Le Monde
Umit Bektas/Reuters
Presidente turco tem atitude ambígua no combate ao Estado Islâmico
Diante de uma Europa desunida e indecisa, o presidente turco, Recep
Tayyip Erdogan, se encontra em uma posição vantajosa e está gostando
disso. Bruxelas tem cortejado Ancara, ator-chave de uma crise dupla que
na verdade é uma só: a do fluxo migratório com destino à União Europeia
(UE) e a do caos do Oriente Médio. Mas, em sua complicada relação com a
Turquia, a Europa tem sido menos vítima de Erdogan do que de sua própria
negligência. É um espetáculo triste.
Três horas de negociações
em Bruxelas, no domingo (29), entre os europeus e a Turquia, para tentar
controlar o fluxo migratório mais forte que o Velho Continente já viu
desde 1945, resultaram em um acordo mínimo e sem cronograma. Os 28
Estados-membros solicitaram a ajuda de Erdogan para estabilizar uma onda
migratória, provocada pelas guerras na Síria, no Iraque e no
Afeganistão, e que resultou na chegada de mais de 1 milhão de pessoas
desde janeiro.
A pressão mais forte vem da Síria e ela se exerce sobre um dos países mais frágeis da UE, a Grécia, que com seus 15 mil km de fronteiras marítimas ao longo de um elegante arquipélago deveria assegurar o controle e o registro dos imigrantes, mas é incapaz de cumprir essa tarefa de guardiã de uma das fronteiras externas da UE. Para piorar, a Turquia, que já acolhe 2,2 milhões de refugiados sírios, não tem feito muitos esforços para dissuadi-los de embarcarem com destino a uma ilha grega, com todo um mercado criminoso por trás, de coiotes e cumplicidades diversas.
A UE quer que Ancara retenha os refugiados sírios. Muitos deles concordam, pois pretendem ficar o mais perto possível de suas casas. A Turquia exige compensações diversas, e obteve no domingo uma promessa de 3 bilhões de euros --ainda vaga e por uma duração a ser determinada--, uma flexibilização do regime de vistos para seus empresários, e por fim a reativação do processo de adesão de Ancara à UE.
Há tanta ambiguidade quanto hipocrisia nos resultados dessa cúpula. Mas a Turquia, país de 73 milhões de habitantes, não está errada ao ironizar as contradições da Europa. Esse é um continente com mais de 500 milhões de habitantes, incapaz de qualquer ação coletiva diante de um fluxo migratório que, se quiserem de fato relativizar os números, deveria ter suscitado uma resposta unitária e organizada, em vez de um festival de reações nacionalistas e egoístas.
A Turquia de Erdogan é uma parceira difícil e imprevisível. Ela tem uma atitude ambígua no combate à organização Estado Islâmico (EI), embora ela mesma seja vítima dele, uma vez que provavelmente foram assassinos do EI que mataram no sábado uma das figuras da causa curda, Tahir Elçi, presidente da associação de advogados de Diyarbakir. A deriva autocrática de seu presidente e o discurso de desprezo que ele mantém contra o Ocidente a cada dia o afastam um pouco mais da UE.
Tudo isso é verdade. Mas o que as crises que surgiram da tormenta do Oriente Médio revelaram primeiramente foram as fragilidades de uma UE em plena regressão, sem nenhuma política externa e de defesa em comum, sem nenhuma política de imigração, e sem nenhum ou com poucos reflexos de solidariedade entre seus membros. Isso se vê em Washington, em Moscou e em Pequim. Mas isso também tem se visto em Ancara.
A pressão mais forte vem da Síria e ela se exerce sobre um dos países mais frágeis da UE, a Grécia, que com seus 15 mil km de fronteiras marítimas ao longo de um elegante arquipélago deveria assegurar o controle e o registro dos imigrantes, mas é incapaz de cumprir essa tarefa de guardiã de uma das fronteiras externas da UE. Para piorar, a Turquia, que já acolhe 2,2 milhões de refugiados sírios, não tem feito muitos esforços para dissuadi-los de embarcarem com destino a uma ilha grega, com todo um mercado criminoso por trás, de coiotes e cumplicidades diversas.
A UE quer que Ancara retenha os refugiados sírios. Muitos deles concordam, pois pretendem ficar o mais perto possível de suas casas. A Turquia exige compensações diversas, e obteve no domingo uma promessa de 3 bilhões de euros --ainda vaga e por uma duração a ser determinada--, uma flexibilização do regime de vistos para seus empresários, e por fim a reativação do processo de adesão de Ancara à UE.
Há tanta ambiguidade quanto hipocrisia nos resultados dessa cúpula. Mas a Turquia, país de 73 milhões de habitantes, não está errada ao ironizar as contradições da Europa. Esse é um continente com mais de 500 milhões de habitantes, incapaz de qualquer ação coletiva diante de um fluxo migratório que, se quiserem de fato relativizar os números, deveria ter suscitado uma resposta unitária e organizada, em vez de um festival de reações nacionalistas e egoístas.
A Turquia de Erdogan é uma parceira difícil e imprevisível. Ela tem uma atitude ambígua no combate à organização Estado Islâmico (EI), embora ela mesma seja vítima dele, uma vez que provavelmente foram assassinos do EI que mataram no sábado uma das figuras da causa curda, Tahir Elçi, presidente da associação de advogados de Diyarbakir. A deriva autocrática de seu presidente e o discurso de desprezo que ele mantém contra o Ocidente a cada dia o afastam um pouco mais da UE.
Tudo isso é verdade. Mas o que as crises que surgiram da tormenta do Oriente Médio revelaram primeiramente foram as fragilidades de uma UE em plena regressão, sem nenhuma política externa e de defesa em comum, sem nenhuma política de imigração, e sem nenhum ou com poucos reflexos de solidariedade entre seus membros. Isso se vê em Washington, em Moscou e em Pequim. Mas isso também tem se visto em Ancara.
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