quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

PT decide votar contra Cunha, que pode deflagrar impeachment de Dilma
Ranier Bragon/Folhapress
José Geraldo (PT-PA) conversa com outros deputados petistas no Conselho de Ética da Câmara
A mudança de posição dos petistas, que até então estavam inclinados a fechar com Cunha, tem potencial explosivo no Congresso.
O presidente da Câmara ameaça deflagrar o processo de impeachment contra Dilma Rousseff em retaliação, além de mobilizar seus aliados para boicotar a pauta econômica que o governo pretende aprovar nas próximas semanas, entre elas a autorização de fechar o ano de 2015 com um rombo de R$ 120 bilhões.
"Vamos enfrentar. Qualquer assunto que vier, vamos enfrentar. A Dilma não deve nada, entendemos que a oposição quer cercear o direito de ela exercer um mandato legítimo, portanto, quer um golpe", afirmou o líder da bancada do PT, Sibá Machado (AC), após a reunião com os deputados do partido.
"Quem acha que vai nos chantagear vai perder", acrescentou.
Os três integrantes do PT no Conselho estavam na reunião e afirmaram que irão votar contra Cunha, ou seja, para que seu processo tenha continuidade. Alguns deputados se abstiveram na reunião, que foi realizada a portas fechadas.
SÓ NA TERÇA
A votação, porém, só deve acontecer na próxima terça (8). Nesta quarta, o presidente da da Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, José Carlos Araújo (PSD-BA), decidiu encerrar a sessão parlamentar menos de meia hora depois de sua abertura.
A decisão se baseou na impossibilidade do Conselho de Ética deliberar enquanto estiver em andamento sessão conjunta do Congresso Nacional, que teve início por volta das 13h. Os deputados federais chegaram a discutir a possibilidade de convocar uma sessão parlamentar nesta quinta-feira (3), mas José Carlos Araújo ponderou que não haveria quórum para realizar a reunião.
Cunha tem assegurados 9 dos 20 votos (o presidente do colegiado só vota em caso de desempate) e precisava do PT para formar maioria a favor do arquivamento do caso.
Apesar da inclinação de petistas da Câmara para embarcar nesse acordo, metade da bancada de 60 deputados se posicionou contra. Pressionado pela militância do partido, o presidente da legenda, Rui Falcão, também se manifestou a favor da continuidade do processo.
O Palácio do Planalto, porém, trabalhava para levar os votos do PT para Cunha. Os ministros Jacques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Governo) estavam à frente dessa articulação.
Na noite de terça, Rui Falcão pediu aos deputados federais petistas que integram o Conselho, por telefone, que votassem contra Cunha para evitar o desgaste ao partido. Na avaliação do dirigente petista, um acordão com Cunha iria "acabar com a imagem" do PT.
Fazem parte do Conselho de Ética os deputados Zé Geraldo (PT-PA), Valmir Prascidelli (PT-SP) e Leo de Brito (PT-AC).
"Estamos conscientes de que teremos desafios e uma vida dura no Congresso daqui em diante. Agora o governo precisa entrar em campo com mais força para nos ajudar", afirmou Zé Geraldo.
ADIAMENTO
A decisão sobre o trâmite do processo de cassação do presidente da Câmara acabou adiada após seis horas de discussão nesta terça (1º). Com isso, Cunha conseguiu protelar novamente o desfecho do caso. Até o fim da sessão, sete deputados anunciaram que votariam pelo andamento do processo e um, contra.
A sessão terminou sem que os três deputados do PT se posicionassem formalmente. Durante o dia, no entanto, a declaração mais incisiva sobre a pressão a que estavam submetidos veio do deputado José Geraldo (PT-PA).
"Estamos votando não com a faca, mas com a metralhadora no pescoço. E a metralhadora está na mão do Cunha", disse o petista.
Ele chegou a dizer que, se votasse a favor de Cunha, não estaria falando a favor o peemedebista, mas pela "salvação do país, da economia e do emprego", numa referência ao mandato de Dilma. 

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