sábado, 22 de fevereiro de 2014

Moeda virtual pode tornar sistema financeiro mais seguro e barato
Garrick Hileman - Le Monde
A moeda virtual bitcoin tem suscitado várias dúvidas. Seria uma bolha especulativa? Ela é de fato tão anônima quanto alegam seus partidários? Podemos realmente usá-la para comprar a variedade de maconha White Widow ou para contratar um matador de aluguel? São questões interessantes, mas o mais importante seria saber se o bitcoin pode estimular a inovação do setor financeiro.
O bitcoin é tão inovador que ele aproxima as ideologias partidárias mais diversas. Tanto o vencedor Prêmio Nobel de Economia de 2008 Paul Krugman quanto o ídolo do Tea Party Ron Paul, que são diametralmente opostos em quase todas as questões, detestam a moeda digital.
Mas os opositores deveriam se perguntar se as ideias revolucionárias do bitcoin não poderiam permitir uma verdadeira reforma do sistema financeiro mundial. Embora a crise financeira de 2008 tenha revelado profundas falhas institucionais do sistema, a resposta dada pela lei Dodd-Frank de 2010 nos Estados Unidos e as normas bancárias de Basileia 3 não iniciaram as transformações necessárias. Da mesma forma, os movimentos de protestos como o Occupy Wall Street, que visavam reformar a cultura do mundo financeiro, tiveram resultados pouco animadores.
O fato é que ninguém --salvo talvez pelo pequeno grupo de iniciados do setor financeiro que foram beneficiados pelos planos de resgate pagos por contribuintes --pode estar satisfeito com o sistema atual. Sobretudo em razão do risco de uma nova crise, que se pode esperar para um futuro não tão longínquo, e que certamente será acompanhada de bailouts ainda maiores de bancos.
Só que a tecnologia que é a base do bitcoin poderia não somente ajudar a reduzir o risco sistêmico ao proteger o sistema de atividades financeiras úteis, mas imprevisíveis, mas ainda poderia reforçar o crescimento econômico.
De fato, as instituições financeiras agem essencialmente como intermediárias entre os investidores, quem empresta e quem poupa, registrando os bens e as dívidas de cada um. Em troca desses serviços, os profissionais das finanças recebem enormes emolumentos.
As planilhas de gastos são úteis para aqueles que querem controlar suas contas e também guardar dinheiro. Muitos optam pelo Excel na hora de fazer esses registros, mas a ferramenta Google Drive também pode ser uma boa aliada. A principal vantagem é o fato de ela ficar na nuvem: assim, é possível atualizá-la via qualquer dispositivo conectado à internet (você também pode fazer as alterações off-line e atualizá-la quando tiver acesso à web). Confira a seguir como fazer. Se tiver alguma dúvida sobre tecnologia, envie um e-mail para uoltecnologia@uol.com.br, que ele pode ser publicado Getty Images
Assim, perguntar se os imensos salários dos banqueiros são justificados equivale a levantar a questão da mais-valia criada pela intermediação financeira: não existe uma resposta simples. Em compensação, é certo: ao permitir que uma maior proporção da riqueza seja canalizada para o investimento e as atividades econômicas produtivas, serviços financeiros mais eficazes estimulariam o crescimento.
Em outras palavras, o setor de serviços financeiros pode ser considerado como uma espécie de taxa sobre o resto da economia. Então todos sairiam ganhando se ela fosse a menor possível. Em Londres, por exemplo, os cheques de papel são enviados fisicamente de um banco para outro, o que significa que são necessários de cinco a seis dias para que os fundos sejam transferidos.
A ineficácia do sistema financeiro mundial não é simplesmente a consequência de regras e estruturas obsoletas: a busca do lucro é também um fator importante. Embora as autoridades britânicas tenham anunciado recentemente o fim da transferência física dos cheques, o prazo de dois dias para a compensação de cheques continuará em vigor. Considerando que o tratamento de imagens digitais dos cheques é quase instantâneo, a permanência desse prazo só se explica pelos juros produzidos pela retenção mais longa possível do dinheiro.
Essa é só uma das inúmeras maneiras pelas quais o setor financeiro obtém recursos da economia. A cobrança de 3% a 5% deduzida pelas empresas de cartão de crédito representa centenas de bilhões de dólares de lucro por ano para empresas como Visa e Mastercard. As taxas sobre transferências e o câmbio de divisas podem chegar a 10% ou mais por transação, com interrupções e procedimentos complexos que tornam esses serviços ainda mais caros.
Com o bitcoin, as taxas de atraso e outras, que servem para encher os bolsos dos serviços financeiros, podem ser eliminadas em grande parte. Mas uma das inovações mais interessantes oferecidas pela moeda está no Blockchain: um programa que guarda um histórico de todas as transações e faz uma contabilidade de quem possui o quê. Dessa forma, o Blockchain cumpre a função de "livro-razão", oferecida pelos bancos, mas a uma tarifa bem menor para os clientes e as empresas.
O bitcoin, que funciona com um algoritmo open source (código aberto) e é administrado por qualquer um que queira baixar o programa gratuito, marca uma volta a uma abordagem comunitária do dinheiro e do banco, com serviços financeiros mais intimamente ligados às pessoas que os utilizam.
A gestão monolítica por uma terceira parte, como a dos bancos atuais, grandes demais para irem à falência, poderia simplesmente acabar. De fato, com programas como o Blockchain, a serviço de uma nova arquitetura financeira, o indivíduo poderia ele mesmo virar o banco!
O bitcoin e seu ecossistema ainda precisam amadurecer, e só o tempo nos dirá se os níveis atuais de preço são o efeito de uma bolha especulativa. Mas as inovações lançadas pelo bitcoin podem e devem ter um papel inovador na construção de um sistema financeiro mais seguro, mais barato e mais eficaz.

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