Mas, afinal, Lula é investigado? Formalmente, ainda não. Pergunto: esse lance de certa lateralidade da Lava Jato faz justiça à importância do ex-presidente na investigação? A resposta, lamentavelmente, é não. Acho um espanto que, depois das delações de Fernando Baiano e de Nestor Cerveró, ambas homologadas, não haja um procedimento formalmente aberto para investigá-lo
Mas, afinal
de contas, Lula é ou não é um investigado? A Força Tarefa deflagrou a
22ª fase da operação, batizada de Tiplo X. Não é preciso ser muito bidu
para perceber aí o trocadilho com “tríplex”, e o tríplex mais famoso da
República é um que a assessoria de Lula disse já ter sido seu e que, no
momento, pertence oficialmente à empreiteira OAS. Trata-se da unidade
164 A do Edifício Solaris, no Guarujá.
Qual é o
busílis? O Edifício Solares pertencia à Bancoop, cooperativa que já foi
dirigida por João Vaccari Neto e que deu um beiço em pelo menos três mil
associados, que não receberam seus imóveis. A entidade foi acusada de
transferir dinheiro para o PT.
A Bancoop
passou o edifício para a OAS. A força-tarefa desconfia que imóveis foram
“doados” a petistas em troca de facilidades com a Petrobras. Todos os
apartamentos estão sob investigação, concentrada, informa o MP, em 11
unidades. Entre estas, está aquela que já teria pertencido ao
ex-presidente, segundo sua própria assessoria.
Em outra
frente, o Ministério Público Estadual, de São Paulo, já investiga o
imóvel que pertenceu a Lula. Em entrevista à mais recente edição da
revista VEJA, o promotor Cássio Conserino afirmou que vai denunciar o
ex-presidente por lavagem de dinheiro.
Pelo menos
oito unidades das onze apontadas nas investigações continuam em nome da
OAS, entre eles o apartamento de Lula. Outros dois estão em nome de
Freud Godoy (133-A), ex-assessor especial da Presidência da República no
governo do PT, e de Sueli Falsoni Cavalcante (43-A), funcionária da
construtora. O apartamento de Sueli seria da mulher do Vaccari. O
terceiro está em nome da offshore Murray, alvo principal das
investigações desta quarta-feira.
Notem: o apartamento de Lula está sob investigação, mas ele, oficialmente ao menos, não.
Esta quarta
foi um deus nos acuda! Tão logo começou a circular a informação de que o
imóvel está na mira da PF, uma porção de autoridades graúdas do partido
resolveu se manifestar — inclusive Dilma Rousseff, que disse coisas
incompreensíveis (farei um post a respeito). Em nota, o Instituto Lula
negou que o ex-presidente tenha cometido alguma irregularidade e acusa
uma espécie de complô.
Mas não foi o
único. Jaques Wagner, da Casa Civil, esquecendo-se de que deve falar
como ministro de estado, não como esbirro de partido, saiu a anunciar a
inocência de Lula. Como ele sabe? Conhece os detalhes do caso?
Embora, para
todos os efeitos, Lula não seja um investigado, Wagner saiu em sua
defesa e disse que o ex-presidente “virou objeto de desejo”.
José Eduardo
Cardozo, da Justiça, também falou sobre o caso, afirmando que não passa
de especulação a afirmação de que o alvo dessa fase seja Lula.
Gritaria
Já revelei aqui o truque do chefão petista e do partido. Consiste em sair gritando por aí que “estão querendo pegar Lula” para que jamais se pegue Lula mesmo que existam motivos para isso. Em parte ao menos, a manobra funciona. Formalmente falando, o ex-presidente, saibam, não é um investigado. E não deixa de ser um rebaixamento de sua, digamos assim, grandeza o fato de a investigação que mais se aproxima dele ser esta da Bancoop.
Já revelei aqui o truque do chefão petista e do partido. Consiste em sair gritando por aí que “estão querendo pegar Lula” para que jamais se pegue Lula mesmo que existam motivos para isso. Em parte ao menos, a manobra funciona. Formalmente falando, o ex-presidente, saibam, não é um investigado. E não deixa de ser um rebaixamento de sua, digamos assim, grandeza o fato de a investigação que mais se aproxima dele ser esta da Bancoop.
Há sinais de
que houve lambança nisso tudo? Aos montes. Observem que não existe papo
direto e reto com petistas. As explicações são sempre rocambolescas e
nebulosas. Dado o número de associados prejudicados, é coisa grande.
Mas
pergunto: esse lance de certa lateralidade da Lava Jato faz justiça à
importância de Lula na investigação? A resposta, lamentavelmente, é não.
Acho um espanto que, depois das delações de Fernando Baiano e de Nestor
Cerveró, ambas homologadas, não haja um procedimento formalmente aberto
para investigar a atuação de Lula no contrato que o Grupo Schahin fez
para administrar um navio-sonda. Uma vez celebrado, o grupo esqueceu uma
dívida do PT que estava na casa dos R$ 60 milhões.
Entenderam
meu ponto? Mesmo com essa investigação em curso, Lula continua a ser
tratado como inimputável. Sim, é certo que ele pode se enrolar se ficar
provada uma tramoia envolvendo o apartamento. Mas convenham: isso é
muito pouco, não é mesmo?, depois das delações de Baiano e Cerveró.
Alguém dirá
que se trata de uma tática do Ministério Público Federal. Pode ser. Mas
eu acho que chegou a hora de parar com esse negócio. Ao contrário do que
sugere Jaques Wagner, Lula não está acima de qualquer suspeita. A
considerar as delações de Baiano e Cerveró, ele é o fio que ajuda a
desenrolar o resto.
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