domingo, 29 de janeiro de 2012

O FÓRUM SOCIAL VAI RECLAMAR DO QUÊ? DA CORRUPÇÃO NA POLÍTICA BRASILEIRA? DA DITADURA CUBANA? DA DITADURA NA COREIA DO NORTE? DA REPRESSÃO AO CONSUMO DAS DROGAS?

Esvaziado, Fórum Social termina hoje sob crise existencial
Evento em Porto Alegre, que contou com a presença da presidente Dilma, foi ignorado por líderes estrangeiros
Um dos idealizadores, Chico Whitaker propõe mudança de estratégia para atrair insatisfeitos com o formato atual
BERNARDO MELLO FRANCO - FSP
Criado em 2001 como contraponto de esquerda à cúpula econômica de Davos, o Fórum Social Mundial encerra hoje sua 11ª edição esvaziado e com dúvidas sobre a própria capacidade de manter alguma relevância no cenário internacional.
O clima de crise existencial marcou o evento em Porto Alegre, que recebeu a primeira visita de Dilma Rousseff como presidente, mas foi ignorado por líderes estrangeiros e ganhou ares de congresso do PT.
Um dos idealizadores do fórum, o ativista Chico Whitaker expôs o desconforto na sexta-feira, em desabafo que surpreendeu a plateia acostumada com discursos empolgados sobre a derrocada iminente do capitalismo.
Ele disse que o encontro não conseguiu se conectar a novos fenômenos como os movimentos de "indignados", que passaram a ocupar ruas na Europa e nos EUA.
"Temos que mudar de estratégia. Hoje concordamos em tudo e saímos daqui satisfeitos com nós mesmos. Precisamos inventar uma maneira de começar a falar com os 99% que estão insatisfeitos", disse Whitaker.
Anunciado como evento preparatório para a Rio+20, o Fórum deste ano não conseguiu articular um consenso sobre a melhor forma de preservar o planeta.
Enquanto ambientalistas recitavam o discurso de defesa das florestas, intelectuais de esquerda alertavam que a causa seria usada pelo G8 para barrar o crescimento dos países emergentes.
Sem o FMI ou o governo Bush para combater, o fórum elegeu como alvo a ação da PM paulista em Pinheirinho. A causa uniu ativistas, a comitiva de Dilma e até a ex-presidenciável Marina Silva.
FALTA DE PÚBLICO
O fórum teve números modestos mesmo para a versão temática. Segundo a organização, 40 mil pessoas teriam participado, mas só 7.000 chegaram a se inscrever.
O acampamento para jovens não lotou, a marcha de abertura foi dominada por claques de centrais sindicais e as barraquinhas de livros marxistas e camisetas de Che Guevara praticamente sumiram da paisagem.
Até o discurso de Dilma sofreu com a falta de público, agravada pela decisão de espalhar atividades por mais três municípios gaúchos administrados pelo PT.
Em Porto Alegre, os debates na Assembleia Legislativa ajudaram a projetar o pré-candidato petista a prefeito, Adão Villaverde.
O presidente uruguaio José Mujica, convidado para debater com Dilma, cancelou a viagem. O boliviano Evo Morales e o venezuelano Hugo Chávez, que bateram ponto em anos anteriores, também não apareceram.

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