María Amate se levanta por volta das 7h. Desperta sua filha maior, Mireia, 14, e prepara o café da manhã e as roupas até que acorda a menor, Celia, que vai completar dois anos. Por volta das 8h, a maior sai para o colégio de sua casa em Puente de Vallecas, um bairro pobre de Madri, e María leva Celia para a escola infantil antes de ir para o trabalho (é educadora social em uma prefeitura). Mas nesta semana essa mãe de 33 anos não fez nada disso: tirou o dia livre para apoiar a primeira greve de pais convocada pela associação majoritária de famílias da escola pública, Ceapa, e não levou as filhas ao colégio para acompanhar o terceiro dia de paralisação de alunos de colégios, convocada pelo Sindicato de Estudantes.
Os argumentos
- Bilhões a menos. Só em 2012 o investimento público em educação das autonomias e do governo caiu mais de 1,1 bilhão de euros. Se somarmos os 3 bilhões de euros a mais que o Executivo quer cortar entre 2012 e 2013 e se comparar com os orçamentos iniciais de 2010, a queda será de mais de 6 bilhões de euros.
- Corte de docentes. Não há dados oficiais deste semestre, mas os sindicatos calculam entre 50 mil e 80 mil os profissionais perdidos pelos colégios e institutos. Reduzir o gasto de pessoal era um dos principais objetivos das medidas aprovadas há seis meses pelo Ministério da Educação: aumentar ao máximo permitido de alunos por classe, o mínimo de horas de aula dadas pelos professores e não cobrir as baixas até a terceira semana. Sindicatos e pais queixam-se de que estão perdendo diversas medidas de apoio aos alunos pelo declínio de professores.
- Matrículas mais caras. A universidade pública também perderá docentes, embora ainda não esteja claro o número. Mas o que mais preocupa alunos e pais é que uma liberalização de fato dos preços públicos tornou as matrículas mais caras (até 400 euros a mais) na maior parte das autonomias (só algumas congelaram os preços), e muito mais para os mestrados e os repetidores. Nesse contexto, as bolsas gerais não aumentaram, e sim mantiveram seu orçamento nos últimos dois anos. No entanto, o endurecimento dos critérios acadêmicos para obter e manter as bolsas fará que muitos que as têm hoje as percam.
- Ajudas de alimentação e livros. Os cortes reduziram entre 30% e 50% as ajudas para alimentação e 75% para a compra de livros de estudo e material escolar, segundo os pais da pública e da semiprivada. O ministério calcula que mais de 500 mil pessoas perderão neste semestre sua ajuda para livros.
- Reforma educacional. Os protestos também rejeitam a reforma educacional promovida pelo ministério de José Ignacio Wert, que antecipa a opção dos alunos pela Formação Profissional, estabelece avaliações externas no final de cada etapa, que serão revalidadas no ensino secundário e no bacharelado, reduz o número de matérias para se concentrar nas instrumentais (línguas, matemáticas e ciências) e dá maior autonomia aos colégios. Os convocadores consideram essa reforma "retrógrada" e "segregadora".
- Corte de docentes. Não há dados oficiais deste semestre, mas os sindicatos calculam entre 50 mil e 80 mil os profissionais perdidos pelos colégios e institutos. Reduzir o gasto de pessoal era um dos principais objetivos das medidas aprovadas há seis meses pelo Ministério da Educação: aumentar ao máximo permitido de alunos por classe, o mínimo de horas de aula dadas pelos professores e não cobrir as baixas até a terceira semana. Sindicatos e pais queixam-se de que estão perdendo diversas medidas de apoio aos alunos pelo declínio de professores.
- Matrículas mais caras. A universidade pública também perderá docentes, embora ainda não esteja claro o número. Mas o que mais preocupa alunos e pais é que uma liberalização de fato dos preços públicos tornou as matrículas mais caras (até 400 euros a mais) na maior parte das autonomias (só algumas congelaram os preços), e muito mais para os mestrados e os repetidores. Nesse contexto, as bolsas gerais não aumentaram, e sim mantiveram seu orçamento nos últimos dois anos. No entanto, o endurecimento dos critérios acadêmicos para obter e manter as bolsas fará que muitos que as têm hoje as percam.
- Ajudas de alimentação e livros. Os cortes reduziram entre 30% e 50% as ajudas para alimentação e 75% para a compra de livros de estudo e material escolar, segundo os pais da pública e da semiprivada. O ministério calcula que mais de 500 mil pessoas perderão neste semestre sua ajuda para livros.
- Reforma educacional. Os protestos também rejeitam a reforma educacional promovida pelo ministério de José Ignacio Wert, que antecipa a opção dos alunos pela Formação Profissional, estabelece avaliações externas no final de cada etapa, que serão revalidadas no ensino secundário e no bacharelado, reduz o número de matérias para se concentrar nas instrumentais (línguas, matemáticas e ciências) e dá maior autonomia aos colégios. Os convocadores consideram essa reforma "retrógrada" e "segregadora".
Ao protesto dos milhares de pais de alunos que não foram ao colégio ou à escola, somaram-se manifestações que reuniram em toda a Espanha vários milhares de pessoas. Os universitários completaram a mobilização, apoiando as marchas e fechando algumas faculdades, em continuação aos protestos que protagonizaram na semana passada.
"Preocupam-me os cortes, mas também a mudança para um sistema social baseado na competitividade, no qual quem não tem fica para trás", explicava María Amate sobre sua oposição ao projeto de reforma que recupera os exames de conclusão e antecipa a opção pela Formação Profissional (FP).
Na escola infantil pública de sua filha menor, contavam que quase ninguém faltou. No instituto da mais velha, porém, o Isabel la Católica, faltaram quase 60% dos alunos. No bairro de Carabanchel, o colégio público Perú também registrou 60% e no instituto Emperatriz María de Austria, quase 90%.
Entre estes últimos estavam a filha de 10 anos e o filho de 14 de Concha Palancar, funcionária pública de 49 anos que também pediu folga (assuntos particulares) para apoiar a greve: "É possível que o sistema tenha falhas, mas com os cortes e a reforma que propõem não vai melhorar. Temos que dizer que por esse caminho não vamos continuar, que a escola pública é a única capaz de assegurar a igualdade de oportunidades e que não vamos renunciar a ela".
Na verificação feita por este jornal em cerca de 20 colégios de Madri, Valência e Barcelona, pôde-se encontrar de tudo, muita participação ou muito pouca, mas em quase todos a greve foi sentida de alguma maneira. Assim, enquanto alguns pais levavam seus filhos à aula porque não tinham com quem deixá-los, Juan Carlos Díaz, pai de um menino do colégio público Amador de los Ríos, dizia: "Dispenso a greve. Meu filho tem que estudar". Ángel Martínez, que levava seus netos ao mesmo colégio, acrescentou: "Se é preciso cortar gastos, vão tirar de todos os lados. Esta greve é ruim, no final são as crianças que pagam".
A guerra de números foi a de sempre - mais de 80%, segundo o Ceapa, em torno de 23% segundo o Ministério da Educação, e a Junta da Andaluzia disse que 80% no secundário -, mas entre o "êxito rotundo" que proclamou a associação de pais e o "fracasso" e "os números ridículos" que declarou o porta-voz do governo de Madri, Salvador Victoria, há um número considerável de pais. O suficiente para dizer que algo se rompeu, depois de vários dias de desqualificações cruzadas, com a participação de milhares de famílias que quiseram tornar visível sua irritação. Enquanto alguns pediam folgas, outros recorriam aos avós - Antonio Pérez e Margarita López, professores aposentados, se deslocaram de Guadalajara a Madri para cuidar do neto - ou se cobriam uns aos outros através das associações de pais.
Nos últimos dias, assim como nos últimos meses, Wert defendeu que mais investimento não significa automaticamente melhores resultados, e inclusive que mesmo com cortes é possível melhorar o sistema. É o que espera o ministério com sua reforma, disseram em uma nota, contra os que pretendem que nada mude apesar dos resultados medíocres da escola espanhola.
Os pais que protestam simplesmente não acreditam nisso. Amate fala dos 300 euros que paga pela escola infantil (o preço dessas escolas em Madri subiu até 175%), da bolsa para livros de estudo que perdeu este ano - assim como outras 500 mil famílias -, de que sua filha está numa classe com outros 34 alunos, dez a mais que no ano passado - "minha filha conta que quase não consegue passar entre as mesas", afirma - e de que perdeu as aulas de reposição.
Educação investe contra as motivações políticas
A semana de protesto educativo convocada pelo sindicato de estudantes e a confederação de pais Ceapa terminou com dois incidentes e com uma escalada de confronto verbal entre os convocadores e o governo e o Partido Popular, que os acusaram de extremistas e irresponsáveis.
A secretária de Estado da Educação, Monserrat Gomendio, criticou e disse que os protestos se mostram como uma "pretensa luta antifranquista", com um "componente político muito importante, a favor do socialismo", informou a Europa Press. Além disso, ela agradeceu em uma nota a atitude dos que não apoiaram: "Em uma situação de crise" como a atual, "não podemos nos permitir vários dias de falta no colégio".
Quanto aos incidentes, um estudante foi detido e liberado pouco depois no campus de Blasco Ibáñez, em Valência, por tentar impedir a passagem de uma ambulância. Mas o incidente mais notável ocorreu em Mérida, quando um grupo de aproximadamente cem jovens entrou no recinto do Colégio Salesiano María Auxiliadora, semiprivado, e no qual estudam mil alunos. Cerca de dez jovens do grupo conseguiram entrar no edifício, "proferindo gritos contra a instituição, agredindo o pessoal que encontravam na passagem e tentando impedir o desenvolvimento normal da atividade acadêmica", disse a direção do colégio em um comunicado.
"Os adolescentes tiveram acesso ao recinto por uma porta aberta, a do restaurante, e por isso não houve violência ao entrar", explicou à Servimedia o diretor do colégio, Marcos Romero. "Lá fora ficaram outros rapazes que gritavam e insultavam, com ameaças tais como: 'Onde estão os padres, que vamos queimá-los'." No tumulto para manter aberta uma janela, uma professora teve três dedos presos, sofrendo "ferimentos leves", acrescentou.
Tanto os pais laicos da Ceapa como os católicos da Concapa (associação majoritária no ensino semiprivado) rejeitaram esses comportamentos. Além disso, o Sindicato de Estudantes os condenou e se desvinculou do fato, embora tenha reconhecido que foi protagonizado por um grupo de pessoas que saiu da manifestação convocada por eles em Mérida. A secretária de Estado também se mostrou muito "surpresa e preocupada" por esse acontecimento.
* Com informações de Pilar Álvarez.
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