O dilema do PT
O ministro da Justiça, certamente
atendendo a uma orientação de Dilma, declarou que o governo não está
fazendo pressão contra Eduardo Cunha, que continua certo de que todas as
denúncias que surgem contra ele têm como fonte o Palácio do Planalto.
Mas
o presidente do PT, Rui Falcão, fez um apelo público aos três
representantes do partido no Conselho de Ética para que votem pela
admissibilidade da denúncia que, se acontecer, significará que o
presidente da Câmara não tem mais força para controlar o Conselho.
Ele
já recebeu contra 7 dos 9 votos previstos, e não é possível hoje dizer
se os três petistas farão a balança pender contra Cunha, ou se o
salvarão, e nem mesmo se haverá algum voto inesperado contra ele.
Esta
noite brasiliense será certamente das mais quentes, muito além do calor
de verão que fez o presidente do Conselho de Ética, deputado José
Carlos Araujo, reclamar do ar condicionado da sala.
As tentativas de
retardar a decisão, ou mesmo de aprovar uma punição mais branda a
Eduardo Cunha antes mesmo de começar o processo, aconteceram como o
previsto.
O tempo que perderam discutindo quem chegou primeiro à
reunião, quem furou a fila de presença, foi fundamental para que a
votação não acontecesse ontem mesmo. O deputado Manoel Junior, do PMDB,
suplente no Conselho, jogou como um titular do time de Cunha.
Fez
diversos questionamentos sobre o regimento, confundindo o já confuso
presidente do Conselho, apenas para ganhar tempo, nenhuma questão era
fundamental ou realmente necessária.
O deputado Wellington Roberto
(PR-PB), que apóia o presidente da Câmara, apresentou um voto em
separado em que, ao mesmo tempo considera que não há motivos para
processar o presidente da Câmara, e pede uma censura pública a ele.
O
que parece uma contradição em termos tem sua lógica. Se o Conselho
considerar que não há motivo para processar Eduardo Cunha, pode haver um
recurso ao plenário para rever a decisão. E tudo indica que hoje Cunha
já não tem maioria para se livrar do processo.
Mas, se o Conselho
decidir puni-lo de alguma maneira, encerra-se lá mesmo a discussão. O
deputado Wellington Roberto quer uma punição por que, ao negar durante
depoimento na CPI da Petrobras que possuía contas no exterior, Cunha não
teria mentido, mas faltado com "a responsabilidade do cuidado nas suas
declarações, exigindo o compromisso com a sua exatidão maior do que a
demandada dos demais 512 deputados".
Eis, senhores, um deputado
rigoroso, ético, que mesmo sendo reconhecidamente um aliado de Cunha,
quer puni-lo para que pense melhor antes de falar. Enfim, a reunião do
Conselho de Ética foi dominada pela pantomima costumeira na Câmara, e
até mesmo o deputado Chico Alencar quase foi usado para atrasar mais
ainda a decisão final sobre Cunha.
Como também o deputado do PSOL
está sendo acusado de falta de decoro no Conselho de Ética pelo ético
deputado Paulinho da Força, uma manobra de Cunha e aliados contra o
PSOL, que liderou o processo contra o presidente da Câmara, o presidente
do Conselho José Carlos Araujo chegou a colocar na pauta da reunião de
hoje o caso de Alencar antes do de Cunha, alegando que o deputado do
PSOL certamente gostaria que seu caso fosse logo julgado.
Mas Chico Alencar disse que considerava mais lógico continuar analisando o caso de Cunha para depois entrar o seu na pauta.
Hoje,
prevêem-se mais manobras regimentais antes que a votação prossiga, mas,
se nada acontecer na noite de Brasília, é provável que a questão seja
resolvida hoje. Uma coisa é certa: os três petistas que compõem o
Conselho de Ética não terão uma noite tranqüila.
Nenhum comentário:
Postar um comentário