realizará em Pequim durante o 18º Congresso do Partido Comunista Chinês. Por esse lado, não há perigo de que a Espanha volte a aparecer no argumentário negativo da economia mundial.
Tampouco é previsível que apareça nos dois debates que restam na campanha presidencial americana dedicados à política internacional e interna. Mas será melhor não descartá-lo, diante das numerosas ocasiões em que ocupou as primeiras páginas da imprensa internacional nos últimos dias, e não exatamente para dar boas notícias.
O jornal mais prestigioso do mundo, o " New York Times", dedicou pelo menos três espaços nas últimas semanas para a fome nas ruas espanholas, a crise da monarquia e a separação da Catalunha, que dão o que pensar sobre a eficácia da diplomacia pública espanhola.
Outro grande jornal internacional, o "Financial Times", foi pródigo em artigos e editoriais criticando Mariano Rajoy e seu governo e refletindo uma notável compreensão e simpatia pelas reivindicações fiscais do governo catalão. E estas coisas ocorrem, em muitos casos, depois da visita de autoridades espanholas, desde o rei até o ministro da Economia, às Redações dos jornais mais importantes de Nova York e de Londres.
A opinião pública internacional está mudando rapidamente em relação à imagem exterior espanhola. Nos primeiros meses de Rajoy ainda se observavam sorrisos de cumplicidade com as espetadas, como se fossem dirigidas exclusivamente a Zapatero. Agora foram trocadas por gestos de amargura, porque, se a marca Espanha decai, ao lado surge uma marca nova que começa a abrir caminho.
O governo catalão tem um programa específico para projetar sua imagem e ideias no mundo, e um grupo da sociedade civil catalã, denominado Emma, também se dedica a divulgar os argumentos do novo catalanismo soberanista. E diante dos resultados não é preciso dar muitas voltas ao assunto: por enquanto é o governo Rajoy que está perdendo de goleada a partida contra Artur Mas.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves    

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