MP suspeita de dinheiro de Vaccari em paraíso fiscal e PF investiga viagem de cunhada
Marice Corrêa de Lima estava no Panamá quando foi decretada sua prisão temporária e chegou a ser considerada foragida da Justiça
VEJA
O Ministério Público e a Polícia Federal suspeitam que o
ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso preventivamente, e seus
familiares mantiveram dinheiro sujo em paraísos fiscais. A mulher de
Vaccari, Giselda Rousei de Lima, e a filha, Nayara Vaccari de Lima, já
são investigadas por lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Agora
a recente viagem da cunhada do petista, Marice Corrêa de Lima, ao
Panamá, na América Central, será investigada pela força-tarefa da
Operação Lava Jato. Ela viajou no início deste mês, às vésperas de ser
presa pela PF.
Nesta segunda-feira, Marice foi questionada pelo delegado da PF
Eduardo Mauat da Silva se sua irmã Giselda ou seu cunhado Vaccari mantêm
dinheiro, ativos ou investimentos no exterior. "Acredito que não", ela
respondeu. Além de operadora de propinas para Vaccari e o PT, Marice
agora é apontada como uma auxiliar para que o ex-tesoureiro petista
recebesse "vantagens pessoais indevidas". Segundo o MPF, a mulher de
Vaccari recebia uma mesada paga pela irmã.
Os investigadores já encontraram na conta bancária da mulher de
Vaccari uma série de depósitos não identificados entre 2008 e 2014, que
somam 583.400 reais. A maior parte dos depósitos (322.900 reais) foi
feita de maneira fracionada (abaixo de 2.000 reais cada), uma forma de
despistar os órgãos de controle. Os 260.500 reais restantes foram parar
na conta de Giselda em valores maiores que 10.000 reais. Câmeras de
segurança do Banco Itaú flagraram Marice fazendo depósitos do tipo para
Giselda em duas ocasiões no mês passado, embora ela tenha declarado à PF
que não transferiu dinheiro para a irmã ou a sobrinha neste ano.
Durante o interrogatório, o delegado interpelou Marice sobre o motivo
do deslocamento ao Panamá. Ela já havia sido monitorada pela Imigração
no ano passado, mas estava fora do país quanto a PF deflagrou a 12ª fase
da Lava Jato, na última quarta-feira. Uma das missões dos agentes era
prendê-la e fazer buscas no apartamento de Marice em São Paulo, cujo
endereço aparece em documentos e interceptações telefônicas como uma
espécie de central de propina, ou money delivery (entrega de dinheiro, em inglês), conforme anotado em uma planilha apreendida.
À PF, Marice disse que estava em um compromisso profissional. Formada
em Administração, ela trabalha desde 2006 como coordenadora financeira
na Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas (CSA) e recebe
9.000 reais brutos, segundo declarou. Marice afirmou ao delegado que
viajou no dia 5 de abril ao Panamá para "a fim de participar de uma
reunião do conselho da CSA e de um Fórum Sindical das Américas". Ela
disse "não ter realizado nenhuma atividade ou contato no país a pedido
de sua irmã Giselda ou de Vaccari".
Marice disse também que, assim que tomou conhecimento da decretação da sua prisão temporária, retornou
imediatamente ao país, para se apresentar à Superintedência da PF em
Curitiba (PR), onde está presa. A versão não convenceu os procuradores
da República.
"Nunca é demais agregar que Marice estava no Panamá, conhecido
paraíso fiscal da América Central. Em que pese a sua viagem por si só
não seja ilícita, este fato associado ao contexto das atividades de
Marice, aparentemente operadora de recursos ilícitos, merece no mínimo
aprofundamento investigativo, pois levanta suspeitas da manutenção de
depósitos ocultos no exterior, como por diversas vezes se verificou com
outros investigados nesta operação", disseram os responsáveis pela
força-tarefa da Lava Jato, no pedido de prisão preventiva de Marice
enviado ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba.
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